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quarta-feira, 5 de março de 2014

Uma forma de Nazismo, ainda que sem deportações em massa...

Nós que vivemos algures cá numa Aldeia do interior, em marcha acelarada para a completa desertificação humana, sabemos bem o têm sido as políticas de abandono - de sucessivos (des)governos, sublinhe-se - relativamente a estas terras. Quando tudo estiver consumado, o último a sair que apague a luz... 
A única diferença relativamente ao nazismo é que em vez de deportações em massa temos um sistema de morte lenta - de asfixia através de cortes de serviços... Como já aqui dissemos, o neoliberalismo é, sem dúvida, uma forma de nazismo, quiçá mais cínica.

Saudamos, por isso, a grande coragem do ex-procurador-geral da República, ao afirmar o que se segue:


Pinto Monteiro "Era melhor fechar populações como no regime nazi"
O ex-procurador-geral da República Pinto Monteiro reiterou a sua posição contra o encerramento dos tribunais, dizendo, em declarações à rádio Altitude, que “era melhor fechar as populações à força como fazia antigamente o regime nazi” aquando da criação de guetos. 12:19 - 05 de Março de 2014 | Por: Notícias Ao Minuto 

As terras do interior estão a morrer. Não há nenhuma poupança que justifique a deslocação das populações e o encerramento dos tribunais em terras onde já só existem os tribunais. É uma vergonha”, disse ontem Pinto Monteiro, em declarações à rádio Altitude, da Guarda.
Para o antigo procurador-geral da República, o fecho daquelas instituições não passa de uma medida do Governo para “poupar uns tostões”, não sendo uma exigência da troika.
“Não me venham com a troika. A troika é como a história do papão. O Governo é capaz de poupar meia dúzia de tostões mas deixa as populações sem Justiça”, reiterou o magistrado, que compara a atitude do Executivo com a criação de guetos no regime nazi.
“Fecha o banco, fecha as Finanças... Era melhor proibirem populações que têm menos, fecharem-nas à força como fazia antigamente o regime nazi”, sublinhou.





quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Memórias de Trás-os-Montes - Povoações desaparecidas

Trás-os-Montes é uma terra cheia de histórias por contar. Vasculhando antigos arquivos de quando percorria essas estradas sinuosas ladeadas por montes e rochedos, veio-me à mão uma história de uma povoação desaparecida após uma epidemia de peste, no século XIX. Persistem as ruínas de um local que poderia ser aproveitado de forma extraordinária. A chegada a este local faz-se através de um caminho em terra batida, de difícil acesso, uma descida que conflui num vale onde emergem os vestígios: meia dúzia de casas em ruínas e moinhos abandonados. O lugar, chamado Benrezes, perto de Vale da Porca e Limãos, foi habitado apenas até ao século XIX. Nas aldeias próximas, raro é o habitante que não tenha ouvido falar em Banrezes, ou Banrez, como alguns lhe chamam. Dizem que aquele é “um local muito estranho”, que “dá medo”. A pouca História existente sobre o local aponta para que uma epidemia de febre tifóide e paludismo tenha estado na origem do seu despovoamento, conforme escreveu Manuel Cardoso, em “Lampaças e Ledra”, subsídios para a história da região de Macedo de Cavaleiros. Já o livro “Santo Ambrósio, de António Fernandes e António de Sousa Araújo, conta que a epidemia terá sido atribuída à lavagem de um caixão que serviria para todos. “A lavagem do caixão contaminou as águas da fonte e do rio Azibo e deu origem à epidemia devastadora de pessoas e animais”, escrevem os autores.