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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Carta do Júlio (e algumas bocas prévias do ti Zé):

Mão amiga, de um outro Zé, no caso a viver na cidade, mas sempre atento ao que se passa cá pela Aldeia, fez-nos chegar a carta do Júlio, que vai em baixo.

Sublinhámos a amarelo duas passagens:

1 - onde se expressa a suspeita de que esta Crise foi forjada para se implementar uma agenda neo-liberal - o que também defendemos há muito tempo...

2 - a referência a uma "solução final", ainda que o autor espera que assim não o seja - pois também já aqui o afirmámos, e também um dia em que tal ousámos dizer, para "escândalo" de uma "virgem (im)púdica", que contra-atacou com um pretenso insulto à memória dos judeus do Holocausto; mas logo vimos que tal tirada era uma mancha de tinta largada por um choco quando se sente tocado... foi só o caso de ir espreitar o Facebook do dito cujo e concluir que meses antes estivera num grande comício do Partido Republicano nos EUA!... Concluí que outrora havia uns rapazes que iam à URSS a mudar a cassete; agora há outros rapazes, lambidinhos e engravatados, que vão ao outro lado fazer o "upgrade" doutrinário... O mais caricato foi que a minha crítica tinha a ver com o plano de extermínio (em curso) da Função Pública; pois o mamão, obviamente concordando com tal extermínio, não é que estava num instituto público, como... "relações públicas"??? - E, aos depois, vim a saber que ascendeu a "public relations" de um desses rapazolas que chegaram a Secretários de Estado, por ínvios caminhos partidários. - Pois é verdade!.... A função pública é uma merda, mas não vejo esta rapaziada tão "empreendedora" a criarem empresinhas inovadoras, e a buscarem o tal sucesso à americana... Nada disso! lá andam eles, lampeiros (como diria o Pacheco P.), a pendurar-se na teta do Estado! - Que bem pregam estes S. Tomazes...

Mas, vamos lá à carta do Júlio:
 
Júlio Isidro - Não quero morrer sem...
eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade.

 
NÃO, NÃO ESTOU VELHO!!!!!!

 
NÃO SOU É SUFICIENTEMENTE NOVO  PARA  JÁ SABER TUDO!

 
Passaram 40 anos de um sonho chamado Abril.

 E lembro-me do texto de Jorge de Sena…. Não quero morrer sem ver a cor da liberdade.
 
Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. civilizadamente,  ordenadamente, no respeito  das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e ….calar.

 
Sou dos que acreditam na invenção desta crise.

Um “directório” algures  decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia.
 
Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz.
 
Parece que  alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final.
 
Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência.

Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado  que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho. Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se.
 
Agora, os velhos atónitos, repartem o dinheiro  entre os medicamentos e a comida.
 
E ainda tem que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível.
 
A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o milagre da multiplicação dos pães.
 
Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais impedem-nos de  sair de casa,  suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se  de sangue , 5% dos sem abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores  de geração espontânea, mas 81.000  licenciados estão desempregados.
 
Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto que muitos desistem de estudar para procurar trabalho.
 
Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada”  faz um milhão de espectadores.
 
Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros.
 
Há carros topo de gama para sortear e auto-estradas desertas. Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade.
 
Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas  há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados.
 
Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes.
 
Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho…
 
Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem?
 
E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa.
 
Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora.
 
E aprendemos neologismos como “inconseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exactamente o contrário do que está escrito no dicionário.
 
Mas há os penalties escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos.

E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista…

Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço.

E as mães que vão ao banco…. alimentar contra a fome e envergonhadamente, matar a fome dos seus meninos.

É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade.
 

Júlio Isidro

 

 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Grande Adriano!

Numa intervenção certeira e de grande clarividência, como de costume, o grande transmontano Adriano Moreira afirma que a Tugalândia está governada por um "neoliberalismo repressivo", com a desculpa da "crije". Não podemos estar mais de acordo, tal como o temos dito aqui pela Aldeia. O que nos leva a suspeitar que toda esta "crije", mesmo global, foi forjada para se poder aplicar uma agenda neoliberal cozinhada pela famigerada "Escola de Chicago" (aliás, "para chi cago!") e adoptada pela pandilha do Tea Party do republicanismo americanóide. Que do lado das américas nunca vem nada de bom, já nós sabemos  - que se pode esperar de uma coisa que nasceu do massacre e espoliação de índios e manutenção do esclavagismo negro até bastante tarde? - Agora que pelas Europas haja gente que siga cegamente essas cartilhas fabricadas e engolidas por estúpidos e gordos comedores de hamburgers, é mais grave.
Ainda sobre o que diz Adriano, é de salientar que nem o "ominoso fascismo" foi tão longe nesta política de "Robin dos Bosques ao contrário", ou seja, de roubar aos pobres para dar aos ricos, com a desculpa da famigerada "Crije"... O que nos leva a questionar, que sentido faz, hoje, comemorar o 25/04....

Aqui fica:
«Adriano Moreira: Portugal está governado por "neoliberalismo repressivo"

Volvidas quatro décadas de democracia, Portugal está governado por um "neoliberalismo repressivo", focado no "ataque ao Estado social" e que justifica tudo com "resposta simples" de que "não há dinheiro", critica o professor Adriano Moreira.

