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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Tugas "raizosparta" e "aristozeros"


Concorde-se ou não, goste-se ou não, às vezes esta Helena tem alguma razão. O principal defeito é o seu pendorzinho neoliberal, aliás na boa linha do pasquim digital "Observador", onde esta prosa foi editada em 16.02.2020:
Os portugueses “raizosparta” e os aristozeros
Helena Matos - 16 fev 2020

Os portugueses “raizosparta” são a desilusão da sua extraordinária classe política, esses aristozeros sempre empenhados em políticas pioneiras. Primeiro para a nossa vida. Agora para a nossa morte.
Os portugueses “raizosparta” nunca percebem nada.
Os portugueses “raizosparta” acreditavam que os deputados eram eleitos para que a sua vida fosse mais digna não para que os deputados, enfastiados da discussão em torno das condições de vida, se empenhassem com fúria e zelo na definição das condições da morte. Digna, dizem eles.
Os portugueses “raizosparta” são a desilusão da sua extraordinária classe política, esses aristozeros sempre empenhados em políticas pioneiras e superiores, em mais um plano, em mais um avanço… Quando, como de costume, o FMI é chamado pelos aristozeros, só encontra os portugueses “raizosparta” para pagar a conta.
Os portugueses “raizosparta” descobriram que são livres de pensar o que quiserem desde que pensem aquilo que os aristozeros definem como pensamento possível.
Os portugueses “raizosparta” quando ouvem os aristozeros a defender o “zero desperdício” só se lembram dos Espírito Santo a brincar aos pobrezinhos na Comporta ou, para usar a terminologia da moda,  “refúgio hippie-chique” onde se vive “num estado mais puro”: uns e outros sentem-se em harmonia com o universo, brincando com as dificuldades dos portugueses “raizosparta”.
Os portugueses “raizosparta” acreditavam que viviam num país que tinha uma História e não um relatório de culpas.
Os portugueses “raizosparta” insistem em viver em sítios onde as leis superiormente inteligentes aprovadas pelos aristozeros produzem o efeito contrário ao anunciado e dado como inquestionável pelos aristozeros: a legislação que ia proteger os animais acabou com matilhas de cães assilvestrados a matarem ovelhas e a atacarem agricultores. Culpa dos portugueses “raizosparta” que insistem em ter rebanhos, essa forma de exploração dos animais pelo heteropatriarcado!
Os portugueses “raizosparta” nunca fazem o suficiente, nunca pagam impostos suficientes e nunca se esforçam o suficiente de modo a cumprirem o admirável mundo novo que os aristozeros lá das suas “ZERES” sonham impor. Uma ZER não é apenas uma Zona de Emissões Reduzidas, é sim a cidadela dos aristozeros: o local onde não há espaço para as questões irritantes dos portugueses “raizosparta” como os assaltos ou a degradação cívica, intelectual e moral que se vive nas escolas públicas. Apenas gente bonita achando que alimenta o mundo e o salva do impacto ambiental da agricultura industrializada porque cultiva ciboulettes em vasos ditos orgânicos na varanda.
Os portugueses “raizosparta” não têm uma mente aberta perante as causas que a cada momento os aristozeros lhe apresentam. Não é por má vontade, acrescento eu, mas sim porque é impossível acompanhar o ritmo das causas avançadas pelos aristozeros: por exemplo, como consegue um português “raizosparta” acompanhar as lutas contra o racismo que invariavelmente acabam com os anti-racistas de ontem a serem acusados de racismo pelos anti-racistas de hoje? (Enquanto escrevo vou seguindo a extraordinária polémica com o racismo do anti-racista Gilberto Gil que afinal agora é racista porque tem uma neta branca. Sigam os links que amanhã o racismo já é outro!) Outros fossem os tempos e dir-se-ia que o frenesim de causas dos aristozeros é uma pescadinha de rabo-na-boca mas logo aqui se armava uma confusão gastronómico-moral de consequências imprevisíveis, para os portugueses “raizosparta”, claro.
Os portugueses “raizosparta” acham, ou melhor achavam, que a cada novo problema correspondia uma nova solução. Oh estupidez de antologia! No tempo dos aristozeros a solução é a privação: o iogurte não pode ter gordura, o leite não tem lactose, o pão é sem glúten, os doces são expurgados do açúcar e o futuro deve ser sem. Por exemplo, sem carros. Se um estúpido português “raizosparta” lembra que andar de bicicleta no mês de Abril nas Avenidas Novas em Lisboa – local por excelência dos aristozeros – não é a mesma coisa que vir, no mês de Julho, do Bairro dos Cágados, do Casal Chapim ou de São Marcos para Lisboa é óbvio ao iluminado raciocínio dos aristozeros que só um um português “raizosparta”  acaba a viver em tais paragens.
Os portugueses “raizosparta” contavam anedotas de alentejanos, de louras, de pretos, de brancos… enfim, anedotas sobre si mesmos. Agora só podem rir daquilo que os aristozeros autorizam. E só devem ver filmes de realizadores aprovados a cada momento pela facção dominante dos aristozeros. Ler livros com mensagem de autores empenhados. E apenas lerem notícias devidamente certificadas pelos aristozeros.
Os portugueses “raizosparta”, porque são “raizosparta” e ainda por cima portugueses, gostavam de coisas “com”: cozido com carne e políticos com ideias. Mas os aristozeros tomaram a peito levá-los a achar natural que o zero é o futuro. Estamos quase lá: o SNS não tem medicamentos, as escolas não têm professores, as urgências não têm médicos, os transportes públicos não têm carruagens… mas a quem é que isso importa? Apenas aos portugueses “raizosparta”, uma gentinha que neste ano de 2020 vive e trabalha em sítios que nenhum aristozero verdadeiramente aristozero frequenta.
Os portugueses “raizosparta”, aqueles que sustentam isto tudo, que mantêm o país a funcionar, acreditaram que se fizessem mais um pouco, cumprissem mais aquele regulamento, obedecessem a mais aquele procedimento, seriam deixados em paz. Não foram. Do nascimento à morte têm os aristozeros a dizer-lhes o que devem fazer, como devem amar, comer, trabalhar, viver, morrer…
Mas os aristozeros andam inquietos. Depois de se terem zangado com o povo os aristozeros começam a irritar-se com as urnas de voto. Já não se pode confiar nos portugueses, “raizosparta”.

domingo, 16 de fevereiro de 2020

O "Devorismo" da coisa pública cá pela Tugalândia...

Mão amiga fez-nos chegar mais esta... 
Não sabemos se é informação recente ou se já anda a circular por aí há mais tempo. 
- Na dúvida, liguem para o Tribunal de Contas...

Assim anda a gestão da coisa pública... Então no que toca às autarquias, é por demais sabido que mais de metade dos autarcas deviam estar na cadeia!..


AQUI VOS DEIXO ALGUNS EXEMPLOS DE DÚVIDAS QUE O TRIBUNAL DE CONTAS ENCONTROU NAS DESPESAS PÚBLICAS…


1.      ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DE SAÚDE DO ALENTEJO, I. P.
- Aquisição de 1 armário persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeiras c/rodízios, braços e costas altas: 97.560,00€
Eu não sei a quanto está o metro cúbico de material de escritório mas ou estes armários/mesas/cadeiras são de ouro sólido ou então não estou a ver onde é que 6 peças de mobiliário de escritório custam quase 100 000€.
Alguém me elucida sobre esta questão?

2.      MATOSINHOS HABIT – MH
– Reparação de porta de entrada do edifício: 142.320,00 €
Alguém sabe de que é feita esta porta que custa mais do que uma casa?

3.      UNIVERSIDADE DO ALGARVE – ESC. SUP. TECNOLOGIA – PROJECTO TEMPUS
– Viagem aérea Faro/Zagreb e regresso a Faro, para 1 pessoa no período de 3 a 6 de Dezembro de 2008: 33.745,00 €
Segundo o site da TAP a viagem mais cara que se encontra entre Faro-Zagreb-Faro em classe executiva é de cerca de 1700€. Dá uma pequena diferença de 32 000 €. Como é que é possível???

4.      MUNICÍPIO DE LAGOA
– 6 Kit de mala Piaggio Fly para as motorizadas do sector de águas: 106.596,00 €
Pelo vistos fazer um “Pimp My Ride” nas motorizadas do Município de Lagoa fica carote!!!

5.      MUNICÍPIO DE ÍLHAVO
– Fornecimento de 3 Computadores, 1 impressora de talões, 9 fones, 2 leitores ópticos: 380.666,00 €
Estes computadores devem ser mesmo especiais para terem custado cerca de 100 000€ cada….Já para não falar nos restantes acessórios.

6.      MUNICÍPIO DE LAGOA
– Aquisição de fardamento para a fiscalização municipal: 391.970,00€
Eu não sei o que a Polícia Municipal de Lagoa veste, mas pelos vistos deve ser Haute-Couture.

7.      CÂMARA MUNICIPAL DE LOURES
– VINHO TINTO E BRANCO: 652.300,00 €
Alguém me explica porque é que a Câmara Municipal de Loures precisa de mais de meio milhão de Euros em Vinho Tinto e Branco????

8.      MUNICIPIO DE VALE DE CAMBRA
– AQUISIÇÃO DE VIATURA LIGEIRO DE MERCADORIAS: 1.236.000,00 €
Neste contrato ficamos a saber que uma viatura ligeira de mercadorias da Renault custa cerca de 1 milhão de Euros. Impressionante…

9.      CÂMARA MUNICIPAL DE SINES
– Aluguer de tenda para inauguração do Museu do Castelo de Sines: 1.236.500,00 €
É interessante perceber que uma tenda custa mais ou menos o mesmo que um ligeiro de mercadorias da Renault e muito mais que uma boa casa... E eu que estava a ser tão injusto com o município de Vale de Cambra…

10.  MUNICIPIO DE VALE DE CAMBRA
– AQUISIÇÃO DE VIATURA DE 16 LUGARES PARA TRANSPORTE DE CRIANÇAS: 2.922.000,00 €
E mais uma pérola do Município de Vale de Cambra: uma viatura de 16 lugares para transportar crianças custa cerca de 3 milhões de Euros. Upsss, outra vez o município de Vale de Cambra…

11.  MUNICÍPIO DE BEJA
– Fornecimento de 1 fotocopiadora, “Multifuncional do tipo IRC3080I”, para a Divisão de Obras Municipais: 6.572.983,00 €
Este contrato público é um dos mais vergonhosos que se encontra neste site. Uma fotocopiadora que custa normalmente 7,698.42€ foi comprada por mais de 6,5 milhões de Euros. E ninguém vai preso por porcarias como esta?

COMO É POSSÍVEL NÃO ESTARMOS EM CRISE?

É DIFÍCIL CORTAR NAS DESPESAS PÚBLICAS… NOTA-SE…
- ACABÁMOS DE VER (SÓ) ALGUNS EXEMPLOS…

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

"Reparadores da História" segundo A. Barreto e o triunfo das Joacines

Na revista P2 que se vende com o "Público", edição do passado domingo, dia da capicua 2/02/2020, publicou o Doutor A. Barreto um interessante artigo, intitulado "Os reparadores da História", o qual podemos encontrar também no seu blogue "Jacarandá" - aqui:

http://o-jacaranda.blogspot.com/2020/02/grande-angular-os-reparadores-da.html

O autor versa sobre o assunto que anda por aí na berra, no seguimento da proposta realizada pela deputada guineense na Assembleia da República portuguesa, a famigerada Joacine, na ocasião ainda decalcando um ponto do partido Livre, sobre a devolução de bens culturais em museus tugas às antigas "colónias".
Trata-se de uma velha questão que começou há décadas com as exigências dos gregos sobre os frisos do Parténon no British Museum, dos egípcios sobre as suas antiguidades enviadas (após pilhagem) para vários museus da Europa e Estados Unidos.

