sábado, 1 de junho de 2019

O bode Berardo



O Joe - caricatura de André Carrilho, publicada na capa do DN, 2019.05.18


Descontando a parte em que apenas se malha na rapaziada súcia, deixando de fora outros que tais do lado do neoliberalismo caseiro, a saber, laranjolas e cdéssezinhos, aproveito para recomendar um livro de poesia de um certo Henrique de Campos, Rio da Morte, na parte em que se alude à história de Job e à questão do bode expiatório. Tornou-se-me patente e óbvio que parte dos apupos ao "patusco" Joe, eram uma espécie de exconjuro do... bode! - são os tais momentos de catarse colectiva, sem que o sistema algum dia se chegue a redimir, porque não há remissão possível para o que é atávico. Dito isto, aqui vos fica, o que mão amiga nos fez chegar:



Assunto:  O Bode...  

Nenhum dos actuais partidos parlamentares está interessado em lutar contra a corrupção e outros «bodes» porque levaria à destruição do partido, desaparecendo a maior parte dos grandes porque poucos haverá inocentes E quem tem telhados de vidro... Qual será a solução???

O Bode...
No meio desta podridão que caracteriza a política portuguesa convém lembrar o que dizem os antropólogos, que afirmam que nas sociedades ditas primitivas, o “bode expiatório” era uma figura veneranda.
Pelo sacrifício do “bode”, a tribo podia exorcizar todos os seus demónios e inaugurar um novo ciclo de vida.
 Portugal é uma dessas tribos e Berardo é o seu “bode expiatório”.
Em rigor, nada que o “Comendador” disse ou fez no Parlamento, não é novidade.
Todos os parlamentares e membros do governo sabiam como se tinha formado a organização maçónica corrupta e mafiosa.
A novidade está na fúria com que um regime inteiro – o mesmo regime que produziu Berardo e outros idênticos, que rastejou aos seus pés, lhe ofereceu o dinheiro em créditos ruinosos e até o enfeitou com medalhas –  agora se atirou ao homem como se ele transportasse todos os demónios e pecados da tribo.
O raciocínio é exemplar...
Queimando e sacrificando Berardo, o Bode, nesta teia, salvam-se os selvagens que há uma década atrás lhe deu centenas de milhões de euros sem ele os ter pedido.
Mas a farsa não se resume só a Joe Berardo.
Várias outras figuras pardas do sistema corrupto socialista prestaram-se à destruição de milhares de milhões de euros num sistema de associação criminosa governamental, que levou à destruição de bancos e grandes empresas:
Manuel Fino, da Soares da Costa Construções com centenas de milhões.
Nuno Vasconcelos, da Ongoing, organização pirata que nunca se soube o que fazia mas era apadrinhada pelos socialistas com créditos de 800 milhões.
Empresa espanhola “La Seda”, cujo vice administrador era Fernando Freire de Sousa, marido da socialista Elisa Ferreira, com 900 milhões.
Luís Filipe Vieira do Benfica com as suas empresas falidas com 1.000 milhões.
As autoestradas Ascendi, do Grupo Mota-Engil, cujo administrador era o socialista Jorge Coelho, com centenas de milhões.
E a cereja no topo do bolo nesta teia criminosa, Eduardo Paz Ferreira, marido da actual Ministra da Justiça, que era na altura o responsável pelo Departamento de Inspecção e Auditoria da CGD, nunca soube, nunca viu, nunca ouviu.
Todo o Governo da altura (António Costa, Santos Silva, Vieira da Silva e restante companhia) e a Comunicação Social sabia o que estava a acontecer, mas permaneceram silenciosos e em cumplicidade assustadora.
Para que esta dança seja perfeita, só falta mesmo que José Sócrates apareça por aí para se confessar “chocado” com as maneiras do seu peão “Joe”.
Não desculpando o “Bode”, este é simplesmente e apenas um peão parvito e imbecilizado, que foi usado pelos maçónicos socialistas e que, entre 2005 e 2010, escreveram na História portuguesa, um dos momentos mais tenebrosos, negros e corruptos.
Quando não há vergonha nem memória, assistimos a cenas cómicas ou a tragicomédias farsantes...

sábado, 30 de março de 2019

"Papel macio p'ró cu e roupa boa pr'á gente"

Mão amiga fez-nos chegar este escrito, que talvez já ande pela net há um par de anos, mas há coisas que não perdem actualidade, antes só se aprofunda a sua acuidade, com o espalhar de novas formas de miséria humana.