"Não ter dinheiro não significa não ter princípios e, portanto, é necessário que a falta de dinheiro não seja acompanhada por lançar os princípios pela janela", contrapôs o ex-ministro, ex-deputado e ex-líder do CDS-PP em entrevista à agência Lusa.
Portugal está hoje numa situação que "talvez não tenha precedente na vida europeia", assinalou, contrapondo que, para "animar a população portuguesa no sentido de recuperar um futuro com dignidade", é preciso dar-lhe "esperança".
Mas, em vez disso, a vida corre "cheia de dificuldades". A democracia produziu "efetivamente um grande desenvolvimento" e "o modo de vida aproximou-se da Europa", mas a "espécie de engenharia imaginosa financeira" que se lhe seguiu resultou numa "evolução muito má (...) até chegar a esta crise global", analisa o professor.
Neste contexto, Portugal "acentuou a sua condição de país exógeno (...), evolucionou para país exíguo e finalmente caiu na situação atual, de protetorado sem definição jurídica", descreveu Adriano Moreira, que recentemente assinou o "manifesto dos 70", que defende a reestruturação da dívida nacional.
Recordando que Portugal "sempre dependeu de apoio externo", o professor admitiu, porém, que essa dependência instalou "vícios" no país. Caído o Muro de Berlim e com ele a divisão entre o modelo ocidental e o comunista, restou o "neorriquismo e a tónica passou a ser gastar mais do que as disponibilidades", resumiu.
"É muito difícil dizer quem é o mais responsável. Eu acho que somos todos responsáveis", frisou, insistindo na importância de definir "um conceito estratégico nacional", o que implica um "consenso" alargado e que todas as diferenças se subordinem "a um conjunto de objetivos e valores que unem a comunidade", em vez de contribuir para "os desafetos, por exemplo, pondo os velhos contra os novos, pondo os reformados contra os ativos".
Para o académico, esse conceito deve privilegiar a relação de Portugal com o mar e defender "uma situação de igualdade na comunidade das nações" e de "dignidade nas relações entre os países".
A aposta na educação e nas instituições é outra das propostas de Adriano Moreira. "A investigação e o ensino são matéria de soberania, não são matéria de mercado", sustenta.
"Quando vejo a situação em que se encontram hoje as universidades portuguesas, acho que o conceito estratégico nacional está abalado", lamentou o presidente da Academia das Ciências de Lisboa.
"A democracia não é constituída só por indivíduos, também é por instituições", pois são estas "que asseguram a continuidade dos valores, dos projetos e da ação", frisou o professor de 91 anos, que olha à volta e vê um cenário "de grande inquietação", o que justifica o título que deu ao seu último livro, "Memórias do Outono Ocidental", "porque as folhas estão a cair».

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Corrupção e promiscuidades no sistema político tuga...

O tema é de todos nós bem conhecido e todos sabemos/sentimos que é assim.
Mas em todo o caso, aqui fica uma Antologia que corre pela "Aldeia".
Obrigatório ver, no final, a denúncia do Grande Paulo Morais... That balls!....


Não vale a pena dizer mais nada, procure as formiguinhas e vejam como eles pululam de lugar em lugar, e oiçam o homem, num heróico depoimento feito na AR.
Só os ingénuos acreditarão ser possível o poder político manter-se independente do poder económico.
A reportagem anexa, saída em 22/12/2013 no Caderno 2 do Público, explica a promiscuidades dos dois poderes: Conflito capitalista Publico 22-12-13.pdf

E como complemento, ver este “Passatempo”:  http://pmcruz.com/eco/

 
E para completo esclarecimento, ver depois o vídeo que nenhuma das nossas televisões deixou passar (a lei da rolha desta democracia anestesiada)

 Paulo Morais na Assembleia da República...

Será que ninguém o ouve??

 Você ouviu alguma noticia sobre isto
nalgum telejornal de alguma televisão?
Não ouviu, nem viu, pois não?! 
São 15 min. de verdades.
O caminho para a ditadura é lento, vai-se matando a democracia aos poucos ... devagar se vai ao longe, assim nos levam os partidos da nossa terra... 
 


 



quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Coelhote

Mais uma que nos mandaram e que connvosco partilhamos:

AI SE PASSOS COELHO FOSSE HONESTO!
Por: Joaquim Letria

Se Passos Coelho começasse por congelar as contas dos bandidos do seu partido que afundaram o país, era..... hoje um primeiro ministro que veio para ficar.
Se Passos Coelho congelasse as contas dos off-shore de Sócrates que apenas se conhecem 380 milhões de euros (falta o resto) era hoje considerado um homem de bem.
Se Passos Coelho tivesse despedido no primeiro dia da descoberta das falsas habilitações o seu amigo Relvas, era hoje um homem respeitado.
Se Passos Coelho começasse por tributar os grandes rendimentos dos tubarões, em vez de começar pela classe média baixa, hoje toda a gente lhe fazia um vénia ao passar.
Se Passos Coelho cumprisse o que prometeu, ou pelo menos tivesse explicado aos portugueses porque não o fez, era hoje um Homem com H grande.
Se Passos Coelho, tirasse os subsídios aos políticos quando os roubou aos reformados, era hoje um homem de bem.
Se Passos Coelho tivesse avançado com o processo de Camarate, era hoje um verdadeiro Patriota.
Se Passos coelho reduzisse para valores decimais as fundações e os observatórios, era hoje um homem de palavra.
Se Passos Coelho avançasse com uma Lei anti-corrupção de verdade doa a quem doer, com os tribunais a trabalharem nela dia e noite, era já hoje venerado como um Santo...etc. etc. etc.
MAS NÃO !!!!


