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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Desmontando o esquema das tais Privatizações...

Antes de mais, caros Aldeanos, desejo-vos um Bô Ano Nôbo!

E cá estamos nós, de novo na praça cá da Aldeia, para zurzir na bardinagem que anda por aí a dar cabo disto tudo!...

Já aqui botámos algumas bocas sobre isso das Privatizações Selvagens, inverso das Nacionalizações do PREC - a sigla agora até pode ser a mesma, agora PREC = Processo Reaccionário em Curso, protagonizado pela pandilha PSD, CDS e parte do PS, sobretudo o que emergiu do Socratismo. 
Sob a capa de uma "crije" que, quanto a nós, foi produzida artificialmente nos laboratórios da banca e do sistema financeiro internacional, para implementação de uma agenda neoliberal, eis que a palavra de ordem foi (e é): PRIVATIZAR, PRIVATIZAR, PRIVATIZAR!....


... E depois queixem-se que pagam a electricidade mais cara, ou que já não têm os Correios à porta...
... pois então, continuem, camelamente, a botar neles!!! (ou ainda não perceberam que esta Direita neoliberal que por aí anda, não passam de lacaios deste sistema sanguessuga, que suga o Estado, os seus trabalhadores - quando não os manda para o desemprego, como trastes - e, no fim da linha, os utentes/clientes...) - São os tais vampiros da canção do Zeca, que andam por aí, em bandos, pelas avenidas, bem engravatados, tresandando a perfume Boss...

- Sim, Botem neles... mas era com a Bota!!!


domingo, 22 de outubro de 2017

Lobby da indústria farmacêutica, dos USA para o mundo...

É preciso avisar a malta:

Prémio Nobel da Medicina faz uma denúncia alarmante! Todos devemos conhecer!

O Prémio Nobel da Medicina Richard J. Roberts denuncia a forma como funcionam as grandes Farmacêuticas dentro do sistema capitalista, preferindo os benefícios económicos à Saúde, e detendo o progresso científico na cura de doenças, porque a cura não é tão rentável quanto a cronicidade.

Há poucos dias, foi revelado que as grandes empresas Farmacêuticas dos EUA gastam centenas de milhões de dólares por ano em pagamentos a médicos que promovam os seus medicamentos. Para complementar, reproduzimos esta entrevista com o Prémio Nobel Richard J. Roberts, que diz que os medicamentos que curam não são rentáveis e, portanto, não são desenvolvidos por empresas Farmacêuticas que, em troca, desenvolvem medicamentos codificadores que sejam consumidos de forma serializada.
Isto, diz Roberts, faz também com que alguns medicamentos que poderiam curar uma doença não sejam investigados. E pergunta-se até que ponto é válido e ético que a indústria da Saúde se reja pelos mesmos valores e princípios que o mercado capitalista,
que chega a assemelhar-se ao da máfia.


A investigação pode ser planeada?
Se eu fosse Ministro da Saúde ou o responsável pela Ciência e Tecnologia, iria procurar pessoas entusiastas com projectos interessantes; dar-lhes-ia dinheiro para que não tivessem de fazer outra coisa que não fosse investigar e deixá-los-ia trabalhar dez anos para que nos pudessem surpreender.
Parece uma boa política.
Acredita-se que, para ir muito longe, temos de apoiar a pesquisa básica, mas se quisermos resultados mais imediatos e lucrativos, devemos apostar na aplicada …
E não é assim?
Muitas vezes as descobertas mais rentáveis foram feitas a partir de perguntas muito básicas. Assim nasceu a gigantesca e bilionária indústria de biotecnologia dos EUA, para a qual eu trabalho.
Como nasceu?
A biotecnologia surgiu quando pessoas apaixonadas começaram a perguntar-se se poderiam clonar genes e começaram a estudá-los e a tentar purificá-los.
Uma aventura.
Sim, mas ninguém esperava ficar rico com essas questões. Foi difícil conseguir financiamento para investigar as respostas, até que Nixon lançou a guerra contra o cancro em 1971.
Foi cientificamente produtivo?
Permitiu, com uma enorme quantidade de fundos públicos, muita investigação, como a minha, que não trabalha directamente contra o cancro, mas que foi útil para compreender os mecanismos que permitem a vida.
O que descobriu?
Eu e o Phillip Allen Sharp fomos recompensados pela descoberta de intrões no ADN eucariótico e o mecanismo de gen splicing (manipulação genética).
Para que serviu?
Essa descoberta ajudou a entender como funciona o ADN e, no entanto, tem apenas uma relação indirecta com o cancro.

Que modelo de investigação lhe parece mais eficaz, o norte-americano ou o europeu?
É óbvio que o dos EUA, em que o capital privado é activo, é muito mais eficiente. Tomemos por exemplo o progresso espectacular da indústria informática, em que o dinheiro privado financia a investigação básica e aplicada. Mas quanto à indústria de Saúde… Eu tenho as minhas reservas.
Entendo.
A investigação sobre a Saúde humana não pode depender apenas da sua rentabilidade. O que é bom para os dividendos das empresas nem sempre é bom para as pessoas.

Expliquemo-nos:
A indústria farmacêutica quer servir os mercados de capitais …
Como qualquer outra indústria.
É que não é qualquer outra indústria: nós estamos a falar sobre a nossa Saúde e as nossas vidas e as dos nossos filhos e as de milhões de seres humanos.
Mas se eles são rentáveis investigarão melhor.
Se só pensar em lucros, deixa de se preocupar com servir os seres humanos.
Por exemplo…
Eu verifiquei a forma como, em alguns casos, os investigadores dependentes de fundos privados descobriram medicamentos muito eficazes que teriam acabado completamente com uma doença …
E por que pararam de investigar?
Porque as empresas Farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas em curar as pessoas como em sacar-lhes dinheiro e, por isso, a investigação, de repente, é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam totalmente, mas que tornam crónica a doença e fazem sentir uma melhoria que desaparece quando se deixa de tomar a medicação.
É uma acusação grave.
Mas é habitual que as Farmacêuticas estejam interessadas em linhas de investigação não para curar, mas sim para tornar crónicas as doenças com medicamentos codificadores muito mais rentáveis que os que curam de uma vez por todas. E não tem de fazer mais que seguir a análise financeira da indústria farmacêutica para comprovar o que eu digo.
Há dividendos que matam.
É por isso que lhe dizia que a Saúde não pode ser um mercado nem pode ser vista apenas como um meio para ganhar dinheiro. E, por isso, acho que o modelo europeu misto de capitais públicos e privados dificulta esse tipo de abusos.

