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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Desmontando o esquema das tais Privatizações...

Antes de mais, caros Aldeanos, desejo-vos um Bô Ano Nôbo!

E cá estamos nós, de novo na praça cá da Aldeia, para zurzir na bardinagem que anda por aí a dar cabo disto tudo!...

Já aqui botámos algumas bocas sobre isso das Privatizações Selvagens, inverso das Nacionalizações do PREC - a sigla agora até pode ser a mesma, agora PREC = Processo Reaccionário em Curso, protagonizado pela pandilha PSD, CDS e parte do PS, sobretudo o que emergiu do Socratismo. 
Sob a capa de uma "crije" que, quanto a nós, foi produzida artificialmente nos laboratórios da banca e do sistema financeiro internacional, para implementação de uma agenda neoliberal, eis que a palavra de ordem foi (e é): PRIVATIZAR, PRIVATIZAR, PRIVATIZAR!....


... E depois queixem-se que pagam a electricidade mais cara, ou que já não têm os Correios à porta...
... pois então, continuem, camelamente, a botar neles!!! (ou ainda não perceberam que esta Direita neoliberal que por aí anda, não passam de lacaios deste sistema sanguessuga, que suga o Estado, os seus trabalhadores - quando não os manda para o desemprego, como trastes - e, no fim da linha, os utentes/clientes...) - São os tais vampiros da canção do Zeca, que andam por aí, em bandos, pelas avenidas, bem engravatados, tresandando a perfume Boss...

- Sim, Botem neles... mas era com a Bota!!!


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A morte antecipada da aldeia (real)...

Foto de Adriano Miranda/Público 

Já rios de tinta correram sobre o tema dos incêndios, e, como tal, tudo o que mais se possa acrescentar é chover no molhado. Mas, das várias coisas que lemos, e porque este blogue tem por título o trocadilho entre o "aqui d'el rei" e o "aqui d'aldeia", em que se subentende o "quem nos acode?", se bem que atiremos para a dita "aldeia global", é sempre a "aldeia real" que nos serve de norte, ainda que muitas vezes nesse conceito envolvamos a Tugalândia, país imaginário habitado pelos Tugas.

E, comovendo-nos como Marcelo sobre a tragédia, a pergunta que mais nos perturbou foi feita por alguém sofrido, algures perto de Vouzela, reproduzida numa reportagem da jornalista Natália Faria, de que se fez eco a tribuna neoliberal que dá por nome de "Observador", e que foi esta:  “Depois disto, o que é que nos segura cá?”

Com a devida vénia, transcrevemos o resto:

«Em aldeias há muito ameaçadas pelo despovoamento galopante, os mortos confirmados estavam todos ao pé da porta de Maria de Lurdes, no lugar de Vila Nova. “Sabíamos que as pessoas estavam lá, mas não imagina o que isto foi, com fogo por todo o lado. Ninguém conseguiu lá ir. Às tantas, dei por mim a pensar uma coisa que até me custou: ‘Já devem estar mortos.’ E mortos estavam, coitadinhos.” Quando via as notícias de Pedrógão, Maria de Lurdes, que tem nos vizinhos a família que, solteira e sem filhos, nunca teve, costumava benzer-se: “Nós aqui estamos no céu.” Afinal, não. “É um inferno como os outros. Depois disto, o que é que nos segura cá?”»

Sim, é isso. O que é que ainda nos segura cá? Remam contra a maré, últimos moicanos resistentes, cercados e avassalados pela "civilização" global, num tempo e lugar onde se tornou contraproducente produzir o quer que seja, pois que a concorrência da agricultura industrializada de porcarias feitas à pressão, desde batatas transgénicas aos pitos de aviário cheios de nitrofuranos e hormonas que decerto têm amaricado as sociedades urbanóides, e, por fim, isto!!

E agora esperem só pelo que vem por aí... Quando estes últimos resistentes tiverem desistido, a vegetar num lar qualquer, os filhos e netos, perdidos algures na cidade ou na estranja, vão em breve receber o fatídico telefonema dos agentes dos oligopólios que vão começar a comprar a terra queimada por tuta e meia. Segue-se o emparcelamento, virão potentes máquinas que vão escalavrar todos os solos milenares, e, seguindo projectos bem delineados em gabinetes de silvicultores altamente especializados e aconselhados por peritos em incêndios florestais, começarão sistematicamente o plantio da nova floresta neoliberal, a mata que não arde, altamente produtiva, com espécies de crescimento rápido, para pasta de papel e mobiliário do Ikea, tudo controlado por computador a partir da Suécia, ou da China, ou de outro ponto qualquer da aldeia global... - Claro que terão por cá os seus agentes locais, como aquele sr. ministro que se queixava, há muitos anos, de estar a perder dinheiro no governo (era um alto quadro da portucel), mas que de lá o não deixaram sair enquanto não produziu, durante mais de 10 anos, uma série de legislação para acobertar a eucaliptação da Tugalândia.... Ou o outro das negociatas dos chaparros, que decerto se perfila para ser ministro de agricultura e florestas num futuro governo pós-geringonça... para além da sua querida líder, que igualmente favoreceu a eucaliptação na sua passagem também pelo ministério da agricultura... Por isso, as suas moções de censura são lágrimas de crocodilos ávidos de voltar aos postos de controlo das centrais de distribuição de apoios a esses grandes oligopólios que os patrocinam e de que são agentes e testas de ferro.

Sim, a morte da aldeia real é também isto: a morte de um velho mundo moribundo patente nos olhos do homem da fotografia captada pelo repórter urbano. Espécie mais em vias de extinção que o desaparecido lince da Malcata. Com ele morre um passado milenar, neolítico, de gente com valor e valores agarrada ao seu rincão sagrado. Vem um novo mundo de criaturas sem alma e sem rosto, dominando extensos feudos decerto guardados por guardas armados, talvez netos destes homens, que se irão tornar servos deste miserável sistema que suspeito por detrás desta política de terra queimada. Sim, essa nova floresta capitalista não vai arder, não. Vigiada permanentemente por satélite e por drones e patrulhada por guardas privados, ninguém ouse pôr um pé nela. E, nesse dia, os pirómanos receberão o seu emprego, ou na patrulha de vigilância, ou nas equipas de abate ou serração.

