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terça-feira, 5 de novembro de 2013

A formulação caseira do "Tea Party"

Por ser uma interessante reflexão sobre o que se está a passar - por importação canhestra e caseira do modelo americano, aqui vos fica, com sublinhados nossos.
Aguardamos o vosso comentário:

«Opinião
O Tea Party está furtivamente entre nós

Uma direita de valores e uma esquerda séria não são incompatíveis com uma sociedade solidária
Eduardo Oliveira e Silva

Situa-se entre a direita liberal do PSD e o PP, mas não abrange os resistentes da social-democracia e os do velho CDS. Tem obviamente assento no governo, no parlamento e em nichos da sociedade portuguesa. Tem adeptos entre comentadores, jornalistas e em grupos económicos de natureza financeira. Entre nós é um movimento inorgânico, e foi assim que nasceu nos Estados Unidos.
Por cá chegou a haver uma tentativa de implementar um embrião adaptado do pensamento Tea Party, com o nome Missão Portugal. Os seus líderes perderam entretanto boa parte da postura triunfal com a chegada da crise económica, passando a sua actuação a ter menos a ver com o triunfo das empresas de serviços e mais com aspectos ideológicos de uma estratégia de destruição de funções do Estado. O fim é transformá-lo apenas numa entidade básica de assistencialismo para os desvalidos, enquanto as suas responsabilidades comerciáveis são transferidas para um sector privado que já domina ideologicamente parte da administração pública, a classe política e o poder executivo.
Há porém uma diferença grande entre o nosso Tea Party e o dos Estados Unidos. O de lá é coerente em termos de impostos. Quer uma redução e um Estado minúsculo, salvo objectivamente nas funções de defesa. Cá, os protagonistas também querem mas não sabem como chegar lá por via do crescimento e por isso arranjam um meio-termo impossível. Tentam uma espécie de quadratura do círculo. Exigem menos Estado mas aumentam sistematicamente os impostos directos e indirectos, rebentando as classes média baixa, média e média alta, que pagam o apetite pantagruélico dos negócios feitos à conta do orçamento do país.

Querem um Estado que se reduza ao assistencialismo e em que cada um trate de si, mas não abdicam do modelo contributivo através de impostos, cortes em pensões e descontos para a Segurança Social.
Basta pegar no guião da reforma do Estado de Portas, olhar para o Orçamento do Estado e ouvir os discursos de certos políticos para perceber que há uma tentativa de inverter toda a construção social e aproximá-la dos modelos do tipo “salve-se quem puder” que se praticam nos Estados Unidos, que se procuram na Inglaterra de Cameron e que pululam na Ásia, em África e na Índia, mas que a Europa, salvo a Rússia e seus satélites, persiste em recusar em nome de um projecto solidário cristão ou social-democrata.

No entanto, aos poucos e sub-repticiamente, a sociedade está a mudar a pretexto da crise. Todos os dias é dado mais um passo num caminho mais liberal, mais individualista, mais selvático, construído com base na especulação e na mera circulação do dinheiro, desconhecendo e ignorando valores sociais profundos como o emprego, a educação, as funções de soberania do Estado, a saúde pública e a existência de empresas e grupos de referência de um colectivo chamado Portugal, sempre com o argumento único e primário de que não há alternativa.
Uma direita de valores ou uma esquerda séria não são incompatíveis com a defesa de uma sociedade solidária, mas a atracção por modelos de capitalismo especulativo e ferozmente individualista pode destruir o nosso modelo social para que só uns quantos fiquem bem.

in: Jornal i 2013.11.02

terça-feira, 8 de outubro de 2013

E havia dúvidas????

Ora tomem lá!... Os coelhos negros, passos a passos, lá voltam a sair da cartola do (des)Governo, neste período pós eleitoral (autárquico). - É que saíssem antes, pior era o rombo (a nível nacional, pois que a nível cá da Aldeia, pensamos que ia dar ao mesmo...).

E, em poucos dias, foram logo dois coelhos que estavam escondidos, se bem que com o rabo de fora:

1) Corte nas pensões de sobrevivência dos(as) idosos(as):
Austeridade - Viúvas vão sofrer mais com corte nas pensões
A não implementação da chamada TSU dos pensionistas fez, em contra partida, uma nova ‘vítima’. Os viúvos, que recebem uma pensão de sobrevivência, que em média ronda os 250 euros, vão receber um corte de 5% neste apoio. A maioria são mulheres, com 80 ou mais anos, escreve o jornal i. 
2) Extinção de quase metade das repartições de Finanças, a nível nacional, e 75% no distrito de Bragança (onde fica a nossa Aldeia):
PSD-Bragança quer que o Governo clarifique se vai fechar 9 das 12 repartições de Finanças do distrito
07/10/2013 - 15:09
Segundo o mapa da reorganização de serviços publicado pelo Diário de Notícias nesta segunda-feira, os serviços tributários do distrito de Bragança só se mantêm em Mirandela, Vila Flor e Bragança.

Esperem mais uns dias pelo resto... 
A seguir virão os Despedimentos na Administração Local = mais Desemprego para o Interior, mais Desertificação, mais gente a ter de emigrar.... E desenganem-se esses que andaram nas caravanas do buzinão e a quem terão prometido uns tachitos à maneira do antigamente... "o mundo mudou", dirá o autarca eleito, como o ia já dizendo o antecessor... "É uma chatice, ninguém estava a contar com isto".... "isto é tudo culpa dos que deixaram o país assim, e agora temos que cortar, é uma chatice, mas tem de ser assim".... 
Só que certas medidas, anunciadas antes das eleições, seguramente podiam deitar muita coisa a perder...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Ainda sobre a nova "Solução Final" - acontece na Grécia, e não tardará aqui...

A propósito do post sobre a "Solução final" para a Função Pública, um nosso visitante fez-nos chegar este recorte, recentemente saído no Jornal de Aveiro (2013.01.07), pela pena de António Rocha. É mais um aviso sobre o novo nazismo ultra-neoliberal - já está a acontecer na Grécia, e, como ali se antecipa o que depois aqui acontece, preparemo-nos... Aqui fica:
 
Clicar para AMPLIAR
 
Se os caracteres não forem bem legíveis (trata-se de fotocópia digitalizada), pode ver aqui: