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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Sobre o tal de "Banco de Portugal"

Mão amiga fez-nos chegar este recorte, sem indicação de proveniência, mas autor identificado.
Creio que não deixa de ser uma análise muito certeira... Já sabia que o ordenado do "maioral" era muito chorudo (dizia-se até do Bitinho Constâncio que ganhava mais do que o presidente da reserva federal dos EUA), tal como os agentes que por lá andam, e, relativamente aos resultados são os que estão à vista... Os Bancos a estourarem, o pagode a pagar, e o mal dos amigalhaços banqueiros igual a... batatas!
Mas, uma coisa é o que diz aqui o Ti Zé, e outra é ser dita por quem sabe mais:

(clicar para AUMENTAR)


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O Caso BES mostra que capitalismo tuga faliu!....

Poix... depois do ataque sem precedentes à função pública e ao "estado social", e dos "amanhãs cantantes" do capitalismo neoliberal, cuja ponta de lança eram os bancos e banqueiros, Oliveiras e Costas, Espíritos Santos, Ulriches & Cª., apresentados como grandes empreendedores, uns quase-deuses nas páginas de inconomia de certos pasquins (a soldo), eis que o castelo de cartas se vai desmoronando (com o Zé a pagar, pois claro!...) e o pessoal vai vendo que o rei vai nu.
E, num repente, aqui temos umas "sexta-feiras negras" à maneira tuga, com medo do lobo mau, perdão, do "banco mau", e sem ninguém querer saber da pele de cordeiro com que tentaram disfarçá-lo de "Banco Bom" ou "Novo Banco" (feito de pano velho). - E debaixo de que saias foi o pessoal meter-se? Correram para outros bancos privados? Claro que não, porque toda a gente - tal como eu, há mais tempo - já topou que a raça dos Vampiros (de que falava o Zeca) é toda a mesma. Assim, porquê a CGD? Está bom de ver: é o último reduto em que Estado tem participação, apesar dos amigos administradores que os rapazes (ou rapaces) que vão para os (des)governos lá colocam (a propósito, onde andará o Armando?). É claro que assim gordinha, depois destas rápidas transferências do BES para a CGD, está seguramente mais apetitosa do que nunca para a intentada, sonhada e almejada privatização... E se calhar entregue a chineses, como a EDP! Será que os que agora fogem do BES, ou ex-BES, e todos os outros, terão finalmente percebido que o mal está neste capitalismo torpe, sem regras, a não ser o de sacar o mais possível e quando a coisa estourar, pagamos todos? Se finalmente alguém perceber isto, no dia em que ouvirem falar em privatização a sério da GGD, deveriam lutar com unhas e dentes contra isso, deviam rodear as agências da Caixa e defendê-las como coisa sua/nossa, pois é o último reduto com um mínimo de confiança que nos resta, livre de Vampiros!!!
Não chegamos ao ponto de defender a nacionalização da Banca, como os revolucionários dos anos 70. Mas tem de haver participação pública pelo menos numa instituição bancária, para que as pessoas possam ver a diferença, e para onde possam fugir dos Vampiros. No dia em que já não tivermos para onde fugir, o que faremos?

Aqui fica a notícia:

http://www.noticiasaominuto.com/economia/259906/clientes-do-bes-depositaram-200-milhoes-na-cgd-num-so-dia?utm_source=gekko&utm_medium=email&utm_campaign=daily


quarta-feira, 16 de julho de 2014

O escândalo BES e o Abominável

Vem agora o Abominável homem das Neves, feito pitonisa, a anunciar que o BES pode ser (e citamos) "o maior escândalo financeiro da história da Tugalândia"!!...  Que o dissesse aqui o ti Zé d'Aldeia, ou o Zé da Esquina, estou como diz o outro. Mas dito pelo rePUTAdíssimo prof. da Católica, um hiper-neoliberal convicto e principal agente difusor dessas virtuosas teorias da "escola de Chigago" (aliás, para chi cago), admitindo que se prefigura mais esta catástrofe em tão virtuoso sistema, como o que defende, o do capitalismo selvagem, enfim... 
Claro que o caso BES, para o Abominável, será o seu tão querido "mercado" a funcionar... Mas então que funcione e que rebentem os Espíritos Santos todos, e os Salgados e o raio que os parta, sem se aproveitar a oportunidade para se nomear uma comissão liquidatária de amigos laranjolas, travestidos de grandes economistas, como aquele rapaz careca, um tal de Víctor Bento... Ah, e já preparando o pessoal psicologicamente para o saque de se pôr o pagode a pagar para a remissão de mais este golpe financeiro, sob pena - a desculpa é velha, desde os BPN's, BCP's, etc. - de que um tal afundamento poder provocar uma bancarrota... 
Então, Sr. professor das Neves, acha mesmo que o seu "mercado" é assim tão bom e o seu funcionamento tão perfeito, a pontos de, sempre que há salgalhadas destas, termos de pôr o povão a pagar o que os seus amigos provocam? (ou que as suas troikas induzem?). Ou o objectivo é esse mesmo: o do empobrecimento das massas, a troco da engorda de alguns, os trapaceiros, os trafulhas, os chicos-espertos? - Nesse caso, o sr. professor é apenas um lacaio deste sistema, a quem pagam para mandar umas lavercas em prol do mesmo, e para preparar o terreno para nos irem ao bolso quando a panela cheira esturro.
Como tal, um dia que haja um novo julgamento de Nuremberga para isto que se está a fazer, espero vê-lo também na barra como cúmplice de tudo isto.

