segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Ainda o "caso Giovani" e o(s) racismo(s)....



Anda por aí uma estória mui mal contada, aliás, contada "à la mode do politicamente correcto", cujo fim último é demolir o que resta da civilização ocidental convencional (ou seja, a dos europeus = brancos caucasianos, com um sistema de valores multissecular, ou seja, "o Monstro"!) - assim, as seitas do "multiculturalismo" e as suas "minorias" protegidas não perdem pitada para se atirarem ao tal "monstro", em grandes berros, mesmo quando as guerras, rixas ou "casos" envolvem, não as criaturas que englobam no "monstro", mas outras criaturas que fazem parte do seu jardim zoológico de estimação... 

- E quando a comunicação social do PC (= Politicamente Correcto) omite sempre (em nome dos códigos deontológicos) a tal "identidade étnica" dos meliantes, excepto no caso de se tratar de vítimas (preferencialmente se os agressores forem "brancos caucasianos", de imediato conotados com racistas, xenófobos, nazis, etc., prontamente generalizados para cerca de dez milhões de filhos da puta de tugas descendentes dos colonialistas exploradores e escravizadores = O Monstro), mas, helás!, se os agressores forem de uma outra minoria protegida, dos tais que agridem polícias e médicas nos hospitais, dos que roubam e traficam droga à porta das escolas, enfim, se por acaso for algum destes... - sschiuuuu!.... biquinho caladinho quanto a isto, pois estes rapazes são gente boa, ou, no limite, quanto a estes não se pode generalizar, lá por haver um ou outro não se pode meter toda a gente no mesmo saco...

Enfim, é este o (i)mundo em que vivemos... E quando uma "civilização"(?) não se respeita nem se faz respeitar, dando sempre voz e razão ao Outro - e que Outro!!... - , enfim, já nem merece existir. - Por isso, venha a BARBÁRIE e tome conta desta merda toda!


Ora tomem lá (já que isto não sai nos jornais, nem nas televisões e, dizem-me, até foi bloqueado no Facebook):



A morte de Luís Giovani dos Santos Rodrigues, estudante cabo-verdiano, de 21 anos, da Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo do Instituto Politécnico de Bragança, em 20 de dezembro de 2019, na cidade de Bragança. tem sido mal contada. Por motivo da investigação policial? Não. Pois, de outro modo a polícia não se apressaria a informar os média que o crime “estava associado a um motivo fútil e não a ódio racial... Então, porque não se conta a história toda? Por o crime não se enquadrar na narrativa politicamente correta.

É morto um jovem cabo-verdiano numa cidade do interior portuguesa, Bragança, de Trás-os Montes. Racismo! [sublinhado nosso] - protestam o Bloco de Esquerda e o Livre. A narrativa da esquerda politicamente correta era simples: Giovani, um jovem cabo-verdiano, mulato, saíra há noite com amigos do Instituto Politécnico também cabo-verdianos e, no bar Lagoa Azul, um deles fora acusado de se ter metido com a namorada de um deles, tendo-lhe o presumido ofendido na honra e o seu conjunto mais numeroso feito no exterior uma espera, da qual resultou o homicídio de Giovani...