Preparem-se. Vem aí a nova floresta neoliberal, asséptica,  a mata que não arde, altamente produtiva. O pinhal "nacional" desde D. Dinis, já era, tal como o pinhal do ti António, do ti Manel, ou do Ti Zé da aldeia real... Acabou. É preciso "modernizar a nossa floresta", vai ser o mote. E o papalvo come e aplaude.


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A roubalheira telefónica - e não só!

Diz-se por aí que:

Dantes só havia Números de Telefone da PT e alguns 800 (grátis) e 808 (preço de chamada local); aí chegaram à conclusão que o Povo Português estava a ser Pouco Roubado e, com o Aval Governamental, implementaram os 707 que até a Assistência em Viagem das Companhias de Seguros, e não só, e os Serviços de Finanças adoptaram com as seguintes vantagens para a Operadora que para os Utentes é Só Prejuízo: Experimentem chamar a Assistência em Viagem, situação na qual NINGUÉM TEM TELEFONE FIXO e reparem no próximo Extracto da Conta do Telemóvel... Mesmo do Telefone Fixo falem para as Finanças ou para quem quer use esse indicativo 707 ou similar e depois faça o mesmo em relação ao Extracto da Conta do Telefone . Vai ràpidamente chegar à conclusão que o Benefício não é para Si mas para quem o Estado Protege Contra Si...
IMPUNEMENTE!!!

 
CUSTAM POR MINUTO 5€ EM TELEFONE FIXO E 18€ EM TELEMÓVEL, TUDO POR MINUTO

Indicativo 707 ... vão aumentando os serviços que o utilizam...

ATÉ AS FINANÇAS...


- Conclusão: são sinais dos tempos e do tal de Neoliberalismo galopante - como diz o grande arauto deste sistema cá pela Tugalândia, o Abominável César das Neves, "não há almoços grátis"....

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Ainda sobre os fogos de Verão... e porque é Verão!...

Os bitaiteiros da nossa praça já disseram para aí munta coija sobre isso dos FOGOS... Por isso, não querendo ser mais um, abstive-me de mandar mais lavercas sobre o assunto.

Mas, entretanto, encontrei por aí na rede umas bocas de um amigo, a propósito de um artigo da jornalista Helena Matos, este: http://observador.pt/opiniao/fogo-de-vista/   

- publicado no pasquim virtual neo-liberal "Observador", e achei por bem compartir connvosco, pois é exactamente o que penso:

«Pois é, querida Helena Matos, será exactamente nos "meios" que anda o busílis da questão... 
Desde os anos 80 que começamos a ver a progressão desses meios: lembro-me de um improvisado heliporto, em frente do quartel dos bombeiros da terrinha, em que, na extremidade traseira, junto ao rotor vertical, havia uma bandeirinha... Qual? qual?... Creio q ainda se chamava República Federal da Alemanha... Quem fretava os ainda hoje denominados "meios aéreos"? Diziam q era um negócio que chegava a ministros e secretários de Estado... Seria ainda a' conta da tal malinha do Rui Mateus (o tal q foi a' horta, por conta de quem ficou a' porta)? Seria por conta já dos famosos chubchidios q corriam então a' pala da entrada na UE, e q estamos hoje a pagar? Bem, os tais calicopteros entretanto desapareceram, mas o negócio dos aviões não parou... Assim como o negócio dos tanques, camiões-cisterna, mangueiras, capacetes, uniformes, etc., etc.... Até a' situação - que esta ouvi eu a um bombeiro, em tom recriminatório, a um senhor q teve o fogo perto da sua casa de campo: "o sr. sabe q tem de ter o mato limpo 50 metros em redor da casa?" Ao q a pessoa respondeu q costumava ter, mas o caseiro reformou-se, e não sabia a quem encomendar esse trabalho, visto q vivia no Porto... "- Mas há cá quem faça isso!" Quem? - perguntou o homem. "- Fale com o sr. X". - E onde e' q o encontro? "- Costuma estar pelo nosso quartel." Poixxx...... É algo parecido com os vírus e os anti-virus informáticos... A necessidade gera a resposta à necessidade - lei da satisfação das necessidades. Estuda-se em Economia. E assim, depois do "fogo pastor" de antanho, ou da locomotiva a vapor, ou dos reaças, de que fala a Helena Matos, ou ainda o "fogo pirómano", ou do madeireiro, ou da celulose, etc., há a considerar este tipo de fogo neoliberal... Business!... Business.... Tudo é business, neste sistema. De certeza q alguém lucra, à custa de quem paga os custos milionários desta indústria do apaga-fogos... Ah, e falando de Economia, já o Keynes dizia que a crise americana dos anos 30 se resolvia pondo metade dos desempregados a abrir buracos, e a outra metade a tapá-los, pagando-se alguma coisa, a uns e outros, por isso. Punha-se assim o capital de novo a circular. Podia-se adaptar o princípio, pondo-se metade dos portugueses desempregados a chegar fogo, e a outra metade a apagá-lo, pois sempre seria uma repartição mais justa, do que irem os milhões só para alguns. Quando já não houvesse nada mais para arder, acabava-se o problema. Ah, e agora sim, metade a abrir buracos, outros a por árvores e a tapar as covas (com as televisões a filmar tudo, sobretudo os fogos, que dão sempre umas excelentes imagens). Quando as árvores crescessem, voltava-se a queimar e a apagar e a replantar, e assim sucessivamente, pois no capitalismo o negócio não pode parar....
Claro que só ironicamente se pode aventar tal coisa. Claro que seria preferível pôr os desempregados, os bombeiros, a pouca tropa que ainda resta, os voluntários (sobretudo os jovens), pessoal dos municípios e juntas de freguesia, além dos proprietários, a trabalhar na prevenção: A) limpeza das matas; B) acções de sensibilização e consciencialização. Claro q isto é uma utopia, e estragava o tal negócio chorudo de uns poucos... Só assim se explica que tantos anos volvidos ninguém ponha cobro a este "negócio de verão", e que quando se apanha algum miserável "pirómano", em pouco tempo está cá fora, se é que tão pouco vai dentro, com o atestado de inimputabilidade apresentado a tempos por qualquer advogado ratolas que alguém misteriosamente pagou...
Enfim, é verão. Uns vendem gelados na praia, outros andam nos fogos. Um negócio como outro qualquer, diz o tuga, encolhendo os ombros no seu típico jeito do "não é nada comigo". Sim, porque isso de consciência ambiental são manias de países ricos. Deixem "trabalhar" quem "trabalha".... »

sábado, 9 de maio de 2015

Ainda a escandaleira dos ordenados pornográficos de certos "gestores"...

Sim, o Neoliberalismo é isto: a afirmação e o aprofundamento das desigualdades. E, quando se trata de paízecos atrasados, tipo Terceiro-mundo, maiores são as mordomias da classe dirigente, os deuses dos novos tempos, os tais de... "gestores"! - Gente infalível, eventualmente formada em universidades estrangeiras, que faz o favor de permanecer por cá, não se sabe bem por quanto tempo (até que as empresas públicas sejam de todo privatizadas ou então que estoirem), pelo que é preciso aproveitar o máximo enquanto se pode...
E quanto à diferença em relação os políticos governantes, realmente não é de admirar... Se estes são os "mainatos", ou lacaios, ou "testas de ferro" dos que verdadeiramente mandam (e os "gestores", por sua vez, são apenas os rostos visíveis de outros ainda mais poderosos, escondidos atrás das moitas), que esperam??


Tomem lá mais esta, para reflexão... - Ah, e depois daqui a uns tempos, não se esqueçam de votar como os ingleses: mais do mesmo!!!



ASSIM VAI O MUNDO…..GANHAM BEM E ARRUINAM AS EMPRESAS COM ESTES SALÁRIOS.
 Pedir mais austeridade com estes exemplos... é no mínimo, escabroso....
 

1º Exemplo

-   Presidente dos EUA recebe por ano $400.000,00                    291.290,41 Euros;
-   O Presidente da TAP recebeu, em 2009,                                  624.422,21 Euros;
-   O Vice-Presidente dos EUA recebe por ano $ 208.000,00       151.471,01 Euros;
-   Um Vogal do Conselho de Administração da TAP recebeu    483.568,00 Euros;
-   O Presidente da TAP ganha por mês 55,7 anos de salário médio de cada 
português.

2º Exemplo
- A Chanceler Ângela Merkel recebe por ano cerca de               220.000,00 Euros;
- O Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu                  560.012,80 Euros;
- O Vice-Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu          558.891,00 Euros;
- O Presidente da Caixa Geral de Depósitos ganha por mês 50 anos de salário médio de cada português.

3º Exemplo

-  O Primeiro-Ministro Passos Coelhos recebe por ano cerca de                               100.000,00 Euros;
- 
 O Presidente do Conselho de Administração da Parpública SGPS recebeu          249.896,78 Euros;
- 
 O Presidente do Conselho de Administração da Parpública SGPS ganha por mês 22,3 anos de salário médio de cada português.
 
4º Exemplo

- O Presidente da República recebe por ano cerca de                                                  140.000,00 Euros;
- O Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal recebeu          205.814,00 Euros;

- O Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal ganha por mês 18,4 anos de salário médio de cada português;
 
5º Exemplo

-  O Presidente francês recebe por ano cerca de                                                           250.000,00 Euros;
- 
 O Presidente de Administração dos CTT - Correios de Portugal, S.A. recebeu        336.662,59 Euros;
- 
 O Presidente de Administração dos CTT Correios de Portugal, S.A. ganha por mês 30 anos de salário médio de cada português.

6º Exemplo

-  O Primeiro-Ministro David Cameron recebe por ano cerca de                    250.000,00 Euros;
-  O Presidente do Conselho de Administração da RTP recebeu                     254.314,00 Euros
 
CONCLUSÃO: é muito mais difícil governar uma empresa em Portugal, do que um país inteiro na europa ou nos EUA ....
 
 
  
 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Uma pergunta de A. Garrett (de 1846), cada vez mais actual....

 Mão amiga fez-nos chegar.... (sublinhados nossos):

 OPINIÃO
A Pergunta de Almeida Garrett 
por Viriato Soromenho-Marques, Professor Universitário

A organização não governamental Oxfam aproveitou a realização do Fórum de Davos, por onde passam algumas das personalidades mais poderosas do Mundo, para divulgar um importante relatório sobre a Desigualdade no Mundo de Hoje (Working for the few).  A informação é absolutamente Esmagadora e conta-nos algo que todos já começámos a saber não só pelo Conceito, mas também pela Experiência. Depois de 30 anos em que as Políticas Públicas do pós-guerra, a nível global, ajudaram a diminuir a Desigualdade, entrámos num Ciclo Inverso em que o Estado se tornou Instrumento dos Ideólogos do "Neoliberalismo" Económico. A Riqueza cresceu mas a Desigualdade, essa Explodiu numa Aceleração Exponencial. O Capitalismo Financeiro, na sua Desmesura Devoradora de Recursos Naturais e Capacidades Humanas sob o pretexto de ajudar o "Terceiro Mundo" a sair da Pobreza, acabou por criar dois Buracos Negros para onde o Planeta caminha: O da Crise Ambiental e Climática e o da Crise da Injustiça Social e da Desigualdade. Quando verificamos que na própria Europa a Pobreza se Dissemina como um vírus, percebemos que hoje não faz sentido falar em "Terceiro Mundo" porque esse é o único que existe... O Relatório conta-nos que 85 super-ricos possuem a riqueza  correspondente à da Metade Mais Pobre da População Mundial. Isto responde à pergunta formulada por Almeida Garrett em 1846 nas Viagens da Minha Terra: "E eu pergunto aos Economistas, Políticos, aos Moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é Forçoso Condenar à Miséria, ao Trabalho Desproporcionado, à Desmoralização, à Infâmia, à Ignorância Crapulosa, à Desgraça Invencível, à Penúria Absoluta, para Produzir Um Rico?"
Em 2014, um Super-Rico custa a Miséria de 41.176.000 Infelizes.