Aqui fica o intróito da intervenção do sr. professor das Neves:
"César das Neves: "BES pode ser o maior escândalo financeiro da história de Portugal"
César das Neves considera que o que se vive no BES “é um caso muito sério e pode ser o maior escândalo financeiro da história de Portugal”. Em declarações à Rádio Renascença, o economista alertou para a necessidade de o Banco de Portugal e a administração do BES esclarecerem “com clareza” qual é o problema e que medidas vão ser tomadas."

in Noticias ao Minuto:




segunda-feira, 14 de abril de 2014

Vá bardamerda sr. Governador (do Banco de Portugal)!!

Corre por aí... Mas como não podíamos estar mais de acordo, aqui vos fica: 

De um professor universitário e investigador:

 
Sabiam que o Banco de Portugal comparticipa a ( Eu diria, paga ) 100% as despesas de saúde dos seus funcionários? Quem paga isso? Somos nós os contribuintes, enquanto que a ADSE paga só aquilo que nós sabemos. Eu não sei. Só sei que o meu sistema de saúde é o SNS . Discordo completamente, que haja vários sistemas de saúde.
É por isso que funcionários do Banco de Portugal fazem implantes dentários e os "outros implantes" que estão agora na moda às funcionárias e às mulheres dos funcionários.
Como é isto possível?

E nós que somos os pagantes, ficamos calados???,,,,

Vá bardamerda senhor Governador! Neste país há investigadores universitários que estudam todos os dias até altas horas da noite, que trabalham continuamente sem limites de horários, sem fins-de-semana e sem feriados. Há professores universitários que dão o seu melhor, que prepararam cuidadosamente as suas aulas pensando no futuro dos seus alunos, que dão o melhor e sem limites pelas suas universidades. Há policias que ganham miseravelmente, que não recebem horas extraordinárias, que pagam as fardas do seu bolso e para sobreviverem têm de prestar os serviços remunerados.
Toda esta gente e muita mais que poderia ser referida foi eleita como a culpada da crise, denunciada como gorduras do Estado, tratada como inutilidade social, acusada de ganhar mais do que a média, desprezada por supostamente não ser necessária para a direita se manter no poder. Mas há uns senhores neste país que ganham muito mais do que a média dos funcionários públicos, que têm subsídios extras para tudo e mais alguma coisa, que cumprem com incompetência as suas funções, que recebem pensões chorudas, que vivem do dinheiro dos contribuintes como todo o Estado, mas que não foram alvo de nenhuma das medidas de austeridade que até hoje foram aplicadas aos funcionários públicos. São os meninos e meninas do BdP.
Ainda as pessoas mal estavam refeitas do anúncio da pilhagem aos seus rendimentos e há um tal Costa, governador do Banco de Portugal, vinha defender que as medidas deste OE deveriam prolongar-se para além de 2014. Isto é, o senhor defende que os cortes se tornem definitivos. No mesmo dia a comunicação social informava que as medidas de austeridade aplicadas aos funcionários públicos não seriam aplicadas aos funcionários do banco de Portugal, o argumento para tal situação era o da independência do banco.
Mas se o Governo não pode nem deve interferir na gestão do BdP e o senhor Costa se comporta como um cruzamento entre a ave agoirenta e o Medina Carreira o mínimo que se espera é que ele dê o exemplo pois nada o impede de aplicar aos seus (incluindo os pensionistas do BdP) a austeridade que exige aos outros. No caso do BdP o senhor Costa não só estaria a adaptar as mordomias dos funcionários públicos e pensionistas do BdP à realidade do país como estaria a dar um duplo exemplo, um exemplo porque aplica aos seus a austeridade que exige aos outros e um exemplo porque chama os seus a responder pela incompetência demonstrada enquanto entidade reguladora de bancos como o BPN ou o BPP.
Porque razão um professor catedrático de finanças ganha menos do que um quadro do BdP, não recebe subsídio para livros como este e na hora da austeridade perde parte do vencimento e os subsídios enquanto o funcionário público do BdP não corta nada e muito provavelmente ainda recebe um aumento?
E já que falamos no BdP que tanto se bate pela transparência das contas públicas e do Estado enquanto o seu governador anda por aí armado em santinha das finanças, porque razão os vencimentos e mordomias do BdP não aparecem no seu site de forma a que sejam conhecidas pelos contribuintes que as pagam? Todas as colocações, subidas de categoria e remunerações dos funcionários públicos são divulgadas no Diário da República mas o que se passa no BDP é segredo, muito provavelmente para que o povo não saiba e assim manterem o esquema.
Ainda a propósito de transparência seria interessante saber porque razão os fundos de pensões da banca vão ser transferidos para o Estado e o do Banco de Portugal fica de fora. O argumento da independência não pega, o que nos faz recear que o fundo de pensões seja abastecido de formas pouco aceitáveis para os portugueses. Seria interessante, por exemplo, saber a que preço e em que condições uma boa parte do imobiliário que o banco detinha por todo o país foi transferido para o fundo de pensões dos seus dirigentes e funcionários.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Grande Adriano!