Assim, na "esteira" do velho Soeiro Pereira Gomes, aqui vos fica esta prosa dedicada a outros meninos que nunca foram meninos... Enquanto os meninos mimadinhos de hoje têm cada vez mais tudo facilitado e sempre de cu para a porta...


Do Mural de Lourdes dos Anjos

Quando os meninos  me pediam "papel macio pró cu e roupa boa prá gente"…
Um dos textos que mais me custou a  escrever e por isso tem mais
lágrimas do que palavras.


Estávamos ainda no século XX, no longínquo ano de 1968, quando a vida
me deu oportunidade de cumprir um dos meus sonhos: ser professora. Dei
comigo numa escola masculina, ali muito pertinho do rio Douro, na
primeira freguesia de Penafiel, no lugar de Rio Mau.
Era tão longe, da minha rua do Bonfim, não podia vir para casa no
final do dia, não tinha a minha gente, e eu era uma menina da cidade
com algum mimo, muitas rosas na alma, e tinha apenas 18 anos.

Nada me fazia pensar que tanta esperança e tanta alegria me trariam
tanta vida e tantas lágrimas.
 Os meninos afinal eram homens com calos nas mãos, pés descalços e um
pedaço de broa no bolso das calças remendadas.
As meninas eram mulheres de tranças feitas ao domingo de manhã antes
da missa, de saias de cotim, braços cansados de dar colo aos irmãos
mais novos, e de rodilha na cabeça para aguentar o peso dos alguidares
de roupa para lavar no rio ou dos molhos de erva para alimentar o
gado.

As mães eram mulheres sobretudo boas parideiras, gente que trabalhava
de sol a sol e esperava a sorte de alguém levar uma das suas cachopas
para a cidade, “servir” para casa de gente de posses.
Seria menos uma malga de caldo para encher e uns tostões que chegavam
pelo correio, no final de cada mês.

Os homens eram mineiros no Pejão, traziam horas de sono por cumprir,
serviam-se da mulher pela madrugada, mesmo que fosse no aido das vacas
enquanto os filhos dormiam (quatro em cada enxerga), cultivavam as
leiras que tinham ao redor da casa, ou perto do rio e nos dias de
invernia, entre um jogo de sueca e duas malgas de vinho que na venda
fiavam até receberem a féria, conseguiam dar ao seu dia mais que as 24
horas que realmente ele tinha. Filhos, eram coisas de mães e quando
corriam pró torto era o cinto das calças do pai que “inducava” … e a
mãe também “provava da isca” para não dizer amém com eles…

E os filhos faziam-se gente.
E era uma festa quando começavam a ler as letras gordas dum velho
pedaço de jornal pendurado no prego da cagadeira da casa…o menino já
lia.. ai que ele é tão fino… se deus quiser, vai ser um homem e ter
uma profissão!

Ai como a escola e a professora eram coisas tão importantes!
A escola que ia até aos mais remotos lugares, ao encontro das crianças
que afinal até nem tinham nascido crianças…eram apenas mais braços
para trabalhar, mais futuro para os pais em fim de vida, mais gente
para desbravar os socalcos do Douro, mais vozes para cantar em tempo
de colheitas.
E os meninos ensinaram-me a ser gente, a lutar por eles, a amanhar a
lampreia, a grelhar o sável nas pedras do rio aquecidas pelas brasas,
a rir de pequenas coisas, a sonhar com um país diferente, a saber que
ler e escrever e pensar não é coisa para ricos mas para todos, para
todos.

E por lá vivi e cresci durante três anos e por lá fiz amigos e por lá
semeei algumas flores que trazia na alma inquieta de jovem que julgava
conseguir fazer um mundo menos desigual.
E foi o padre António Augusto Vasconcelos, de Rio Mau, Sebolido,
Penafiel, que me foi casar ao mosteiro de Leça do Balio no ano de 1971
e aí me entregou um envelope com mil oitocentos e três escudos (o meu
ordenado mensal) como prenda de casamento conseguida entre todos os
meus alunos mais as colegas da escola mais as senhoras da Casa do
Outeiro. E foi na igreja de Sebolido que batizou o meu filho, no dia 1
de janeiro de 1973.