Só acrescentamos o seguinte: Garrett era um burguês e um Liberal, ainda que Liberalismo fosse, à época, uma doutrina política de vanguarda (o  1º vol. do Kapital, de K. Marx só sairia em 1867); todavia, apesar da sua "condição de classe" isso não o impediu de ver a injustiça social que nesse tempo se acentuava, quando a procissão do industrialismo ainda saía do adro (e em Portugal nem isso, nessa data)....
Pergunto-me se os burgueses e neoliberais de hoje têm esse tipo de preocupações?.... Bem, basta lembrar o senhorzito do "Eles aguentam, aguentam...", já aqui evocado neste blogue... - De onde é lícito concluir que burguesia de hoje não passa de um bando de aves de rapina sem moral e sem alma, nem outro objectivo que não seja o da rapina. Pelo que, apesar de serem "espécies protegidas", acho que também é licito concluir que andam a precisar de umas boas chumbadas!.... (e no passado domingo já levaram uma, mas ainda é pouco...)


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Os bombos da festa

Havia dantes uma classe socioprofissional normalmente detestada pelo comum dos tugas, porque eram considerados indolentes, arrogantes, arrivistas, e que normalmente chegavam aos cargos (quando não, "tachos") por via dos compadrios, cunhas e paus-de-bandeira nas caravanas e comícios partidários (isto na fase pós-25/04, pois anteriormente era através da Legião, ou inscrição na União Nacional). No tempo da "outra senhora", como o Salazar era "fómento" (outros diriam, comedido na despesa pública), o funcionário público era mal pago, mas, apesar disso, era invejado (e, como tal odiado) pelos demais, porque tinha algum poder (os "petits pouvoirs") e porque, chovesse ou nevasse, "o dele pingava sempre certinho ao fim do mês", ainda que fosse pouco. Mas isto era sempre compensado com algum pé-de-meia com que se poderia comprar uma leira, onde se plantavam umas couves e se criavam umas galinhas e da fome estavam os ditos resguardados. Até que por meios de graxa aos chefes, sempre se conseguia alguma mordomia mais, além dos bons contactos que se granjeavam no exercício profissional. Já para os outros era sempre a incerteza, sem resguardo. No pós-25/04, a fim de se pagarem favores políticos ou a adesão de proles (quanto mais alargada a família, tanto melhor, pois representava muitos votos), houve que arranjar empreguinho a muita boa gente, sobretudo a nível das autarquias, sempre engrossando a seguir a cada acto eleitoral. Mais uma vez, como não dava para todos, os "outros", os que ficavam de fora, passavam a nutrir um ódio visceral aos que tinham entrado para o sistema... E, no que toca aos "costumes" pequeno-burgueses, a coisa piorou, e de que maneira: desde os cafezinhos a meio da manhã e da tarde, com lanchinho, nas horas de serviço, no café da esquina, ao proverbial "coçar de tomates" e tirar o lixo das unhas com a tampa da esferográfica Bic, porque em alguns "serviços" até se estorvarem, por tantos serem. E quem não se lembra da piada que dizia que o funcionário publico nunca apanhava a Sida, porque não levantava o rabo para fazer nada? - Assim se foi avolumando o ódio ao funcionário público.
Quando começou a cruzada neoliberal, direccionada para o desmembramento do Estado, estava bom de ver que a Função Pública ia ser o alvo preferencial. E isso até colhia votos, atento o tal ódio dos "outros" a esse grupo de privilegiados, visto que "os outros" eram (ainda) maioritários relativamente aos tais "malandros". Racionalizar o Estado, moralizar o Estado, cortar na "despesa pública", tinha sempre subjacente o ataque aos funcionários públicos. Mas há aqui um pormenor: para o senso comum, o conceito de F. P. tanto mete no saco os serviços da administração central como os das autarquias, onde residia/reside o principal cancro. Mas, se no primeiro caso, o ataque foi/é desvastador, no segundo, os mesmos têm sido algo poupados, pelo menos no que toca à política de despedimentos. Porquê? Creio que é fácil de explicar: é que na função pública autárquica estão as bases do sistema, os que colam os cartazes e fazem as campanhas - os funcionários dos partidos - os que elegem os dirigentes (sobretudo os do "Centrão"), que, depois, têm na toda-poderosa ANMP um verdadeiro sindicato político, com mais peso do que o STAL. Por isso, vão sendo um pouco mais poupados que os demais.
Resumindo e concluindo, que era necessário moralizar e disciplinar o sector (Função Pública) penso que nisso todos estamos de acordo. Que isso implicava cortar alguns privilégios, também estamos de acordo. Que a "reestruturação" deveria implicar algumas fusões de serviços, mexidas inteligentes nos organigramas, também nos parece pacífico, se bem que sujeito à discussão interna no âmbito desses mesmos serviços. Mas, suspeitamos que, além dos cortes com meros objectivos contabilísticos para alcançar metas troikianas, houve (e há) um objectivo de desmantelamento de serviços públicos para entregar certas funções (e, no futuro, todas!) aos privados, com manifesto prejuízo para as camadas mais frágeis da sociedade (que é a esmagadora maioria - ver o post anterior, neste blogue). Ou seja, os patacôncios que hoje aplaudem a ofensiva anti-função pública, um dia destes terão saudades em que tinham um serviço público gratuito, ou quase, em vista das mais-valias (o tal lucro sempre ávido) que a "função privada" cobrará, na melhor lógica do Capitalismo selvagem (=neoliberalismo). E não me venham com as virtudes "auto-reguladoras" do Mercado. Basta ver como se combinam as gasolineiras e como aí funciona essa "auto-regulação"...