PASSOS COELHO É HOJE VISTO COMO UM MENTIROSO, UM ALDRABÃO, UM YES MAN AO SERVIÇO DAS GRANDES EMPRESAS, DA SRA. MERKEL, DE DURÃO BARROSO, DE CAVACO SILVA, MANIPULADO A TORTO E A DIREITO PELO MAIOR VIGARISTA DA HISTÓRIA DAS FALSAS HABILITAÇÕES MIGUEL RELVAS, E UM ROBOT DO ROBOT SEM ALMA E CORAÇÃO, VITOR GASPAR.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Constança Cunha e Sá "Esta gente é licenciada em intrigas"

Diz a Constança:
A comentadora política da TVI, Constança Cunha e Sá, acusou ontem à noite os aparelhos partidários de não serem mais do que “grupos acéfalos”, compostos por “gente licenciada em intrigas, em carreiras e em jogos de poder" e, acrescentou ainda: "Nós temos no Governo o fruto desta gente, deste aparelho”.
 
“Há uma impunidade por parte dos partidos até na apresentação dos candidatos (...). O que se nota nos partidos, e em particular no PSD, é um total isolamento em relação à realidade e em relação à preocupação das pessoas, aquela gente que ali está não interessa a ninguém”. As palavras pertencem à comentadora política e jornalista, Constança Cunha e Sá, que falava ontem na TVI24.
E prosseguiu a comentadora, dando continuidade à mesma linha de raciocínio, “são licenciados não em boas universidades, mas licenciados em intrigas, em carreiras e em jogos de poder e nós temos no Governo o fruto desta gente, deste aparelho”.
Reportando-se à reacção dos sociais-democratas aos resultados do escrutínio eleitoral do último domingo, Constança Cunha e Sá condenou com veemência a hipótese levantada de se sancionarem os militantes que não apoiaram candidatos ‘laranjas’.
“Este PSD nunca abriu a boca, este PSD acéfalo sempre aceitou tudo”, sendo que “agora a única coisa que o faz tremer” é o facto de a “clientela ter ficado um pouco desempregada”, atirou a jornalista, voltando a referir-se à derrota sofrida nas autárquicas.
 
in Noticias ao  Minuto, 02 de Outubro de 2013


sábado, 28 de setembro de 2013

AUTÁRQUICAS 2013 - reflexões em dia de Reflexão….

Amanhã é o Dia D para muitos(as). Depois do folclore vem a Decisão.
Só me espantou a vitalidade (e, já agora, o desplante) do pessoal que apoiou e apoia os tais partidos do “arco da governação” que têm ajudado a afundar o “país” em consonância com os ventos do neo-liberalismo que do exterior sopram… Claro que entre esses, os que ora estão no (des)Governo, até porque faz parte da sua cartilha de desmantelamento do Estado (-Providência e não só), são os maiores responsáveis.
E como é possível que haja ainda quem aceite integrar listas para as Autárquicas, sob a bandeira dessa gente?? – Uma bandeira sob a qual andaram criaturas do tipo Oliveira e Costa, Duarte Lima, Dias Loureiro e afins??
E, para pior, como é possível que muitas dessas listas ainda se prefigurem como potenciais vencedoras, em muitos sítios (como por exemplo cá pela Aldeia!), dando novo alento para os tais (des)governantes prosseguirem a sua política de desvastação, respaldados na famigerada Troika, e indo até para além dela??
E, como é possível que ainda haja gente ingénua que ainda acorra ao folclore, integrando caravanas do buzinão e agitando bandeirinhas, convencidos de que “estes” é que lhes vão dar os tachos ou empreguinhos que os outros não deram?? – isto quando se sabe que os empregos na função pública, mormente autárquica, estão congelados, e quando se perspectiva, se calhar logo nos dias a seguir às eleições, mais despedimentos de funcionários, agora na administração local (o que só terá sido habilmente retardado, por parte do (des)Governo, só por causa das eleições autárquicas…)
É claro que, relativamente ao parágrafo anterior, muitos dos que aderem a um “dado lado”, mesmo que saibam que não vão ter direito a nada, vão para lá como “revanche” de não lhe “terem arranjado nada” a eles… É por pura vingança, raiva e inveja (sentimentos tipicamente “tugas”), num “país” em que, sobretudo no interior, os municípios se tornaram as maiores entidades empregadoras, de forma directa ou indirecta. E, nessa linha de comportamento, assistimos às mais miseráveis viradas de casaca, alguns com o cartão partidário de um lado a bandearem-se para o outro…
Deixou de haver ética, moral, princípios ou convicções mais de ordem ideológica. A ideologia morreu. O que há, pura e simplesmente, são interesses. E os partidos, para não falar em alianças conjunturais de tipo “albergues espanhóis” de certas candidaturas, mais não são do que centrais distribuidoras de mordomias e satisfação de certos e determinados interesses que a seu tempo se revelarão, mal os vendedores de ilusões e da banha da cobra cheguem ao Poder…
Passados tantos anos, se algum dia alguma ilusão tive relativamente a candidatos a mandantes da Aldeia, desencantei-me. Conheço já o suficiente da natureza humana para saber que virão os ajustes de contas e as decapitações, por um lado, e, por outro, a promoção e o apoio aos “nossos”, sejam eles umas (pretensas) luminárias, ou umas abéculas.
Não se privilegiará nunca a meritocracia, nem se aplicarão políticas delineadas de forma estruturada, em função de estratégias bem definidas, a curto, médio e longo prazo, procurando mobilizar para isso todas as forças vivas, sejam “nossos” ou não.
Num território cada vez mais desertificado de gente, é curioso que tendo lido os programas das candidaturas autárquicas cá da Aldeia, a palavra Desertificação é praticamente ausente. Parece não ter havido um diagnóstico profundo da realidade e da situação demográfica, económica, social, meio físico e humano, pontos fracos e pontos fortes (ou menos fracos), de forma a, partindo daí, pensar um verdadeiro programa de acção, realista mas ao mesmo tempo com a ambição de procurar inverter a tendência que é a do deserto. E, para este fim, TODOS seriam necessários. Só que sabemos que não vai ser assim. Vai ser antes: correr com alguns, para ver se garantimos os nossos, em função das nossas politicazinhas casuísticas… Não admira, assim, que na elaboração desses “programas” não se tenha ouvido a totalidade das chamadas “forças vivas”, entidades e até pessoas que poderiam dar um contributo válido, quer no que toca às dificuldades de cada sector, quer ainda no que toca às suas aspirações e ideias para melhor resolver os problemas e projectar a Aldeia. Propõe-se nesses programas que se venham a elaborar Orçamentos Participados pela população, numa espécie de democracia directa. Parece-nos que teria sido mais curial essa participação popular logo na fase da elaboração dos programas de governação. Era mais lógico e menos controverso.
Vamos esperar para ver o que acontece. Veremos se ao menos a atitude não é a de, uma vez vitoriosos, cairmos no costumeiro “quero, posso e mando”, porque fomos "democraticamente eleitos" pelo povo. É um conceito muito “tuga” da democracia: esta só serve para se “ir a votos”. Depois fazemos como entendermos, porque fomos “mandatados” pelo povo. Ora o mandato deveria recair sobre os Programas, e se o povo tivesse participado na sua elaboração, contribuiria melhor para a sua implementação, e, a jusante, faria sentido, igualmente, a sua participação nos orçamentos anuais e a fiscalização do cumprimento das linhas mestras previamente definidas, em vez de se fiar em promessas mais ou menos vagas, ou outras até estapafúrdias.
As campanhas deveriam ser, em vez do folclore, um período de reflexão no final de um mandato, de confrontação de ideias e de planos estratégicos. Seria uma oportunidade para se tentar demonstrar ao povo que a nossa “receita” era melhor por isto e isto, e que o feixe de ideias da “outra parte” pecava por isto e aquilo, obviamente de uma forma civilizada. Dessa forma abriam-se pontes para o diálogo futuro, em termos de se encontrar uma convergência que envolvesse todos, para bem do território da Aldeia, sem perder de vista os territórios de outras “Aldeias”. E se a nível mais geral os mesmos princípios prevalecessem, o resultado final seria, de facto, um país a sério, decerto mais equilibrado e mais próspero. Assim, se a Aldeia é o átomo da “território nacional” e se logo aqui se vê como as coisas funcionam, enfim, como dizia o velho adágio popular, “quem viu a sua aldeia, viu o mundo todo”.
Conclui-se que há um longo caminho ainda a percorrer no sentido de uma verdadeira Democracia. Numa verdadeira democracia os cidadãos deveriam ir ouvir os candidatos – de um lado e de outro  – depois de terem lido os respectivos programas. Deveriam poder fazer perguntas, e interpelar os candidatos em vez de agitar bandeirinhas, tocar buzinas e bater palmas. Infelizmente, se se vai a um dado “comício”, é-se logo conotado com esses; se se vai ao dos “outros”, os anteriores olham-nos logo de través, a pensar que já nos “bandeámos” para o outro lado…. Porque continua a imperar o princípio fascistóide do “quem não é por nós, é contra nós”…
Assim sendo, só nos resta remetermo-nos ao nosso silêncio e a distanciar-nos de tudo isto, esperando que o povo faça a sua escolha, limitando-nos a esperar a nossa vez de ir à urna e nada mais. – Ah, e depois levar nas trombas dos dois lados, porque não estivemos em lado nenhum. Talvez a República Centro-africana não esteja assim tão longe...

