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domingo, 11 de janeiro de 2015

Uderzo /Astérix est Charlie aussi!

Uderzo, o génio da banda desenhada que ajudou a construir o meu/nosso imaginário, aos 87 anos, apesar de reformado (se é que um artista pode estar reformado), quebrou a seu silêncio e também interveio. Aqui fica o que pode ser um dos seus últimos desenhos:

sexta-feira, 7 de março de 2014

ícone

DR.

Esta fotografia é um ícone...

Quando um (des)governo precisa de se escudar na Polícia (aliás em Polícias de intervenção) porque as próprias polícias se rebelam contra ele...

Quando a suposta casa da "democracia" precisa deste aparato para se fechar aos cidadãos em protesto pelas sistemáticas políticas que esmagam sempre os mesmos...

Quando isto é o governo só de alguns, que, a pretexto da "crije", empreendem uma política de desmantelamento do próprio Estado, tal como o conhecemos - ao serviço dos cidadãos, dos cidadãos que não podem pagar a Saúde privada, o Ensino privado, a Segurança privada....

Quando em resultado final têm de se escudar desta forma para (se) governarem, a coberto de "troikas" e de cartilhas importadas do capitalismo internacional...

... isto já não é Democracia nenhuma!!! - É apenas uma ditadura eleita, como o do Chávez-Maduro, e tem tanta legitimidade como a do governo sírio, ou o deposto governo da Ucrânia.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Manifestação no Parlamento Europeu... que ninguém viu!

Corre pela Aldeia:
 

A revolta contra a austeridade já chegou ao Parlamento Europeu.
Esta semana alguns deputados europeus manifestaram-se contra a Troika.
Esta foto está a correr a Europa toda, mas ... alguém a viu na imprensa portuguesa?
 
Como podem ver, deputados europeus manifestaram-se com a palavra de ordem:
Tirem as patas de cima de: CHIPRE, PORTUGAL, GRÉCIA, ESPANHA, IRLANDA.
 
Mas... por cá, se não for a internet, nada sabemos!
 

 Comentário do ti Zé:
 
- Parece que não se vêm entre os manifestantes nenhuns eurodeputados portugueses....  Não ficaram na fotografia, ou nesse dia não puseram lá os pés??
 
- Por outro lado, para compreender a "omissão" destas coisas na imprensa tuga, recomendo um livrinho muito interessante, saído há anos, de autoria de Serge Halimis (cronista habitual do Le Monde Diplomatique), intitulado: "Os novos cães de guarda" (está traduzido em português) - sera fácil de adivinhar que os tais cães são a Comunicação Social a soldo, e o que guardam é o grande capital que directamente ou indirectamente lhes paga. Ainda há dias vi umas páginas inteiras - sem dizer nada - de publicidade paga, no J.N. ao banco Espírito Santo.... E quando vemos a notícia de um dado banqueiro a ser acusado das trafulhices que faz, logo de imediato se faz um grande silêncio sobre o assunto.... Se calhar os do BPN já não tinham dinheiro para pagar à corja de "cães de guarda", por isso o assunto foi saltando para os jornais...  - que, na verdade, é curta a linha de separação entre jornalistas e jornaleiros... (a soldo).
 

 

quarta-feira, 20 de março de 2013

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

PELOURINHO: ainda sobre o FDP Ulrich

Ainda sobre o tal de Ulrich, para acabar o assunto (por enquanto, e até nova grulhidela do dito), aqui vos deixamos - no pelourinho, que era onde antigamente se afixavam editais, além de se amarrarem os prevaricadores - este magnífico texto de Alice Brito (que não conhecemos, pois a Aldeia é grande, mas que tem toda a razão).
E, curiosamente, as comparações com Auschwitz também já por cá andaram (cá pela Aldeia), o que significa que mais pessoas estão a chegar à mesma conclusão:

A RAIVA DE TODOS NÓS CONTRA OS CÍNICOS DESTE PAÍS

"Sei que a raiva não é boa conselheira. Paciência. Aí vai.

Havia dantes no coração das cidades e das vilas umas colunas de pedra que tinham o nome de picotas ou pelourinhos. Aí eram expostos os sentenciados que a seguir eram punidos com vergastadas proporcionais à gravidade do seu crime. Essa exposição tinha também por fim o escárnio popular.

Era aí que eu te punha, meu glutão.

Atadinho com umas cordas para que não fugisses. Não te dava vergastadas. Vá lá, uns caldos de vez em quando. Mas exibia-te para que fosses visto pelas pessoas que ficaram sem casa e a entregaram ao teu banco. Terias de suportar o seu olhar, sendo que o chicote dos olhos é bem mais possante que a vergasta.

Terias, pois, de suportar o olhar daqueles a quem prometeste o paraíso a prestações e a quem depois serviste o inferno a pronto pagamento.

Daqueles que hoje vivem na rua.

Daqueles que, para não viverem na rua, vivem hoje aboletados em casa dos pais, dos avós, dos irmãos, assim a eito, atravancados nos móveis que deixaram vazias as casas que o teu banco, com a sofreguidão e a gulodice de todos os bancos, lhes papou sem um pingo de remorso.