Numa intervenção certeira e de grande clarividência, como de costume, o grande transmontano Adriano Moreira afirma que a Tugalândia está governada por um "neoliberalismo repressivo", com a desculpa da "crije". Não podemos estar mais de acordo, tal como o temos dito aqui pela Aldeia. O que nos leva a suspeitar que toda esta "crije", mesmo global, foi forjada para se poder aplicar uma agenda neoliberal cozinhada pela famigerada "Escola de Chicago" (aliás, "para chi cago!") e adoptada pela pandilha do Tea Party do republicanismo americanóide. Que do lado das américas nunca vem nada de bom, já nós sabemos  - que se pode esperar de uma coisa que nasceu do massacre e espoliação de índios e manutenção do esclavagismo negro até bastante tarde? - Agora que pelas Europas haja gente que siga cegamente essas cartilhas fabricadas e engolidas por estúpidos e gordos comedores de hamburgers, é mais grave.
Ainda sobre o que diz Adriano, é de salientar que nem o "ominoso fascismo" foi tão longe nesta política de "Robin dos Bosques ao contrário", ou seja, de roubar aos pobres para dar aos ricos, com a desculpa da famigerada "Crije"... O que nos leva a questionar, que sentido faz, hoje, comemorar o 25/04....

Aqui fica:
«Adriano Moreira: Portugal está governado por "neoliberalismo repressivo"

Volvidas quatro décadas de democracia, Portugal está governado por um "neoliberalismo repressivo", focado no "ataque ao Estado social" e que justifica tudo com "resposta simples" de que "não há dinheiro", critica o professor Adriano Moreira.

"Não ter dinheiro não significa não ter princípios e, portanto, é necessário que a falta de dinheiro não seja acompanhada por lançar os princípios pela janela", contrapôs o ex-ministro, ex-deputado e ex-líder do CDS-PP em entrevista à agência Lusa.
Portugal está hoje numa situação que "talvez não tenha precedente na vida europeia", assinalou, contrapondo que, para "animar a população portuguesa no sentido de recuperar um futuro com dignidade", é preciso dar-lhe "esperança".
Mas, em vez disso, a vida corre "cheia de dificuldades". A democracia produziu "efetivamente um grande desenvolvimento" e "o modo de vida aproximou-se da Europa", mas a "espécie de engenharia imaginosa financeira" que se lhe seguiu resultou numa "evolução muito má (...) até chegar a esta crise global", analisa o professor.
Neste contexto, Portugal "acentuou a sua condição de país exógeno (...), evolucionou para país exíguo e finalmente caiu na situação atual, de protetorado sem definição jurídica", descreveu Adriano Moreira, que recentemente assinou o "manifesto dos 70", que defende a reestruturação da dívida nacional.
Recordando que Portugal "sempre dependeu de apoio externo", o professor admitiu, porém, que essa dependência instalou "vícios" no país. Caído o Muro de Berlim e com ele a divisão entre o modelo ocidental e o comunista, restou o "neorriquismo e a tónica passou a ser gastar mais do que as disponibilidades", resumiu.
"É muito difícil dizer quem é o mais responsável. Eu acho que somos todos responsáveis", frisou, insistindo na importância de definir "um conceito estratégico nacional", o que implica um "consenso" alargado e que todas as diferenças se subordinem "a um conjunto de objetivos e valores que unem a comunidade", em vez de contribuir para "os desafetos, por exemplo, pondo os velhos contra os novos, pondo os reformados contra os ativos".
Para o académico, esse conceito deve privilegiar a relação de Portugal com o mar e defender "uma situação de igualdade na comunidade das nações" e de "dignidade nas relações entre os países".
A aposta na educação e nas instituições é outra das propostas de Adriano Moreira. "A investigação e o ensino são matéria de soberania, não são matéria de mercado", sustenta.
"Quando vejo a situação em que se encontram hoje as universidades portuguesas, acho que o conceito estratégico nacional está abalado", lamentou o presidente da Academia das Ciências de Lisboa.
"A democracia não é constituída só por indivíduos, também é por instituições", pois são estas "que asseguram a continuidade dos valores, dos projetos e da ação", frisou o professor de 91 anos, que olha à volta e vê um cenário "de grande inquietação", o que justifica o título que deu ao seu último livro, "Memórias do Outono Ocidental", "porque as folhas estão a cair».

quinta-feira, 6 de março de 2014

De leitura obrigatória: "O país do PSD não precisa de pessoas"

Realmente, quando do outro dia ouvimos esta tirada de um alto responsável do partido do (des)governo, um tal de Montenegro, sobre que isto (a Tugalândia) até já está melhor, mau grado os tugas estarem piores, bem, deu-se-nos um nó no cérebro ao tentarmos dilucidar a momentosa opinião. Pensámos em comentá-la aqui pela Aldeia, mas, o tempo passou e passou o momento. 
Eis então senão quando mão amiga nos faz chegar este recorte de José Victor Malheiros (in Publico, 4.03.2014), que em boa hora veio em nosso socorro - de leitura obrigatória:

«O país do PSD não precisa de pessoas

José Vítor Malheiros

A vida das pessoas não está melhor, mas a vida do país está muito melhor.” A frase, de Luís Montenegro, o risonho líder parlamentar do PSD, merece entrada em qualquer colectânea de citações políticas e mesmo nos manuais de história contemporânea. Não pela profundidade do pensamento, como nos melhores casos, mas pela clareza da ideia que expõe, que no caso vertente resulta de uma mistura de simplicidade e de desfaçatez. A primeira parte da tirada (“A vida das pessoas não está melhor”) não levanta dúvidas a ninguém e merece a concordância de todos. Há menos emprego que quando este Governo tomou posse, há mais desemprego, há mais desempregados sem apoios sociais, há mais pobreza, há mais sem-abrigo, há mais fome, há mais desespero, há mais jovens sem dinheiro para estudar, há mais portugueses a emigrar por falta de perspectivas, há mais jovens qualifi cados a emigrar, há mais medo, há menos liberdade, há menos apoios sociais, há menos acesso à saúde, há menos formação, há menos escolas, há menos serviços no interior, há maior conflitualidade, há menos confiança nas pessoas e nas instituições, etc. A lista exaustiva é impossível de tão longa e, por trás de cada estatística, escondemse milhares de tragédias pessoais, de histórias que não deviam existir num país
desenvolvido no século XXI.
O que é de mais difícil compreensão é aquele “a vida do país está muito melhor”. É difícil porque é preciso um enorme esforço conceptual para separar este “país” que está “muito melhor” das “pessoas” que “não estão melhor”. Que país é este de que fala Montenegro?
Que entidade é esta que está tão longe e tão separada das pessoas que é possível que uma esteja muito melhor e as outras muito pior?
Existem muitas defi nições de estado (suponho que é do estado que fala Montenegro) mas praticamente todas elas consideram uma comunidade organizada politicamente, com um governo e um território. Que país é então este que está bem quando as suas pessoas estão mal? Que componente do país é que está melhor? Será que Montenegro fala do território? Não parece ser. Referir-se-á Luís Montenegro ao Governo?
Será o Governo a parte do país que está “muito melhor”? É inegável que o executivo ganhou um novo vigor e que conseguiu construir um discurso positivo em torno da ideia de “fi m do programa de ajustamento” que, por vácuo que seja, parece ter convencido alguns incautos e paralisado ainda mais o PS. Mas mesmo Luís Montenegro sabe que seria excessivo identifi car Governo e país. Este país que está “muito melhor” parece ser algo mais amplo que a comissão liquidatária a que chamamos governo.
Mas então que país é este que está “muito melhor” e que não são as pessoas? É simples: o “país” de que fala Luís Montenegro não é o nosso país. O “país” de que fala Luís Montenegro não é Portugal. O “país” de que fala Luís Montenegro é, simplesmente, o capital.
O que Luís Montenegro quis dizer foi que “A vida dos trabalhadores não está melhor, mas a vida do capital está muito melhor”.
Basta substituir estas poucas palavras para tudo bater certo. A vida dos dirigentes do PSD está muito melhor (basta ver como se congratulavam todos no último congresso).
A vida dos dirigentes do CDS está muito melhor. A vida dos banqueiros está muito melhor. A vida dos grandes empresários está muito melhor. A vida dos multimilionários está muito melhor. A vida dos advogados que trabalham para o capital está muito melhor. A vida dos empresários que baixam salários e despedem trabalhadores com opretexto da crise está muito melhor. A vida dos empresários sem escrúpulos está muito melhor. A vida dos empresários que vivem à conta das PPP está muito melhor. A vida dos corruptos que nunca são condenados está muito melhor. A vida dos que têm as empresas registadas na Holanda e o dinheiro nas ilhas Caimão está muito melhor. A vida dos empresários da saúde que vêem as suas clínicas aumentar a facturação à custa da destruição do Serviço Nacional de Saúde está muito melhor. A vida dos empresários da educação que vêem as suas escolas aumentar a facturação à custa da destruição da escola pública e dos subsídios do estado está muito melhor. E depois, à volta destes, há um segundo anel de empresários de serviços de luxo, de serviços “diferenciados” e “exclusivos”, que servem os primeiros, cuja vida está também muito melhor.
O que Luís Montenegro quis dizer foi que “A vida do povo não está melhor, mas a vida da oligarquia que manda no país está muito melhor”.
Foi por isso que se congratulou. Porque ele faz parte dela.
Que isso constitua uma traição às promessas do PSD, à social-democracia que voltou a ter direito de menção no último congresso, ao interesse nacional, ao povo que o elegeu é algo que não preocupa Montenegro ou o PSD. Como diz com honestidade o multimilionário Warren Buff ett, “há de facto
uma luta de classes e a minha classe está a ganhar”. A diferença é que Buff ett tem uma certa vergonha. E Montenegro não tem vergonha nenhuma.»


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

De crise em crise, sem fim à vista...

E para os "banhas-da-cobra" que, eleitoristicamente, andam por aí a dizer que "a crije já passou", "o pior já passou", a "recheita do gobêrno rejultou", enfim... - se assim é, então porque continuam a dizer que é ainda preciso "exterminar" mais funcionários públicos, cortar o subsídio de desemprego, dizendo entretanto que o desemprego está a baixar (porque arranjam estratagemas para varrer o "lixo" para debaixo do tapete da estatística), etc, etc?
A resposta é simples: é porque sabem que o que dizem não corresponde à verdade e é preciso continuar nesta política de terra queimada... Mas, se assim é, não se ponham a falar em "milagres económicos" e outras palermices que tais... Quem é que ainda acredita em "pulhíticos"??

Aqui vai o que nos parece mais de ciência certa - informem-se:

Economista "Segundo resgate a Portugal é muito possível dentro de cinco anos"
O economista Jens Nordvig concedeu uma entrevista ao Jornal de Negócios na qual afirma que é “possível” que dentro de “cinco anos” Portugal venha a precisar de um segundo resgate. Em Lisboa para apresentar o seu livro ‘A Queda do Euro’, Nordvig disse ainda que as vantagens do euro são “exageradamente empoladas” e que é preciso “ser realista”, pois pertencer a uma união monetária “exige a submissão a uma série de restrições”.

