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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Há muitos, mas estes estão em extinção...

Algures nas terras de Miranda, região autónoma da República de Trás-os-Montes e Alto Douro, há uma associação que muito tem feito pela preservação dos asininos, nome pomposo para os burricos que tanta importância tiveram, no Passado, nesta nossa Aldeia real...
Hoje, tal como todo o interior, estão em extinção! Por isso aqui divulgamos mais uma iniciativa destes heróicos resistentes que pugnam pela preservação da espécie.
Parabéns e... Força!, malta da AEPGA!
com um abraço do
Ti Zé!

A AEPGA e o Dia Internacional do Burro
 
Há mais de uma década que a Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino - AEPGA - trabalha no sentido de conservar o Burro de Miranda - única raça autóctone portuguesa desta espécie, particularmente ameaçada de extinção – e de dignificar todos os burros do país, dando a conhecer o seu carácter dócil, a cultura que lhe está associada e os vários papéis que tão bem sabe representar – de professor, guia, terapeuta e, sobretudo, de amigo.
 
É por isso que te convidamos a celebrar o Dia Internacional do Burro connosco: para relembrar o seu valor inestimável, não só aqui na Europa, onde essas novas facetas têm vindo a ser descobertas, mas também nos países em desenvolvimento, onde os burros são os principais companheiros de trabalho de milhões de famílias desfavorecidas que, no entanto, raramente têm o conhecimento ou os recursos para lhes garantirem uma vida com saúde e bem-estar.
 
Ilustra as tuas orelhas de burro e exibe-as com orgulho – e não com vergonha, como aconteceu ao longo de séculos! Ao participares nesta acção, estarás a passar a mensagem de que o burro é um companheiro precioso que merece ter uma vida com qualidade, saúde e felicidade, e de que o Burro de Miranda, em particular, precisa de protecção. Junta-te a nós!
 
Para mais informações e download das orelhas de burro: www.diadoburro.pt

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AEPGA and the International Donkey Day
 
AEPGA, Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, has been working for over a decade to preserve the Miranda Donkey – the only Portuguese native breed of this species, which is particularly endangered – and to dignify every donkey in the country, namely by showing their gentle character, the cultural aspects related to them, and the various roles that they play so perfectly – as teachers, guides, therapists and, most importantly, as friends.
 
This is why we would like to invite you to celebrate the International Donkey Day with us: to remind the world of their priceless worth, not only here in Europe, where those new dimensions are being discovered, but also in developing countries, where donkeys are the main work partners of thousands of poor families who, nevertheless, seldom have the knowledge or the resources to ensure they lead healthy lives.
 
Decorate your donkey ears and flaunt them with pride – and not shame, as has happened for centuries! By participating in this action, you will be passing down the message that the donkey is a wonderful companion who deserves to live a good, healthy and happy life, and that the Miranda Donkey in particular is in need of protection.
 
Please join us!
 
For more information and download of donkey ears: www.diadoburro.PT
 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Ainda o Burro da Tugalândia....

Este rapaz, um tal de André de Macedo, às vezes lá diz algumas acertadas; mas outras vezes descamba. Nesta do burro, começa bem, mas depois de dar umas no cravo, lá lhe saltou o martelo para a ferradura, não fora mais um desses jovens "inconomistas" (quando ouço falar em inconomia e finanças, puxo logo da minha pistola!) da moda, nas ilhargas do neoliberalismo imperante.
Todo o paleio está muito giro, mas, no fim, não se percebe se o rapaz defende ou não a existência dos estaleiros de Viana do Castelo (pois que com a estória do burro é aí que quer chegar). Parece que é contra o "chubchídio", ok, tudo bem. Na lógica neoliberal, de anti-shubchídiodependência, tudo o que não der lucro não deve existir; mas depois diz que temos umas grandes milhas marítimas e até tínhamos capacidade para ter não sei quantos estaleiros... E então porque não temos? De quem é a culpa? dos grandes empresários tugas, que não têm capacidade para os montar e manter (sem chubchídio)? dos malandros dos operários que só querem direitos e privilégios? da crije que determina que não haja encomendas? - não sei, porque não sou "inconomista", mas em vez de mandar meia-dúzia de patacoadas meias neoliberais, gostava que estas pitonisas que escrevem nas páginas "inconómicas" de certos jornais, nos esclarecessem.... Porque para mandar bitaites para o ar, tipo treinadores de bancada, não precisamos de ter altos cursos de... Inconomia.

Aqui vos fica:

«O burro não sabe nadar

por ANDRÉ MACEDO

Quando Manuel Pinho era o inquilino do Ministério da Economia pediu um estudo para entender como os mercados olhavam para Portugal. Não seria preciso ir tão longe para chegar às conclusões apresentadas, mas as que foram entregues revelaram algum humor. À pergunta "a que animal associa Portugal?", a maioria respondeu: o burro. Poderia ter sido o touro, podia ter sido a sardinha, mas foi o burro, como também foi o jumento que fez capa no New York Times há uns dias.

É evidente que já não nos devíamos inquietar com estas coisas. O jumento mirandês é um bicho simpático que ajuda a interromper a rotina tipográfica do jornal e é, digamos, muito fofinho, além de até ser um bom postal para os turistas. É muito local e funny e até ecofriendly. Não entendo, por isso, a reação à capa do Times: temos de admitir que a metáfora é zoologicamente certeira. Portugal é um país velho (antigo), desgastado (cansado da austeridade) e mais dependente do que nunca de subsídios europeus para sobreviver - juros amigos, bónus da PAC e outros programas recheados de acrónimos para que ninguém os fiscalize.