Um exemplo de tais abusos?
Deixou de se investigar antibióticos por serem demasiado eficazes e curarem completamente. Como não se têm desenvolvido novos antibióticos, os microorganismos infecciosos tornaram-se resistentes e hoje a tuberculose, que foi derrotada na minha infância, está a surgir novamente e, no ano passado, matou um milhão de pessoas.
Não fala sobre o Terceiro Mundo?
Esse é outro capítulo triste: quase não se investigam as doenças do Terceiro Mundo, porque os medicamentos que as combateriam não seriam rentáveis. Mas eu estou a falar sobre o nosso Primeiro Mundo: o medicamento que cura tudo não é rentável e, portanto, não é investigado.
Os políticos não intervêm?
Não tenho ilusões: no nosso sistema, os políticos são meros funcionários dos grandes capitais, que investem o que for preciso para que os seus boys sejam eleitos e, se não forem, compram os eleitos.
Há de tudo.
Ao capital só interessa multiplicar-se. Quase todos os políticos, e sei do que falo, dependem descaradamente dessas multinacionais Farmacêuticas que financiam as campanhas deles. O resto são palavras…


Fonte: paradigmatrix

Nota: sublinhados meus - ti Zé.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Cavaco, Espírito Santo & Cª. ....

Mas, havia dúvidas?? - Segue e soma esta promiscuidade chocante entre a pulhítica e os amigos empresários, banqueiros e quejandos... Além do amigo Oliveira e Costa (o tal do trespasse de acções em que o actual sr. presidente da república, ou a filhinha por ele, ganharam de uma assentada uma pipa de massa), eis que sabemos agora (e que grande novidade...) que o amigo Espírito Santo (sem ser o de orelha) & Cª. investiram largo na campanha do homem... Eis assim que o indivíduo que tanto se avespinhou na campanha (e no discurso da noite da victória) contra os que o acusavam de pouca higiene de mãos, nos aparece rodeado de amigos pouco recomendáveis a contribuírem para a sua entronização.
O que nos vale é que o poder judicial (e a correspondente investigação) ainda não está completamente dominada por estes pulhíticos de pacotilha, pois de outro modo os seus amiguinhos nunca seriam incomodados (quem paga, é obviamente imune!). - Enfim, para quando uma verdadeira operação "Mãos Limpas"!???

Aqui vos fica: http://www.noticiasaominuto.com/politica/265218/familia-espirito-santo-fez-o-maior-donativo-a-campanha-de-cavaco?utm_source=gekko&utm_medium=email&utm_campaign=daily

2006 Família Espírito Santo fez o maior donativo à campanha de Cavaco

A família Espírito Santo foi a principal financiadora da campanha de Cavaco Silva à Presidência da República em 2006, tendo doado 152 mil euros. Só Ricardo Salgado contribuiu com 22.482 euros, o máximo que a lei permitia, indica o Diário de Notícias.

Cavaco Silva e a família Espírito Santo mantinham uma relação próxima já se sabia. Pelo menos, desde que o Expresso deu conta de um jantar do Presidente da República na casa de Ricardo Salgado, em 2004. Mas só recentemente foram conhecidas as contas relativas às campanhas presidenciais de 2006, reforçando o vínculo entre o ainda chefe de Estado e o então responsável pelo BES.
O Diário de Notícias teve acesso aos documentos do Tribunal Constitucional que provam que a família Espírito Santo foi a principal financiadora de Cavaco Silva à Presidência da República, em 2006, tendo doado para esse efeito mais de 152 mil euros.
Os donativos foram feitos não só por Ricardo Salgado, que deu a verba máxima permitida por lei (22.482 euros), como por outros quatro administradores do universo BES, entre eles António Ricciardi, José Manuel, Manuel Fernando Espírito Santo e José Maria Ricciardi.

A estes devem ainda somar-se os donativos máximos dados a título individual por Rui Duarte Silveira, Manuel Ferreira Neto e Mário Mosqueira, entretanto falecido.

in "Noticias ao Minuto"

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O Caso BES mostra que capitalismo tuga faliu!....

Poix... depois do ataque sem precedentes à função pública e ao "estado social", e dos "amanhãs cantantes" do capitalismo neoliberal, cuja ponta de lança eram os bancos e banqueiros, Oliveiras e Costas, Espíritos Santos, Ulriches & Cª., apresentados como grandes empreendedores, uns quase-deuses nas páginas de inconomia de certos pasquins (a soldo), eis que o castelo de cartas se vai desmoronando (com o Zé a pagar, pois claro!...) e o pessoal vai vendo que o rei vai nu.
E, num repente, aqui temos umas "sexta-feiras negras" à maneira tuga, com medo do lobo mau, perdão, do "banco mau", e sem ninguém querer saber da pele de cordeiro com que tentaram disfarçá-lo de "Banco Bom" ou "Novo Banco" (feito de pano velho). - E debaixo de que saias foi o pessoal meter-se? Correram para outros bancos privados? Claro que não, porque toda a gente - tal como eu, há mais tempo - já topou que a raça dos Vampiros (de que falava o Zeca) é toda a mesma. Assim, porquê a CGD? Está bom de ver: é o último reduto em que Estado tem participação, apesar dos amigos administradores que os rapazes (ou rapaces) que vão para os (des)governos lá colocam (a propósito, onde andará o Armando?). É claro que assim gordinha, depois destas rápidas transferências do BES para a CGD, está seguramente mais apetitosa do que nunca para a intentada, sonhada e almejada privatização... E se calhar entregue a chineses, como a EDP! Será que os que agora fogem do BES, ou ex-BES, e todos os outros, terão finalmente percebido que o mal está neste capitalismo torpe, sem regras, a não ser o de sacar o mais possível e quando a coisa estourar, pagamos todos? Se finalmente alguém perceber isto, no dia em que ouvirem falar em privatização a sério da GGD, deveriam lutar com unhas e dentes contra isso, deviam rodear as agências da Caixa e defendê-las como coisa sua/nossa, pois é o último reduto com um mínimo de confiança que nos resta, livre de Vampiros!!!
Não chegamos ao ponto de defender a nacionalização da Banca, como os revolucionários dos anos 70. Mas tem de haver participação pública pelo menos numa instituição bancária, para que as pessoas possam ver a diferença, e para onde possam fugir dos Vampiros. No dia em que já não tivermos para onde fugir, o que faremos?