 09:01 - 27 de Fevereiro de 2014 |

Em entrevista ao Jornal de Negócios, Jens Nordvig, economista que já passou pelo Goldman Sachs e que agora apresenta o livro ‘A Queda do Euro’, começou por dizer que as vantagens de pertencer a uma união monetária foram “exageradamente empoladas”.
 “As vantagens do euro são exageradamente empoladas, como numa campanha de marketing, e temos de ser realistas: pertencer ao euro exige a submissão a uma série de restrições”, assegurou o economista.

Nordvig garantiu ainda que “a crise que assolou o euro foi tão tremenda precisamente porque não se tinha essa noção”.
Sobre Portugal, o economista referiu que vê como “muito possível um segundo resgate dentro de cinco anos”. “Temos de ter a noção de que estamos a atravessar um período muito extenso de crédito relativamente muito barato que deverá inverter-se, diria, dentro de dois anos”, acrescentou, alertando que nessa altura Portugal já terá saído do programa da troika e “vai começar a sentir maiores dificuldades em financiar-se nos mercados porque a sua dívida é demasiado elevada”.
E porque a questão que está na ordem do dia é a opção entre um programa cautelar ou uma saída limpa, o Jornal de Negócios aproveitou a oportunidade para questionar o economista sobre qual seria, na sua opinião, a opção mais viável. A resposta foi perentória: “uma linha cautelar daria uma proteção adicional caso as taxas de juro começassem a subir. Eu escolheria a opção mais segura: um cautelar”.

 por: Notícias Ao Minuto, 2014.02.27 - confirmar em:





domingo, 2 de fevereiro de 2014

Era bom, era... mas parece que é aldrabice... (mais uma)

A gigantesca operação de manipulação da opinião pública que está em curso pelo governo e seus defensores nos media

Mão amiga fez-nos chegar, aqui à Aldeia, um documento subscrito pelo economista Eugénio Rosa, em que se desmonta o pretenso "milagre" que os engana-tolos, através dos seus "cães de guarda" (a Comunicação Social amestrada), nos procuram impingir, para continuarmos a aguentar a "dose cavalar" da famosa terapêutica da "austeridade".

E ainda não saíu do adro a procissão para as "Europeias"... E, ao abeirar-nos das legislativas, então aí sim! será uma coisa parecida com aquele ministro do Saddam, que mesmo no momento final da invasão yankee, continuava a apregoar retumbantes vitórias do glorioso exército iraquiano...

Apesar de ter perdido a formatação (coisas da informática), não resisto a partilhar connvosco a análise do referido economista:


Eugénio Rosa – Economista – este e outros estudos disponíveis em www.eugeniorosa.com

Pág. 1

NA ECONOMIA REAL NÃO HÁ MILAGRES: a gigantesca campanha de manipulação da opinião pública em curso visando fazer crer o contrário

Neste momento está em curso no nosso país uma gigantesca operação de propaganda
levada a cabo pelo governo e pelos seus defensores na comunicação social com o objetivo
de convencer a opinião pública que a política de austeridade resultou (“os sacrifícios valeram a pena” repetem); que se está a verificar uma viragem económica, e que Portugal entrou no crescimento económico e desenvolvimento. Uns por convicção ideológica, outros por terem sidos sujeitos a uma captura cognitiva, põem de parte a análise objetiva e os ensinamentos da ciência económica substituindo-a por afirmações de euforia com base em dados isolados e seleccionados.
E quem não concorde com eles ou é silenciado nos media, ou então se tem a sorte de ter acesso alguma vez a eles, é impedido de falar como me aconteceu no programa da SIC “Negócios da semana” de JGF (interrupções continuas impedindo de desenvolver qualquer raciocino até ao fim, o que não se verificou com o outro participante - Pais Antunes – sendo a justificação depois dada por JGF que não o interrompia porque ele estava de acordo com JGF). Mas se a “recuperação da economia” fosse verdade por que razão se mantém o enorme aumento de impostos em 2014, se cortam salários e pensões, se corta no SNS, na educação e nas prestações sociais em 2014? Interessa, por isso, analisar de uma forma fundamentada e objetiva a “recuperação da economia” do governo utilizando os próprios dados oficiais. É o que vamos procurar fazer

PORTUGAL É UM PAÍS ONDE A RIQUEZA PRODUZIDA CONTINUA A DIMINUIR

Contrariamente ao que pretendem fazer crer o governo e os seus defensores nos media, em
2013 a riqueza produzida, medida pelo PIB, continuou a diminuir como mostra o gráfico 1.

Gráfico 1 – Evolução do PIB no período da “troika” e do governo PSD/CDS
146.000
148.000
150.000
152.000
154.000
156.000
158.000
160.000
162.000
164.000
2010 20111 2012 2013

PIB a preços constantes de 2006 Milhões €
PIB a preços constantes de 2006 Milhões €

FONTE: INE e previsões do governo e do Banco de Portugal para 2013
A quebra do PIB verificou-se também em 2013, ano de “recuperação económica”. A previsão
do governo para 2014 é uma subida do PIB de apenas 0,8% (a OCDE prevê 0,4%), ou seja, a
estagnação económica E mesmo este crescimento reduzido não tem em conta todos os
efeitos recessivos do corte brutal da despesa pública (salários, pensões, etc.) em 2014.

DADOS DO BANCO DE PORTUGAL DE 2014 NÃO CONFIRMAM A RECUPERAÇÃO ECONÓMICA CONSISTENTE ANUNCIADA PELO GOVERNO

Dados dos “Indicadores de conjuntura” divulgados pelo Banco de Portugal em Janeiro de
2014, revelam que a situação é diferente daquela que se pretende fazer crer.

Quadro 1- Os últimos indicadores de conjuntura do banco de Portugal

VARIAÇÃO EM RELAÇÃO AO TRIMESTRE HOMÓLOGO DO ANO ANTERIOR PERÍODO
Taxa de utilização da capacidade produtiva da indústria transformadora

FBCF
(Investimento)
Produção industrial
(não inclui
construção)
Emprego
Procura
interna
Procura externa
liquida (E-I)
4ºTrim.2012 73,0% -4,8% -3,3% -0,7% -1,9% 1,2%
1ºTrim. 2013 74,0% -5,6% -2,2% -1,0% -1,8% 0,9%
2º Trim. 2013 74,0% -3,5% -0,9% -1,0% -0,9% 0,7%
3º Trim. 2013 73,0% -2,5% -1,1% -0,8% -0,6% 0,2%
4º Trim. 2013 73,0%

FONTE - Indicadores de Conjuntura - nº 1, Janeiro de 2014 - Banco de Portugal
Pág. 2

Como revela o Banco de Portugal a taxa de utilização da capacidade produtiva da indústria é
baixa e não tem aumentado (73% no 4º Trim.2013); o investimento, a produção industrial e a
procura interna continuou a diminuir mesmo no 3º Trimestre de 2013, portanto num trimestre
que, segundo o governo e os seus defensores, é já de “recuperação económica”. A procura
externa líquida (Exportações menos Importações), “o motor do milagre económico” do
governo, tem apresentado valores cada vez mais reduzidos desde o 4º Trimestre de 2012,
sendo o valor do 3º Trim.2013 superior ao do 3º Trim.2012 apenas em 0,2%.

O CONSUMO DAS FAMÍLIAS, O INVESTIMENTO E PROCURA INTERNA CONTINUARAM A CAIR EM 2013 SEGUNDO TAMBÉM O INE

O consumo das famílias, que determina o seu nível de vida, assim como o investimento, bem
como a procura interna fundamentais para a recuperação da economia portuguesa
continuaram a cair em 2013 como revelam os dados do INE constantes do quadro 3

Quadro 3- Consumo das famílias, investimento e procura interna – em volume a preços constantes de 2006 – 2012/2013

Anos Trimestres
Despesa consumo
total das Famílias
Milhões €
FBCF
(Investimento)
Milhões €
Procura interna
Milhões €
PIB a preços
constantes de 2006
2012 1º+2º+3º 72.875,70 19.247,60 118.305,00 117.607,50
2013 1º+2º+3º 71.064,70 17.610,50 114.173,00 114.837,90
Variação em % -2,5% -8,5% -3,5% -2,4%
Variação em Milhões € -1.811,00 -1.637,10 -4.132,00 -2.769,60

FONTE: Contas Trimestrais -3º Trim.2013 - INE

Se compararmos o consumo das famílias, o investimento e a procura interna em volume
(preços de 2006) nos três primeiros trimestres de 2013 com o de igual período de 2012,
concluiu-se, segundo o INE, que o de 2013 foi inferior ao de 2012 nos seguintes montantes: o
consumo das famílias caiu em 1.811 milhões € (-2,5%; entre 2010/2012 já tinha diminuído
8,5%); o investimento diminuiu em 1.637,1 milhões € (-8,5%); e a redução na procura interna
atingiu 4.132 milhões € (-3,5). Estes dados oficiais mostram que ainda não se verifica uma
verdadeira “recuperação económica” tão apregoada pelo governo e seus defensores.
E isto até porque a procura externa, tão valorizado pelo governo e seus defensores para
recuperar a economia, começa a revelar sérias dificuldades. Na pág. 5 dos “Indicadores de
conjuntura “ divulgados em Janeiro de 2014, a propósito do “milagre das exportações” o
Banco de Portugal refere o seguinte: Em termos acumulados, desde o início do ano de 2013,
“as exportações e as importações, excluindo os combustíveis, aumentaram 1,8% e 1,1%
respetivamente”. E se a analise tiver como base Nov.2013, portanto um mês em que,
segundo o governo, já se verificou a recuperação da economia, o Banco de Portugal refere
que “as exportações e as importações, excluindo os combustíveis, aumentaram 2,7% e 5,1%
respetivamente”, portanto o crescimento das importações foi quase o dobro do aumento das
exportações. Isto mostra, como tínhamos alertado, que a redução do défice externo não é
estrutural, basta uma pequena alteração conjuntural – neste caso a substituição da frota de
viaturas pelas empresas - para alterar a situação.

O DESEMPREGO REGISTADO DIMINUI DEVIDO À EMIGRAÇÃO DOS MAIS QUALIFICADOS

Um dos indicadores utilizados pelo governo e defensores na sua campanha de manipulação é
o desemprego registado divulgado todos os meses pelo IEFP. Mas analisemos por que razão
o desemprego registado está a diminuir. Observe-se os dados do quadro 2

Quadro 2- Variação do desemprego registado nos últimos dois meses de 2013

DESEMPREGO REGISTADO MÊS/ANO
Total Com ensino básico
ou menos
Com o
secundário
Com ensino
superior
Longa duração
(>=1ano)
Com mais
de 25 anos
Nov/13 692.013 433.135 163.235 95.649 321.911 598.592
Dez/13 690.535 435.772 161.354 93.409 322.985 601.039
Variação. -0,2% +0,6% -1,2% -2,3% +0,3% +0,4%
FONTE: Informação mensal do mercado de emprego - Nº 12 - IEFP
Entre Novembro e Dezembro de 2013, o desemprego registado diminuiu em 0,2%, no entanto
essa redução fez –se à custa da redução do numero de desempregados inscritos nos centros
de emprego com o ensino secundário e superior, precisamente aqueles que estão a emigrar
em massa. O número de desempregados inscritos nos centros de emprego com o ensino

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básico ou menos, assim como o desemprego de longa duração e os desempregados com
mais de 25 anos, continuam a aumentar.

UMA PARCELA CADA VEZ MENOR DA RIQUEZA VAI PARA OS TRABALHADORES, AS DESIGUALDADES AUMENTAM COM A CRISE, E OS OBSTÁCULOS AO CRESCIMENTO AGRAVAM-SE

As desigualdades na repartição primária da riqueza criada estão a aumentar, como mostram
os próprios dados do Eurostat constantes do quadro 4.

Quadro 4- A parte das remunerações e dos salários no PIB (repartição primária do rendimento)
% do PIB

ANOS REMUNERAÇÕES
(Inclui contribuições das empresas
para a Segurança Social)

SALÁRIOS
(Não inclui contribuições das
empresas para a Segurança Social)

Excedente Bruto

Exploração (EBE)
(Reverte para as Empresas)
2010 50,2% 38,9% 37,90%
2011 49,8% 38,5% 38,10%
2012 48,1% 37,1% 39,90%
2013 47,4%
2014 47,0%
Variação -6,4% -4,6% +5,3%
FONTE: Eurostat

Entre 2010 e 2014, ou seja, com o governo PSD/CDS e a “troika”, a parte que as
Remunerações, que inclui as contribuições patronais para a Segurança Social, representam
do PIB diminuiu de 50,2% para apenas 47%, ou seja, sofreu uma redução de 6,4% (-3,2
pontos percentuais), e os Salários, que já não inclui as contribuições dos empregadores,
também registou uma forte redução pois, entre 2010 e 2012, passou de 38,9% para apenas
37,1% do PIB. Durante o mesmo período (2010/2012) o Excedente Bruto de Exploração, que
reverte para as empresas, aumentou de 37,9% para 39,9% do PIB, sendo já superior à
percentagens que os Salários representam do PIB. Uma rápida redistribuição da riqueza
verificou-se em Portugal no período 2010-2012 em prejuízos dos trabalhadores e também nos
anos seguintes, o que contribuiu para agravar ainda mais as desigualdades em Portugal.
Esta redução importante na parte das remunerações no PIB, que está a determinar o
empobrecimento dos trabalhadores, é confirmada também pela evolução dos custos do
trabalho em Portugal. Os dados do quadro 5, divulgados pelo Eurostat, confirmam também a
redução de salários e o empobrecimento dos trabalhadores no nosso país
Quadro 5- Variação do índice dos custos de Trabalho em Portugal e na U.E.27,
ÍNDICE DO CUSTO MÃO ANO/Trimestres DE OBRA (2008=100)
EU-27 países PORTUGAL
2010- 4º Trimestre 105,0 105,1
2011- 4º Trimestre 107,4 98,8
2012- 4º Trimestre 109,1 92,9
2013-3º Trimestre 110,2 91,3

VARIAÇÃO 2010/2013 +5,0% -13,1%
FONTE: Eurostat

Entre o 4º Trim.2010 e o 3º Trim.2013, ou seja após entrar em funções o governo PSD/CDS e a “troika”, o Índice do custo do trabalho em Portugal diminuiu 13,1%, enquanto na EU-27
aumentou 5%. E como mostra o quadro o valor do 3º Trim.2013 é inferior ao do 4º Trim.2012,
o que prova que esta redução destes custos, que têm como base uma redução de
remunerações (segundo o Banco de Portugal, as remunerações do trabalho diminuíram 1,6%em 2011 e
7,2% em 2012), continuou em 2013. Interessa referir que os custos do trabalho em Portugal em
2013 já são bastante inferiores aos de 2008 (-8,7%).
No entanto, estes dados ainda não traduzem de uma forma rigorosa e completa a redução
dos rendimentos dos trabalhadores, porque eles ainda dizem respeito à repartição primária do
rendimento. Baseiam-se nas remunerações ilíquidas, antes de ser deduzido o IRS e outros
impostos e os descontos para a Segurança Social, CGA, ADSE, ADM e SAD. Para ficar claro
como a política fiscal tem sido utilizada pelo governo para fazer uma redistribuição do
rendimento em beneficio dos rendimentos do capital e propriedade basta referir o seguinte.
Segundo o Relatório do O.E-2014, as receitas fiscais totais aumentaram, entre 2012 e 2013,
2.276 milhões € (de 32.627M€ para 34.903M€), mas as receitas de IRS subiram 2.776
milhões € (de 9.235M€ para 12.011M€), ou seja, cresceram mais do que as receitas fiscais
totais. O IRS também serviu para compensar quebras de receitas verificadas em outros impostos.