Enfim, feito este introito, aqui vos fica:


«Função Pública - Trabalhadores do Estado já custam o mesmo do que em 1981

Durante os últimos três anos, após a entrada da troika em Portugal, foram várias os sacrifícios pedidos aos portugueses, porém, talvez nenhum setor tenha sido tão afetado com o da Função Pública. Segundo notícia esta quarta-feira o jornal Público, a despesa com os trabalhadores do Estado regrediu, em termos orçamentais, para valores que só encontram paralelo em 1981, esperando-se que este ano esta rubrica absorva apenas 9,5% do PIB.
Cortes salariais, congelamento das carreiras, rescisões amigáveis, horários de 40 horas semanais e, por exemplo, cortes nos subsídios de férias e Natal, foram algumas das medidas impostas pelo Governo para fazer baixar a despesa com funcionários públicos.


O resultado? De 2010 a 2014, o peso da despesa com trabalhadores do Estado baixou dos 12,2% para os 9,5% do Produto Interno Bruto, valor que em 2015 deverá chegar aos 9%, segundo o que está inscrito no Documento de Estratégia Orçamental.
Mas a estratégia seguida pelo Governo poderá não dar os frutos pretendidos, uma vez que, segundo Joaquim Filipe Araújo, especialista em gestão pública da Universidade do Minho, consultado pelo jornal Público, o resultado final poderá ser apenas contabilístico, ficando a faltar fazer a verdadeira reforma do setor.
“Todas as mudanças que ocorreram nos últimos anos não têm qualquer estratégia de fundo e visam a resolução de problemas de curto prazo. (…) No final resolveremos a questão das contas públicas, mas criaremos um problema: uma administração fragmentada e sem coerência”, refere Araújo relativamente ao caminho seguido pelo Governo nos últimos anos e confirmada por José Oliveira Rocha, investigador na área da Administração Pública, que considera que “o Governo não se preocupou em gerir a administração pública, optou antes por gerir cortes”, referiu a este propósito.
O certo é que, três anos depois da entrada da troika em Portugal, de 2011 para 2013 o corte para os funcionários públicos com salário bruto acima de 1500 euros foi de 3,5% a 10%, sendo que desde o início do presente ano se verificou um corte também para os assalariados do Estado que recebam mais de 675 euros, que, neste caso, pode ir dos 2,5 aos 12%.»
in: http://www.noticiasaominuto.com/economia/213970/trabalhadores-do-estado-ja-custam-o-mesmo-do-que-em-1981?utm_source=gekko&utm_medium=email&utm_campaign=daily

terça-feira, 29 de abril de 2014

Miséria e desigualdades crescem em Portugal segundo o INE com a “troika” e governo PSD/CDS

Corre pela Aldeia - estamos fartos de o saber, mas aqui fica cabal e cientificamente demonstrado:

«Miséria e desigualdades crescem em Portugal segundo o INE com a “troika” e governo PSD/CDS

4,5 MILHÕES DE POBRES EM PORTUGAL - aponta um estudo feito por Eugénio Rosa, professor de Economia ligado à CGTP.

Passos Coelho afinal está a conseguir concretizar o seu programa de governo.

Não o programa oficial que apresentou ao sufrágio dos portugueses nas eleições, mas sim o programa escondido, que só revelou imediatamente após o acto eleitoral e que se resume a uma só palavra: EMPOBRECER.

http://networkedblogs.com/VqGi3   (clicar sobre o link para aceder ao documento)

Miséria e desigualdades crescem em Portugal, e 4,9 milhões de portugueses não estão no limiar da pobreza por receberem prestações sociais que governo e “troika” pretendem cortar.»

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Grande Adriano!

Numa intervenção certeira e de grande clarividência, como de costume, o grande transmontano Adriano Moreira afirma que a Tugalândia está governada por um "neoliberalismo repressivo", com a desculpa da "crije". Não podemos estar mais de acordo, tal como o temos dito aqui pela Aldeia. O que nos leva a suspeitar que toda esta "crije", mesmo global, foi forjada para se poder aplicar uma agenda neoliberal cozinhada pela famigerada "Escola de Chicago" (aliás, "para chi cago!") e adoptada pela pandilha do Tea Party do republicanismo americanóide. Que do lado das américas nunca vem nada de bom, já nós sabemos  - que se pode esperar de uma coisa que nasceu do massacre e espoliação de índios e manutenção do esclavagismo negro até bastante tarde? - Agora que pelas Europas haja gente que siga cegamente essas cartilhas fabricadas e engolidas por estúpidos e gordos comedores de hamburgers, é mais grave.
Ainda sobre o que diz Adriano, é de salientar que nem o "ominoso fascismo" foi tão longe nesta política de "Robin dos Bosques ao contrário", ou seja, de roubar aos pobres para dar aos ricos, com a desculpa da famigerada "Crije"... O que nos leva a questionar, que sentido faz, hoje, comemorar o 25/04....

Aqui fica:
«Adriano Moreira: Portugal está governado por "neoliberalismo repressivo"

Volvidas quatro décadas de democracia, Portugal está governado por um "neoliberalismo repressivo", focado no "ataque ao Estado social" e que justifica tudo com "resposta simples" de que "não há dinheiro", critica o professor Adriano Moreira.