Aqui fica a notícia:

http://www.noticiasaominuto.com/economia/259906/clientes-do-bes-depositaram-200-milhoes-na-cgd-num-so-dia?utm_source=gekko&utm_medium=email&utm_campaign=daily


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

"Quem tem medo do Lobo Mau??" - e quem gosta do Banco Bom? = Novo Banco...

Até parece uma estorinha infantil... O Banco Mau, o Banco Bom, digo, o Novo Banco... uns senhores maus (que até há pouco eram bons, digo muuuuito bons!) portaram-se mal, mas já está tudo resolvido, os meninos não tenham medo, que não lhe vamos dar mais tau-tau, nem tirar os rebuçadinhos... (- E os meninos acreditam...).
Que este banco do Espírito Santo a mim nunca me enganou... Aliás, ainda me enganou durante um ano, há uns anos atrás, quando dei conta que numa conta que lá tinha me "davam" 2,5€ de juros/mês e me rapinavam 3€/mês de comissões. Ou seja, quando de lá resolvi retirar o dinheiro q tinha depositado, afinal tinha menos do que lá tinha posto, e, para o retirar para outro banco, ainda me paparam mais uma comissão choruda pela transferência!!! - Bem, quando anunciei essa intenção de retirada, o sr. gerente do balcão cá da Aldeia, veio rapidamente a propor-me outro "produto" (é assim que os gajos dos bancos chamam às modalidades que inventam para lá apanharem as poupanças da malta). Entretanto foi dizendo que o "produto" anterior, o das comissões a 3€, até era um "produto" muito bom (para eles, claro!), pois que era uma conta especial de corrida em que, caso ficasse doente, me permitia chamar o médico a casa, ou se tivesse um cano roto, era também só telefonar (para o banco, suponho), que me mandavam também o picheleiro a casa, etc. e tal!... Coisas que em momento algum me tinham sido comunicadas, nem vi que figurassem em qualquer lado na papelada referente ao tal "produto", nem em letrinhas pequeninas...  Tendo-lhe frisado isso, o dito sr. gerente, depois da conversa da treta do costume, como os miúdos apanhados com a mão no pote (tudo isso devia ser ensaiado nas "acções de formação", tipo lavagens ao cérebro, que lhes dão, juntamente com a conversa dos "Objectivos", pois não é de qualquer maneira que se chega a serventuário graduado das estruturas do capitalismo) até já me restituía o  que me tinham sacado a mais! Pasmei. Então, oh sr. gerente, isto é como o negócio dos tapetes dos marroquinos? - retroquei. Ou seja, se cá o Zé das Couves não se queixar, está-se bem, vai-se depenando o pato; se o pato dá conta e se queixa, passasse-lhe a mão no pelo, canaliza-se o pato para outro "produto" e até se se lhe dá o que se lhe rapinou...
Achei que isto não era sério nem de entidade credível. Pior, disse-lhe mesmo, que achava que o BES, no meu conceito, passava a ser um Banco Ladrão. Foi quando a conversa azedou e o sr. me disse para ter cuidado com as palavras... Sim, porque nesse dia, os ladrões engravatados que o sr. gerente servia, ainda eram gente respeitável... Mas, tal como sempre, a História veio a dar-me razão! - Se bem que esses ladrões engravatados e de colarinho branco se safem sempre, pois os fundos secretos que têm nas contas numeradas na Suíça, decerto que ainda lhe dá para pagarem a grandes equipas de advogados, outros aldrabões que tais, que habilmente sabem explorar os furos de uma legislação desajustada das "complexidades" financeiras dos tempos que correm, ou então feita à medida pelas maiorias de lacaios que servem os grandes senhores naquele hemiciclo a que chamam A.R..
Bem, não vos demoro mais com os meus arrazoados. Tomem lá:
http://www.noticiasaominuto.com/economia/258700/garantias-de-que-contribuintes-estao-livres-do-bes-sao-falsas?utm_source=gekko&utm_medium=email&utm_campaign=afternoon

Megan Greene Garantias de que contribuintes estão 'livres do BES' são "falsas"
A economista e colunista Megan Greene, que se tem debruçado nos últimos anos sobre a crise das dívidas nos países sul-europeus, considera que serão “falsas” quaisquer afirmações que sugeriam que os contribuintes não serão prejudicados pelo resgate ao BES.
Recorde-se que o banco privado será dividido em ‘banco mau’ e em ‘banco bom’, estimando-se que virá a necessitar de quase cinco mil milhões de euros para se capitalizar. Este domingo à noite, governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, anunciou a solução para o BES, com o Governo, através de um comunicado do Ministério das Finanças, a afirmar que os contribuintes não terão de suportar quaisquer custos.
E é sobre esta questão que surgem as dúvidas de Megan Greene. Num comentário de que o The Guardian dá conta, publicado na rede social Twitter, Megan Greene considera que o resgate ao BES é “assustadoramente”  parecido com os resgates à banca irlandesa, “embora numa escala muito menor”. A economista acrescenta que serão “falsos” quaisquer comentários que sugiram que os contribuintes estão ‘livres’ da situação.
Na sua conta no Twitter, a cronista da Bloomberg dá também destaque a um artigo da autoria de Claire Jones, artigo esse que tem como título ‘Como roubar um país, ao estilo do Espírito Santo’ ('How to rip off a country, Espirito Santo style', lê-se no título original). Claire Jones já tinha escrito para a revista Forbes sobre a crise no banco privado.
Num outro tweet, em resposta a uma pergunta sobre o que mais receava, Megan Green foi taxativa relativamente ao que teme: "Que os custos sejam socializados em Portugal, implicando mais austeridade para reduzir a dívida pública".»
-------
E O QUE DIZ, ENTRETANTO, A SRª MINISTRA DAS FINANÇAS? – AQUI VAI:

http://www.noticiasaominuto.com/politica/258952/tem-de-haver-uma-investigacao-judicial-e-punicoes-severas
«Ministra "Tem de haver uma investigação judicial e punições severas"
Maria Luís Albuquerque esclareceu esta segunda-feira, em entrevista à SIC, que é premente a apuração de responsabilidades no caso BES e que existirão “punições severas, contraordenações e terá de haver uma investigação judicial”.»

- Ora descontando estas tretas das “punições” (para inglês ver/ouvir), o que interessa é que o que a senhora disse ao fim:
….. «O jornalista questionou ainda se foi posta em cima da mesa a possibilidade de deixar o banco falir, ao que Albuquerque reagiu dizendo que “uma falência de um banco desta dimensão traria um risco muito grande de instabilidade financeira”.»

Lá diz um velho provérbio que “ao menino e ao borracho, põe Deus (não fosse Ele o Espírito Santo) a mão por baixo” 

– Com as devidas adaptações, nós por cá, “ao menino, ao borracho E AO BANQUEIRO, põe Deus (ou seja, o Governo), a mão por baixo…” – Não fosse este o (des)Governo deles, e não se cobrassem nestas ocasiões os apoios chorudos que em períodos eleitorais os amigos banqueiros e grandes empresas concede generosamente aos tais do “arco da governação”… Vão lá agora as criaturas rebelarem-se contra os seus Criadores!...

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Uma carta aberta ao Abominável...

Já depois do nosso último post, mão amiga fez-nos chegar esta "carta aberta" dedicada ao abominável homem das Neves. Quem fala/escreve assim, não é gago!....
- Mas tal como já o tínhamos dito por aqui, este rapaz, o Yeti, só pode ser um troglodita descoberto nas neves dos Himalaias, para bitaitar por aí uns palpites a soldo dos grandes malandros que lhe pagam. E devem pagar MUITO bem!...

Corre pela Aldeia - nem é preciso pôr mais na escrita:

para: João César das Neves
Carta Aberta a um MENTECAPTO (João César das Neves)
Meu Caro João,
Ouvi-te brevemente nos noticiários da TSF no fim-de-semana e não acreditei no que estava a ouvir.
Confesso que pensei que fossem “excertos”, fora de contexto, de alguém a tentar destruir o (pouco) prestígio de Economista (que ainda te resta).
Mas depois tive a enorme surpresa: fui ler, no Diário de Notícias a tua entrevista (ou deverei dizer: o arrazoado de DISPARATES que resolveste vomitar para os microfones de quem teve a suprema paciência de te ouvir). E, afinal, disseste mesmo aquilo que disseste, CONVICTO e em contexto.
Tu não fazes a menor ideia do que é a vida fora da redoma protegida em que vives:
- Não sabes o que é ser pobre;
- Não sabes o que é ter fome;
- Não sabes o que é ter a certeza de não ter um futuro.
Pior que isso, João, não sabes, NEM QUERES SABER!
Limitas-te a vomitar ódio sobre TODOS aqueles que não pertencem ao teu meio. Sobes aquele teu tom de voz nasalado (aqui para nós que ninguém nos ouve: um bocado amaricado) para despejares a tua IGNORÂNCIA arvorada em ciência.
Que de Economia NADA sabes, isso já tinha sido provado ao longo dos MUITOS anos em que foste assessor do teu amigo Aníbal e o ajudaste a tomar as BRILHANTES decisões de DESTRUÍR o Aparelho Produtivo Nacional (Indústria, Agricultura e Pescas).
És tu (com ele) um dos PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS de sermos um País SEM FUTURO.
De Economia NADA sabes e, pelos vistos, da VIDA REAL, sabes ainda MENOS!
João, disseste coisas absolutamente INCRÍVEIS, como por exemplo: “A MAIOR PARTE dos Pensionistas estão a fingir que são Pobres!”
Estarás tu bom da cabeça, João?
Mais de 85% das Pensões pagas em Portugal são INFERIORES a 500 Euros por mês (bem sei que algumas delas são cumulativas – pessoas que recebem mais que uma “pensão” - , mas também sei que, mesmo assim, 65% dos Pensionistas recebe MENOS de 500 Euros por mês).
Pior, João, TU TAMBÉM sabes. E, mesmo assim, tens a LATA de dizer que a MAIORIA está a FINGIR que é Pobre?
Estarás tu bom da cabeça, João?
João, disseste mais coisas absolutamente INCRÍVEIS, como por exemplo: “Subir o salário mínimo é ESTRAGAR a vida aos Pobres!”
Estarás tu bom da cabeça, João?
Na tua opinião, “obrigar os empregadores a pagar um salário maior” (as palavras são exactamente as tuas) estraga a vida aos desempregados não qualificados. O teu raciocínio: se o empregador tiver de pagar 500 euros por mês em vez de 485, prefere contratar um Licenciado (quiçá um Mestre ou um Doutor) do que um iletrado. Isto é um ABSURDO tão grande que nem é possível comentar!
Estarás tu bom da cabeça, João?
João, disseste outras coisas absolutamente INCRÍVEIS, como por exemplo: “Ainda não se pediram sacrifícios aos Portugueses!”
Estarás tu bom da cabeça, João?
Ainda não se pediram sacrifícios?!?
Em que País vives tu, João?
Um milhão de desempregados;
Mais de 10 mil a partirem TODOS os meses para o Estrangeiro;
Empresas a falirem TODOS os dias;
Casas entregues aos Bancos TODOS os dias;
Famílias a racionarem a comida, os cuidados de saúde, as despesas escolares e, mesmo assim, a ACUMULAREM dívidas a TODA a espécie de Fornecedores.
Em que País vives tu, João?
Estarás tu bom da cabeça, João?
Mas, João, a meio da famosa entrevista, deixaste cair a máscara: “Vamos ter de REDUZIR Salários!”
Pronto! Assim dá para perceber. Foi só para isso que lá foste despejar os DISPARATES todos que despejaste.
Tinhas de TRANSMITIR O RECADO daqueles que TE PAGAM: “há que reduzir os salários!”.
Afinal estás bom da cabeça, João.
Disseste TUDO aquilo perfeitamente pensado. Cumpriste aquilo para que te pagam os teus amigos da Opus Dei (a que pertences), dos Bancos (que assessoras), das Grandes Corporações (que te pagam Consultorias).
Foste lá para transmitir o recado: “há que reduzir salários!”.
Assim já se percebe a figura de mentecapto a que te prestaste.
E, assim, já mereces uma resposta:
- Vai à MERDA, João!
Um Abraço,
Carlos Paz