Também António Barreto começa por explanar estas exigências anteriores, incidindo sobre bens de grande relevância patrimonial que remetem para civilizações de primeira grandeza na História Universal, se bem que ache isso irrealista por ser foco gerador de uma grande confusão. É uma opinião respeitável, ainda que se possa defender o contrário, com toda a lógica, se esses países fossem hoje oásis de paz, tolerância, capacidade de preservação desses mesmos bens no presente e no futuro. Esse poderia ser (e foi, por exemplo, dos ingleses em relação aos gregos) um bom argumento para a não-restituição. E isto poderia continuar a ser válido se a Europa continuasse a ser um baluarte de paz e civilização, por contraste com as "zonas quentes" e atribuladas do Médio-Oriente, como se viu com o rebentamento de Palmira pelo "califado" do Daesh, assim como a pilhagem de museus na Síria e no Iraque, para já não falar dos budas de Bamian (Património Mundial), algures no Afeganistão. Todavia, com o alastrar do terrorismo e da insegurança também para a velha Europa, prenunciando uma nova Idade Média (os bábaros já estão cá dentro), parece que este argumento vai colher cada vez menos...

Mas, ao momento, esta velha questão ganhou novos contornos, com referência a outras latitudes, neste caso o "diálogo", ou melhor, a velha tensão Norte (Europa)/Sul (África). E aqui o mote começou por ser dado por Macron em 2018, ao comprometer-se com a restituição de uma série de peças artísticas do Benim a este país africano. Falta saber o que o levou a este tamanho gesto de generosidade e justiça, escolhendo o Benim, em detrimento de todo o restante espólio em Museus franceses, e até em via pública, como o obelisco de Luxor na praça de La Concorde. Talvez alguma "diplomacia comercial" na base de interesses estratégicos algures nessa parte de África, porque nestas coisas não há que se ser ingénuo.

Até que chegamos ao "nós por cá", com a já referida "exigência" da Joacine/Livre, em que a questão se concentra nos bens culturais (de foro etnográfico) supostamente "espoliados" aos povos africanos.
Na nossa opinião, do que temos lido sobre estas problemáticas, consideramos que há dois tipos de defensores das "restituições":

a) os honestos (designação minha), que muito legitimamente gostariam de ver peças originais (não réplicas) originárias dos territórios culturais de onde procederam, contribuindo para a identidade cultural dos descendentes dos seus "produtores" - como disse atrás, é uma perspectiva que podemos considerar justa, na base do princípio: não fazer aos outros o que não gostaríamos que fizessem a nós (e pensemos no que foi pilhado pelas ocupantes franceses durante as invasões napoleónicas);

b) os vingativos (designação também minha), tipo Joacines, para quem a restituição em si é o que menos importa: o que realmente pretendem é a implementação de uma agenda escondida (ou declarada) com base no ressentimento e no libelo acusatório. Ela própria disse recentemente à imprensa: "não chega devolver os territórios", agora é preciso "descolonizar os museus", depois, "descolonizar a memória", depois "reescrever a História" [leia-se: criminalizando os que outrora os portugueses consideravam heróis nacionais, ou seja, agora terá de se escrever e ensinar às criancinhas que o Infante D. Henrique foi um patife, o Diogo Cão, fazendo jus ao nome, abaixo de cão, foi outro patife, o Vasco da Gama um crápula da pior espécie, o Afonso de Albuquerque um facínora, etc, etc]. Em suma, como ela também disse, "a colonização foi um crime" e, por consequência, os chamados "Descobrimentos" foram uma página negra, nunca deviam ter ocorrido - faltando nós concluir, que têm toda a razão, se não andassem esses tugas rascas lá com as caravelas a "descobrir" e a ocupar as terras dos outros, hoje escusávamos de ter cá a Drª Joacine a chamar-nos os piores nomes, pois deveria ela lá estar de tanguinha à sombra de um cajueiro, algures em Bafatá, feliz da vida, a comunicar com batuque em vez de telemóvel. E nós por cá, sem estes terríveis problemas de consciência! O que nos arranjaram esses malvados pseudo-heróis...

Mas o tal programa, escondido ou declarado, não fica por aqui. Museus dos tais "descobrimentos"? qual quê?? - nunca, jamais! - isso é neo-colonialismo, é eurocentrismo pretensioso, o de irem lá "descobrir" outros povos, nem "achamento", nem "encontro de culturas" nem coisa nenhuma! - o que é preciso são Museus da Escravatura e da Opressão, para lhes ("lhes", a eles, tugas brancos miseráveis exploradores) esfregarmos bem no focinho, com aquilo que nos (o "nos" é a nós, africanos, negros, oprimidos e escravizados) fizeram - de onde se infere que a srª. Joacine, na verdade não se sente "portuguesa", mas é antes uma guineense que está aqui como uma justiceira, pelo que o seu lugar é na AR tuga, nasceu para estar ali, vão ter de levar com ela ali até ao fim dos tempos, para continuar a sua cruzada. E não se pretende só a reescrita da História, mas também da ortografia: tem que se escrever Escravatura com "e" maiúsculo (como ela disse), à semelhança de como se escreve Holocausto. Depreende-se que os tais museus da Escravatura serão, mutatis mutandis, réplicas dos museus do Holocausto, e, no fim da linha, está-se mesmo onde é que querem chegar as Joacines, Mamadus Bas e quejandos: primeiro, o pedido de perdão por parte dos tugas (de preferência de joelhos, e em exercícios públicos de auto-flagelação, talvez com ajuda dos muitos voluntários africanos e afro-descendentes recrutados nos bairros das Jamaicas e afins), depois do tal grande julgamento colectivo e acto de contrição... - Mas, como se dizia, "desculpa não cura ferida"... por isso... tem de haver as respectivas REPARAÇÕES...ou sejam: INDEMNIZAÇÕES por todos esses crimes atrás elencados (colonialismo, escravatura, exploração, opressão, etc). As quais os descendentes dos colonialistas (não sei se alguns miscegenados estariam isentos) deveriam pagar ad aeternum, ou, pelo menos, durante 500 anos, tempo em que durou o tal de colonialismo.