"Não ter dinheiro não significa não ter princípios e, portanto, é necessário que a falta de dinheiro não seja acompanhada por lançar os princípios pela janela", contrapôs o ex-ministro, ex-deputado e ex-líder do CDS-PP em entrevista à agência Lusa.
Portugal está hoje numa situação que "talvez não tenha precedente na vida europeia", assinalou, contrapondo que, para "animar a população portuguesa no sentido de recuperar um futuro com dignidade", é preciso dar-lhe "esperança".
Mas, em vez disso, a vida corre "cheia de dificuldades". A democracia produziu "efetivamente um grande desenvolvimento" e "o modo de vida aproximou-se da Europa", mas a "espécie de engenharia imaginosa financeira" que se lhe seguiu resultou numa "evolução muito má (...) até chegar a esta crise global", analisa o professor.
Neste contexto, Portugal "acentuou a sua condição de país exógeno (...), evolucionou para país exíguo e finalmente caiu na situação atual, de protetorado sem definição jurídica", descreveu Adriano Moreira, que recentemente assinou o "manifesto dos 70", que defende a reestruturação da dívida nacional.
Recordando que Portugal "sempre dependeu de apoio externo", o professor admitiu, porém, que essa dependência instalou "vícios" no país. Caído o Muro de Berlim e com ele a divisão entre o modelo ocidental e o comunista, restou o "neorriquismo e a tónica passou a ser gastar mais do que as disponibilidades", resumiu.
"É muito difícil dizer quem é o mais responsável. Eu acho que somos todos responsáveis", frisou, insistindo na importância de definir "um conceito estratégico nacional", o que implica um "consenso" alargado e que todas as diferenças se subordinem "a um conjunto de objetivos e valores que unem a comunidade", em vez de contribuir para "os desafetos, por exemplo, pondo os velhos contra os novos, pondo os reformados contra os ativos".
Para o académico, esse conceito deve privilegiar a relação de Portugal com o mar e defender "uma situação de igualdade na comunidade das nações" e de "dignidade nas relações entre os países".
A aposta na educação e nas instituições é outra das propostas de Adriano Moreira. "A investigação e o ensino são matéria de soberania, não são matéria de mercado", sustenta.
"Quando vejo a situação em que se encontram hoje as universidades portuguesas, acho que o conceito estratégico nacional está abalado", lamentou o presidente da Academia das Ciências de Lisboa.
"A democracia não é constituída só por indivíduos, também é por instituições", pois são estas "que asseguram a continuidade dos valores, dos projetos e da ação", frisou o professor de 91 anos, que olha à volta e vê um cenário "de grande inquietação", o que justifica o título que deu ao seu último livro, "Memórias do Outono Ocidental", "porque as folhas estão a cair».

quarta-feira, 12 de março de 2014

E havia dúvidas?? - a "troika" é uma forma de exercício de ditadura

A questão é simples:

Embriagaram-se os indígenas durante uma grande festa - a que chamamos aqui o "Grande Regabofe"... começou ainda no Cavaquismo (pois claro, o pai do plano, economista que em segunda mão recebeu o reflexo das políticas de Tatcher e, por esta, da famigerada "escola de Chicago" - ou "para chi cago!"), continuou no Guterrismo, entrou ainda pelo Socretismo... de permeio houve um que falou na tanga e fugiu, mas esse nem conta, cá por casa, nem contou nada no "lá fora", a não ser para caucionar o plano...

Estando os indígenas a pão pedir, e o homem do fraque do Capitalismo Internacional a apertar, deu-se início à 2ª parte do plano: chamar as Troikas... Sim, porque quem cá por casa tentasse pôr (alguma) ordem nas contas, ouvia coisas do tipo "Minha senhora, há vida para além do deficit...". E havia aqueles chatos todos das esquerdas a bramir nas ruas e na A.R.. Assim, sob a capa do tal "protectorado" troikeiro, podia-se, com o pretexto de ajustar as contas, finalmente, ir muito para lá disso mesmo: a aplicação da famosa agenda neoliberal...

Pelo que não espanta que para esses prosélitos do neoliberalismo selvagem, que se estão nas tintas para as pessoas e para a democracia, isto da Troika seja uma bênção dos céus... O que me leva a desconfiar que a "crise" (só para alguns) foi um mero pretexto para... E, como tal, foi algo muito bem preparado e provocado...

Aqui têm:

«Eurodeputado francês "Maria Luís vê na troika possibilidade de cortar salários"

O relator do relatório que avalia as operações da troika disse ao Diário Económico que a ministra das Finanças portuguesa “não vê a troika como um problema” e diz que é “bem-vinda para implementar a sua agenda política”.»
Comentário do Zé:
-E que tal uma revolução a sério, com um grande pontapé no rabo a esta gente, e mandando-os para o seu paraíso americano ou alemão?? - Se estamoa condenados a ser miseráveis, então prefiro que isto seja uma espécie de Albânia do camarada Enver Hoxa, pobres, mas livres de Senhoritos - antes isso, do que uma turba de escravos zombies, manipulados e sugados por uma corja de vampiros e de lacaios ao seu serviço!....

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Sobre a "Solução Final" para os Professores...

Continua o plano de extermínio de todo o sector público por parte deste "governo" lacaio do Capitalismo internacional e seus sequazes "nacionais"....
Confesso que até tinha uma boa impressão desse sr. Nuno Crato, antes do cavalheiro ter ido para o governo. Pelos bitaites que por vezes mandava, na fase pré-governo, parecia até ser um tipo sensato. Mas, ao constatarmos este seguidismo relativamente à tal agenda híper-neoliberal de um "governo" destes, ninguém acredita que o homem esteja a fazer o que faz a contragosto. Se está a ser obrigado, há uma solução: demite-se e diz "não contem comigo para isto!". Não o fazendo, é claro que concorda. O que não espanta, pois é sempre de se desconfiar de tipos que vieram da famosa "escola" da extrema-esquerda MRPPaica, e, quais neófitos, quando chegam a lacaios do capital têm de procurar esconjurar esses "devaneios de jumentude", procurando ser mais papistas que o Papa...

Neste cenário de ataque à Escola, à Função Pública, às reformas dos pensionistas, à Saúde, etc, quando patifes banqueiros (e qual o não é?), como um certo Jardim (Gonçalves), ainda hoje acusado pelo caso BCP, mas que seguramente nada lhe acontecerá, como a outros banqueiros ligados a outras siglas, enfim, ainda há quem acredite nesta gente???