Dizes com a maior lata que vivemos acima das nossas possibilidades. Mas não falas dos juros que cobraste. Não dizes, nessas ladainhas que andas sempre a vomitar, que quando não se pagava uma prestação, os juros do incumprimento inchavam de gordos, e era nesse inchaço que começava a desenhar-se a via-sacra do incumprimento definitivo.

Olha, meu estupor, sabes o que acontece às casas que as pessoas te entregam? Sabes, pois… São vendidas por tuta e meia, o que quer dizer que na maior parte dos casos, o pessoal apesar de te ter dado a casa fica também com a dívida. Não vale a pena falar-te do sofrimento, da vergonha, do vexame que integra a penhora de uma casa, porque tu não tens alma, banqueiro que és.

Tal como não vale a pena referir-te que os teus lucros vêm de crimes sucessivos. Furtos. Roubos. Gamanços. Comissões de manutenção. Juros moratórios. Juros compensatórios, arredondamentos, spreads, e mais juros de todas as cores. Cartões de crédito, de débito, telefonemas de financeiras a oferecerem empréstimos clausulados em letrinhas microscópicas, cobranças directas feitas por lumpen, vale tudo, meu tratante. Mesmo assim tiveste de ser resgatado para não ires ao fundo, tal foi a desbunda. E, é claro, quem pagou o resgate foram aqueles contra quem falas todo o santo dia.

Este país viveu décadas sucessivas a trabalhar para os bancos. Os portugueses levantavam-se de manhã e ainda de olhos fechados iam bulir, para pagar ao banco a prestação da casa. Vidas inteiras nisto. A grande aliança entre a banca e a construção civil tornavam inevitável, aí sim, verdadeiramente inevitável, a compra de uma casa para morar. Depois os juros aumentavam ou diminuíam conforme era decidido por criaturas que a gente não conhece. A seguir veio a farra. Os bancos eram só facilidades. Concediam empréstimos a toda a gente. Um carnaval completo, obsessivo, até davam prendas, pagavam viagens, ofereciam móveis. Sabiam bem o que faziam.

Na possante dramaturgia desta crise entram todos, a banca completa e enlouquecida, sendo que todos são um só. Depois veio a crise. A banca guinchou e ganiu de desamparo. Lançou-se mais uma vez nos braços do estado que a abraçou, mimou e a protegeu da queda.

Vens de uma família que se manteve gloriosamente ricalhaça à custa de alianças com outros da mesma laia. Viveram sempre patrocinados pelo estado, fosse ele ditadura ou democracia. Na ditadura tinham a pide a amparar-vos. Uma pide deferente auxiliava-vos no caminho. Depois veio a democracia. Passado o susto inicial, meu deus, que aflição, o povo na rua, a banca nacionalizada, viraram democratas convictos. E com razão. O estado, aquela coisa que tu dizes que não deve intervir na economia, têm-vos dado a mão todos os dias. Todos os dias, façam vocês o que fizerem.

Por isso falas que nem um bronco, com voz grossa, na ingente necessidade de cortes nos salários e pensões. Quanto é que tu ganhas, pá?

Peroras infindavelmente sobre a desejável liberalização dos despedimentos.

Discursas sem pejo sobre a crise de que a cambada a que pertences é a principal responsável.

Como tu, há muitos que falam. Aliás, já ninguém os ouve. Mas tu tinhas que sobressair. Depois do “ai aguenta, aguenta”, vens agora com aquela dos sem-abrigo. Se os sem-abrigo sobrevivem, o resto do povo sobreviverá igualmente.

Também houve sobreviventes em Auschwitz, meu nazi.

É isso que tu queres? Transformar este país num gigantesco campo de concentração?

Depois, pões a hipótese de também tu poderes vir a ser um sem-abrigo. Dizes isto no dia em que anuncias 249 milhões de lucros para o teu banco. É o que se chama um verdadeiro achincalhamento.

Por tudo isto te punha no pelourinho. Só para seres visto pelos milhares que ficaram sem casa. Sem vergastadas. Só um caldo de vez em quando. Podes dizer-me que é uma crueldade. Pois é. Por uma vez terás razão. Nada porém que se compare à infinita crueldade da rapina, da usura que tu defendes e exercitas.

És hoje um dos czares da finança. Vives na maior, cercado pelos sebosos Rasputines governamentais. Lembra-te do que aconteceu a uns e ao outro."
 
por: Alice Brito

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O protesto da tia Miquelina

Aqui fica o protesto da tia Miquelina... Que diremos nós, os que ainda estamos no "activo", daqui a uns anos, quando lá para os 80 consentirem que nos reformemos... 80 no mínimo, pois é de esperar que progressivamente a idade da reforma se vá dilatando até ter de se trabalhar até morrer e sem direito a "reforma" (o que já não é mau, pois é pior estares no desemprego até morreres... à fome!, dirão os Ulrich's deste país...)

domingo, 27 de janeiro de 2013

DIZ QUE... vai haver nova Manif. lá para dia 2/03...