O jumento mirandês é apenas o resultado peludo desta política europeia, a mesma que levou à falência a agricultura e as pescas nacionais, mas que ainda tem mesada para atirar uns milhões para o jumento ou para a coruja dos Alpes. Na verdade, tudo isto é apenas a expressão de uma rede de lóbis que leva o que pode. Numas vezes usa os bichos para encher a carteira, noutras os sindicatos. A este propósito é muito significativo o escândalo da UGT espanhola, que usou fundos destinados à formação profissional para oferecer malas de pele - que mandou copiar a uma empresa de Madrid - e fabricar na China.

Apesar de tudo isto, os países ainda fazem mais batota. Os Estaleiros de Viana, por exemplo, que agora provocam lágrimas de indignação - 500 anos depois ainda não enterrámos os Descobrimentos - , são um exemplo de dinheiro público despejado durante anos sob forma de auxílios ilegais a uma companhia que, paradoxalmente, acabou por ficar sem incentivo para competir. Se há subsídio, não é preciso dar lucro, não é? Que os governos façam isto já não espanta ninguém; mas o ponto é outro.

Portugal tem tudo para exibir uma indústria naval rentável. Tem conhecimento e marca. Tem uma zona económica marítima sem paralelo: é a quinta maior do mundo e tem 18 vezes a sua superfície terrestre. Podia ser o país dos estaleiros navais, da investigação e do conhecimento do mar. E no entanto não o é, apesar de o Estado ter sido durante anos um business angel dos diabos: pagou a aventura e não reclamou. Mas esses dias já eram. Convenhamos: nem tudo é Estado social. Os Estaleiros de Viana e os seus navios não o são certamente, apesar de o circo destes dias à volta do assunto ser very tipical de um país que vai de cavalo para burro.»
 


domingo, 1 de dezembro de 2013

Burro mirandês na boca do mundo

Um jornalista americano escreveu um artigo sobre os burros mirandeses e logo os jornais portugueses apontaram que este estaria a comparar o interior de Portugal (e não todo o país) e os seus problemas aos da raça asinina. Pois bem, diz o jornalista que não era bem essa a ideia...

O artigo da publicação norte-americana começa com uma frase sugestiva: "Hoje não é fácil ser burro." Segue para a descrição da função tradicional do burro mirandês – a de ajudar os agricultores de Miranda – e para a eventual extinção da espécie tipicamente portuguesa, entretanto substituída por maquinaria moderna e tractores no cultivo dos campos.

Não tarda a aparecer a primeira a metáfora: "Depois de décadas de negligência e, dizem alguns, desentendimentos, o destino do burro começa a assemelhar-se ao dos humanos, [por estarem] ameaçados pelo declínio da população e com a sobrevivência dependente, sim, de subsídios da União Europeia."

A aldeia de Paradela no concelho de Miranda do Douro é o cenário escolhido pelo jornalista Raphael Minder para explicar de que forma está a União Europeia a tratar "as suas zonas rurais", mais precisamente os países do Sul da Europa. De acordo com o artigo, a situação que Portugal atravessa é semelhante à extinção do burro mirandês.

“À medida que os jovens continuam a trocar as zonas rurais pelas cidades, os burros estão também ameaçados, porque os agricultores estão a ficar velhos e não podem cuidar deles”, pode ler-se no artigo do The New York Times.

Um interior desertificado, a agricultura abandonada, os cortes dos fundos europeus destinados ao sector primário, os apoios e o resgate financeiro que chegam das instituições da União Europeia são as preocupações do autor, que foram entendidas em Portugal como uma comparação.

Raphael Minder cita o ex-presidente da Junta de Freguesia de Ifanes, Miranda do Douro, Orlando Vaqueiro, para sustentar a ideia de que "hoje não é fácil ser burro" em Portugal: "Precisamos dos subsídios para manter os burros, mas o resultado é que todos se tornam completamente dependentes deles, portanto não há espírito de inovação nem desejo de modernizar ou produzir mais."

O PÚBLICO contactou o jornalista para perceber se a sua intenção era ou não fazer uma comparação entre a extinção do burro mirandês e o interior do país. De acordo com o Raphael Minder, pensar numa comparação entre a espécie mirandesa e o país "é um absurdo".

"Quero deixar claro que não há nenhuma comparação propositada", declarou o jornalista, correspondente do jornal norte-americano em Portugal e Espanha.

"A única coisa que fiz foi dizer que aquelas regiões estão a passar dificuldades, que também vale a pena pensar nos animais, mesmo naqueles que, como o burro, não são tidos como raças em vias de extinção, como o lince e o lobo", esclarece o jornalista. "E também quis levantar a velha questão de que os subsídios europeus para a agricultura precisam ter um retorno sobre o investimento que o justifiquem", acrescenta.

Fonte: Público

terça-feira, 23 de abril de 2013

Da Trasmontânia: burros de verdade

     Fotografia: Mónica Salgado


Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

                       Mário de Sá Carneiro
(http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/v338.txt)


Adoro este poema e decidi partilhá-lo com todos vocês.