Mas, sobre o caso do ataque ao Ensino Público, melhor do que nós, aqui fica pela pena do Professor Santana Castilho este artigo de opinião publicado no "Publico" de hoje (2013.09.11):
 
«Privatizem tambéma nuvem que passa
Santana Castilho*

O ano lectivo que agora se inicia está marcado, pobremente marcado: pelo afastamento da profissão de muitos e dedicados professores; pela redução, a régua e esquadro, sem critério, de funcionários indispensáveis; pela amputação autocrática da oferta educativa das escolas públicas, para benefício das privadas; pela generalização do chamado ensino vocacional, sem que se conheça qualquer avaliação da anterior experiência limitada a 13 escolas e agora estendida a 300, via verde de facilitismo (pode-se concluir o 3.º ciclo num ano ou dois, em lugar dos três habituais) e modo expedito de limpar o sistema de repetentes problemáticos; pela imposição arbitrária de decisões conjunturais de quem não conhece a vida das escolas, de que as metas curriculares, a eliminação de disciplinas, o brutal aumento do número de alunos por turma e as alterações de programas são exemplos; pelo medo do poder sem controlo, que apaga ao dobrar de qualquer esquina contratos de décadas e compromissos de sempre; pela selva que tomou conta da convivência entre docentes; pelo utilitarismo e imediatismo que afastou a modelação do carácter e a formação cívica dos alunos; pela paranoia de tudo medir, registar e reportar, para cima, para baixo, para o lado, uma e outra vez, e cujo destino é o lixo, onde termina toda a burocracia sem sentido; pelo retrocesso inimaginável, a que só falta a recuperação do estrado e do crucifixo.

Providencialmente no tempo (imediatamente antes de se concretizar mais um despedimento colectivo de professores, que marca o ano lectivo) vieram a público dados estatísticos oficiais.

Primeiro disseram-nos que em 2011/2012 tivemos nos ensino básico e secundário menos 13.000 alunos que no ano anterior. Depois, projectando o futuro, prepararam-nos para perdermos 40.000 até 2017.

Providencialmente, no momento, omitiram que, de Janeiro de 2011 a Junho deste ano, desapareceram 47.000 horários docentes. Políticos sérios não insinuam que esta redução de docentes se deve à quebra da natalidade. Trapaceiros, sim.

Nada justifica a desumanidade com que se trataram os professores contratados. Nada justifica o ministerial sadismo de obrigar ao ritual do Fundo do Desemprego, por escassos dias, aqueles que acabarão por ser contratados. Nada justifica o anacronismo de impor um exame de selecção a quem já é professor há uma década e mais, ao mesmo tempo que se entrega a leccionação de disciplinas curriculares a quem nem sequer tem habilitação científica na área.

Na Educação acabaram as subtilezas e perdeu-se a vergonha. Se Fernando Negrão, juiz de carreira e deputado de circunstância, expressou vincado desacordo pelo ensino da Constituição nas escolas, se Passos Coelho clamou pela “União Nacional” e, raivoso com o quinto chumbo constitucional (que impediu o despedimento sem justa casa dos funcionários públicos e foi significativamente decidido por unanimidade) recorreu à boçalidade de linguagem para referir explicitamente os respectivos juízes e, implicitamente, o Presidente da República, por que razão seria Crato recatado e decente? Na mesma altura em que a falácia da “liberdade de escolha” foi o argumento para um passo determinante na privatização do ensino e para a ampliação sem peias das parcerias público-privadas na Educação (outra coisa não são os contratos de associação já vigentes), o preclaro ministro cerceou a liberdade de escolha relativamente às escolas públicas, quando não autorizou o funcionamento de turmas constituídas em função das decisões dos alunos e das famílias. A engenharia social e económica que o Governo acaba de consumar com a aprovação do novo estatuto do ensino particular, a consumar-se com a regulamentação sucessiva que se espera, não se afastará daquela que protege as rendas escandalosas dos sectores energéticos, bancários, das rodovias e outros. Eis o Estado do futuro, o Estado escravo, cujo poder deixou de ser delimitado pela lei. Uma vez mais, a Constituição da República acaba de ser revista por decreto do Governo, que derrogou o carácter supletivo do ensino privado nela contido.
 
A agenda escondida com o objectivo de fora deste Governo é a substituição do Estado social possível, laboriosamente construído em 39 anos de democracia, por um Estado neoliberal, redutoramente classista. Para o conseguir, e a coberto do fantasma da falência, o Governo tem-se encarniçado em reduzir o Estado a funções mínimas de obediência aos titereiros do regime, privatizando o resto. Como fixou Saramago naquele belo naco de prosa que nos deixou desde Lanzarote, não escapará “a nuvem que passa” nem o sonho, “sobretudo se for diurno e de olhos abertos”. Pela mão de Passos e de Crato, abriu o assalto final à Educação. Não lhe declararam a privatização, como fizeram com a água. Mas, sorrateiramente, com melífluas justificações, querem consumá-la.»

*Professor do ensino superior. - s.castilho@netcabo.pt  - in Publico, 2013.09.11



terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O que eles dizem....

Pois. Agora dizem "que falhou". Das duas uma:  1- ou há PSD's (e CDS's) ingénuos, que acreditavam piamente nas virtualidades do "mercado" e nas suas miraculosas capacidades de auto-regulação, o que seria bom para o conjunto da sociedade, liberta assim do peso de impostos para custear uma máquina "parasitária" - o Estado - os mesmos que, agora, face ao mau resultado da coisa (ou do incêndio causado pelos aprendizes de feiticeiro), concluindo isso, se vêm penitenciar (alguns desses, mais autênticos, entregaram já o cartão do partido); 2 - ou então há PSD's (e CDS's) cínicos, que embora sabendo que o resultado pretendido era esse, tentam agora disfarçar um bocado, tentando dizer, "prontos, já chega, já temos um bom nº. de desempregados para aproveitar como mão-de-obra barata, vamos parar por aqui".  - Só que isto é uma bola de neve e um rolo compressor que entrou em roda livre e não vai parar, porque os Silva Penedas deste país, estão reféns, como os coelhotes e outros, da garra dos senhores dos bancos (que continuam a apresentar lucros chorudos e a reaver as casas para as quais "emprestaram" o dinheiro, depois de já terem mamado juros pingues entretanto), e estes só se contentarão quando a tugalândia fôr um imenso antro de mendigos "sem-abrigo"...  - É a "tábua raza" sobre a qual procurarão edificar o seu "admirável mundo novo", o da escravidão moderna (ver documentário "A Servidão Moderna" que anda no Youtube e que também já aqui postámos).

