Houve tempos em que, sinceramente, acreditei no futuro de regiões como a transmontana. O idílico recanto rural do mundo onde o tempo parece não passar. Onde pouco importa o que dizem as agências de rating, e quem são esses?!, ou o que dizem lá por Bruxelas num edifício meio redondo e espelhado habitado por seres parecidos com pinguins, numa espécie de sub-sistema humano caracterizado pela sua organização e metodologia pouco moral. Mas a moral pouco interessa nos dias que correm e hoje não sei se acredito ou se deva acreditar.
Acreditava que tudo voltaria, mais tarde ou mais cedo, ao seu devido lugar. As pessoas, cansadas dessa sub-espécie de homem-pinguim, regressariam ao mundo rural e diriam não a um ritmo de vida estúpido. Numa espécie de retorno às raízes da identidade europeia abandonariam o deus do euro e mostrariam ao sacerdote mor pinguim Gaspar e seus companheiros que há vida para além das finanças e economia do país. E que o deus euro não passa de uma falsa promessa, recriada à imagem de outras nascidas há milhares de anos com os primeiros homens. Até por uma razão de inteligência. Há descontentamento, há recursos naturais a preservar, há a questão da felicidade e do sentido da vida. Para quê todo esse sacrifício se estivermos todos mortos? A possibilidade de mudança é real, está dentro de cada um de nós, basta para tal assumir, com todo o esforço, sacrifício e cansaço que isso traz.
Nos últimos tempos tinham surgido teorias do fim do mundo, as mais recentes, (se outras não houver entretanto), baseavam-se, supostamente, na civilização maia. Era expectável, ainda que não queiramos admitir, que algo acontecesse e fosse catalisador essencial para uma mudança profunda que nos pudesse livrar destes tempos conturbados.
Nada aconteceu e continuou tudo igual, com a diferença que o tempo passa inexoravelmente por nós. E o idílico mundo rural perdeu a gente que o caracterizava, uma espécie de aparência saudável que vivia um pouco à medida do que chamaria de tempo natural - levantavam-se quando o sol nascia, recolhiam aos primeiros sinais de escuridão, numa harmonia com o seu próprio sistema biológico. Cultivavam as terras, preservavam a natureza, respeitavam os animais e tinham como prioridade a educação.
Na verdade acho que sonhei tudo isso. Porque todo o mundo vivia em paz e pouco importavam os jornais e o que acontecia lá nas américas, onde é tudo meio doido. A vida era muito mais interessante e harmoniosa, e acho que isso só vi em filmes.
Um dia li, algures, uma teoria interessante sobre o futuro. Há várias possibilidades para o futuro e para que determinadas coisas aconteçam ou não. Estamos continuamente a tomar decisões e baseamos essas decisões naquilo que conhecemos ou esperamos do futuro, até porque o passado já foi e até ver é inalterável. Tudo o que se passa à nossa volta leva-nos a criar expectativas, ainda que não tenhamos consciência disso,e a tomar decisões com base nisso. Por vezes até dizemos, já sabia que isto ia acontecer. Já sabíamos o que ia acontecer no futuro, mas não fizemos nada para o evitar. Assim, se já sabemos para onde nos pode levar o caminho que estamos a seguir, em termos sociais, políticos e económicos, e na medida em que, como indivíduos, isso nos afecta, porque não fazemos diferente?
Há quem defenda revoluções, há quem espere um acontecimento como aquele que estaria previsto pelos maias, ou outros, e que no fundo todos sabemos que não vão acontecer, embora reste a esperança ou a fé, nalguns casos...dizem que a fé salva e salvará até. A teoria que li, para continuar este pensamento desorganizado, diz então que se tivermos uma atitude e pensamento positivo, se acreditarmos num futuro diferente, se conseguirmos que muitos pensem no mesmo sentido, poderemos ser alavanca de mudança e concretizar um futuro diferente. Dizem mesmo que se 200 pessoas entrarem num avião com a convicção que ele não levanta voo, ele não levantará. Chamam-lhe de energia.
Não sei até que ponto será treta. Gostava que fosse verdade. O autor do livro onde li esta teoria criou mesmo um site com o nome, em francês, A árvore das possibilidades, onde cada pessoa pode deixar o seu contributo, por área, daquilo que deseja que seja um cenário de futuro. Esperança ou fé? Acreditar ou cair no marasmo? Agir ou deixar acontecer?