E o indigenato tuga bem-pensante, as esquerdas urbanas, aplaudem e concordam, pelo que é de esperar que assim será. Os "reaças" vão bramir e espernear, mas como a História tem mostrado, de nada lhes servirá. Isso será apenas um estertor final nesta Europa decadente, em que o tempo dos impérios passou, tal como o tempo do Homem branco caucasiano (que já nem é capaz de se reproduzir) e o tempo da auto-razão justificativa. Agora é o tempo de se dar toda a razão ao Outro, fundir-mo-nos no Outro (fase 2 do Multiculturalismo) e subjugar-mo-nos ao Outro. - É o tempo das Joacines da Guiné, trazendo pela trela assessores tugas de saias que o fazem alegremente, enquanto aguardamos pela transformação da Tugalândia em colónia dos PALOP's - como no plano económico foi acontecendo com o alastrar do império económico-financeiro da srª Isabel dos Santos e seus sequazes ou outros próximos do regime cleptocrático de Luanda, os generais do papá Zedu.

Como diria o outro: "- Habituem-se!" - Pela minha parte, não sei até que ponto aguentarei e não farei as malas para algures, quando o Titanic desta Europa se afundar de vez, e a Tugalândia com ela.

Tempos de Fim, é o que vivemos.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Ainda o "caso Giovani" e o(s) racismo(s)....



Anda por aí uma estória mui mal contada, aliás, contada "à la mode do politicamente correcto", cujo fim último é demolir o que resta da civilização ocidental convencional (ou seja, a dos europeus = brancos caucasianos, com um sistema de valores multissecular, ou seja, "o Monstro"!) - assim, as seitas do "multiculturalismo" e as suas "minorias" protegidas não perdem pitada para se atirarem ao tal "monstro", em grandes berros, mesmo quando as guerras, rixas ou "casos" envolvem, não as criaturas que englobam no "monstro", mas outras criaturas que fazem parte do seu jardim zoológico de estimação... 

- E quando a comunicação social do PC (= Politicamente Correcto) omite sempre (em nome dos códigos deontológicos) a tal "identidade étnica" dos meliantes, excepto no caso de se tratar de vítimas (preferencialmente se os agressores forem "brancos caucasianos", de imediato conotados com racistas, xenófobos, nazis, etc., prontamente generalizados para cerca de dez milhões de filhos da puta de tugas descendentes dos colonialistas exploradores e escravizadores = O Monstro), mas, helás!, se os agressores forem de uma outra minoria protegida, dos tais que agridem polícias e médicas nos hospitais, dos que roubam e traficam droga à porta das escolas, enfim, se por acaso for algum destes... - sschiuuuu!.... biquinho caladinho quanto a isto, pois estes rapazes são gente boa, ou, no limite, quanto a estes não se pode generalizar, lá por haver um ou outro não se pode meter toda a gente no mesmo saco...

Enfim, é este o (i)mundo em que vivemos... E quando uma "civilização"(?) não se respeita nem se faz respeitar, dando sempre voz e razão ao Outro - e que Outro!!... - , enfim, já nem merece existir. - Por isso, venha a BARBÁRIE e tome conta desta merda toda!


Ora tomem lá (já que isto não sai nos jornais, nem nas televisões e, dizem-me, até foi bloqueado no Facebook):



A morte de Luís Giovani dos Santos Rodrigues, estudante cabo-verdiano, de 21 anos, da Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo do Instituto Politécnico de Bragança, em 20 de dezembro de 2019na cidade de Bragança. tem sido mal contada. Por motivo da investigação policial? Não. Pois, de outro modo a polícia não se apressaria a informar os média que o crime “estava associado a um motivo fútil e não a ódio racial... Então, porque não se conta a história toda? Por o crime não se enquadrar na narrativa politicamente correta.

É morto um jovem cabo-verdiano numa cidade do interior portuguesa, Bragança, de Trás-os Montes. Racismo! [sublinhado nosso] - protestam o Bloco de Esquerda e o Livre. A narrativa da esquerda politicamente correta era simples: Giovani, um jovem cabo-verdiano, mulato, saíra há noite com amigos do Instituto Politécnico também cabo-verdianos e, no bar Lagoa Azul, um deles fora acusado de se ter metido com a namorada de um deles, tendo-lhe o presumido ofendido na honra e o seu conjunto mais numeroso feito no exterior uma espera, da qual resultou o homicídio de Giovani...

Porém, alegadamente, foi assim:
  1. Um amigo cabo-verdiano de Giovani foi empurrado propositadamente no bar Lagoa Azul, na cidade de Bragança, contra uma rapariga por um elemento de um grupo de rapazes ciganos [sublinhado nosso], que têm provocado desacatos na cidade.
  2. A rapariga não fazia parte do grupo dos rapazes ciganos [sublinhado nosso].
  3. Simulando ‘defender’ a honra da rapariga face ao rapaz cabo-verdiano, por um suposto apalpão, que não ocorrera, um outro rapaz cigano [sublinhado nosso] confrontou o presumido abusador.
  4. Um segurança do bar interveio e afastou-os.
  5. No exterior do bar, um grupo de cerca de quinze rapazes ciganos[sublinhado nosso], armados de paus, cintos e facas, fez uma espera ao grupo dos quatro rapazes cabo-verdianos.
  6. E o grupo de rapazes ciganos [sublinhado nosso]  começou a agredir o rapaz cabo-verdiano que havia sido vítima da armadilha do bar.
  7. Este, já por terra e encolhido para se defender das pancadas, gritou para os seus amigos fugirem.
  8. Porém, Giovani voltou para trás para pedir que parassem de bater no amigo e sucumbiu a uma paulada, vindo a  falecer já no hospital.
Alegadamente, um rapaz do Bangladesh já havia sido vítima de uma armadilha semelhante pelo mesmo grupo de rapazes ciganos [sublinhado nosso] .
Conclusões deste caso:
  1. O racismo tem várias cores e a xenofobia várias nacionalidades: há também um racismo cigano [sublinhado nosso], além do racismo branco, negro, amarelo, e de outras etnias culturais. E que fique claro que defendo a Declaração da Unesco “sobre a raça e o preconceito racial”, de 1978, na sequência da Declaração de 1950. E que falo de etnias em termos culturais; e não de raças, numa perspetiva antropobiológica que rejeito.
  2. O facto de uma pessoa, ou grupo, ser racista ou xenófobo não significa que toda a comunidade ou etnia sejam; o facto de o comportamento social de uma pessoa ou grupo ser imoral, abusivo, violento ou criminal, ou de coação e agressões em serviços públicos, não significa que toda a sua etnia ou segmento social seja. Portanto, não pode haver generalização. Tal como não pode ser ignorado, pela prevalência de problemas, num determinado grupo social, porque isso consiste num desprezo, numa discriminação negativa..
  3. Giovani e seus amigos foram vítimas de homicídio e agressões pelo facto de serem diferentes (são cabo-verdianos), menos (4 contra 15) e vulneráveis (não tinham paus nem facas, ao contrário dos agressores).
  4. Os governos não podem tolerar a violação da lei, independentemente da etnia ou nacionalidade dos abusadores e devem reempoderar as polícias para prevenir e reprimir o crime no cumprimento estrito da lei.
  5. Existe o que designei, há anos, de poder bélico civil, que tem de ser desarmado e reprimido, sem imunidade étnica, para prevenir crimes maiores. Ao tolerar, com complacência, a violação sistemática da lei, isentando pessoas do cumprimento dos códigos só por causa da sua pertença a um grupo étnico determinado como é o caso dos ciganos, e a ameaçar duramente quem arrisca a imposição da lei, os governos criam diretamente as condições para a ocorrência de crimes mais graves como o de Bragança.
  6. O roubo à mão armada, seja arma de fogo ou branca, tem de ser mais severamente reprimido e punido.
  7. A negligência do problema provoca o agravamento do abuso e do crime, da violência e da vingança, aumentando o racismo e a xenofobia.
Em suma, há necessidade de realismo e de responsabilidade governamental e política. Ninguém, e nada, deve ser desprezado para validar uma ideologia. Como é o exemplo nefasto do totalitarismo marxista relativista politicamente correto.


Nota: Este post foi emendado à 1:39 de 10-1-2019).


Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades mencionadas nas notícias que comento não são suspeitas ou arguidas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade e gozam do direito à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

Publicado por António Balbino Caldeira à(s) 19:07

sábado, 1 de junho de 2019

O bode Berardo



O Joe - caricatura de André Carrilho, publicada na capa do DN, 2019.05.18


Descontando a parte em que apenas se malha na rapaziada súcia, deixando de fora outros que tais do lado do neoliberalismo caseiro, a saber, laranjolas e cdéssezinhos, aproveito para recomendar um livro de poesia de um certo Henrique de Campos, Rio da Morte, na parte em que se alude à história de Job e à questão do bode expiatório. Tornou-se-me patente e óbvio que parte dos apupos ao "patusco" Joe, eram uma espécie de exconjuro do... bode! - são os tais momentos de catarse colectiva, sem que o sistema algum dia se chegue a redimir, porque não há remissão possível para o que é atávico. Dito isto, aqui vos fica, o que mão amiga nos fez chegar:



Assunto:  O Bode...  

Nenhum dos actuais partidos parlamentares está interessado em lutar contra a corrupção e outros «bodes» porque levaria à destruição do partido, desaparecendo a maior parte dos grandes porque poucos haverá inocentes E quem tem telhados de vidro... Qual será a solução???

O Bode...
No meio desta podridão que caracteriza a política portuguesa convém lembrar o que dizem os antropólogos, que afirmam que nas sociedades ditas primitivas, o “bode expiatório” era uma figura veneranda.
Pelo sacrifício do “bode”, a tribo podia exorcizar todos os seus demónios e inaugurar um novo ciclo de vida.
 Portugal é uma dessas tribos e Berardo é o seu “bode expiatório”.
Em rigor, nada que o “Comendador” disse ou fez no Parlamento, não é novidade.
Todos os parlamentares e membros do governo sabiam como se tinha formado a organização maçónica corrupta e mafiosa.
A novidade está na fúria com que um regime inteiro – o mesmo regime que produziu Berardo e outros idênticos, que rastejou aos seus pés, lhe ofereceu o dinheiro em créditos ruinosos e até o enfeitou com medalhas –  agora se atirou ao homem como se ele transportasse todos os demónios e pecados da tribo.
O raciocínio é exemplar...
Queimando e sacrificando Berardo, o Bode, nesta teia, salvam-se os selvagens que há uma década atrás lhe deu centenas de milhões de euros sem ele os ter pedido.
Mas a farsa não se resume só a Joe Berardo.
Várias outras figuras pardas do sistema corrupto socialista prestaram-se à destruição de milhares de milhões de euros num sistema de associação criminosa governamental, que levou à destruição de bancos e grandes empresas:
Manuel Fino, da Soares da Costa Construções com centenas de milhões.
Nuno Vasconcelos, da Ongoing, organização pirata que nunca se soube o que fazia mas era apadrinhada pelos socialistas com créditos de 800 milhões.
Empresa espanhola “La Seda”, cujo vice administrador era Fernando Freire de Sousa, marido da socialista Elisa Ferreira, com 900 milhões.
Luís Filipe Vieira do Benfica com as suas empresas falidas com 1.000 milhões.
As autoestradas Ascendi, do Grupo Mota-Engil, cujo administrador era o socialista Jorge Coelho, com centenas de milhões.
E a cereja no topo do bolo nesta teia criminosa, Eduardo Paz Ferreira, marido da actual Ministra da Justiça, que era na altura o responsável pelo Departamento de Inspecção e Auditoria da CGD, nunca soube, nunca viu, nunca ouviu.
Todo o Governo da altura (António Costa, Santos Silva, Vieira da Silva e restante companhia) e a Comunicação Social sabia o que estava a acontecer, mas permaneceram silenciosos e em cumplicidade assustadora.
Para que esta dança seja perfeita, só falta mesmo que José Sócrates apareça por aí para se confessar “chocado” com as maneiras do seu peão “Joe”.
Não desculpando o “Bode”, este é simplesmente e apenas um peão parvito e imbecilizado, que foi usado pelos maçónicos socialistas e que, entre 2005 e 2010, escreveram na História portuguesa, um dos momentos mais tenebrosos, negros e corruptos.
Quando não há vergonha nem memória, assistimos a cenas cómicas ou a tragicomédias farsantes...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Laranjolices



Toda a gente sabe que o PSD foi sempre um partido de conspirações permanentes, um saco de gatos, todos àvidos de poleiros e de tachos. Será o mesmo nos outros partidos, por isso a tal de "democracia" ( = partidocracia, tão bem denunciada no post de ontem - ver artigo de Paulo de Morais) é o que é...

Assim foi que o coiote Montenegrino, com aquele seu ar (e andar) de hiena, ou ainda, continuando nas metáforas da selva africana, de macacóide com pretensões, apareceu a tentar destronar o macaco velho. É típico. Mal pressentem algum sinal de fraqueza, os macacóides candidatos a líder começam a morder no macho Alfa, para o substituir. É a vida, diria o outro. Para o ainda macho Alfa é uma questão de tempo (e de dentes). 

Esperam-se as cenas dos próximos episódios, mas a verdade é que esses macacóides pretensiosos nunca desarmam e são mesmo muito bons nas "malas artes" da conspiração. Aqui vos fica mais este retrato (ou retrete) do "país real", com a devida vénia do DN:

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

PARTIDOCRACIA - o verdadeiro cancro na "democracia" tuga


Sempre certeiro, aqui afixamos, na praça cá da Aldeia, mais este escrito de Paulo de Morais - sem comentários: 

A partidocracia destrói a democracia

Paulo de Morais
(Presidente da Frente Cívica)

Criados para representar as diferentes visões da sociedade, ao serviço do eleitorado, os partidos políticos estão em fase acelerada de degenerescência. São habitados por elites políticas que esqueceram os cidadãos e tudo fazem agora para manter os privilégios de que se foram apropriando. São os principais responsáveis pela abstenção, pelo desinteresse crónico pela política e pela crise da democracia.

O principal objectivo dos maiores partidos portugueses é, na verdade, manterem-se na esfera do poder, partilhar negócios de Estado com os grupos económicos de que são instrumento e garantir emprego aos muitos milhares de apaniguados, os militantes partidários e seus familiares.

 O seu primeiro desígnio é eliminar a concorrência. Instalados no poder, os partidos do sistema (PSD, PS, CDS, Bloco e PC) garantem o exclusivo das candidaturas ao Parlamento, para que personalidades independentes não possam ter assento na Assembleia da República. Não permitem a entrada no seu feudo parlamentar de independentes, obstaculizam o acesso a novos partidos. Para beneficiar os maiores, permitem-se violar o princípio da proporcionalidade, que a Constituição exige: em 2015, um deputado do PSD ou do PS foi eleito com 20 mil votos, mas já o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista necessitam para a sua eleição cerca de 30 mil votos. Além do mais, impedem que outras forças políticas tenham acesso ao Parlamento, apesar de algumas delas terem recebido muitos mais votos do que os 20 mil que elegem cada um deles.

Os partidos nem sequer cumprem a lei, em múltiplos aspectos, o mais escandaloso dos quais é o desrespeito pela legislação de financiamento político. São recorrentemente condenados, multados pelo Tribunal Constitucional; mas sem quaisquer consequências, porque o Estado sempre permite a prescrição, no tempo, das sanções que aplica. Estes partidos garantem ainda, apenas para si próprios, financiamentos de Estado permanentes. Usufruem de subsídios públicos de todo o tipo, com os quais mantêm uma máquina de propaganda, ilegítima fora de períodos eleitorais. Só em Portugal há, em permanência, propaganda partidária nas ruas, uma forma de lavagem cerebral sistemática. Utilizam até o domínio público como propriedade sua: são aos milhares os pequenos cartazes ilegais, degradados, apensos a candeeiros públicos, de propaganda ao Bloco de Esquerda e do Partido Comunista. Este lixo urbano deveria ser removido pelas câmaras, o que não acontece, porque os partidos estão acima da lei.

Agarrados como lapas ao Estado, os dirigentes partidários distribuem benesses e privilégios pelas empresas que os financiam e para as quais vão mais tarde como assalariados. Foi o que sucedeu com as ruinosas parcerias público-privadas rodoviárias, cujo maior agente foi a MotaEngil, que acabou a albergar quase todos os ex-governantes do sector das obras públicas: de Jorge Coelho a Seixas da Costa, do PS, a Valente de Oliveira e Ferreira do Amaral, do PSD. O mesmo fenómeno de promiscuidade entre política e negócios marcou a onda de privatizações ao desbarato, manipuladas por políticos que hoje recebem tenças milionárias nas empresas que os próprios partidos privatizaram. O socialista Luís Amado preside à privatizada EDP, assessorado pelo social-democrata António Mexia e pela centrista Celeste Cardona. Para presidir à privatizada ANA, foi designado o ex-ministro José Luís Arnaut. A lista dos políticos de negócios é interminável, neste infernal sistema de portas giratórias que coloca o Estado ao serviço de interesses privados.