pág. 4

E segundo o Ministério das Finanças, cerca de 90% dos rendimentos sujeitos a IRS têm como
origem rendimentos do trabalho e pensões, cabendo aos restantes rendimentos (propriedade,
capital) menos de 10% dos rendimentos sujeitos a IRS .Fica assim claro como a politica fiscal está
a ser utilizada por este governo e pela “troika” para fazer uma redistribuição a favor dos detentores
do capital e da propriedade após a repartição primária do rendimento que é já profundamente
desfavorável aos trabalhadores. Os mais ricos (muito menos de 1% da população) já
conseguiram, apesar da crise, reconstituir as suas fortunas. A provar isso está a valorização das
ações em bolsa. Entre Dez.2010 e Dez. 2013, segundo a CMVM, o valor das ações das empresas
cotadas na bolsa subiu de 193.224 milhões € para 229.285 milhões €, o que determinou que os
seus proprietários vissem as suas fortunas aumentar em 36.061 milhões € (21,7% do PIB). É por
esta razão que “Américo Amorim recuperou a liderança entre os 25 mais ricos em Portugal”. Os
mais ricos já recuperaram da crise, e já são até mais ricos do que eram antes da crise, até porque
a maior parte da sua riqueza está em ações e outros títulos. Como afirma Joseph Stiglitz, premio
Nobel da economia, em “O Preço da desigualdade”, a desigualdade reduz a procura agregada
pois a propensão de consumo dos ricos é baixa em relação ao elevado rendimento de que se
apropriam e “sociedades demasiadamente desiguais não funcionam com eficiência, e as suas
economias não são nem estáveis nem sustentáveis a longo prazo. Quando os mais ricos usam o
seu poder politico para beneficiar em excesso as suas empresas, as muito necessitadas receitas
são desviadas para os bolsos de poucos, em vez de beneficiarem a sociedade em geral” (pág.
152). Em Portugal as desigualdades na repartição do rendimento são tão graves que constituem
um obstáculo ao crescimento económico e ao desenvolvimento, e vão-se agravar mais em 2014,
com cortes brutais nos salários, nas pensões, nas prestações sociais, na educação e na saúde
(3.100 milhões € de corte na despesa pública) que o governo pretende fazer, o que, ao reduzir a
procura agregada, poderá matar à nascença quaisquer sinais de recuperação económica.

A DIVIDA PUBLICA CONTINUOU A CRESCER EM 2013 E TORNA-SE MAIS INSUSTENTÁVEL

Durante o programa da SIC “ Negócios da Semana” em que participei, José Gomes Ferreira,
um empenhado defensor da politica de austeridade do governo e da “troika”, numa das suas
interrupções frequentes, afirmou que em 2013 se tinha verificado também uma inversão do
endividamento público. Comparemos esta afirmação de JGF com dados do próprio governo
constantes do 1º orçamento retificativo do OE-2014.constantes do quadro 6

Quadro 6 – Evolução da Divida Pública durante o governo PSD/CDS e “troika” – 2010/2013
DIVIDA PÚBLICA (ótica ANOS de Maastricht)

Em % PIB Milhões €
2010 94,0% 162.487
2011 108,2% 185.159
2012 124,1% 204.897
2013 127,8% 211.354
Variação- Milhões € +48.867
Variação em % +36,0% +30,1%
FONTE: Relatório ao 1º orçamento retificativo de 2014 e INE

Em 2010, antes da “troika” chegar e do governo PSD/CDS entrar em funções, a divida pública era de 162.487 milhões € (94% do PIB). Três anos de “troika” e de governo PSD/CDS fizeram subir a divida pública para 211.354 milhões € (mais 48.867 milhões €) o que corresponde a 127,8% do PIB de 2013 (entre o 2ºTrim. 2013 e o 3ºTrim.2013, verificou-se uma redução, mas a tendência, como se vê, é de aumento). Mesmo este valor não traduz a totalidade da divida das
Administrações Públicas, pois há uma parcela importante desta que não é considerada naquele
total. Segundo o Banco de Portugal, a divida das Administrações Públicas atingia, já em Agosto-
2013, 254.636 milhões € o que correspondia a 155,2% do PIB; quando em Dez.2010 era 107,5%
do PIB. Portugal termina (?) o período de intervenção da “troika” com um pesadíssimo fardo de
divida que impede qualquer crescimento sustentado. E de acordo com o Pacto Orçamental,
aprovado na Assembleia da República pelo PS, PSD e CDS”, Portugal assumiu o compromisso de
a reduzir de 127,8% para 60% num prazo de 20 anos (artº 4º), o que significa uma redução 3,4
pontos percentuais por ano (quase 6.000 milhões € por ano), a que se junta uma outra obrigação
constante do artº 1º do Pacto, que é a redução do défice estrutural para -0,5% (em 2013, era -
3,5%). Se estas condições draconianas não forem alteradas Portugal estará condenado à
estagnação económica, ao definhamento e ao empobrecimento. Falar neste contexto concreto, e
sem que se altere significativamente o quadro atual, de recuperação da economia, e sugerir que
ela possa ser sustentável, é não entender como funciona a economia ou então só pode ser com
intuito claro de enganar a opinião pública e os portugueses. É tomar a árvore pela floresta e não
entender nada da situação atual.

Eugénio Rosa – Economista – edr2@netcabo.pt – 23-1-2014




segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O regresso das "sopas dos pobres"...

Talvez a única diferença esteja no facto de entretanto se ter inventado, ou generalizado, a fotografia a cores:
 

Caros visitantes,
é com esta nota de "Esperança" que nos despedimos de 2013...
Com o "orçamento de estado", entretanto aprovado, é caso para dizer, "para o ano há mais"...
Por isso, seria uma ironia e um acto de cinismo desejar-vos um "próspero" ano novo...
Desejamos-vos, todavia, um novo ano (ainda) com trabalho/emprego, alguns trocos e sem fome.
A vós, que sois o comum dos mortais, funcionários públicos, empregados da privada, pequenos empresários, arraia miúda em suma. Porque para os mamões, para esses está-se bem. Cada vez melhor...

Com um abraço do vosso
Ti Zé.