quinta-feira, 19 de março de 2020

This is the End...

Nas vésperas do Ano 1000 consta que andava o pessoal todo acagaçado algures pela Europa cristã porque diziam os profetas que o mundo ia acabar nesse ano.
Ao que parece, o dia 1 de Janeiro do ano 1000 amanheceu com um belo dia de sol e o mundo continuou. Ufff!... alívio! - mas alguém se lembrou que afinal podia não ser 1000 anos sobre o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim sobre a sua morte! - carago... então seria em 1033... E, de novo, o Todo-Poderoso foi generoso e em 1033 nada de especial se passou.
"- Oremus, oremus!", e a Europa encheu-se de igrejas e catedrais, em acção de graças...
Mas, logo os profetas da desgraça lançaram outra, que ainda cheguei a ouvir à minha avó: "De mil passaste, mas a 2000 não chegarás!"... E, mais ainda, o mundo iria acabar com Fome, Peste e Guerra (acho que a ordem dos factores era aleatória).
Com essa pulga na orelha, eu e outros miúdos do meu tempo, desatávamos a fazer contas à idade que íamos ter no ano 2000, ou seja, quantos anos iríamos ainda ter de vida, pois o mundo ia acabar nessa data. E especulávamos se iria acabar com fogo ou com água (já não me recordo qual era a minha aposta)...
Chegado à noite da passagem do ano de 1999-2000, talvez por ter no meu ADN os "terrores do milénio", não festejei a data. Recordo-me mesmo de ter dito: o que este novo século e milénio nos traz, não sei... mas suspeito que não será coisa boa... e lembrei-me da moratória dos tais 33 anos e julgava não ter que me preocupar até chegar ao mês de Dezembro de 2032...
Afinal, o Todo-Poderoso parece que antecipou a coisa, e, ao que parece, o castigo não veio molhado, nem cozido, nem assado, mas de uma forma absolutamente inesperada para os nossos cálculos infantis. Quem é que podia imaginar que este "fim de mundo" iria ser sob a forma de um bicho invisível, tão invisível quanto Deus. E, já agora, tão Omnipotente e Omnipresente como Ele?
Dito isto, ou o bicho invisível é o Deus Castigador e tremendo da teologia medieval, ou é o seu reverso, a apocalíptica Besta 666...
" - Oremus!... Oremus!..."

quinta-feira, 12 de março de 2020

A Peste actual e a Nova Idade Média



Quando "in illo tempore" estávamos ainda em tempo de "vacas gordas", houve quem me achasse doudo por ter dado em profetizar que ainda iríamos viver uma nova Idade Média... Nesses loucos anos 1990's do cavaquismo e do guterrismo, em que corriam os rios de dinheiro de uma "Europa rica", julgava-se que o maná nunca mais iria acabar, grandes obras, as Expos, as férias em paraísos tropicais, ou os safaris baratos dos urbanóides das classes médias-altas a fazer rodagem ao jipinho novo a terras do interior... Pois agora vinha um tolo a falar-lhes em Idades Médias!...

Não a vislumbrei em nenhuma bola de cristal, mas intuí-a na célebre parábola bíblica do hebreu José que adivinhava os sonhos do Faraó: sete vacas gordas/sete vacas magras, sete espigas gordas/sete espigas secas, a base da teoria dos ciclos da história económica...

Depois lembrei-me do que foi o grandioso império romano, e farejei similitudes entre os tempos de apogeu e depressão, historicamente comprovadas...

Assim, quando veio a grande crise (com a troika cá pela Tugalândia), ocorreu-me o paralelismo com a grande crise do século III a preceder o declínio e queda do Império Romano (com a devida vénia a Edward Gibbons)...

Depois vieram os Bárbaros... antes eram altos, loiros e de olhos azuis... os dos novos tempos são morenos, usam turbante e alguns usam as mesmas vestes com que entraram em 711... E vieram também com o mesmo livro e o mesmo fanatismo...

Depois vieram os de olhos rasgados de um império que cresceu à custa da fraqueza e decrepitude de uma Europa e um Ocidente cada vez mais comodistas, consumistas, sem valores.

Foi, contudo, essa Europa e esse Ocidente, que criaram a globalização de que agora são vítimas. Vítimas económicas e sociais e, também agora, sanitárias. Para os chineses, morrer um milhão ou dois de pessoas é indiferente (e até economicamente benéfico, sobretudo se elimina o "peso morto" da sociedade, ou seja, os mais velhos, que deixaram de ser "factores de produção"); para o Ocidente, estas perdas, em sociedades efeminadas e comodistas que deixaram de procriar, potenciam a proliferação dos grupos mais "bárbaros" (atenção: "bárbaros", para os greco-latinos, eram os estrangeiros), abrindo definitivamente as comportas para todos os mais que venham, para compensar o saldo demográfico negativo, agora mais agravado pela pandemia, a nova PESTE NEGRA, que agora chegou...

Guerras, Peste, Fome... e com Fome, mais Peste e mais Guerra.

Bem-vindos à Idade Média!