A propósito, veja-se agora (no "Diário Económico" de hoje) a AUTOCRÍTICA deste "aparatchick" laranja, mais um a pedir um tratamento à islandesa:
 
«Diz Silva Peneda:
Crise demonstra que a experiência neoliberal fracassou
O presidente do Conselho Económico e Social (CES), Silva Peneda, disse hoje que uma das lições a tirar da crise é que a experiência neo-liberal fracassou, sendo necessário privilegiar o investimento produtivo e reestruturar o sistema financeiro.
Silva Peneda, que falava na conferência "Global Compact Network Portugal" sobre a responsabilidade social das empresas, sublinhou a importância da dimensão ética, cujo afastamento no setor financeiro levou à crise.
Segundo o presidente do CES, a situação atual é exemplo de como, "com a ausência de princípios éticos, um setor pode arrastar milhares de empresas e cidadãos para um mundo de dificuldades".
Para Silva Peneda, há lições a tirar "desta crise perfeita, em que os consumidores não consomem, os produtores não produzem, as financeiras não financiam e os trabalhadores não têm trabalho".
O presidente do CES é perentório a afirmar que "a época da experiência neo-liberal fracassou e a suposta auto-regulação do mercado é apenas uma teoria sem qualquer correspondência com a realidade, porque o mercado não é capaz por si só de se auto-regular e daí que a intervenção dos poderes e das políticas públicas seja decisiva".
Por outro lado, reconhece que "foi excessivo o papel desempenhado pelo setor financeiro nos últimos tempos, sendo o principal responsável pela situação gerada e por isso deve ser restruturado, tornando-o mais transparente e ao serviço da economia real".»

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Um secreto desejo....

Cá pela aldeia todos sabemos que os politicóides que julgam que mandam ("eu é que sou o prresidente da junta!" ou "eu é que sou o primeiro ministro" - vai dar igual), na verdade não mandam nada. Sempre houve uns "sombras" que são os verdadeiros teóricos do(s) regime(s). E, apesar do anonimato dessas coisas abstractas, tipo "mercados", há alguns que, como o caracol, de vez em quando botam os corninhos ao sol. São aqueles a quem os comunas cá da aldeia (no tempo em qua ainda havia aldeia e comunas nela), chamavam os "capitas". Ora um destes capitas, de apelido alemão como convém (a velha nobreza vinha dos visigodos, tal como a grande burguesia continua meia germânica ou de outro modo estrangeira), um tal de Ulrich, vem com esta "boutade" que se lêm em baixo.
Pois é, todos podemos acabar nesse nível sub-humano de sem-abrigo, sobretudo se se seguirem os princípios doutrinários desta gente, só que o "nós" que ele utiliza jamais se lhe aplicaria. Porque esta gente tem contactos e fortes pés-de-meia algures nas Suissas ou Holandas, ou sabe-se lá mais onde, para se safarem, mal vejam as coisas a dar para o torto. E quando um banco está para vir abaixo, como também já o sabemos, ameaça-se o povão com a hipótese de uma bancarrota para a seguir o "nacionalizarmos" (são as únicas situações em que o capitalismo cede às "nacionalizações"), injecta-se-lhe o dinheiro do Estado (que é pago pelos patacôncios), safa-se a coisa, e a seguir muda-se-lhe o nome e arranja-se um gestor amigo e "com provas dadas" e está tudo resolvido (onde é que eu já vi este filme?).  Realmente, agora me lembro que do outro dia parece que vi o sr. dr. Oliveira e Costa a dormir no chão, debaixo de umas arcadas, embrulhado nuns cartões, algures em Lisboa, coitadinho!...
Enfim, o "nós" que este senhor utiliza, não se lhe aplica a ele e aos demais da sua casta, mas sim a mim e a si, caro amigo, aos que ainda vamos tendo um emprego e aos que estando já no desemprego ainda têm o magro subsídio que estes tipos almejam em cortar-lho, para nos porem todos a morrer à fome. Porque assim, estaremos então no ponto de rebuçado para trabalharmos depois todos para eles por tuta e meia, ou apenas pela malguinha de caldo!.... É o seu programa ideológico e o seu secreto desejo. Para isso é preciso a "tábua raza": "tudo para o desemprego e para a fome, que depois ficam mais mansos e humildes e até nos beijam a mão pelo caldinho"... como os antigos escravos de Roma. E eles, os novos patrícios (como os do século I), a gozar os rendimentos do trabalho dos escravos, algures nas suas termas e coliseus em grandes festanças. -  Ou seja, uma regressão de 2000 anos. Ora tomem lá:

Fernando Ulrich :"Se os sem abrigo aguentam, por que é que nós não?"
- por Ricardo Simões Ferreira


Fernando Ulrich, presidente do BPI Fotografia © Natacha Cardoso / Global Imagens
 
«O "patrão" do BPI decidiu hoje explicar a sua polémica (e famosa) declaração "Ai aguenta, aguenta", relativamente à questão de se o país aguenta mais austeridade. E fê-lo com uma frase igualmente polémica.
Foi no passado mês de outubro que Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI, disse que Portugal aguentaria ainda mais austeridade. Hoje, esclareceu o que queria dizer, comparando a situação de cada cidadão à dos sem-abrigo.
Durante a conferência de apresentação dos resultados do banco, o banqueiro começou por dar o exemplo da Grécia:"Se os gregos aguentam uma queda do PIB de 25% os portugueses não aguentariam porquê? Somo todos iguais, ou não?", questionou, citado pela TVI24.
E depois chegou aos sem-abrigo: "Se você andar aí na rua e infelizmente encontramos pessoas que são sem-abrigo, isso não lhe pode acontecer a si ou a mim porquê? Isso também nos pode acontecer".

"E se aquelas pessoas que nós vemos ali na rua, naquela situação e sofrer tanto, aguentam, porque é que nós não aguentamos?", acrescentou. "Parece-me uma coisa absolutamente evidente", concluiu.»