Como é domingo, fumos à praça cá d'aldeia, e encontrámos colado no pelourinho mais um escrito com os dizeres que vão ao abaixo e que por ser berdade o que diz, aqui vo-lo deixamos e pensai em reclamar outra vez com esses troikos, lá pr'ó dia 2 de Março, a ber se nos oubem - que isto assim num pode cuntinuar, meus amigos!
A todos os Portugueses
Em Setembro, Outubro e Novembro de 2012 enchemos as ruas mostrando claramente que o povo está contra as medidas austeritárias e destruidoras impostas pelo governo e seus aliados do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu – a troika.
Derrotadas as alterações à TSU, logo apareceram novas medidas ainda mais gravosas. O OE para 2013 e as novas propostas do FMI, congeminadas com o governo, disparam certeiramente contra os direitos do trabalho, contra os serviços públicos, contra a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde, contra a Cultura, contra tudo o que é nosso por direito e acertam no coração de cada um e cada uma de nós. Por todo o lado, crescem o desemprego e a precariedade, a emigração, as privatizações selvagens, a venda a saldo de empresas públicas, enquanto se reduz o custo do trabalho.

Não aguentamos mais o roubo e a agressão.

Indignamo-nos com o desfalque nas reformas, com a ameaça de despedimento, com cada posto de trabalho destruído. Indignamo-nos com o encerramento das mercearias, dos restaurantes, das lojas e dos cafés dos nossos bairros. Indignamo-nos com a Junta de Freguesia que desaparece, com o centro de saúde que fecha, com a maternidade que encerra, com as escolas cada vez mais pobres e degradadas. Indignamo-nos com o aparecimento de novos impostos, disfarçados em taxas, portagens, propinas… Indignamo-nos quando os que geriram mal o que é nosso decidem privatizar bens que são de todos – águas, mares, praias, território – ou equipamentos para cuja construção contribuímos ao longo de anos – rede eléctrica, aeroportos, hospitais, correios. Indignamo-nos com a degradação diária da nossa qualidade de vida. Indignamo-nos com os aumentos do pão e do leite, da água, da electricidade e do gás, dos transportes públicos. Revolta-nos saber de mais um amigo que se vê obrigado a partir, de mais uma família que perdeu a sua casa, de mais uma criança com fome. Revolta-nos o aumento da discriminação e do racismo. Revolta-nos saber que mais um cidadão desistiu da vida.

Tudo isto é a troika: um governo não eleito que decide sobre o nosso presente condicionando o nosso futuro. A troika condena os sonhos à morte, o futuro ao medo, a vida à sobrevivência. Os seus objectivos são bem claros: aumentar a nossa dívida, empobrecer a maioria e enriquecer uma minoria, aniquilar a economia, reduzir os salários e os direitos, destruir o estado social e a soberania. O sucesso dos seus objectivos depende da nossa miséria. Se com a destruição do estado social a troika garante o financiamento da dívida e, por conseguinte, os seus lucros, com a destruição da economia garante um país continuamente dependente e endividado.

A 25 de Fevereiro os dirigentes da troika, em conluio com o governo, iniciarão um novo período de avaliação do nosso país. Para isto precisam da nossa colaboração e isso é o que não lhes daremos. Porque não acreditamos no falso argumento de que se nos “portarmos bem” os mercados serão generosos. Recusamos colaborar com a troika, com o FMI, com um governo que só serve os interesses dos que passaram a pagar menos pelo trabalho, dos bancos e dos banqueiros, da ditadura financeira dos mercados internacionais. E resistimos. Resistimos porque esta é a única forma de preservarmos a dignidade e a vida. Resistimos porque sabemos que há alternativas e porque sabemos que aquilo que nos apresentam como inevitável é na verdade inviável e por isso inaceitável. Resistimos porque acreditamos na construção de uma sociedade mais justa.

A esta onda que tudo destrói vamos opor a onda gigante da nossa indignação e no dia
2 de Março encheremos de novo as ruas. Exigimos a demissão do governo e que o povo seja chamado a decidir a sua vida.

Unidos como nunca, diremos basta

A todos os cidadãos e cidadãs, com e sem partido, com e sem emprego, com e sem esperança, apelamos a que se juntem a nós. A todas as organizações políticas e militares, movimentos cívicos, sindicatos, partidos, colectividades, grupos informais, apelamos a que se juntem a nós. De norte a sul do país, nas ilhas, no estrangeiro, tomemos as ruas!

QUE SE LIXE A TROIKA. O POVO É QUEM MAIS ORDENA!

ADENDA: A manifestação de 2 de Março será pacífica. As armas que levamos são as nossas vozes e a nossa presença. Não serão, pois, bem vindos ao protesto ou à página quaisquer apelos à violência. Demarcamo-nos por isso de comentários notoriamente racistas, xenófobos ou fascistas assim como de perfis com o propósito de insultar os participantes.

De Maria do Rosário Gama (APRe! - Aposentados, Pensionistas e Reformados)