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Criancices & adultices

Porque nos sentimos "visados", uma vez que já por aqui usámos a comparação, e entendendo bem a ironia do comentador José Morgado (in Público, 2013.08.06), aqui postamos a sua jocosa crónica:


Opinião

«Criancices e adultices
José Morgado

06/08/2013 - 08:59
Em tempo de férias, umas notas sobre uma matéria que eventualmente poderá parecer estranha mas que ainda assim gostava de partilhar, com a vossa licença.

De há uns tempos para cá e com uma mais acentuada frequência no decurso da recente crise política, começámos a ver escritas e a ouvir apreciações aos comportamentos e atitudes de boa parte dos actores políticos envolvidos e mais responsáveis pela situação, que remetem para o universo dos miúdos e dos seus comportamentos.

A título de exemplo, na comunicação social e nos discursos de diferentes analistas e opinadores encontramos referências, como "garotada", "garotice", "bando de garotos irresponsáveis", "trapalhada de jardim de infância", "birras de miúdos", etc.

Peço desculpa, mas ainda que não tenha qualquer mandato de defesa por parte dos mais novos, acho que os miúdos não merecem tal comparação.

Na verdade e do meu ponto de vista, o que boa parte desta gente tem andado a fazer são sobretudo jogos de jogos de poder, contas sobre interesses de natureza partidária, umbiguismo e defesa de interesses corporativos e pessoais com custos imensos para milhões de pessoas. Nesta perspectiva, creio que o espectáculo deprimente de mediocridade e incompetência, de despudor, insensatez e irresponsabilidade de muitos dos discursos e atitudes a que vamos assistindo, tem pouco a ver com o mundo dos miúdos.

Quero sublinhar que, tal como não tenho uma visão idealizada dos comportamentos dos mais novos, também não quero proceder a uma diabolização sem sentido da acção dos actores políticos, limito-me a observar e a pensar em muito do que nos é dado a conhecer.

No entanto, creio que de uma forma geral os miúdos são sérios. Aliás brincar é mesmo das coisa mais sérias que fazem enquanto muito do que assistimos mostra que alguns destas actores não constituem um bando de garotos, mas um bando de gente incompetente e alguns bem medíocres.