E é deste povo que tenho saudades. O povo que lutou sem armas, que
voou sem asas, que escreveu páginas de Portugal sem saber as letras do
seu próprio nome.
Hoje, o povo navega na internet, sabe a marca e os preços dos carros
topo de gama, sabe os nomes de quem nos saqueia a vida e suga o
sangue, mas é neles que vai votando enquanto continua á espera de um
milagre de Fátima, duns trocos que os velhos guardaram, do dia das
eleições para ir passear e comer fora, de saber se o jogador de
futebol se zangou com a gaja que tinha comprado com os seus milhões, e
é claro de ver um filmezito escaldante para aquecer a sua relação que
estava há tempos no congelador.

As escolas fecharam-se, os professores foram quase todos trocados por
gente que vende aulas aqui, ali e acolá, os papás são todos doutores
da mula russa e sabem todas as técnicas de educação mas deseducam os
seus génios, os pequenos /grandes ditadores que até são seus filhinhos
e o país tornou-se um fabuloso manicómio onde os finórios são felizes
e os burros comem palha e esperam pelo dia do abate.

Sabem que mais?!
Ainda vejo as letras enormes escritas no quadro preto da escola
masculina, ao final da tarde de sábado, por moços de doze e treze anos
com estes dois pedidos que me faziam: “Professora vá devagar que a
estrada é ruim, e não se esqueça de trazer na segunda-feira, papel
macio pró cu e roupa boa dos seus sobrinhos prá gente”.
Esta gente foi a gente com quem me fiz gente.

Hoje, não há gente… é tudo transgénico .
O povo adormeceu à sombra do muro da eira que construiu mas os
senhores do mundo, estão acordadinhos e atentos, escarrapachados nos
seus solários “badalhocamente” ricos e extraordinariamente felizes
porque inventaram máquinas e reinventaram novos escravos.
 Dizem que já estamos no século XXI...”

domingo, 10 de março de 2019

Putedo, Putaria & Cª., Ldª.

Bem, já em tempos o "Grande Educador da Classe Operária", recentemente falecido, havia proclamado que isto cá pela Aldeia Tuga "é tudo um putedo"!

E nessa boa e certeira  linha de análise, aqui vos fica esta definição de um conceito afim:

O QUE É UMA PUTARIA …
 
1.    PUTARIA é comparar a Reforma de um Deputado com a de uma Viúva [já foi há uns tempos, e se calhar já ninguém se lembra de quem o fez... - procurem no Google, sff]
 
2.    PUTARIA é um Cidadão ter que descontar 35 anos para receber Reforma e aos Deputados bastarem sómente 3 ou 6 anos conforme o caso e que aos membros do Governo para cobrar a Pensão Máxima só precisam do Juramento de Posse.
 
3.    PUTARIA é que os Deputados sejam os únicos Trabalhadores (???) deste País que estão Isentos de 1/3 do seu salário em IRS.
 
4.    PUTARIA é pôr na Administração milhares de Assessores (leia-se Amigalhaços) com Salários que desejariam os Técnicos Mais Qualificados.
 
5.    PUTARIA é a enorme quantidade de Dinheiro destinado a apoiar os Partidos, aprovados pelos mesmos Políticos que vivem deles.
 
6.    PUTARIA é que a um Político não se exija a mínima prova de Capacidade para exercer o Cargo (e não falamos em Intelectual ou Cultural).
 
7.    PUTARIA é o custo que representa para os Contribuintes a sua Comida, Carros Oficiais, Motoristas, Viagens ( sempre em 1ª Classe ), Cartões de Crédito.
 
8.    PUTARIA é que S. Exas. tenham quase 5 meses de Férias ao Ano (48 dias no Natal, uns 17 na Semana Santa mesmo que muitos se declarem não religiosos, e uns 82 dias no Verão).
 
9.    PUTARIA é S. Exas. quando cessam um Cargo manterem 80% do Salário durante 18 meses.
 
10.  PUTARIA é que ex-Ministros, ex-Secretários de Estado e Altos Cargos da Política quando cessam são os únicos Cidadãos deste País que podem legalmente acumular 2 Salários do Erário Público.
 
11.  PUTARIA é que se utilizem os Meios de Comunicação Social para transmitir à Sociedade que os Funcionários só representam encargos para os Bolsos dos Contribuintes.
 
