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Esta só me chegou bem depois das eleições para o PE... (pelo que já não altera o resultado eleitoral).
Em todo o caso, suspeito que deve ser mais uma dessas "fake news" contra o partideco coqueluche dos animaizinhos de peluche. - Eu só acredito mesmo quando vir a factura descriminada das iguarias consumidas pelos bravos militantes do PAN, pois que o facto de a malta ir a um restaurante com esses menús, isso não quer dizer nada... Em algum lado o pessoal tem de pastar, e decerto que o "Calça Curta" também deve servir umas belas saladinhas de beldroegas e tomates...
Assim como assim, um dia destes vou por lá almoçar e tentar saber qual foi o re-pasto destes herbívoros urbanóides ;-)
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terça-feira, 11 de junho de 2019
quinta-feira, 17 de janeiro de 2019
PARTIDOCRACIA - o verdadeiro cancro na "democracia" tuga
Sempre certeiro, aqui afixamos, na praça cá da Aldeia, mais este escrito de Paulo de Morais - sem comentários:
A partidocracia destrói a democracia
Paulo de Morais
(Presidente da Frente Cívica)
Criados para representar as diferentes visões da sociedade,
ao serviço do eleitorado, os partidos políticos estão em fase acelerada de
degenerescência. São
habitados por elites políticas que esqueceram os cidadãos e tudo fazem agora
para manter os privilégios de que se foram apropriando. São os
principais responsáveis pela abstenção, pelo desinteresse crónico pela política
e pela crise da democracia.
O principal objectivo dos maiores partidos portugueses é, na
verdade, manterem-se na esfera do poder, partilhar negócios de Estado com os
grupos económicos de que são instrumento e garantir emprego aos muitos milhares de apaniguados, os
militantes partidários e seus familiares.
O seu primeiro
desígnio é eliminar a concorrência. Instalados no poder, os partidos do sistema
(PSD, PS, CDS, Bloco e PC) garantem o exclusivo das candidaturas ao Parlamento,
para que personalidades independentes não possam ter assento na Assembleia da
República. Não permitem a entrada no seu feudo parlamentar de independentes,
obstaculizam o acesso a novos partidos. Para beneficiar os maiores, permitem-se
violar o princípio da proporcionalidade, que a Constituição exige: em 2015, um
deputado do PSD ou do PS foi eleito com 20 mil votos, mas já o Bloco de
Esquerda e o Partido Comunista necessitam para a sua eleição cerca de 30 mil
votos. Além do mais, impedem que outras forças políticas tenham acesso ao
Parlamento, apesar de algumas delas terem recebido muitos mais votos do que os
20 mil que elegem cada um deles.
Os partidos nem sequer cumprem a lei, em múltiplos aspectos,
o mais escandaloso dos quais é o desrespeito pela legislação de financiamento
político. São recorrentemente condenados, multados pelo Tribunal
Constitucional; mas sem quaisquer consequências, porque o Estado sempre permite
a prescrição, no tempo, das sanções que aplica. Estes partidos garantem ainda,
apenas para si próprios, financiamentos de Estado permanentes. Usufruem de
subsídios públicos de todo o tipo, com os quais mantêm uma máquina de
propaganda, ilegítima fora de períodos eleitorais. Só em Portugal há, em
permanência, propaganda partidária nas ruas, uma forma de lavagem cerebral
sistemática. Utilizam até o domínio público como propriedade sua: são aos
milhares os pequenos cartazes ilegais, degradados, apensos a candeeiros
públicos, de propaganda ao Bloco de Esquerda e do Partido Comunista. Este lixo
urbano deveria ser removido pelas câmaras, o que não acontece, porque os
partidos estão acima da lei.
Agarrados como lapas ao Estado, os dirigentes partidários
distribuem benesses e privilégios pelas empresas que os financiam e para as
quais vão mais tarde como assalariados. Foi o que sucedeu com as ruinosas
parcerias público-privadas rodoviárias, cujo maior agente foi a MotaEngil, que
acabou a albergar quase todos os ex-governantes do sector das obras públicas:
de Jorge Coelho a Seixas da Costa, do PS, a Valente de Oliveira e Ferreira do
Amaral, do PSD. O mesmo fenómeno de promiscuidade entre política e negócios
marcou a onda de privatizações ao desbarato, manipuladas por políticos que hoje
recebem tenças milionárias nas empresas que os próprios partidos privatizaram.
O socialista Luís Amado preside à privatizada EDP, assessorado pelo
social-democrata António Mexia e pela centrista Celeste Cardona. Para presidir
à privatizada ANA, foi designado o ex-ministro José Luís Arnaut. A lista dos
políticos de negócios é interminável, neste infernal sistema de portas
giratórias que coloca o Estado ao serviço de interesses privados.