Poupem, pois, os miúdos a comparações injustas e que eles não merecem.

A propósito desta questão e na mesma linha, pedia-vos ainda um pouco mais de paciência para uma outra situação

De há uns tempos para cá entrou no léxico comum uma terminologia vinda da área da saúde mental também para apreciar comportamentos e discursos na vida política ou social. A banalização deste comportamento representa do meu ponto de vista, ainda que não intencionalmente, uma enorme ofensa ao sofrimento das pessoas e das famílias que lidam com quadros clínicos desta natureza.

Vejamos alguns exemplos. É muito frequente a referência a estados de depressão, o país está deprimido, os mercados estão deprimidos, algumas regiões portuguesas são consideradas deprimidas, etc. Diz-se com todo o à-vontade que certos comportamentos políticos podem ser suicidas, seja de pessoas ou de partidos. Inventaram até um quadro de claustrofobia democrática, seja lá isso o que for. Não há opinador, amador ou profissional, que não se refira a autismo ou a autista para adjectivar discursos e comportamentos políticos que, noutra variante, também são apreciados como esquizofrénicos.  Multiplicam-se as referências a pessoas que assumem compulsivamente estratégias de vitimização, etc., etc. A utilização destas palavras nestes contextos causam-me na verdade algum desconforto.

Aliás, deve recordar-se que a Assembleia da República aprovou uma moção no sentido de se não utilizar tal terminologia nos debates parlamentares.

Mais uma vez e sem subscrever um discurso dirigido à santidade ou ao "politicamente correcto" fundamentalista e sem sentido, julgo que as palavras e as pessoas merecem o uso adequado.

Como disse no início, talvez estas notas vos pareçam algo estranhas mas ainda assim ... aqui ficam.

Continuação de boas férias, se e quando for o caso.»

José Morgado é professor universitário no ISPA - Instituto Universitário
Cf:  http://www.publico.pt/politica/noticia/criancices-e-adultices-1602330?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoPolitica+%28Publico.pt+-+Pol%C3%ADtica%29&utm_content=Yahoo%21+Mail

quarta-feira, 24 de julho de 2013

"Novo governo" dá prémio a um dos cabecilhas do BPN

Não seria grave se... o novo Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, não tivesse sido «presidente ao longo de vários anos do Conselho Superior da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), a dona do Banco Português de Negócios (BPN), onde o Estado português injectou a fundo perdido cerca de 4 mil milhões de euros» [cf. PUBLICO, 2013.07.24] - ora, os tais 4 mil-milhões-vírgula-qualquer-coisa são, coisa menos coisa, o grande buraco que TODOS! temos de pagar com língua do palmo, a começar pelos funcionários públicos, sujeitos a cortes, congelamento de carreiras leis dos disponíveis (antecâmara do despedimento), e despedimentos!... Ou seja, neste "país", os inocentes são castigados, e os criminosos são promovidos a MINISTROS!!!! - caso para perguntar: que merda de país é este?? - infelizmente, já não é país coisa nenhuma; é um lugar mal frequentado, em que se decretou o "fartar vilanagem" e o "safe-se quem puder", em que os cães grandes (arrimados à partidocracia vingente) são senhores, e os outros vão sendo encaminhados para os campos da morte lenta....

Aqui vos fica:

«Novo ministro dos Negócios Estrangeiros com fortes ligações ao BPN e ao BPP


Na década de 2000, antes dos dois bancos serem intervencionados e alvo de investigações policiais, Rui Machete ocupou funções ao mais alto nível no BPN e no BPP.»
Se ainda tiverem pachorra para ler o resto:
http://www.publico.pt/politica/noticia/novo-ministro-dos-negocios-estrangeiros-com-fortes-ligacoes-ao-bpn-e-ao-bpp-1601101

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Ah, mas esperem lá!.... se querem ver o gato escondido com o rabo de fora, parece que o currículo oficial distribuído pelo P.M. à imprensa, não refere a passagem do sr. dr. Rui Machete pelo BPN.... Pois, lá saberão porquê. Aqui vai mais esta:

«Governo Passos esquece BPN no currículo de Rui Machete
Rui Machete volta ao Governo três décadas depois e é a grande surpresa na remodelação da equipa de Passos Coelho. Contudo, o currículo oficial esquece a sua ligação ao BPN, aponta o Diário de Notícias (DN).»
http://www.noticiasaominuto.com/politica/92911/passos-esquece-bpn-no-curr%c3%adculo-de-rui-machete#.Ue-q9UZdbmI

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Do "circo" ao "golpe de teatro"

A propósito da Crise que soma e segue...
Agora foi a vez do Presidente da República "chutar a bola". Aparentemente apanhou toda a gente de surpresa, porque, depois de em dada altura e durante muito tempo ter feito o papel do "paizinho" desta gente, ninguém suponha que não desculpasse as traquinadas dos rapazes mais uma vez, e não lhe caucionasse o "remedeio" do mais recente "vaso partido".
Digamos que a proposta contida no discurso de ontem até faz sentido, mas parece pouco aceitável no actual quadro situacional, com todas as clivagens abertas e um PS sôfrego por novas eleições para ver "no que dá". - Está bem que há todos os constrangimentos do exterior que obrigam a uma "estabilidade" forçada até Junho (será?) do próximo ano. Mas, os "rapazes" do (des)Governo, ao saberem-se a prazo, mais depressa fazem mais asneiras... Até que ponto nos livraremos de eleições antecipadas antes de 2014? Teremos de esperar para ver as cenas dos próximos episódios desta novela (de mau gosto).
Entretanto, aqui fica este comentário de um articulista do Público, com o qual genericamente concordamos, menos num ponto: achamos que Cavaco não quer tomar o poder, mas sim "livrar a água do capote"...