12.  PUTARIA é ter Residência em Lisboa e Cobrar Ajudas de Custo pela deslocação à Capital porque dizem viver em outra Cidade.


Bem, estas são as "Putarias" e "Deputarias" conhecidas na Aldeia Tuga... - mas se olharmos à volta cá pela nossa Aldeia, bem, Putedo e Putarias não faltam, mas é melhor nem dizer nada, que os bufos e os pides andam por aqui à espreita (e têm de justificar a merenda).





quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Para que serve a Escola???

- Eu cheguei lá há mais tempo... Ainda a procissão estava no adro... Mas quando vinha um inspector escolar a dizer que não se podiam dar tantas negativas, que até ao 9º ano era para passar toda a gente, que todos os alunos eram potencialmente génios e se o aluno não se revelava o génio que era, a culpa era do prof., ao mesmo tempo q dizia q cada aluno era um caso, e, como tal, para atender a esse "caso" (normalmente perdido), tinha que se atrasar a turma toda para dar atenção a quem não queria saber nada daquilo... Ah, mas o facilitismo era só para os alunos, pois que para os profs. eram cada vez mais exigências: planos de aula, testes planificados (que na verdade interessavam pouco, porque "a avaliação devia ser contínua" e obtida mediante a "participação" na sala de aula... etc., etc.....).

- Tive sorte, que nesse tempo (1987/1988), ainda não havia telemóveis... Nem a escolaridade "obrigatória" para minorias étnicas que se estão a marimbar para a escola e que se por acaso são repreendidos, vão buscar o pai e a mãe e os irmãos e a tribo toda e o desgraçado do prof. está tramado...

- Vendo o rumo da coisa, a partir de dada altura achei que era melhor "dar de frosques", seguindo o conselho - que até aí me irritava - de um amigo meu, ex-prof., que dizia que "só ficava no Ensino quem não sabia fazer mais nada!"...

- Mesmo assim, e se calhar porque ainda estava nesse tempo, e com a procissão no adro, gostei da experiência docente. Nela continuaria, se esses teóricos da "Escola aberta", como os teóricos das "Sociedades abertas", que apodreceram paulatinamente toda a civilização ocidental, não tivessem cavado este sepulcro... Mas foi assim:

- A escola deixou de ser o lugar onde se ia aprender alguma coisa, para ser um curral onde se mantêm os meninos mais ou menos juntos para não estarem em casa a fazer merda... - ao fim do dia os papás vão buscá-los no carrinho (os de mais longe, cada vez mais raros, vão de autocarro) e cada qual vai à sua vida, assim quotidianamente, alegremente, imbecilmente, como esta sociedade doente a apodrecer aos poucos, aqui como nas Américas (que é a matriz), nas Américas como aqui... - A China agradece.

Aqui vos fica, o que mão amiga me enviou cá para a Aldeia:

               "Cansei-me, rendo-me..."

Leonardo Haberkorn, jornalista e escritor, era professor numa universidade de Montevideo.  Deixou o ensino, que antes o apaixonava, e explica porquê.
 "Depois de muitos e muitos anos, hoje dei a última aula na Universidade.
Cansei-me de lutar contra os telemóveis, contra o whatsapp e contra o facebook. Ganharam-me. Rendo-me. Atiro a toalha ao chão.
Cansei-me de falar de assuntos que me apaixonam perante jovens que não conseguem desviar a vista do telemóvel que não pára de receber selfies.
Claro que nem todos são assim. Mas cada vez são mais
Até há três ou quatro anos a advertência para deixar o telemóvel de lado durante 90 minutos, ainda que fosse só para não serem mal-educados, ainda tinha algum efeito.
Agora não. Pode ser que seja eu, que me desgastei demasiado no combate. Ou que esteja a fazer algo mal.
Mas há algo certo: muitos desses jovens não têm consciência do efeito ofensivo e doloroso do que fazem. Além disso, cada vez é mais difícil explicar como funciona o jornalismo a pessoas que o não consomem nem vêem sentido em estar informadas.
Esta semana foi tratado o tema Venezuela. Só uma estudante entre 20 conseguiu explicar o básico do conflito. O muito básico. O resto não fazia a mais pequena ideia. Perguntei-lhes (...) o que se passa na Síria? Silêncio. Que partido é mais liberal ou que está mais à 'esquerda' nos Estados Unidos, os democratas ou os republicanos? Silêncio. Sabem quem é Vargas Llosa? 
Alguém leu algum dos seus livros? Não, ninguém! Lamento que os jovens não possam deixar o telemóvel, nem na aula. Levar pessoas tão desinformadas para o jornalismo é complicado.
É como ensinar botânica a alguém que vem de um planeta onde não existem vegetais. Num exercício em que deviam sair para procurar uma notícia na rua, uma estudante regressou com a notícia de que se vendiam, ainda, jornais e revistas na rua.
Estes jovens, que continuam a ter inteligência, simpatia e afabilidade, foram enganados, a culpa não é só deles. A incultura, o desinteresse e a alienação não nasceram com eles.
Foram-lhes matando a curiosidade e, cada professor que deixou de lhes corrigir as faltas de ortografia, ensinou-lhes que tudo é mais ou menos o mesmo. Então, quando compreendemos que eles também são vítimas, quase sem darmos conta vamos baixando a guarda.
E o mau é aprovado como medíocre e o medíocre passa por bom, e o bom, as poucas vezes que acontece, celebra-se como se fosse brilhante. Não quero fazer parte deste círculo perverso. Nunca fui assim e não serei assim.
O que faço sempre fiz questão de o fazer bem. O melhor possível. E não suporto o desinteresse face a cada pergunta que faço e para a qual a resposta é o silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Eles queriam que a aula terminasse. Eu também."  

