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domingo, 19 de janeiro de 2014

A NOVA CENSURA

Esta é a "democracia" que temos... os novos "cães de guarda" do regime, a soldo das grandes negociatas, tratam de amordaçar e silenciar quem ousa denunciar o seu "admirável mundo novo", o dos meandros do capitalismo neoliberal do "quanto menos Estado, melhor Estado"... 
Destruir o sistema público, seja na Saúde e da Educação (os últimos baluartes de abrangência social e de igualitarismo de oportunidades e possibilidades) é o 1º passo para abrir caminho para a PRIVATIZAÇÃO de TUDO!!! - e a privatização tem por objectivo os negócios chorudos de alguns (os amigos deste sistema político) e a condução a um sistema em que quem tem dinheiro tem Saúde, Educação, e tudo o mais o resto... Os restantes serão lixo social e resíduos humanos... É este o "novo modelo social" neoliberal...
... e ai de quem se atravesse no caminho deles e os denuncie... Caso para perguntar, qual democracia, qual c*******!!

Para o ilustrar, aqui fica o "Caso Ana Leal" - esta mulher merece uma subscrição nacional para a sua defesa, pela coragem e pelo resultado dessa coragem, por parte de todos os que ainda não fomos amordaçados:


Ana Leal foi a jornalista que recentemente ousou fazer uma reportagem na TVI mostrando como o governo está a utilizar os “dinheiros públicos” para subsidiar o ensino privado, e a faltar-lhe para continuar minimamente a investir e a manter a escola pública acessível a todos com dignidade, qualidade e transparência. 

Esta reportagem custou-lhe o posto de trabalho, tendo sido imediatamente despedida
Quase ninguém soube. O silêncio tem sido total. Será que estamos a ficar todos “amordaçados”? 
 Até quando vamos permitir que continuem a violentar-nos desta maneira? Quando vamos acordar?

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Internet e espionagem...

Manuel Loff (prof. da Faculdade de Letras da U.P.), in Público, 31.10.2013:

"A internet foi transformada no mais perigoso facilitador do Totalitarismo"