«O golpe de teatro de Cavaco Silva

10/07/2013 - 21:24

Numa assentada, o Presidente da República transformou o Governo de Passos Coelho num governo de gestão e decidiu tomar o poder.

É a conclusão que se pode extrair de um discurso em que Cavaco Silva acabou, de facto, e inesperadamente por convocar eleições antecipadas.
O Presidente responsabilizou inequivocamente a maioria pela crise da semana passada. Fê-lo ao falar nos efeitos do que se passou. Mas fê-lo sobretudo ao não deixar uma palavra sobre a solução apresentada por Passos Coelho e Paulo Portas.
O Governo PSD-CDS é um governo precário. A remodelação pode avançar, mas já não tem sentido. Não tem a confiança do Presidente.
Disse apenas que o Governo está em plenitude de funções. Mas a confiança no Governo nunca foi invocada para justificar a decisão de não convocar eleições agora: esses motivos foram o Orçamento, a troika e o facto de ele considerar que do acto eleitoral não sairia uma clarificação política.
O Presidente impôs um acordo entre os três partidos – do qual fará parte a marcação de um calendário eleitoral. Afirmou que designará uma personalidade de prestígio para mediar o diálogo.
E disse, sem margem para dúvidas que, “sem a existência desse acordo, encontrar-se-ão naturalmente outras soluções no quadro do nosso sistema jurídico-constitucional”.
É a frase que vale a pena citar. Porque significa que ele está disposto a avançar para um governo de iniciativa presidencial.
Cavaco Silva encerrou a crise dos golpes de teatro com um golpe de teatro maior do que todos os outros.
Um golpe de teatro em diferido. Sem precedente na história democrática.
Com uma única certeza: o Presidente decidiu tomar o poder.»

terça-feira, 9 de julho de 2013

A garotada - ou... canalhices!

Depois de ontem aqui termos postado a "estória" das birras entre os meninos Paulinho e Pedrinho, eis que lemos, na mesma fonte, mas saído hoje, o comentário de um "senador", inclusive fundador do PSD, portanto, mais que insuspeito: http://www.noticiasaominuto.com/politica/88769/tudo-isto-foi-uma-brincadeira-de-garotos-do-mais-degradante :

«Miguel Veiga "Tudo isto foi uma brincadeira de garotos do mais degradante"
Numa entrevista ao jornal i desta terça-feira, o fundador do Partido Social Democrata (PSD) afirmou que a actual crise política é “do mais degradante que há” e assemelha-a a “uma brincadeira de garotos”.
O fundador do PSD, Miguel Veiga, numa entrevista concedida ao jornal i de hoje, falou da frágil situação política do País e caracterizou-a como "do mais degradante que há”. Segundo o fundador daquele partido, esta “parece uma brincadeira de garotos, de adolescentes, de pessoas que não têm sentido de Estado", sublinhou.
Miguel Veiga afirmou ainda, àquele jornal, que a única solução actual é "manter este Governo nestes moldes", acrescentando que "não deve haver eleições nestas circunstâncias".
Isto porque "o processo eleitoral, que é bastante demorado, iria colocar o País numa situação ainda mais complicada", justificou Miguel Veiga.
Perante um cenário de eleições antecipadas, o também professor de Filosofia defende que "o PS iria deparar-se com as mesmas dificuldades e sem soluções para elas".» - In: Notícias ao Minuto, 2013.07.09


- De onde se conclui que mais uma vez nos antecipámos na leitura (caricata) que a última crise política nos trouxe. E em Trás os Montes, nos antigamentes, também se chamava a um grupo de garotos a "canalha"...


segunda-feira, 8 de julho de 2013

The show must go on... - e o circo continua!....

...E o circo continua, com os mesmos palhaços principais... (e mais alguns novos).
O que houve foi um breve entremezzo... O espectáculo continua.
Muito obrigado, srs. espectadores por terem esperado este bocadinho...
Ou os meninos voltam ao jogo, ou os mercados vão pôr toda a gente a pão pedir! (ainda mais???)

Na verdade, os paizinhos da "pátria" e os gurus do mítico lá-fora que regem as marionetas caseiras não se cansaram de nos acenar com o Apocalipse... com o tal papão dos... "Mercados" (o novo deus das sociedades contemporâneas), um deus terrivelmente castigador que nem o Molock dos Fenícios, ou o Javeh dos judeus. Ou comes a sopinha toda, ou chamamos os mercados!...
Ou o menino Paulinho volta ao jogo e traz a bola, ou então vai levar muito tau-tau, porque Deus (=Mercados) não lhe vão perdoar o desaire autárquico, o novo jogo caseiro que se aproxima, e, pior, perder a banca do jogo do Monopólio internacional (aquele joguinho que dantes se jogava com uns dados e umas cartinhas e umas notinhas de papel a fingir...). E os meninos Paulinho de Pedrinho lá tiveram de dar um abraço, amigos como dantes, obrigados pelo papá Aníbal e outros senhores grandes que ficaram muito preocupados com a birra do menino Paulinho, por o menino Pedrinho não o deixar jogar e lhe estar a retirar a bola, o que deu chatice grande com a saída do menino Gasparinho também da equipa....
Bem, agora os meninos grandes, sob batuta do papá Aníbal, já trataram de encomendar umas sondagens para dizerem "o que o povo pensa", e aplainar a situação.
O menino Tozé e o resto da malta, vão ter de esperar... (vamos ver até quando).
Todos sabemos o que valem as sondagens, mas em todo o caso aqui fica:

«"Eleições, sim, mas só em 2015".
Esta foi a resposta de 65,5% dos 503 inquiridos no estudo da Pitagórica e do jornal i, no final de Junho, que vem contrariar a ideia defendida pelo líder do Partido Socialista (PS), António José Seguro, e apresentada na passada terça-feira no Parlamento.