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

De crise em crise, sem fim à vista...

E para os "banhas-da-cobra" que, eleitoristicamente, andam por aí a dizer que "a crije já passou", "o pior já passou", a "recheita do gobêrno rejultou", enfim... - se assim é, então porque continuam a dizer que é ainda preciso "exterminar" mais funcionários públicos, cortar o subsídio de desemprego, dizendo entretanto que o desemprego está a baixar (porque arranjam estratagemas para varrer o "lixo" para debaixo do tapete da estatística), etc, etc?
A resposta é simples: é porque sabem que o que dizem não corresponde à verdade e é preciso continuar nesta política de terra queimada... Mas, se assim é, não se ponham a falar em "milagres económicos" e outras palermices que tais... Quem é que ainda acredita em "pulhíticos"??

Aqui vai o que nos parece mais de ciência certa - informem-se:

Economista "Segundo resgate a Portugal é muito possível dentro de cinco anos"
O economista Jens Nordvig concedeu uma entrevista ao Jornal de Negócios na qual afirma que é “possível” que dentro de “cinco anos” Portugal venha a precisar de um segundo resgate. Em Lisboa para apresentar o seu livro ‘A Queda do Euro’, Nordvig disse ainda que as vantagens do euro são “exageradamente empoladas” e que é preciso “ser realista”, pois pertencer a uma união monetária “exige a submissão a uma série de restrições”.

 09:01 - 27 de Fevereiro de 2014 |

Em entrevista ao Jornal de Negócios, Jens Nordvig, economista que já passou pelo Goldman Sachs e que agora apresenta o livro ‘A Queda do Euro’, começou por dizer que as vantagens de pertencer a uma união monetária foram “exageradamente empoladas”.
 “As vantagens do euro são exageradamente empoladas, como numa campanha de marketing, e temos de ser realistas: pertencer ao euro exige a submissão a uma série de restrições”, assegurou o economista.

Nordvig garantiu ainda que “a crise que assolou o euro foi tão tremenda precisamente porque não se tinha essa noção”.
Sobre Portugal, o economista referiu que vê como “muito possível um segundo resgate dentro de cinco anos”. “Temos de ter a noção de que estamos a atravessar um período muito extenso de crédito relativamente muito barato que deverá inverter-se, diria, dentro de dois anos”, acrescentou, alertando que nessa altura Portugal já terá saído do programa da troika e “vai começar a sentir maiores dificuldades em financiar-se nos mercados porque a sua dívida é demasiado elevada”.
E porque a questão que está na ordem do dia é a opção entre um programa cautelar ou uma saída limpa, o Jornal de Negócios aproveitou a oportunidade para questionar o economista sobre qual seria, na sua opinião, a opção mais viável. A resposta foi perentória: “uma linha cautelar daria uma proteção adicional caso as taxas de juro começassem a subir. Eu escolheria a opção mais segura: um cautelar”.

 por: Notícias Ao Minuto, 2014.02.27 - confirmar em:





domingo, 2 de fevereiro de 2014

Era bom, era... mas parece que é aldrabice... (mais uma)

A gigantesca operação de manipulação da opinião pública que está em curso pelo governo e seus defensores nos media

Mão amiga fez-nos chegar, aqui à Aldeia, um documento subscrito pelo economista Eugénio Rosa, em que se desmonta o pretenso "milagre" que os engana-tolos, através dos seus "cães de guarda" (a Comunicação Social amestrada), nos procuram impingir, para continuarmos a aguentar a "dose cavalar" da famosa terapêutica da "austeridade".

E ainda não saíu do adro a procissão para as "Europeias"... E, ao abeirar-nos das legislativas, então aí sim! será uma coisa parecida com aquele ministro do Saddam, que mesmo no momento final da invasão yankee, continuava a apregoar retumbantes vitórias do glorioso exército iraquiano...

Apesar de ter perdido a formatação (coisas da informática), não resisto a partilhar connvosco a análise do referido economista:


Eugénio Rosa – Economista – este e outros estudos disponíveis em www.eugeniorosa.com

Pág. 1

NA ECONOMIA REAL NÃO HÁ MILAGRES: a gigantesca campanha de manipulação da opinião pública em curso visando fazer crer o contrário