Além de negócios e rendas milionárias, os partidos garantem a sobrevivência económica
dos seus apoiantes através da atribuição de muitos milhares de empregos.
Usam, para este fim, a
administração central, as autarquias, as empresas municipais, os institutos
públicos. Transformaram-se mesmo na maior agência de emprego do país. Assim, os
partidos tudo fazem para manter o statu quo: controlam o sistema eleitoral,
impedem a apresentação de alternativas, violam leis, utilizam recursos públicos
em seu proveito, manipulam a opinião pública, enxameiam as televisões com
comentadores facciosos, censuram todo o discurso contraditório. Ameaçados pelo
desmoronar das bases democráticas, preferem apelidar de populista qualquer alvo
em movimento, do que realmente regenerar a sua missão. Os partidos, que
deveriam ser a essência da democracia, estão a aniquilá-la.
in Público, 2019.01.17
quinta-feira, 25 de maio de 2017
Tachocracia, ou o mundo dos "boys"...
Há muito sabemos que "democracia" é a ditadura das maiorias. Só custa endrominar uns papalvos (gestão das expectativas dos ditos) para "chegar lá". Depois, porque "fomos escolhidos pelo povo", há que alimentar o "polvo". Aí vem a factura. O "apoiozinho" tem os seus custos. Há que promover "os nossos". Os "nossos" boys"/"girls", irmãos, primos, sobrinhos, parentes, afilhados, amigos, amigos de amigos, mas como não há merenda para tanta rapaziada que andou em campanhas e caravanas (por nós, claro!), há que se ser selectivo. Primeiro os que rendem mais votos e os "filhos de algo", os da nomenklatura social que se torna reinante... Por vezes, vai-se aquecendo o tacho na base de uns "estágios" temporários, na base do provisório que depois se passa a definitivo, sobretudo se ninguém diz nada. Claro que não há para todos, por isso depois faz-se a selecção com base nos tais critérios.
Seleccionar e recrutar com base no que é investimento necessário, de acordo com a transparência e mérito de cada um, sem se olhar a colorações ou filiações, neste tipo de "democracia" tuga, é uma utopia. Acreditar nisso, é o mesmo que acreditar no Pai Natal...
Andamos fartos de saber disto, mas...
... mas quando isto é dito com base em dados e referências, ganha outros foros. Aqui vos fica:
Seleccionar e recrutar com base no que é investimento necessário, de acordo com a transparência e mérito de cada um, sem se olhar a colorações ou filiações, neste tipo de "democracia" tuga, é uma utopia. Acreditar nisso, é o mesmo que acreditar no Pai Natal...
Andamos fartos de saber disto, mas...
... mas quando isto é dito com base em dados e referências, ganha outros foros. Aqui vos fica:
Cartão partidário? A garantia de uma carreira de
futuro
25 Maio 2017
- Cristas foi
a ministra que nomeou mais pessoal partidário
- PSD: CRESAP
não quis impedir ligações dos cargos aos partidos
- Bilhim não
“augura coisa boa” à CRESAP porque Governo “deixa andar”
- Governo diz
que está a avaliar a eficácia da CRESAP
- Os mais
escolhidos? Políticos. E homens
Se o objetivo era diminuir a influência dos partidos
no Estado, a Comissão de Recrutamento e Seleção da Administração
Pública não conseguiu evitar o favorecimento aos dirigentes da cor do Governo.
Um estudo do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas demonstra que
esta entidade independente não conseguiu travar a tendência histórica de
colonização do Estado pelos aparelhos partidários. Uma tese sobre o mérito na
administração pública, a que o Observador teve acesso — e que está à espera de
publicação na revista científica daquela faculdade — demonstra que possuir
cartão partidário aumenta de forma exponencial as probabilidades de nomeação.
Metade dos militantes do PSD e do CDS que chegaram às short-lists dos
concursos daquela comissão foram nomeados durante o Governo de Pedro Passos
Coelho e Paulo Portas.
Na passada legislatura, dos 62 militantes do
CDS cujos nomes chegaram à mesa dos ministros como tendo currículo adequado, 36
foram escolhidos para os cargos a que se propunham nos concursos da
Comissão de Recrutamento e Seleção da Administração Pública (CRESAP). Isto
significa que foram nomeados mais de metade dos centristas a chegar às short-lists finais,
entregues aos governantes com os três nomes mais bem colocados após os
concursos. A percentagem de 58% de militantes do CDS nomeados é mesmo superior
à dos filiados no PSD, o maior partido da coligação do Governo. No caso dos
sociais-democratas, dos 119 que passaram às short-lists, 58 ficaram
com os lugares, o que representa a nomeação de 48,7% dos candidatos laranja que
chegaram à fase final dos concursos.
A diferença é enorme quando estes valores são
comparados com os dos militantes do PS que nos concursos passaram à
finalíssima. Apenas 19 dos 102 nomes socialistas que tinham um currículo
considerado adequado pela CRESAP — e que também foram aprovados na fase da
entrevista — acabaram por ser nomeados. Ou seja, só 18,6% dos filiados
no PS que chegaram às short-lists foram selecionados como
dirigentes na administração pública pelo Governo PSD/CDS.
A
vantagem de estar, como candidato, do lado do poder, percebe-se ainda melhor
quando se analisam os resultados dos concursos a que se apresentavam
independentes. Foram nomeadas 139 pessoas sem militância identificada pelo
estudo, num universo de 468 independentes que chegaram às short-lists: a percentagem é de 27,9% de independentes
designados. O número absoluto é mais elevado que o do pessoal partidário, mas
os independentes nem chegam a ser um terço dos escolhidos em relação aos que
concorreram.
O estudo, intitulado “Mérito e administração pública: a CRESAP e a escolha dos altos dirigentes”, também indica a existência de uma “discriminação” em relação às mulheres e conclui que “existe uma ampla discricionariedade na nomeação por parte dos responsáveis governamentais”. Trata-se de uma tese de licenciatura de Carina Correia, orientada pelo professor Joaquim Croca Caeiro, no âmbito do curso de Administração Pública. Segundo a autora do trabalho, “é no momento da nomeação que os membros do Governo, usando do seu poder
discricionário, promovem a nomeação dos candidatos que integram a sua cor política”.
Isto mostra que o modelo de seleção dos dirigentes da administração pública ainda tem “algumas falhas”: a CRESAP envia uma short-list com três nomes ao ministro que deve fazer a nomeação e que, em grande parte dos casos, escolhe aquele que é “da sua cor política”, com predomínio para o género masculino. Joaquim Croca Caeiro foi também ele nomeado vogal do Conselho Diretivo do Instituto da Segurança Social e era na época militante do PSD. Mais tarde sairia do PSD, mas na altura foi um dos nomeados com ligação partidária.
Este trabalho confirma a tendência identificada pela investigação do Observador publicada esta segunda-feira, sobre a partidarização dos dirigentes da Segurança Social e do Instituto do Emprego e da Segurança Social: há uma colonização do Estado e uma alternância quase perfeita de militantes do PS, PSD e CDS nas estruturas de topo e intermédias.
(continua)
Vale a pena ler o resto, aqui, no "insuspeito" Observador:
http://observador.pt/especiais/cartao-partidario-a-garantia-de-uma-carreira-de-futuro/
O estudo, intitulado “Mérito e administração pública: a CRESAP e a escolha dos altos dirigentes”, também indica a existência de uma “discriminação” em relação às mulheres e conclui que “existe uma ampla discricionariedade na nomeação por parte dos responsáveis governamentais”. Trata-se de uma tese de licenciatura de Carina Correia, orientada pelo professor Joaquim Croca Caeiro, no âmbito do curso de Administração Pública. Segundo a autora do trabalho, “é no momento da nomeação que os membros do Governo, usando do seu poder
discricionário, promovem a nomeação dos candidatos que integram a sua cor política”.
Isto mostra que o modelo de seleção dos dirigentes da administração pública ainda tem “algumas falhas”: a CRESAP envia uma short-list com três nomes ao ministro que deve fazer a nomeação e que, em grande parte dos casos, escolhe aquele que é “da sua cor política”, com predomínio para o género masculino. Joaquim Croca Caeiro foi também ele nomeado vogal do Conselho Diretivo do Instituto da Segurança Social e era na época militante do PSD. Mais tarde sairia do PSD, mas na altura foi um dos nomeados com ligação partidária.
Este trabalho confirma a tendência identificada pela investigação do Observador publicada esta segunda-feira, sobre a partidarização dos dirigentes da Segurança Social e do Instituto do Emprego e da Segurança Social: há uma colonização do Estado e uma alternância quase perfeita de militantes do PS, PSD e CDS nas estruturas de topo e intermédias.
(continua)
Vale a pena ler o resto, aqui, no "insuspeito" Observador:
http://observador.pt/especiais/cartao-partidario-a-garantia-de-uma-carreira-de-futuro/
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