Desta mais do que maioria, fazem parte homens de classe média que têm entre 35 e 54 anos, e votaram em Pedro Passos Coelho nas últimas legislativas.

Por sua vez, 30,5% dos inquiridos quer que esta solução seja aplicada, o que representa a dissolução do Parlamento e, consequentemente, eleições antecipadas.

Os inquéritos, dos quais a maior parte foi realizada antes da demissão de Portas, depois rectificada, dando origem à proposta para o cargo de vice primeiro-ministro, verificaram ainda que 48,2% das pessoas julga que a actual crise política não é razão suficiente para que a coligação PSD/CDS-PP se rompa, contra 47,9%, que defende que estas eleições deveriam ter lugar aquando as legislativas.

Um virar à esquerda também não é solução para a situação do País, já que 59% dos inquiridos julga que uma coligação entre PS, PCP e BE “não é viável”.

Apesar disso, 33,5% dos portugueses garante que existem reais possibilidades de sucesso de um Governo com coligações à esquerda, ainda que uma fatia de 56,5% considere que este Governo seria incapaz de dar resposta aos problemas do País.» - in Notícias ao Minuto, 2013.07.08

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Foi há tempos: António Costa abriu a boca...

Foi há tempos no programa "Quadratura do Circulo".

Os outros intervenientes, Pacheco Pereira e Lobo Xavier, nem abriram a boca.

Claro que o moderador também não. Para quem não viu, aqui fica:


Comentadores e analistas políticos não têm a coragem de dizer o que disse António Costa, em menos de 3 minutos, ontem, no programa "quadratura do círculo".

RE...LEMBRAR

E aqui está textualmente o que ele disse (transcrito manualmente):

«(...) A situação a que chegámos não foi uma situação do acaso. A União Europeia financiou durante muitos anos Portugal para Portugal deixar de produzir; não foi só nas pescas, não foi só na agricultura, foi também na indústria, por ex. no têxtil. Nós fomos financiados para desmantelar o têxtil porque a Alemanha queria (a Alemanha e os outros países como a Alemanha) queriam que abríssemos os nossos mercados ao têxtil chinês basicamente porque ao abrir os mercados ao têxtil chinês eles exportavam os teares que produziam, para os chineses produzirem o têxtil que nós deixávamos de produzir.

E portanto, esta ideia de que em Portugal houve aqui um conjunto de pessoas que resolveram viver dos subsídios e de não trabalhar e que viveram acima das suas possibilidades é uma mentira inaceitável.

Nós orientámos os nossos investimentos públicos e privados em função das opções da União Europeia: em função dos fundos comunitários, em função dos subsídios que foram dados e em função do crédito que foi proporcionado. E portanto, houve um comportamento racional dos agentes económicos em função de uma política induzida pela União Europeia. Portanto não é aceitável agora dizer? podemos todos concluir e acho que devemos concluir que errámos, agora eu não aceito que esse erro seja um erro unilateral dos portugueses. Não, esse foi um erro do conjunto da União Europeia e a União Europeia fez essa opção porque a União Europeia entendeu que era altura de acabar com a sua própria indústria e ser simplesmente uma praça financeira. E é isso que estamos a pagar!

A ideia de que os portugueses são responsáveis pela crise, porque andaram a viver acima das suas possibilidades, é um enorme embuste. Esta mentira só é ultrapassada por uma outra. A de que não há alternativa à austeridade, apresentada como um castigo justo, face a hábitos de consumo exagerados. Colossais fraudes. Nem os portugueses merecem castigo, nem a austeridade é inevitável.

Quem viveu muito acima das suas possibilidades nas últimas décadas foi a classe política e os muitos que se alimentaram da enorme manjedoura que é o orçamento do estado. A administração central e local enxameou-se de milhares de "boys", criaram-se institutos inúteis, fundações fraudulentas e empresas municipais fantasma. A este regabofe juntou-se uma epidemia fatal que é a corrupção. Os exemplos sucederam-se. A Expo 98 transformou uma zona degradada numa nova cidade, gerou mais-valias urbanísticas milionárias, mas no final deu prejuízo. Foi ainda o Euro 2004, e a compra dos submarinos, com pagamento de luvas e corrupção provada, mas só na Alemanha. E foram as vigarices de Isaltino Morais, que nunca mais é preso. A que se juntam os casos de Duarte Lima, do BPN e do BPP, as parcerias público-privadas 16 e mais um rol interminável de crimes que depauperaram o erário público. Todos estes negócios e privilégios concedidos a um polvo que, com os seus tentáculos, se alimenta do dinheiro do povo têm responsáveis conhecidos. E têm como consequência os sacrifícios por que hoje passamos.

Enquanto isto, os portugueses têm vivido muito abaixo do nível médio do europeu, não acima das suas possibilidades. Não devemos pois, enquanto povo, ter remorsos pelo estado das contas públicas. Devemos antes exigir a eliminação dos privilégios que nos arruínam. Há que renegociar as parcerias público-privadas, rever os juros da dívida pública, extinguir organismos... Restaure-se um mínimo de seriedade e poupar-se-ão milhões. Sem penalizar os cidadãos.