Porém, alegadamente, foi assim:
  1. Um amigo cabo-verdiano de Giovani foi empurrado propositadamente no bar Lagoa Azul, na cidade de Bragança, contra uma rapariga por um elemento de um grupo de rapazes ciganos [sublinhado nosso], que têm provocado desacatos na cidade.
  2. A rapariga não fazia parte do grupo dos rapazes ciganos [sublinhado nosso].
  3. Simulando ‘defender’ a honra da rapariga face ao rapaz cabo-verdiano, por um suposto apalpão, que não ocorrera, um outro rapaz cigano [sublinhado nosso] confrontou o presumido abusador.
  4. Um segurança do bar interveio e afastou-os.
  5. No exterior do bar, um grupo de cerca de quinze rapazes ciganos[sublinhado nosso], armados de paus, cintos e facas, fez uma espera ao grupo dos quatro rapazes cabo-verdianos.
  6. E o grupo de rapazes ciganos [sublinhado nosso]  começou a agredir o rapaz cabo-verdiano que havia sido vítima da armadilha do bar.
  7. Este, já por terra e encolhido para se defender das pancadas, gritou para os seus amigos fugirem.
  8. Porém, Giovani voltou para trás para pedir que parassem de bater no amigo e sucumbiu a uma paulada, vindo a  falecer já no hospital.
Alegadamente, um rapaz do Bangladesh já havia sido vítima de uma armadilha semelhante pelo mesmo grupo de rapazes ciganos [sublinhado nosso] .
Conclusões deste caso:
  1. O racismo tem várias cores e a xenofobia várias nacionalidades: há também um racismo cigano [sublinhado nosso], além do racismo branco, negro, amarelo, e de outras etnias culturais. E que fique claro que defendo a Declaração da Unesco “sobre a raça e o preconceito racial”, de 1978, na sequência da Declaração de 1950. E que falo de etnias em termos culturais; e não de raças, numa perspetiva antropobiológica que rejeito.
  2. O facto de uma pessoa, ou grupo, ser racista ou xenófobo não significa que toda a comunidade ou etnia sejam; o facto de o comportamento social de uma pessoa ou grupo ser imoral, abusivo, violento ou criminal, ou de coação e agressões em serviços públicos, não significa que toda a sua etnia ou segmento social seja. Portanto, não pode haver generalização. Tal como não pode ser ignorado, pela prevalência de problemas, num determinado grupo social, porque isso consiste num desprezo, numa discriminação negativa..
  3. Giovani e seus amigos foram vítimas de homicídio e agressões pelo facto de serem diferentes (são cabo-verdianos), menos (4 contra 15) e vulneráveis (não tinham paus nem facas, ao contrário dos agressores).
  4. Os governos não podem tolerar a violação da lei, independentemente da etnia ou nacionalidade dos abusadores e devem reempoderar as polícias para prevenir e reprimir o crime no cumprimento estrito da lei.
  5. Existe o que designei, há anos, de poder bélico civil, que tem de ser desarmado e reprimido, sem imunidade étnica, para prevenir crimes maiores. Ao tolerar, com complacência, a violação sistemática da lei, isentando pessoas do cumprimento dos códigos só por causa da sua pertença a um grupo étnico determinado como é o caso dos ciganos, e a ameaçar duramente quem arrisca a imposição da lei, os governos criam diretamente as condições para a ocorrência de crimes mais graves como o de Bragança.
  6. O roubo à mão armada, seja arma de fogo ou branca, tem de ser mais severamente reprimido e punido.
  7. A negligência do problema provoca o agravamento do abuso e do crime, da violência e da vingança, aumentando o racismo e a xenofobia.
Em suma, há necessidade de realismo e de responsabilidade governamental e política. Ninguém, e nada, deve ser desprezado para validar uma ideologia. Como é o exemplo nefasto do totalitarismo marxista relativista politicamente correto.


Nota: Este post foi emendado à 1:39 de 10-1-2019).


Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades mencionadas nas notícias que comento não são suspeitas ou arguidas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade e gozam do direito à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

Publicado por António Balbino Caldeira à(s) 19:07

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Dualidades do mundo a preto&branco e vice-versa...


Dois factos (crimes) recentes separados por curto intervalo de tempo, com simetria imperfeita:

1) Jovem morto no Campo Grande, Lisboa: «Pedro Fonseca, de 24 anos, filho de um inspetor-chefe da PJ reformado, foi morto com três facadas ao final da noite de sábado por três ladrões que o queriam assaltar, mas acabaram por fugir sem nada roubar.», in Correio da Manha, 6.01.2020; -  em nome do "sacrossanto politicamente correcto" não se diz a nacionalidade, nem cor ou etnia dos intervenientes, apenas que o falecido era filho de um polícia (Judiciária), o que já de si desculpa aqueles que, em linguagem do "passado", seriam apodados de "meliantes" (já que agora, em linguagem presente, polícia, seja "judite" ou "pula", é que é "meliante"). - Veio-se a saber posteriormente que os assassinos, aqui apenas tratados como "ladrões", uma actividade normal e corriqueira, lá pela Lísbia, quiçá até desculpável, face à injustiça da sociedade (leia-se, a dos bandidos dos brancos) face aos marginalizados (outrora dizia-se "marginais"), eram Guineenses (da chamada Guiné-Bissau). O caso, "banal", tratado como assunto de polícia, não deu azo, como seria de esperar, a pedidos de explicação à embaixada da Guiné-Bissau, nem se pediu qualquer expatriação dos "ladrões" (homicidas), certamente uns bons rapazes que passarão a ser uns heróis para os seus compatriotas por terem "limpo o sarampo" ao filho de um pula da judite (o que lhes deve dar mais pontos e cotação no currículo que já levam); 


  

2) Jovem estudante morto em Bragança: « No dia 21 de dezembro passado, o estudante cabo-verdiano do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) Luís Giovani dos Santos Rodrigues terá sido agredido por vários homens à saída de uma discoteca em Bragança.» - Jornal de Notícias, 5.01.2020. - Aqui, ao especificar-se que o rapaz era "cabo-verdiano", insinua-se de imediato que é um africano (logo, negro, pois um branco nunca pode ser considerado africano), sendo que, posteriormente, se soube que os agressores (a vítima não morreu logo, pelo que só depois, provada a relação dos factos, se podem considerar os agressores como homicidas), eram outros jovens, no caso, ao que parece, naturais de Bragança. Pois fossem os ditos agressores também africanos (= negros) não haveria problema de maior, nem teríamos pedidos de explicação da embaixada de Cabo-Verde, nem intervenções do Presidente da República de Cabo-Verde, nem da dirigente do PAICV, nem dos partidos todos da extrema-esquerda tuga, que inclui a famigerada deputada guineense Joacir-Katar e o inefável BE, com comunicados, vigílias e homenagens ao falecido, apresentado, ainda que subliminarmente, como uma vítima do racismo (mesmo que um dirigente associativo africano, em Bragança, tivesse negado este tipo de motivações), e, em última instância, da bárbara opressão e genocídio multissecular dos tugas em relação aos povos africanos. 
Pergunta o sr. deputado José Soeiro “se Giovani tivesse outra origem, não haveria já uma comoção nacional generalizada”?  ver aqui: https://www.esquerda.net/artigo/estudante-cabo-verdiano-barbaramente-assassinado-em-braganca/65215    - a resposta é-lhe dada em relação ao caso anterior (ver a nossa alínea 1) ): "outra origem" tinha Pedro Fonseca, e... chhiiiiiuuu!...... não se passou nada... foram só uns... "ladrões"... - não houve, no caso, "marchas de homenagem" em Lisboa, Porto e Coimbra, como o inefável BE, decerto de braço dado com as Joacires, vão promover ou já promoveram...

Eu vivi em Bragança há muitos anos e já então por lá havia uns bons meliantes (sim, brancos, mas a "meliância" não tem cor nem etnia!), os famosos da "bila", peritos em desacatos e agressões. Seriam, na altura, 0,001% da população de Bragança, e hoje não devem ser muitos mais. Estive perto de uma situação mais complicada, evitando a provocação de um desses rufias que até tinha um nome artístico que aqui não vou dizer por motivos óbvios. Safei-me porque nessa noite, no desaparecido café Cruzeiro, tinha as "costas quentes" por estar com um grupo de amigos e o rufia só estar com um compincha lingrinhas.


Mas agora aproveitar um caso de rixas urbanas para se erigirem bandeiras e mártires (só no caso da alínea 2), pois claro!! ), enfim, não há paciência... Depois admirem-se que alguém diga que já "Chega!"...



A propósito, aqui fica uma carta-aberta que mão amiga nos fez chegar (e enviada a quem de direito) e que não resistimos a afixar aqui na praça da nossa Aldeia:



Assunto: A/C Sra. Deputada Joacine Katar Moreira - A propósito de racismo e hipocrisia

Exma. Sra. Deputada Joacine Katar Moreira.

Tomei conhecimento do seu comunicado do passado Domingo, de repúdio pelo assassinato do cidadão cabo-verdiano, Luis Giovani dos Santos Rodrigues, em Bragança, acto sem dúvida condenável e  a merecer punição exemplar a quem o praticou.

Tenho, todavia, de perguntar à Sra. Deputada se também emitiu algum comunicado sobre o assassinato do jovem Pedro Fonseca no Campo Grande, ao que se julga saber à mão de 3 jovens de origem guineense.

Confesso ter tomado conhecimento apenas do comunicado referido no primeiro parágrafo e como estou habitualmente atento, quero acreditar que a Sra. Deputada se "esqueceu" de condenar o segundo assassinato antes mencionado.

Um "esquecimento" que merece uma séria e profunda reflexão da parte da Sra. Deputada, do Partido Livre, e dos restantes partidos representados no Parlamento e outros orgãos de soberania.

Considero muito perigosa a utilização destas desgraças em proveito de ideais políticos radicais, que mais não visam do que uma auto-promoção individual e/ou partidária.

Mas a Sra. Deputada não está isolada nesta matéria, pois ouvi ontem mesmo no Jornal da noite da TVI o ex-ministro Paulo Portas, que, ao que julgo saber, nem partilha propriamente dos mesmos ideais políticos que a Sra. Deputada, manifestar também o seu repúdio pela morte do jovem cabo-verdiano, mas, salvo falha da minha parte, nunca o ouvi lamentar também a morte do jovem Pedro Fonseca....

Enquanto cidadão, considero o aproveitamento político e mediático destas desgraças uma VERGONHA!

Existem neste país autoridades policiais para tratarem e para se pronunciarem sobre este tipo de matérias.

Foquem-se, pois, os políticos naquilo que é primordial: o desenvolvimento do país e a consequente melhoria das condições de vida dos cidadãos!

E deixemo-nos de insinuações hipócritas envolvendo a cor da pele dos afectados por acontecimentos trágicos, que mais não fazem do que contribuir para criar ambientes sociais hostis.

Cumprimentos
José Coelho Martins
968694315

Tirem as vossas conclusões.

Ti Zé d'Aldeia.






quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Um comentário ao discurso do Rei em início de ano

Mão amiga fez-nos chegar este comentário ao "discurso do rei" (rei da popularidade, entenda-se).
Mas como nem tudo é perfeito, nem imune à crítica, aqui fica:

«Exmo. Sr. Presidente da República,

Ouvi ontem atentamente o discurso de Ano Novo de V.Exa..

Não pude deixar de concordar com as prioridades apontadas por V.Exa: Saúde, Segurança, Coesão/Inclusão, Conhecimento e Investimento.

Qualquer cidadão razoável estará de acordo que as áreas em questão necessitam da máxima atenção por parte do Governo.

Contudo, o meu grau de exigência, leva-me a lamentar que V.Exa não tenha, pelo menos de uma forma (mais) explícita, abordado  a questão da moralidade e do exemplo que o Estado tem de dar aos cidadãos.

Como V.Exa bem sabe, em muitos domínios de que destaco o Sistema Judicial, o Sistema Tributário e o Poder Local, é gritante a falta de equidade entre o Estado  e o cidadão comum.  

E sem equidade, não há respeito nem motivação para intervir mais activamente na sociedade que integramos!

Perde-se o potencial produtivo e qualitativo de uma cidadania activa!

V.Exa sabe bem que em muitos casos, as mesmas leis e regulamentos que os cidadãos estão obrigados  a respeitar sob pena de imediatas e fortes sanções, não são respeitados, sem qualquer penalização (?!...), por parte das entidades integradas nos sistemas anteriormente mencionados.

No caso do Sistema Judicial, V.Exa, e passo a citar, referiu : “justiça respeitada, porque atempada e eficaz no combate à ilegalidade e corrupção”.

Mas os principais actores deste sistema, os Juízes, não são penalizados pelos atrasos grotescos na resolução de processos. E não são apenas os mega-processos, são também os processos simples, de cariz cível ou (especialmente) administrativo/fiscal que demoram, por vezes, mais de uma dezena de anos sem terem um fim à vista. O cidadão morre sem ter merecido do Estado a devida justiça!

Nos grandes processos de corrupção que têm assolado a país nos últimos anos, o cidadão comum não compreende porque continuam os arguidos sem serem julgados e  possivelmente condenados.

V.Exa referiu-se, na sua mensagem de Ano Novo, à necessidade de crescimento económico, mas com um sistema judicial destes, os investidores, nacionais e internacionais, perdem facilmente a vontade de avançar em frente.

O Sistema Judicial é, quanto a mim, um grande entrave, senão o maior, ao crescimento do país!

Também no Sistema Tributário, se assistem a  gritantes injustiças no tratamento dos cidadãos por parte da máquina fiscal.

Se a tecnologia poderá ajudar a melhorar o funcionamento do sistema, por outro lado bestializa-o, retirando-lhe  a componente humana que terá inequivocamente de estar sempre presente.

Perdoar milhões a grandes empresas e instituições e penhorar casas por dívidas fiscais menores, é um atentado à dignidade das pessoas.

É um atentado ao Estado Democrático!

V.Exa provavelmente não saberá destes pormenores quotidianos, mas hoje em dia um simples pedido de esclarecimento, consubstanciado em informação vinculativa, efectuado por um cidadão à Autoridade Tributária, pode demorar vários meses, até mais de um ano a ser respondido?!....

Como pode um cidadão tratar da sua vida e tomar as opções que entenda por mais convenientes, desta forma?

Não acredito que se trate apenas de incompetência e irresponsabilidade, o que já seria muito mau, mas sim também de má-fé no sentido de induzir o cidadão a tomar decisões incorrectas.....e aí a máquina actua de imediato, no dia seguinte, sem contemplações nem atrasos.

Outro atentado ao Estado Democrático Sr. Presidente!

Concluo com uma referência ao Poder Local, uma sistema que gira em autêntica roda livre, sem um verdadeiro tampão central, utilizando de todo o tipo de arbitrariedades possíveis e (in)imagináveis!

Por exemplo, o desrespeito constante dos prazos de resposta a pedidos de licenciamentos, apesar da legislação aplicável, é uma vergonha!

Projectos diversos ficam em stand-by vários anos, outros terminam devido à desistência dos seus promotores, perante as dificuldades colocadas e a perda do timing de oportunidade.

E V.Exa defendeu na sua mensagem a descentralização deste sistema com determinação e sensatez?!....

Ora se já não há forma agora de pedir responsabilidades às organizações do Poder Local, então como será daqui para o futuro com a inequidade existente e o caciquismo instalado?

Exmo. Sr. Presidente, não duvido das boas intenções de V.Exa, mas acredito que estas mensagens  de Ano Novo e de outras datas relevantes(e aqui lhe deixo o apelo), têm de ser menos diplomáticas e subtis e mais directas e frontais.

As feridas muito graves da nossa sociedade não se curam com meros recados, mas sim como uma exigência clara do mais alto magistrado da Nação para que o Estado, consubstanciado na sua autoridade executiva, o Governo, actue com moral e com base no exemplo!

Termino, desejando a V.Exa um bom ano de 2020.

Melhores cumprimentos
José Coelho Martins
968694315 »

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Tempos de "causas"...

O sr. José António Saraiva, personagem que foi director do pasquim "Expesso", antes de inventar o pasquim "Sol", às vezes bate-as certas. Não sendo especial  apreciador da criatura nem leitor do dito "Sol", todavia alguém nos fez chegar esta prosa sua que não resistimos a postar na praça cá da aldeia, pelo que contem de acertado.
Na verdade, vivemos o tempo das "causas", essa grande bengala de uma certa "gauche" urbana pseudo-"bem pensante" que anda a par do famoso "politicamente correcto".
E, para pensar, aqui vos fica:



Tempo de ‘causas’
Jose Antonio Saraiva | SOL - 2019.11.23
O que estas pessoas não percebem é que estas ‘causas’ vão todas no mesmo sentido: a desresponsabilização individual. Os migrantes, os toxicodependentes, as mulheres que abandonam ou matam os filhos, são todos vítimas, não são responsáveis por nada. No limite, não há responsáveis – porque os próprios criminosos comuns também não têm culpa de o ser, pois nasceram na ‘pele’ errada ou a sociedade atirou-os para a marginalidade e o crime.
Um leitor, José Alberto Allen Lima, enviou-me por estes dias um curioso e-mail sobre uma apresentação a que assistiu, onde se defendia a tese de que cada época tem a sua ‘mania’.
Resumo a ideia, com algumas alterações.
Nos anos 50, a afirmação social fazia-se muito através do ‘emprego’ – e havia uma profissão em ascensão, a dos empregados bancários, gozando de boa situação financeira, vários privilégios (como uma cooperativa exclusiva) e um certo prestígio social.
Nos anos 80, a diferenciação fazia-se pelo ‘local’ de habitação. Viver no Restelo ou no Areeiro, por exemplo, era sinal de estatuto. Mas viver na Amadora ou na Margem Sul tinha o sentido oposto.
No ano 2000, as pessoas passaram a distinguir-se pelo ‘consumo’, e surgiu a obsessão pela roupa de marca. Todos, a começar pelas crianças, queriam usar roupa de marca. A coisa começou a declinar com a proliferação das contrafações: as falsificações eram tantas, que a maior parte da roupa de marca era falsa e o seu uso passou a ser sinal de ‘parolice’.
Em 2018 entrámos no tempo das ‘causas’.  As pessoas distinguem-se por terem ‘causas’. Causas ideológicas e causas ambientais.
Tudo hoje se transforma em ‘causa’. É a causa dos sem-abrigo, a causa dos toxicodependentes, a causa dos transexuais, a causa do aborto, a causa da eutanásia, a causa dos migrantes, a causa do chumbo escolar, etc.
Os sem-abrigo, os toxicodependentes, as mulheres que querem abortar, os migrantes são vistos como vítimas da sociedade – pelo que a sociedade tem a obrigação de as ajudar.
Aos sem-abrigo é preciso oferecer casas e emprego; aos toxicodependentes é preciso fornecer seringas e disponibilizar salas de chuto; aos que nasceram no corpo errado a lei tem de permitir a mudança de sexo cada vez mais cedo e o Estado tem de pagar a operação; às mulheres que querem abortar o Estado tem de oferecer condições condignas; aos doentes que querem morrer é preciso proporcionar uma morte suave; aos migrantes que são apanhados no mar é preciso dar acolhimento e condições de vida; às crianças que chumbam na escola e ficam traumatizadas é preciso deitar a mão e acabar com os chumbos.
E depois são as causas individuais, como a causa de Vuvu Grace, a causa de Joacine Katar Moreira, até a causa da mulher que deitou o bebé no lixo.
Algumas destas causas parecem ‘boas causas’. E muita gente bem-intencionada torna-se sua apoiante ou mesmo militante.
O que estas pessoas não percebem é que estas ‘causas’ vão todas no mesmo sentido: a desresponsabilização individual. Os migrantes, os toxicodependentes, as mulheres que abandonam ou matam os filhos, são todos vítimas, não são responsáveis por nada. No limite, não há responsáveis – porque os próprios criminosos comuns também não têm culpa de o ser, pois nasceram na ‘pele’ errada ou a sociedade atirou-os para a marginalidade e o crime.
E a par destas causas ideológicas vêm as causas ambientais. Que também têm tendência a tornar-se ideológicas. Porquê? Sobretudo porque Trump e os seus mentores contestam algumas das suas premissas e os EUA abandonaram o Acordo de Paris.
E também porque Bolsonaro ‘deixou arder’ a Amazónia.
Mas, ao mesmo tempo que os militantes das causas ambientais participam em manifestações contra o ‘desleixo’ climático, ou a favor da Amazónia, ou contra Trump, colaboram muito mais ativamente do que as gerações anteriores na destruição do planeta.
Porquê?
Porque os jovens de hoje poluem dez vezes mais do que os jovens de há 20 ou 30 anos. Além de consumirem muito mais, viajam muito mais. Não se contentam com umas férias na Costa da Caparica ou mesmo na Ericeira, em Sesimbra, na Nazaré ou em Moledo – fazem férias em destinos longínquos e exóticos: o Bali, o Vietname, o Cambodja, as Maldivas, a Austrália. Muitos jovens, mesmo de estratos baixos, procuram estes destinos – sem se preocuparem com os custos ambientais de viagens de avião para longas distâncias, com descolagens, aterragens e gastos tremendos de combustível.
Esses jovens ficam escandalizados se um fulano deitar no lixo uma garrafa de plástico em vez de a deitar no respetivo contentor. Mas depois consomem brutalmente e viajam loucamente, com os correspondentes custos para o ambiente.
Vivemos numa época cheia de mitos, fantasias e contradições.
Mas ai de quem os denuncie.
Porque os novos inquisidores estão atentos, apontam o dedo aos heterodoxos, aos politicamente incorretos, aos que revelam as contradições, as confusões de valores. Quais bispos fundamentalistas de um novo credo, perseguem os infiéis, os que não seguem a doutrina. É assim, em todas as épocas, com todos os detentores da ‘verdade’.
E são persistentes. Invadem as redações dos jornais e das TVs, batem-se pelas suas ideias. Mesmo comentadores encartados, com medo deles, evitam dizer abertamente o que pensam.
E vão ganhando posições. Veja-se o que Bloco de Esquerda já ‘ganhou’ desde que surgiu. E atrás de uma causa vem sempre outra, para manter a pressão.
Claro que chegará a altura em que uma gota fará transbordar o copo.
Vejo muita gente revoltada, indignada, inconformada. O fascismo surgiu como e porquê? Como reação ao comunismo e às ideias internacionalistas da revolução russa.
E esta onda de extrema-direita que cresce na Europa é devida a quê? É uma reação contra a ofensiva da extrema-esquerda nos últimos tempos, com a política de ‘causas’.
Isto não vai acabar bem.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Chinesices... e o mundo de cócoras!

Mão amiga fez-nos chegar esta prosa do "Observador", pasquim digital que nem sempre as dá certas, mas que, neste caso, pela pena de um irónico Tiago Dores, achamos que é "na mouche".

Como é versão "Premium", a que nem todos têm acesso, aqui vos fica:


«Da China com Amor /premium
Tiago Dores

Os Estados Unidos encontram-se, de facto, mergulhados numa profunda crise. Sabemos que a coisa está mesmo feia quando cabe a um indivíduo com o currículo de Donald Trump ser a reserva moral da nação.
16 oct 2019

O título original da película de 1963 protagonizada pelo estiloso James Bond era, na verdade, From Russia with Love e não From China with Love. Mas se o nome original em inglês não é o mais apropriado para este caso, já a versão portuguesa é arrepiantemente sugestiva: Ordem para Matar. Pois é, além de toda a sorte de bugigangas a tuta-e-meia, por estes dias o que vem mais da China são sinais claros do tipo de afecto com que o estado chinês pretende acarinhar o resto do mundo. De início parece um abraço mesmo muito fraterno; depois o aperto começa a ficar ligeiramente desconfortável; quando dermos por isso, estamos a acordar de um mata-leão já como funcionários da linha de montagem de uma fábrica da Huawei em Pegões, com uma carga horária de 170 horas semanais e direito a um feriado por ano, a 22 de Dezembro, para festejar o dia em que, nos saudosos idos de 2011, o estado português ofereceu ao seu congénere chinês a EDP.
Vem esta muito gira distopia a propósito da polémica em curso na liga norte-americana de basquetebol, a NBA, depois de um dirigente dos Houston Rockets ter tido o desplante de enviar — imaginem só — um tweet pró-democracia de apoio à luta pela liberdade em Hong Kong. “Fight For Freedom, Stand With Hong Kong” foi o dislate tweetado e prontamente apagado. Ainda assim tarde de mais, pois a ira do governo chinês e das empresas chinesas (passe a redundância) já se tinha feito sentir, sob a forma de corte imediato de vários patrocínios à NBA.
Perante isto, como reagiram jogadores, treinadores e dirigentes da NBA? Dou-vos três hipóteses. Hipótese A: disseram “Levem daqui o vosso dinheiro sujo, comunas d’um raio! Não precisamos de vocês para nada, pá!” Hipótese B: mandaram o governo chinês dar uma volta, enquanto afirmavam orgulhosamente que a América é a terra da liberdade. Hipótese C: reagiram de forma tão mariquinhas que mais pareciam umas autênticas meninas. E a reposta certa é: nenhuma das hipóteses acima. As duas primeiras não podiam ser, porque a NBA jamais correria o risco de ferir a susceptibilidade de um governo totalitário que lhe põe bom dinheirinho nos bolsos. A terceira podia perfeitamente ser, mas a NBA jamais o admitira para não correr o risco de ferir as susceptibilidades da turba do politicamente correcto.
A reacção da NBA chegou pela voz de, entre outros, um dos seus jogadores mais famosos, LeBron James. LeBron garantiu não só que o dirigente dos Houston Rockets está mal informado sobre este tema, como também que muitas coisas negativas podem advir da liberdade de expressão. Confirma-se, portanto, não ser à toa que se costuma dizer “Na América, tudo é possível”. Pelos vistos, até é possível latagões com mais de dois metros de altura terem, afinal, o porte moral de um vulgar roedor doméstico. Aliás, em honra deste fã indefectível, a República Popular da China já alterou o seu calendário e tudo. A 25 de Janeiro de 2020, em vez de se celebrar o início do Ano do Rato, comemorar-se-á a entrada no Ano do LeBron James.
A propósito desta controvérsia, Donald Trump veio acusar — e bem — vários elementos da NBA de se terem acobardado e de serem coniventes com a China relativamente a Hong Kong. E assim se percebe que os Estados Unidos se encontram, de facto, mergulhados numa profunda crise. Sabemos que a coisa está mesmo feia quando cabe a um indivíduo com o currículo de Donald Trump ser a reserva moral da nação.»


sábado, 5 de outubro de 2019

Borges e Pedro Salvadores - algo que estamos a pontos de compreender...


Revisitando  J. L. Borges, escritor universal, mais do que argentino de origens tugas, tropecei num dos seus contos fantásticos, sempre actuais no tempo e no espaço.
Tal como diz o autor no final desta história, Pedro Salvadores é um símbolo de algo que estamos a ponto de compreender...


- Aqui vos fica:

Jorge Luis Borges: Pedro Salvadores


A Juan Murchison


Quiero dejar escrito, acaso por primera vez, uno de los hechos más raros y más tristes de nuestra historia. Intervenir lo menos posible en su narración, prescindir de adiciones pintorescas y de conjeturas aventuradas es, me parece, la mejor manera de hacerlo. Un hombre, una mujer y la vasta sombra de un dictador son los tres personajes. El hombre se llamó Pedro Salvadores; mi abuelo Acevedo lo vio, días o semanas después de la batalla de Caseros. Pedro Salvadores, tal vez, no difería del común de la gente, pero su destino y los años lo hicieron único. Sería un señor como tantos otros de su época. Poseería (nos cabe suponer) un establecimiento de campo y era unitario. El apellido de su mujer era Planes; los dos vivían en la calle Suipacha, no lejos de la esquina del Temple. La casa en que los hechos ocurrieron sería igual a las otras: la puerta de calle, el zaguán, la puerta cancel, las habitaciones, la hondura de los patios. Una noche, hacia 1842, oyeron el creciente y sordo rumor de los cascos de los caballos en la calle de tierra y los vivas y mueras de los jinetes. La mazorca, esta vez, no pasó de largo. Al griterío sucedieron los repetidos golpes, mientras los hombres derribaban la puerta, Salvadores pudo correr la mesa del comedor, alzar la alfombra y ocultarse en el sótano. La mujer puso la mesa en su lugar. La mazorca irrumpió; venían a llevárselo a Salvadores. La mujer declaró que éste había huido a Montevideo. No le creyeron; la azotaron, rompieron toda la vajilla celeste, registraron la casa, pero no se les ocurrió levantar la alfombra. A la medianoche se fueron, no sin haber jurado volver.
Aquí principia verdaderamente la historia de Pedro Salvadores. Vivió nueve años en el sótano. Por más que nos digamos que los años están hechos de días y los días de horas y que nueve años es un término abstracto y una suma imposible, esa historia es atroz. Sospecho que en la sombra que sus ojos aprendieron a descifrar, no pensaba en nada, ni siquiera en su odio ni en su peligro. Estaba ahí, en el sótano. Algunos ecos de aquel mundo que le estaba vedado le llegarían desde arriba: los pasos habituales de su mujer, el golpe del brocal y del balde, la pesada lluvia en el patio. Cada día, por lo demás, podía ser el último.
La mujer fue despidiendo a la servidumbre, que era capaz de delatarlos. Dijo a todos los suyos que Salvadores estaba en la Banda Oriental. Ganó el pan de los dos cosiendo para el ejército. En el decurso de los años tuvo dos hijos; la familia la repudió, atribuyéndolos a un amante. Después de la caída del tirano, le pedirían perdón de rodillas.
¿Qué fue, quién fue, Pedro Salvadores? ¿Lo encarcelaron el terror, el amor, la invisible presencia de Buenos Aires y, finalmente, la costumbre? Para que no la dejara sola, su mujer le daría inciertas noticias de conspiraciones y de victorias. Acaso era cobarde y la mujer lealmente le ocultó que ella lo sabía. Lo imagino en su sótano, tal vez sin un candil, sin un libro. La sombra lo hundiría en el sueño. Soñaría, al principio, con la noche tremenda en que el acero buscaba la garganta, con las calles abiertas, con la llanura. Al cabo de los años no podría huir y soñaría con el sótano. Sería, al principio, un acosado, un amenazado; después no lo sabremos nunca, un animal tranquilo en su madriguera o una suerte de oscura divinidad.
Todo esto hasta aquel día del verano de 1852 en que Rosas huyó. Fue entonces cuando el hombre secreto salió a la luz del día; mi abuelo habló con él. Fofo y obeso, estaba del color de la cera y no hablaba en voz alta. Nunca le devolvieron los campos que le habían sido confiscados; creo que murió en la miseria. Como todas las cosas, el destino de Pedro Salvadores nos parece un símbolo de algo que estamos a punto de comprender.


En Elogio de la sombra (1969)
Sobre este texto: José Emilio Pacheco: Dos momentos y una posdata


quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Que venha o Fogo Divino!


Ainda que uma ideia destas possa parecer parva, vinda de onde vem (um cançonetas que arranjou o nome artístico de "Adolfo Lúxuria" e, como se não bastasse, "Canibal"), com um grupelho rockeiro que dá por nome de "Mão morta", no fundo, muito no fundo, até porque isto parece que já bateu no fundo, se calhar não é má ideia:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/25-set-2019/interior/mao-morta-querem-uma-morte-indolor-e-rapida-para-os-habitantes-da-terra--11334320.html?target=conteudo_fechado&utm_term=Metade+dos+medicos+do+SNS+tem+mais+de+50+anos&utm_campaign=Editorial&utm_source=e-goi&utm_medium=email

- Na verdade, se todos temos de morrer, um dia... como diz o povo, mal de muitos, gozo é!...
O Planeta agradecia e o Universo continuava na mesma...

- A quem não agradaria a ideia: aos crápulas, aos patifes, aos fdp's que, porque o são, estão bem na vida e em perspectiva de estarem cada vez melhor e durarem eternamente.

- Aos que já não têm nada a perder, só pelo gozo de saber que esses ditos cujos também iam com o c*******, tal acontecimento só podia ser uma dádiva do Céu.

- Que venha então esse bíblico Fogo Divino, e quanto antes!!

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Malefícios da Globalização: manipulações Facebookianas

Mão amiga fez-nos chegar mais este aviso:

Este vídeo apresenta uma palestra de Carole Cadwalladr, uma jornalista de investigação britânica. Expõe o papel que o Facebook e as redes sociais tiveram na utilização das novas tecnologias para levar o Reino Unido a votar Sim para sair da União Europeia.
A palestra desta jornalista é esclarecedora sobre o crime organizado e oculto que manipula as grandes decisões.