Há dias passou por aí uma reportagem televisiva sobre despedimentos por causa de coisas postadas nos Facebooks (críticas de empregados a entidades patronais, etc.). E disse-se que nos EUA antes de se contratar alguém, a entidade contratante tratava de espiolhar o Facebook do candidato, isto para já não falar de tudo o que pudesse vir na net sobre o sujeito (ainda que sejam aleivosidades e mentiras), e, para pior, quem não tenha perfil no Face também pode não ser aceite em concurso pois isso indicia alguém "muito estranho", que não estando em redes sociais era porque devia ter "algo a esconder".... Mas enfim, na América tudo é possível, sobretudo agora que se sabe que o "Big Brother" chegou em força e nem o Papa escapou, para além de tudo o que era dirigente mundial (os russos das soviécias tinham a fama de grandes espiões, mas agora se vê que a América, com os seus satélitezinhos, não lhe fica atrás, mau grado querer continuar a aparecer como a "campeã da democracia e da Liberdade"). Razão tinha Orwell...
O problema é que isto do espiolhanço e da bufaria não é coisa nova... Na velha Aldeia sempre houve os "traz e leva", "as mulherzinhas de soalheiro" (quiçá as inventoras do jornalismo cor-de-rosa), e, a um nível mais requintado, os "Bubo-bubos" pagos pelos manda-chuvas, mesmo que a coberto de outros cargos profissionais. Entre estes, havia-os os de nível tradicional, os "orelhas" que pairavam pelos cafés, praças, repartições, e, com a evolução tecnológica, alguns tornaram-se mais sofisticados. Recordo-me de uma vez o Manda-chuva da minha aldeia me ter mostrado um "print" de um diálogo entre dois jovens aldeãos, numa rede social, creio que ainda um "chat" (curto estes neologismos nas "netes"!), em que um se gabava para outro de ter "espetado uma granda sarda" (vulgo bebedeira) a um qualquer artista citadino, convidado pelo dito Manda-chuva, depois de uma actuação do dito artista na praça da aldeia. "- Veja só se isto é coisa que se diga, a gozar com um convidado nosso!?..." - perguntava-me, esquecendo-se que o dito convidado até podia ter achado piada aos comentários, depois da "recepção copofónica"... - Creio que deve ter mostrado o mesmo papel a vários aldeãos que o procuraram por esses dias, por outros assuntos, mas, nas entrevistas com o Manda-chuva havia sempre um "período de antes, ou depois, da ordem do dia" em que o homem dizia o que lhe ia na alma. Com que objectivo, não sei: talvez para nos dizer, indirectamente, "cuidado com o que vc. possa dizer por aí, mesmo nas netes, porque eu sei tudo!...." - E sabia. Não fosse isto um país de bufos desde tempos imemoriais. Quem alimentou a Inquisição durante séculos?
A bufaria está na massa do sangue do Tuga, e, se for preciso, para se "queimar" um rival, um concorrente, um adversário, para já não falar de um inimigo, perscruta-se-lhe a vidinha toda, percorre-se-lhe os itinerários, procura-se quem o conhece, até se se descobrir o que diz, e sobre quem o diz. Sendo que dantes se podia inventar que disse o que não teria dito (ou não teria dito bem assim), e tudo dependia depois do "emprenhanço de orelha" da parte do Manda-chuva, se valorizava a fonte, ou se lhe interessava acreditar no que a "fonte" (leia-se, o bufo) lhe transmitia. Agora, se for preciso usam-se gravadores, ou então procuram-se as "evidências" na net. E ele há burrinhos(as) que escarrapacham a vidinha toda nos Face's, parece que ignorando que há por aí  espiões e espias que não fazem outra coisa do que espiolhar, dia e noite, o que diz este(a) ou aquele(a), na convicção de que muita dessa informação "pode dar jeito". Desconfiem sempre desses que se insinuam e pedem "Amizade" a tudo o que é cão e gato, que freneticamente percorrem todos os blogues e batem o terreno como coiotes esfaimados à procura.... Verdadeiros caçadores de "informações" para depois com elas jogarem, insinuando-se junto dos poderes e dos poderosos, sempre em proveito próprio. Outros há que, não tão freneticamente, mas igualmente cirúrgicos e insidiosos, escolhem os alvos, descobrem-lhe os rastos e, quais pisteiros de savana, seguem silenciosamente as vítimas, reencaminhando a "informação" para "quem de direito"... Alguns saberão até quem nós somos, farejam-nos sob a nossa croça de Ti Zé, suspeitam onde fica a nossa Aldeia e até o tugúrio onde moramos. Esperam, silenciosamente, que avancemos a cabeça para fora da carapaça de cágado, para no-la cortarem, chibando às orelhas certas... Assobiamos para o lado e fingimos que não os vemos, mas que eles andam por'i, lá isso andam...
Este é o ponto em que aldeia real e virtual se tocam e complementam, e o melhor mesmo é estarmos caladinhos, para não alimentarmos novos Bubo-bubos, e, no fim, não levarmos no focinho... - Enfim, é preciso aprender a saber viver, nestes arremedos de "democracia", global e local...

terça-feira, 9 de abril de 2013

"Falar claro" - quem já ouviu falar nisto?

Mão amiga fez-nos chegar uma ligação internética (vulgo "link") das que andam por aí, pelos vistos, já há bastante tempo na tal "aldeia global", mas a que nós aqui no mato só muito depois (e graças às mãos amigas) é que vamos chegando.
Porque também somos dos que abominamos leituras de posologias de medicamentos, manuais de instruções de máquinas e letrinhas minúsculas de documentação de Seguros e afins (que nunca é para nos beneficiarem, antes pelo contrário!), achámos piada às ideias desta jovem - ver aqui:

http://www.ted.com/talks/sandra-fisher-martins-the-right-to-understand.html#.Trax9lu7BFI.blogger  [clicar sobre esta ligação, para ver a apresentação]

Entretanto, procurámos saber mais, e o que encontrámos foi em Inglês:

«Why you should listen to her:

Sandra Fisher Martins helps Portuguese businesses and government agencies introduce clarity to their communications. After seeing a Plain English campaign in England, she was inspired to establish Portugues Claro-- a consulting and training firm that works to ensure that people are not disenfranchised by what she calls an "information apartheid" that keeps the majority of her fellow Portuguese from fully understanding documents they need for their daily lives. She is working to develop Euro-clear, a European diploma in clear communication.
Find more examples of plain language at Portugues Claro's website.
"Sabemos que, demasiadas vezes, a forma como o Estado e as empresas comunicam com o público confunde, exclui e intimida. (We know that, too often, the way the state and businesses communicate with the public confuses, intimidates and excludes.)"

Português Claro»
Nada mal para quem quer "falar claro", diremos nós. Aliás, toda a intervenção é legendada em Inglês, o que dá um ar mais fino à coisa, mostrando que a senhora funciona bem, efectivamente, entre o mundo culto da Europa civilizada (que fala inglês) e cá o indigenato parôlo que não percebe patavina de Português (quanto mais de Inglês, mas isso é outra questão). Assim, nós aqui, os da Aldeia real, tentámos traduzir a apresentação da mocinha, com ajuda de tradutores informáticos (pois apesar de campónios, não somos de todo info-excluídos). Aqui fica uma tentativa de tradução do que vai escrito acima:
«Por que é que você deve ouvi-la:
Sandra Fisher Martins ajuda as empresas portuguesas e as agências governamentais a introduzir clareza nas suas comunicações. Depois de ver uma campanhaPlain English” na Inglaterra, ela se inspirou para criarPortuguês Claro” - uma empresa de consultoria etreinamento” que trabalha para garantir que as pessoas não sejam marginalizados pelo que ela chama de "apartheid  na informação" e que mantém a maior parte dos seus seguidores Portugueses a compreender plenamente documentos de que precisam para suas vidas diárias. Ela está trabalhando para desenvolvero “ Euro-claro”, um diploma europeu em uma comunicação clara.
Encontrar mais exemplos de linguagem simples no site doPortuguês-claro”.
"Sabemos Que, demasiadas Vezes, uma forma Como o Estado e como Empresas comunicam com o Público confunde, exclui e intimidação. (Sabemos que, muitas vezes, a forma como o Estado e empresas se comunicam com o público confunde, intimida e exclui.) "
- Português Claro»
Perguntámo-nos depois, sendo isto tão importante, então por que é que nunca ninguém aqui pela aldeia ainda tinha ouvido falar disto? - Ah, percebemos melhor quando ao ouvir de novo a "perfomance" (não, pessoal, não tem a ver com "perfume" - refiro-me à actuação em palco da rapariga), ela dizia que se tinha despedido do sítio de onde trabalhava, para se dedicar a este "filão" que entretanto descobrira: traduzir essas linguagens complicadas, em linguagem simplificada. E isso naturalmente paga-se. Ou pode ser que a gente possa escrever para o porteiro da Doutora, e ele lhe peça para "traduzir" e depois ele nos envie as coisas em "Português claro". Mas... "péra lá!" - quanto é que ele nos vai cobrar pela comissão dele??
Isto não retira que esta senhora tenha razão. Deve-se exigir, de facto, que haja mais clareza na documentação técnica e administrativa que nos chega no dia-a-dia, mas, quem é que o pode impôr às empresas e "mandantes"? Não faria mais sentido criar-se um departamento da DECO para o efeito?
Enquanto isso, temos de continuar a esperar que o nosso Chiquinho venha cá de férias à aldeia, para nos decifrar o palavreado das tais cartas esquisitas, de Seguros, Bancos, EDP's, ou a posologia dos medicamentos, já que não é previsível que a nossa Sandrinha passe por cá.