Neste momento está em curso no nosso país uma gigantesca operação de propaganda
levada a cabo pelo governo e pelos seus defensores na comunicação social com o objetivo
de convencer a opinião pública que a política de austeridade resultou (“os sacrifícios valeram a pena” repetem); que se está a verificar uma viragem económica, e que Portugal entrou no crescimento económico e desenvolvimento. Uns por convicção ideológica, outros por terem sidos sujeitos a uma captura cognitiva, põem de parte a análise objetiva e os ensinamentos da ciência económica substituindo-a por afirmações de euforia com base em dados isolados e seleccionados.
E quem não concorde com eles ou é silenciado nos media, ou então se tem a sorte de ter acesso alguma vez a eles, é impedido de falar como me aconteceu no programa da SIC “Negócios da semana” de JGF (interrupções continuas impedindo de desenvolver qualquer raciocino até ao fim, o que não se verificou com o outro participante - Pais Antunes – sendo a justificação depois dada por JGF que não o interrompia porque ele estava de acordo com JGF). Mas se a “recuperação da economia” fosse verdade por que razão se mantém o enorme aumento de impostos em 2014, se cortam salários e pensões, se corta no SNS, na educação e nas prestações sociais em 2014? Interessa, por isso, analisar de uma forma fundamentada e objetiva a “recuperação da economia” do governo utilizando os próprios dados oficiais. É o que vamos procurar fazer

PORTUGAL É UM PAÍS ONDE A RIQUEZA PRODUZIDA CONTINUA A DIMINUIR

Contrariamente ao que pretendem fazer crer o governo e os seus defensores nos media, em
2013 a riqueza produzida, medida pelo PIB, continuou a diminuir como mostra o gráfico 1.

Gráfico 1 – Evolução do PIB no período da “troika” e do governo PSD/CDS
146.000
148.000
150.000
152.000
154.000
156.000
158.000
160.000
162.000
164.000
2010 20111 2012 2013

PIB a preços constantes de 2006 Milhões €
PIB a preços constantes de 2006 Milhões €

FONTE: INE e previsões do governo e do Banco de Portugal para 2013
A quebra do PIB verificou-se também em 2013, ano de “recuperação económica”. A previsão
do governo para 2014 é uma subida do PIB de apenas 0,8% (a OCDE prevê 0,4%), ou seja, a
estagnação económica E mesmo este crescimento reduzido não tem em conta todos os
efeitos recessivos do corte brutal da despesa pública (salários, pensões, etc.) em 2014.

DADOS DO BANCO DE PORTUGAL DE 2014 NÃO CONFIRMAM A RECUPERAÇÃO ECONÓMICA CONSISTENTE ANUNCIADA PELO GOVERNO

Dados dos “Indicadores de conjuntura” divulgados pelo Banco de Portugal em Janeiro de
2014, revelam que a situação é diferente daquela que se pretende fazer crer.

Quadro 1- Os últimos indicadores de conjuntura do banco de Portugal

VARIAÇÃO EM RELAÇÃO AO TRIMESTRE HOMÓLOGO DO ANO ANTERIOR PERÍODO
Taxa de utilização da capacidade produtiva da indústria transformadora

FBCF
(Investimento)
Produção industrial
(não inclui
construção)
Emprego
Procura
interna
Procura externa
liquida (E-I)
4ºTrim.2012 73,0% -4,8% -3,3% -0,7% -1,9% 1,2%
1ºTrim. 2013 74,0% -5,6% -2,2% -1,0% -1,8% 0,9%
2º Trim. 2013 74,0% -3,5% -0,9% -1,0% -0,9% 0,7%
3º Trim. 2013 73,0% -2,5% -1,1% -0,8% -0,6% 0,2%
4º Trim. 2013 73,0%

FONTE - Indicadores de Conjuntura - nº 1, Janeiro de 2014 - Banco de Portugal
Pág. 2

Como revela o Banco de Portugal a taxa de utilização da capacidade produtiva da indústria é
baixa e não tem aumentado (73% no 4º Trim.2013); o investimento, a produção industrial e a
procura interna continuou a diminuir mesmo no 3º Trimestre de 2013, portanto num trimestre
que, segundo o governo e os seus defensores, é já de “recuperação económica”. A procura
externa líquida (Exportações menos Importações), “o motor do milagre económico” do
governo, tem apresentado valores cada vez mais reduzidos desde o 4º Trimestre de 2012,
sendo o valor do 3º Trim.2013 superior ao do 3º Trim.2012 apenas em 0,2%.

O CONSUMO DAS FAMÍLIAS, O INVESTIMENTO E PROCURA INTERNA CONTINUARAM A CAIR EM 2013 SEGUNDO TAMBÉM O INE

O consumo das famílias, que determina o seu nível de vida, assim como o investimento, bem
como a procura interna fundamentais para a recuperação da economia portuguesa
continuaram a cair em 2013 como revelam os dados do INE constantes do quadro 3

Quadro 3- Consumo das famílias, investimento e procura interna – em volume a preços constantes de 2006 – 2012/2013

Anos Trimestres
Despesa consumo
total das Famílias
Milhões €
FBCF
(Investimento)
Milhões €
Procura interna
Milhões €
PIB a preços
constantes de 2006
2012 1º+2º+3º 72.875,70 19.247,60 118.305,00 117.607,50
2013 1º+2º+3º 71.064,70 17.610,50 114.173,00 114.837,90
Variação em % -2,5% -8,5% -3,5% -2,4%
Variação em Milhões € -1.811,00 -1.637,10 -4.132,00 -2.769,60

FONTE: Contas Trimestrais -3º Trim.2013 - INE

Se compararmos o consumo das famílias, o investimento e a procura interna em volume
(preços de 2006) nos três primeiros trimestres de 2013 com o de igual período de 2012,
concluiu-se, segundo o INE, que o de 2013 foi inferior ao de 2012 nos seguintes montantes: o
consumo das famílias caiu em 1.811 milhões € (-2,5%; entre 2010/2012 já tinha diminuído
8,5%); o investimento diminuiu em 1.637,1 milhões € (-8,5%); e a redução na procura interna
atingiu 4.132 milhões € (-3,5). Estes dados oficiais mostram que ainda não se verifica uma
verdadeira “recuperação económica” tão apregoada pelo governo e seus defensores.
E isto até porque a procura externa, tão valorizado pelo governo e seus defensores para
recuperar a economia, começa a revelar sérias dificuldades. Na pág. 5 dos “Indicadores de
conjuntura “ divulgados em Janeiro de 2014, a propósito do “milagre das exportações” o
Banco de Portugal refere o seguinte: Em termos acumulados, desde o início do ano de 2013,
“as exportações e as importações, excluindo os combustíveis, aumentaram 1,8% e 1,1%
respetivamente”. E se a analise tiver como base Nov.2013, portanto um mês em que,
segundo o governo, já se verificou a recuperação da economia, o Banco de Portugal refere
que “as exportações e as importações, excluindo os combustíveis, aumentaram 2,7% e 5,1%
respetivamente”, portanto o crescimento das importações foi quase o dobro do aumento das
exportações. Isto mostra, como tínhamos alertado, que a redução do défice externo não é
estrutural, basta uma pequena alteração conjuntural – neste caso a substituição da frota de
viaturas pelas empresas - para alterar a situação.

O DESEMPREGO REGISTADO DIMINUI DEVIDO À EMIGRAÇÃO DOS MAIS QUALIFICADOS

Um dos indicadores utilizados pelo governo e defensores na sua campanha de manipulação é
o desemprego registado divulgado todos os meses pelo IEFP. Mas analisemos por que razão
o desemprego registado está a diminuir. Observe-se os dados do quadro 2

Quadro 2- Variação do desemprego registado nos últimos dois meses de 2013

DESEMPREGO REGISTADO MÊS/ANO
Total Com ensino básico
ou menos
Com o
secundário
Com ensino
superior
Longa duração
(>=1ano)
Com mais
de 25 anos
Nov/13 692.013 433.135 163.235 95.649 321.911 598.592
Dez/13 690.535 435.772 161.354 93.409 322.985 601.039
Variação. -0,2% +0,6% -1,2% -2,3% +0,3% +0,4%
FONTE: Informação mensal do mercado de emprego - Nº 12 - IEFP
Entre Novembro e Dezembro de 2013, o desemprego registado diminuiu em 0,2%, no entanto
essa redução fez –se à custa da redução do numero de desempregados inscritos nos centros
de emprego com o ensino secundário e superior, precisamente aqueles que estão a emigrar
em massa. O número de desempregados inscritos nos centros de emprego com o ensino

 Pág. 3
básico ou menos, assim como o desemprego de longa duração e os desempregados com
mais de 25 anos, continuam a aumentar.

UMA PARCELA CADA VEZ MENOR DA RIQUEZA VAI PARA OS TRABALHADORES, AS DESIGUALDADES AUMENTAM COM A CRISE, E OS OBSTÁCULOS AO CRESCIMENTO AGRAVAM-SE

As desigualdades na repartição primária da riqueza criada estão a aumentar, como mostram
os próprios dados do Eurostat constantes do quadro 4.

Quadro 4- A parte das remunerações e dos salários no PIB (repartição primária do rendimento)
% do PIB

ANOS REMUNERAÇÕES
(Inclui contribuições das empresas
para a Segurança Social)

SALÁRIOS
(Não inclui contribuições das
empresas para a Segurança Social)

Excedente Bruto

Exploração (EBE)
(Reverte para as Empresas)
2010 50,2% 38,9% 37,90%
2011 49,8% 38,5% 38,10%
2012 48,1% 37,1% 39,90%
2013 47,4%
2014 47,0%
Variação -6,4% -4,6% +5,3%
FONTE: Eurostat

Entre 2010 e 2014, ou seja, com o governo PSD/CDS e a “troika”, a parte que as
Remunerações, que inclui as contribuições patronais para a Segurança Social, representam
do PIB diminuiu de 50,2% para apenas 47%, ou seja, sofreu uma redução de 6,4% (-3,2
pontos percentuais), e os Salários, que já não inclui as contribuições dos empregadores,
também registou uma forte redução pois, entre 2010 e 2012, passou de 38,9% para apenas
37,1% do PIB. Durante o mesmo período (2010/2012) o Excedente Bruto de Exploração, que
reverte para as empresas, aumentou de 37,9% para 39,9% do PIB, sendo já superior à
percentagens que os Salários representam do PIB. Uma rápida redistribuição da riqueza
verificou-se em Portugal no período 2010-2012 em prejuízos dos trabalhadores e também nos
anos seguintes, o que contribuiu para agravar ainda mais as desigualdades em Portugal.
Esta redução importante na parte das remunerações no PIB, que está a determinar o
empobrecimento dos trabalhadores, é confirmada também pela evolução dos custos do
trabalho em Portugal. Os dados do quadro 5, divulgados pelo Eurostat, confirmam também a
redução de salários e o empobrecimento dos trabalhadores no nosso país
Quadro 5- Variação do índice dos custos de Trabalho em Portugal e na U.E.27,
ÍNDICE DO CUSTO MÃO ANO/Trimestres DE OBRA (2008=100)
EU-27 países PORTUGAL
2010- 4º Trimestre 105,0 105,1
2011- 4º Trimestre 107,4 98,8
2012- 4º Trimestre 109,1 92,9
2013-3º Trimestre 110,2 91,3

VARIAÇÃO 2010/2013 +5,0% -13,1%
FONTE: Eurostat

Entre o 4º Trim.2010 e o 3º Trim.2013, ou seja após entrar em funções o governo PSD/CDS e a “troika”, o Índice do custo do trabalho em Portugal diminuiu 13,1%, enquanto na EU-27
aumentou 5%. E como mostra o quadro o valor do 3º Trim.2013 é inferior ao do 4º Trim.2012,
o que prova que esta redução destes custos, que têm como base uma redução de
remunerações (segundo o Banco de Portugal, as remunerações do trabalho diminuíram 1,6%em 2011 e
7,2% em 2012), continuou em 2013. Interessa referir que os custos do trabalho em Portugal em
2013 já são bastante inferiores aos de 2008 (-8,7%).
No entanto, estes dados ainda não traduzem de uma forma rigorosa e completa a redução
dos rendimentos dos trabalhadores, porque eles ainda dizem respeito à repartição primária do
rendimento. Baseiam-se nas remunerações ilíquidas, antes de ser deduzido o IRS e outros
impostos e os descontos para a Segurança Social, CGA, ADSE, ADM e SAD. Para ficar claro
como a política fiscal tem sido utilizada pelo governo para fazer uma redistribuição do
rendimento em beneficio dos rendimentos do capital e propriedade basta referir o seguinte.
Segundo o Relatório do O.E-2014, as receitas fiscais totais aumentaram, entre 2012 e 2013,
2.276 milhões € (de 32.627M€ para 34.903M€), mas as receitas de IRS subiram 2.776
milhões € (de 9.235M€ para 12.011M€), ou seja, cresceram mais do que as receitas fiscais
totais. O IRS também serviu para compensar quebras de receitas verificadas em outros impostos.