Além de negócios e rendas milionárias, os partidos garantem a sobrevivência económica dos seus apoiantes através da atribuição de muitos milhares de empregos. Usam, para este fim, a administração central, as autarquias, as empresas municipais, os institutos públicos. Transformaram-se mesmo na maior agência de emprego do país. Assim, os partidos tudo fazem para manter o statu quo: controlam o sistema eleitoral, impedem a apresentação de alternativas, violam leis, utilizam recursos públicos em seu proveito, manipulam a opinião pública, enxameiam as televisões com comentadores facciosos, censuram todo o discurso contraditório. Ameaçados pelo desmoronar das bases democráticas, preferem apelidar de populista qualquer alvo em movimento, do que realmente regenerar a sua missão. Os partidos, que deveriam ser a essência da democracia, estão a aniquilá-la.

in Público, 2019.01.17



domingo, 27 de maio de 2018

"Corrupção - ataquem o Cérbero" - artigo de Carlos Matos Gomes

Não somos especialmente fãs deste senhor, um dos famosos militares de Abril do "entrega-entrega" e que depois se dedicou a construir uma narrativa auto-desculpabilizadora sobre o desfecho da guerra do ultramar - a qual procura fixar a tal "verdade oficial". - Apesar disso, aqui fica este escrito do dito senhor, sobre o busílis da questão - caso para lhe perguntar porque não toca a reunir a brigada do reumático da Associação 25/04, e fazem outro 25/04??  (ah, já me esquecia que o 25/04 só serviu para se fazer a tal de "descolonização exemplar", visto que, passado o fervor revolucionário, os tais que denuncia voltaram depressa, sem que os senhores militares denunciassem, a seu tempo, o regresso dos vampiros e da corrupção generalizada...).
Todavia, aqui vos fica: 
«Corrupção - ataquem o Cérbero, 
o monstro das três cabeças. 
Não sejam cobardes nem cúmplices  
 Vamos falar de corrupção? A sério? 

Podíamos falar da constituição de monopólios do tempo da primeira industrialização de Portugal, a do Marquês de Pombal, mas vamos ao tempo aqui mesmo ao virar da porta. Como se reconstruiram os grupos privados após a nacionalização da banca em 11 de Março de 1975? Como reapareceram os bancos privados, como surgiram o BIP, das confederações do Porto, Santos Silva, o BCP/Millenium da Opus Dei, Jardim Gonçalves, o BPN de Oliveira e Costa, como reapareceram os Espirito Santo, como desapareceram os Burney, os Pinto Basto, o Totta e Açores, o Pinto e Sotto Mayor, o Crédito Predial, como desapareceu o Banco Português do Atlântico de Cupertino de Miranda e o Pinto Magalhães? Como apareceram os Mello /CUF no sector da saúde privada e nas auto-estradas e como desapareceu a CUF, um grupo insustrial? Como desapareceu a SACOR e surgiu a GALP? Como foram atribuídas as concessões de estradas – BRISA e Autoestradas do AtLântico, de portos, de aeroportos? 

Em resumo: Como surgiu a Quinta da Marinha após o 25 de Novembro? Como desapareceram a Siderurgia Nacional, a CIMPOR, a CUF /SAPEC- adubos, as papeleiras, as refinarias nacionais – SACOR e surgiram os concessionários das portagens de autoestradas, os comissionistas de taxas de combustíveis e de electricidade, os merceeiros da grande distribuição? 
Corrupção. Como se constroem impérios de serviços? A SONAE, ou o Pingo Doce, ou a Brisa, ou a CUF saúde? Como se constrói uma sociedade de rendas, de rentistas, sem pagar comissões ao poder político? 
E não só, como se mantém a ficção de que vivemos num regime de seriedade sem uma comunicação social por conta, como as amantes? A comunicação social é corrupta desde o miolo. É a comunicação da corrupção e ao serviço da corrupção! 
Existe algum chefe de governo desde 25 de Novembro de 1975 que não tenha sido um avençado dos grupos cuja criação ou recriação promoveu? Mais, existe algum presidente da República que não tenha sido um instrumento destes poderes? Quem não se aboletou com os fundos estruturais da CEE? A UGT nasceu como? Já alguém ouviu o Torres (um peão, é certo) Couto sobre os fundos para a formação? E quanto ao abate da frota pesqueira ? E sobre a destruição do olival? E sobre a plantação do eucalipto? E como foram elaborados os PDM, os planos directores que trouxeram 80% da população para a faixa litoral? Existe alguém nos vários governos com as mãos limpas?
Como surgiram bancos fantasmas do tipo BPN sem corrupção no topo do regime? 
Tenho sobre o cristo do momento, Manuel Pinho, a pior das opiniões: enojam-me os zequinhas como ele, os patetas como ele, os pequenos vigaristas como ele, mas falemos então de gente que determinou o que está a acontecer: Julguem o Ricardo Espírito Santo Salgado! Comecem por ele e deixem para já os peixinhos de aquário, como o Pinho dos corninhos a abrir e a fechar a boca e os Sócrates. 
Vamos ser sérios: na operação Marquês comecem por Salgado e pelo Banco Espirito Santo. No caso do Pinho, ou do Sócrates, comecem por Espírito Santo. Sentem Ricardo Espírito Santo Salgado no banco e comecem a fazer-lhe perguntas. Quem o trouxe de regresso a Portugal? Que apoios ele teve para reconstituir o seu império? E chamem Jardim Gonçalves! E chamem as famílias Cupertino de Miranda e de Pinto Magalhães! 
Mas, antes de tudo tenham a coragem de julgar Ricardo Espirito Santo Salgado! É nele que tudo começa e é aos Espirito Santo que tudo vai dar. Não sejam cobardes e não atirem areia aos olhos dos portugueses! 
Tenham os jornalistas a coragem de ir ao centro do vulcão! Ao Espirito Santo! Porque não vão? Medo? Cumplicidade? 
O resto, os ataques a Sócrates e a Pinho são demonstrações de rafeiros que ladram mas não mordem. Estamos a ser – os portugueses em geral – sujeitos a uma barreira de mistificadores e de cobardes que nos querem pôr a discutir as gorjetas que os mandaletes de fazer recados, os groom, receberam quando a questão é a do dono do hotel. Mas esse deu muito dinheiro a ganhar. Sabe muitas histórias… Não é? 
A história da corrupção que nos está a ser contada é a história da cobardia de jornalistas e de magistrados. De canalhas que estão a apontar para o lado – foi aquele menino - para que não olhemos para eles. 
É o desafio, o meu: políticos, jornalistas, magistrados, tenham espinha, encham o peito e vão​-se​ a ele! Não sejam rafeiros! Não sejam merdas: atirem-se ao Cérbero, ao “demónio do poço” na mitologia grega, ao monstruoso cão de três cabeças que guardava a entrada do mundo inferior, o reino subterrâneo dos mortos, deixando as almas entrarem, mas jamais saírem e despedaçando os mortais que por lá se aventurassem. Vão à fonte da corrupção: ao Espírito Santo. 

