Todavia, esta "receita" híper-neoliberal que visa apenas o empobrecimento das massas para melhor as explorar, reeditando o velho esclavagismo (que, sabemos hoje - vd. jornal Público - atinge milhões ao nível planetário, com especial incidência numa dessas "economias emergentes", a saber, a Índia).
Há anos que defendo que se configura no horizonte uma nova Idade Média. Todos se riam, pois que não passo de um pobre pastor de aqui de atrás das fragas... Mas, pelos vistos, um categorizado catedrático de economia (M. Blyth) de uma universidade americana (felizmente há mais mundo para além da univ, de Chicago - ou antes: "para chi cago!"...), vai mais longe: denuncia que estes tipos que mandam no mundo querem levar-nos mesmo um pouco mais para trás: para a IDADE DA PEDRA!!!...
Ok, cá pela Aldeia, voltaremos a trocar ovos por batatas, e pitas por borregos, e que se lixe o dinheiro!... . que o metam (banqueiros e afins) todo no C*...
Aqui vos fica:
Fonte: Lusa - 14:22 - 18 de Outubro de 2013
"[Os cortes orçamentais] São
totalmente inúteis. O problema é a forma como os bancos portugueses e a
economia portuguesa estão agarrados a um sistema monetário que tem um banco
central mas não dispõe de um sistema de coleta de impostos (a nível Europeu)
capaz de resolver o problema. Podem espancar a despesa pública portuguesa até a
rebaixarem a 'níveis neolíticos'. É como instalar uma instituição bancária na
Idade da Pedra. Não resolve o problema. O que estão a fazer é totalmente
inútil", disse à Lusa Mark Blyth a propósito dos cortes orçamentais
anunciados pelo Governo português.
O escocês
Mark Blyth, professor de Economia Política no departamento de Ciência Política
da Universidade de Brown, em Providence, Estados Unidos, é autor do livro
"Austeridade -- uma ideia perigosa" em que defende que as medidas
drásticas não são adequadas para a solução da crise económica.
"Quando
tudo começou a arrebentar em 2007 e 2008 ficámos a saber tudo sobre as
fragilidades das economias do sul da Europa, mas também sobre o elevado nível
de endividamento do sistema bancário e que esteve escondido durante mais de uma
década", disse o académico, sublinhando que as medidas impostas pelos
governos dos países expostos à crise não fazem sentido porque apenas servem o
sistema bancário em crise.
"O que
são necessárias são políticas - caso contrário - a mobilidade laboral vai
tentar afastar o problema justificando-a como uma medida económica afastando as
pessoas com qualificações que simplesmente vão abandonar os países. E depois
quem paga os impostos?", questiona Mark Blyth, recordando que na Irlanda
milhares de académicos já abandonaram o país.
Para o
professor de Economia Política, pressionar o sistema com austeridade "como
se fosse um estilo de vida" só pode dar maus resultados e a crise não pode
ser solucionada enquanto se tenta resolver, "ao mesmo tempo", uma
crise bancária "através de reformas governamentais, porque uma coisa não
tem nada que ver com a outra".
"A
austeridade é uma forma de deflação voluntária em que a economia se ajusta
através da redução de salários, preços e despesa pública para 'restabelecer' a
competitividade, que (supostamente) se consegue melhor cortando o Orçamento do
Estado, promovendo as dívidas e os défices" (página 16), escreve Blyth no
livro "Austeridade -- uma ideia perigosa", realçando que não se
verificam à escala mundial casos que tenham sido solucionados com políticas de
austeridade."Os
poucos casos positivos que conseguimos encontrar explicam-se facilmente pelas
desvalorizações da moeda e pelos pactos flexíveis com sindicatos (...) A
austeridade trouxe-nos políticas de classe, distúrbios, instabilidade política,
mais dívida do que menos, homicídios e guerra" (páginas 337-338), escreve
o autor."Mas também é uma ideia perigosa porque o modo como a austeridade está a ser apresentada, tanto pelos políticos como pela comunicação social -- como o retorno de uma coisa chamada 'crise da dívida soberana' supostamente criada pelos Estados que aparentemente 'gastaram de mais' -- é uma representação fundamentalmente errada dos factos", defende Blyth.
Como alternativa, o autor da investigação defende a "repressão financeira" assim como um esforço renovado na coleta de impostos "sobre os mais ganhadores", a nível mundial, assim como a procura de riqueza que se encontra "escondida em offshores" e que os Estados "sabem" onde está.
"Na verdade, um novo estudo da Tax Justice Network calcula que haja 32 mil biliões de dólares, que é mais duas vezes o total da dívida nacional dos Estados Unidos, escondidos em offshores, sem pagar impostos" (página 358), conclui Mark Blyth no livro "Austeridade - A história de uma ideia perigosa" (editora Quetzal, 416 páginas).
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