Não é, assim, culpando e castigando o povo pelos erros da sua classe política que se resolve a crise. Resolve-se combatendo as suas causas, o regabofe e a corrupção. Esta sim, é a única alternativa séria à austeridade a que nos querem condenar e ao assalto fiscal que se anuncia.
»

Comentário final cá do Ti Zé: é evidente que A. Costa tem razão, mas também temos de perguntar por onde é que andou ao longo desses tempos do "Grande Regabofe"? Denunciou? demarcou-se? Aquando dessa opção da Expo e dos futebóis do Euro, não estava no governo? não emparceirou com Guterres e Sócrates?.... Enfim, para se "abrir a boca" hoje, depois de se a ter fechada nesses tempos, é preciso primeiro rezar-se o que no seio da Santa Madre Igreja se chama o "Acto de Contrição"....

sábado, 18 de maio de 2013

PENSÕES VITALÍCIAS DOS POLÍTICOS custam 80 MILHÕES de euros!!!

por Rui Pedro AntunesPensões dos políticos custam 80 milhões de euros em 10 anos
Último relatório da CGA mostra que Estado gastou mais 3,5 milhões de euros com 383 deputados do que com os 22 311 pensionistas que ganham até 217 euros. Gastos com este "privilégio" têm aumentado todos os anos. Em 2011, regista-se valor mais elevado de sempre com este tipo de reformas: 9,1 milhões de euros.
Enquanto um funcionário público trabalha em média 30 anos para ter acesso à reforma, os políticos que até 2005 estiveram oito ou doze anos no cargo ganharam direito a uma pensão para toda a vida. São precisamente essas subvenções vitalícias que vão custar quase 80 milhões de euros numa década, contando já com o valor recorde de 9,1 milhões de euros que sairão este ano dos cofres do Estado. Apesar de este regime ter sido revogado há seis anos, o número não pára de aumentar e relativamente a 2010 os gastos com este tipo de pensões vai subir 4,2%.
Na última década, a despesa subiu todos anos, gastando-se já mais 33% com pensões vitalícias do que há dez anos. A tendência é para que o número continue a disparar, pois os políticos que em 2005 já tinham conquistado o direito de beneficiar de tal regime (ou seja, já exerciam funções há doze anos ou mais) podem ainda solicitar este "privilégio". Ainda no último mês, o deputado e dirigente do PS José Lello viu ser-lhe atribuída uma pensão na ordem dos 2 234 euros por mês.
No rol de políticos que podem usufruir de pensões vitalícias estão não só deputados, mas também os chamados "dinossauros autárquicos". Quando as subvenções acabaram, havia mais de 117 presidentes de câmara com direito a esta subvenção, sendo que muitos ainda não a pediram.
A curva crescente dos beneficiários deste regime é comprovada pelos números: em 2002 eram 315 e agora rondam os 400 (397, em 2010).
Fazendo as contas, constata-se que o custo com as pensões dos políticos é superior ao total dos beneficiários das pensões mínimas. Em 2009, com as reformas de 383 deputados foram gastos mais 3,5 milhões de euros (um total de 8,5 milhões de euros) do que com os 22 311 pensionistas que ocupavam o então escalão mais baixo de reforma (até 227, 39 euros). Os dados constam do último relatório da Caixa Geral de Aposentações, aprovado em Maio de 2010.
A lista de pensões vitalícias inclui personalidades como o presidente do PS, Almeida Santos, e os ex-presidentes do PSD Manuela Ferreira Leite e Pedro Santana Lopes. Os candidatos presidenciais Cavaco Silva e Manuel Alegre também constam da lista, embora o actual Presidente tenha abdicado de receber a subvenção enquanto ocupa o cargo máximo da Nação.
Mais do que as subvenções vitalícias (cuja média da subvenção anda entre os dois mil e os três mil euros) são outros cargos públicos que fazem, por exemplo, alguns ex-ministros surgirem no topo das maiores reformas. O ex-ministro das Finanças Eduardo Catroga recebe da CGA 9693 euros mensais por ter sido professor universitário, mais do que as também generosas subvenções do ex-ministro da Saúde de José Sócrates, Correia de Campos (5524 euros), e de Luís Filipe Pereira (5 663 euros), que comandou a pasta da Saúde nos executivos de Durão Barroso e Santana Lopes. Também do Governo Santana foi Daniel Sanches que se reformou da Procuradoria-Geral da República com uma pensão mensal de 7316 euros.
Muitas vezes as reformas dos políticos apresentam valores mais elevados (ver friso nesta pág.), pois estes acumulam as subvenções vitalícias com outras pensões que recebem de organismos públicos e privados.
As subvenções vitalícias foram estabelecidas por uma lei de 1985, que permitia aos deputados com oito anos de serviço político obterem uma subvenção mensal para toda a vida. Mais tarde, em 1995, o tempo foi aumentado para 12 anos. De qualquer forma, tanto o primeiro-ministro, José Sócrates como o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, têm direito a este privilégio. O socialista nunca a pediu e o social-democrata disse mesmo publicamente que recusava a subvenção. Ou seja: nunca a irá solicitar.
Em Outubro de 2005, a lei foi definitivamente revogada, embora tenha ficado salvaguardado que - os que até ali tinham direito à subvenção - ainda a podem solicitar. Daí que os encargos do Estado com este tipo de reformas não pare de aumentar de ano para ano, não se sabendo ao certo em que valor irá parar.
por Rui Pedro Antunes

quinta-feira, 2 de maio de 2013

"A nova geração"

Mão amiga fez-nos chegar este recorte, de autoria do "avinagrado" V.P.V.. Goste-se do autor ou não, a verdade é que, nestas como em muitas outras crónicas que vai escrevendo na última página do Público, por vezes acerta, como neste caso, sobre a jovem "fauna política" cá da Aldeia Tuga:

(clicar sobre o recorte para AMPLIAR)