Falta-vos coragem? Comeram desse tacho? Não? 
Se não falta coragem, se não comeram desse tacho, atirem-se ao Espírito Santo, ao monstro, ao Cérbero, exijam o seu julgamento! Ele sorri e escarnece de vós à saída das audiências! Vão-se​ a ele! 

O resto são merdices e areia para os olhos do pagode.»

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Achegas para a impugnação da canonização do S. Belmiro...

Más línguas!...

Agora que tudo concorria para a canonização de S. Belmiro, já em fase de beatificação, incensado como o maior empresário que a Tugalândia jamais conheceu, um "self made man", um homem que subiu na vida a pulso, com um rasgo e visão inigualáveis, gestor eficaz, trabalhador incansável, que se levantava às 5h da manhã para trabalhar (bem, descontando a horita do ginásio matinal), enfim, com tantas qualidades que tudo apontava para uma subida aos altares mais rápida do que os pastorinhos de Fátima...

Eis então senão quando, e vêm agora para aqui uns desmancha-prazeres a lixar isto tudo - senão vejam:


«Ontem, no telejornal, esperei que a RTP desse um cheirinho sobre o "salto" de Belmiro de técnico-ativista para acionista rico. 
Nada, nem pó, nem sequer uma referência ao (aos?) processos que lhe moveu a viúva do banqueiro Pinto Magalhães, etc, etc, etc.
Deixo aqui um texto de um antigo deputado e bancário, para lerem com espírito aberto e buscarem mais para aferir, confirmar, complementar.

"Quando, em 14 de Março de 1975, o governo de Vasco Gonçalves nacionalizou a banca com o apoio de todos os partidos que nele participavam (PS, PPD e PCP), todo o património dos bancos passou a propriedade pública. O Banco Pinto de Magalhães (BPM) detinha a SONAE, a única produtora de termolaminados, material muito usado na indústria de móveis e como revestimento na construção civil. Dada a sua posição monopolista, a SONAE constituía a verdadeira tesouraria do BPM, pois as encomendas eram pagas a pronto e, por vezes, entregues 60, 90 e até 180 dias depois. Belmiro de Azevedo trabalhava lá como agente técnico (agora engenheiro técnico) e, nessa altura, vogava nas águas da UDP. Em plenário, pôs os trabalhadores em greve com a reclamação de a propriedade da empresa reverter a favor destes. A União dos Sindicatos do Porto e a Comissão Sindical do BPM (ainda não havia CTs na banca) procuraram intervir junto dos trabalhadores alertando-os para a situação política delicada e para a necessidade de se garantir o fornecimento dos termolaminados às actividades produtoras. Eram recebidas por Belmiro que se intitulava “chefe da comissão de trabalhadores”, mas a greve só parou mais de uma semana depois quando o governo tomou a decisão de distribuir as acções da SONAE aos trabalhadores proporcionalmente à antiguidade de cada um.
É fácil imaginar o panorama. A bolsa estava encerrada e o pessoal da SONAE detinha uns papéis que, de tão feios, não serviam sequer para forrar as paredes de casa… Meses depois, aparece um salvador na figura do chefe da CT que se dispõe a trocar por dinheiro aqueles horrorosos papéis.
Assim se torna Belmiro de Azevedo dono da SONAE. E leva a mesma técnica de tesouraria para a rede de supermercados Continente depois criada onde recebe a pronto e paga a 90, 120 e 180 dias…
Há meia dúzia de anos, no edifício da Alfândega do Porto, tive oportunidade de intervir num daqueles debates promovidos pelo Rui Rio com antigos primeiros-ministros e fiz este relato. Vasco Gonçalves não tinha ideia desta decisão do seu governo, mas não a refutou, claro. Com o salão pleno de gente e de jornalistas, nenhum órgão da comunicação social noticiou a minha intervenção.
Este relato foi-me feito por colegas do então BPM entre eles um membro da comissão sindical (Manuel Pires Duque) que por várias vezes se deslocou na altura à SONAE para falar aos trabalhadores. Enviei-o para os jornais e, salvo o já extinto “Tal & Qual”, nenhum o publicou… 
Gaspar Martins, bancário reformado, ex-deputado"»