pág. 4

E segundo o Ministério das Finanças, cerca de 90% dos rendimentos sujeitos a IRS têm como
origem rendimentos do trabalho e pensões, cabendo aos restantes rendimentos (propriedade,
capital) menos de 10% dos rendimentos sujeitos a IRS .Fica assim claro como a politica fiscal está
a ser utilizada por este governo e pela “troika” para fazer uma redistribuição a favor dos detentores
do capital e da propriedade após a repartição primária do rendimento que é já profundamente
desfavorável aos trabalhadores. Os mais ricos (muito menos de 1% da população) já
conseguiram, apesar da crise, reconstituir as suas fortunas. A provar isso está a valorização das
ações em bolsa. Entre Dez.2010 e Dez. 2013, segundo a CMVM, o valor das ações das empresas
cotadas na bolsa subiu de 193.224 milhões € para 229.285 milhões €, o que determinou que os
seus proprietários vissem as suas fortunas aumentar em 36.061 milhões € (21,7% do PIB). É por
esta razão que “Américo Amorim recuperou a liderança entre os 25 mais ricos em Portugal”. Os
mais ricos já recuperaram da crise, e já são até mais ricos do que eram antes da crise, até porque
a maior parte da sua riqueza está em ações e outros títulos. Como afirma Joseph Stiglitz, premio
Nobel da economia, em “O Preço da desigualdade”, a desigualdade reduz a procura agregada
pois a propensão de consumo dos ricos é baixa em relação ao elevado rendimento de que se
apropriam e “sociedades demasiadamente desiguais não funcionam com eficiência, e as suas
economias não são nem estáveis nem sustentáveis a longo prazo. Quando os mais ricos usam o
seu poder politico para beneficiar em excesso as suas empresas, as muito necessitadas receitas
são desviadas para os bolsos de poucos, em vez de beneficiarem a sociedade em geral” (pág.
152). Em Portugal as desigualdades na repartição do rendimento são tão graves que constituem
um obstáculo ao crescimento económico e ao desenvolvimento, e vão-se agravar mais em 2014,
com cortes brutais nos salários, nas pensões, nas prestações sociais, na educação e na saúde
(3.100 milhões € de corte na despesa pública) que o governo pretende fazer, o que, ao reduzir a
procura agregada, poderá matar à nascença quaisquer sinais de recuperação económica.

A DIVIDA PUBLICA CONTINUOU A CRESCER EM 2013 E TORNA-SE MAIS INSUSTENTÁVEL

Durante o programa da SIC “ Negócios da Semana” em que participei, José Gomes Ferreira,
um empenhado defensor da politica de austeridade do governo e da “troika”, numa das suas
interrupções frequentes, afirmou que em 2013 se tinha verificado também uma inversão do
endividamento público. Comparemos esta afirmação de JGF com dados do próprio governo
constantes do 1º orçamento retificativo do OE-2014.constantes do quadro 6

Quadro 6 – Evolução da Divida Pública durante o governo PSD/CDS e “troika” – 2010/2013
DIVIDA PÚBLICA (ótica ANOS de Maastricht)

Em % PIB Milhões €
2010 94,0% 162.487
2011 108,2% 185.159
2012 124,1% 204.897
2013 127,8% 211.354
Variação- Milhões € +48.867
Variação em % +36,0% +30,1%
FONTE: Relatório ao 1º orçamento retificativo de 2014 e INE

Em 2010, antes da “troika” chegar e do governo PSD/CDS entrar em funções, a divida pública era de 162.487 milhões € (94% do PIB). Três anos de “troika” e de governo PSD/CDS fizeram subir a divida pública para 211.354 milhões € (mais 48.867 milhões €) o que corresponde a 127,8% do PIB de 2013 (entre o 2ºTrim. 2013 e o 3ºTrim.2013, verificou-se uma redução, mas a tendência, como se vê, é de aumento). Mesmo este valor não traduz a totalidade da divida das
Administrações Públicas, pois há uma parcela importante desta que não é considerada naquele
total. Segundo o Banco de Portugal, a divida das Administrações Públicas atingia, já em Agosto-
2013, 254.636 milhões € o que correspondia a 155,2% do PIB; quando em Dez.2010 era 107,5%
do PIB. Portugal termina (?) o período de intervenção da “troika” com um pesadíssimo fardo de
divida que impede qualquer crescimento sustentado. E de acordo com o Pacto Orçamental,
aprovado na Assembleia da República pelo PS, PSD e CDS”, Portugal assumiu o compromisso de
a reduzir de 127,8% para 60% num prazo de 20 anos (artº 4º), o que significa uma redução 3,4
pontos percentuais por ano (quase 6.000 milhões € por ano), a que se junta uma outra obrigação
constante do artº 1º do Pacto, que é a redução do défice estrutural para -0,5% (em 2013, era -
3,5%). Se estas condições draconianas não forem alteradas Portugal estará condenado à
estagnação económica, ao definhamento e ao empobrecimento. Falar neste contexto concreto, e
sem que se altere significativamente o quadro atual, de recuperação da economia, e sugerir que
ela possa ser sustentável, é não entender como funciona a economia ou então só pode ser com
intuito claro de enganar a opinião pública e os portugueses. É tomar a árvore pela floresta e não
entender nada da situação atual.

Eugénio Rosa – Economista – edr2@netcabo.pt – 23-1-2014