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Laranjolices



Toda a gente sabe que o PSD foi sempre um partido de conspirações permanentes, um saco de gatos, todos àvidos de poleiros e de tachos. Será o mesmo nos outros partidos, por isso a tal de "democracia" ( = partidocracia, tão bem denunciada no post de ontem - ver artigo de Paulo de Morais) é o que é...

Assim foi que o coiote Montenegrino, com aquele seu ar (e andar) de hiena, ou ainda, continuando nas metáforas da selva africana, de macacóide com pretensões, apareceu a tentar destronar o macaco velho. É típico. Mal pressentem algum sinal de fraqueza, os macacóides candidatos a líder começam a morder no macho Alfa, para o substituir. É a vida, diria o outro. Para o ainda macho Alfa é uma questão de tempo (e de dentes). 

Esperam-se as cenas dos próximos episódios, mas a verdade é que esses macacóides pretensiosos nunca desarmam e são mesmo muito bons nas "malas artes" da conspiração. Aqui vos fica mais este retrato (ou retrete) do "país real", com a devida vénia do DN:

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

PARTIDOCRACIA - o verdadeiro cancro na "democracia" tuga


Sempre certeiro, aqui afixamos, na praça cá da Aldeia, mais este escrito de Paulo de Morais - sem comentários: 

A partidocracia destrói a democracia

Paulo de Morais
(Presidente da Frente Cívica)

Criados para representar as diferentes visões da sociedade, ao serviço do eleitorado, os partidos políticos estão em fase acelerada de degenerescência. São habitados por elites políticas que esqueceram os cidadãos e tudo fazem agora para manter os privilégios de que se foram apropriando. São os principais responsáveis pela abstenção, pelo desinteresse crónico pela política e pela crise da democracia.

O principal objectivo dos maiores partidos portugueses é, na verdade, manterem-se na esfera do poder, partilhar negócios de Estado com os grupos económicos de que são instrumento e garantir emprego aos muitos milhares de apaniguados, os militantes partidários e seus familiares.

 O seu primeiro desígnio é eliminar a concorrência. Instalados no poder, os partidos do sistema (PSD, PS, CDS, Bloco e PC) garantem o exclusivo das candidaturas ao Parlamento, para que personalidades independentes não possam ter assento na Assembleia da República. Não permitem a entrada no seu feudo parlamentar de independentes, obstaculizam o acesso a novos partidos. Para beneficiar os maiores, permitem-se violar o princípio da proporcionalidade, que a Constituição exige: em 2015, um deputado do PSD ou do PS foi eleito com 20 mil votos, mas já o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista necessitam para a sua eleição cerca de 30 mil votos. Além do mais, impedem que outras forças políticas tenham acesso ao Parlamento, apesar de algumas delas terem recebido muitos mais votos do que os 20 mil que elegem cada um deles.

Os partidos nem sequer cumprem a lei, em múltiplos aspectos, o mais escandaloso dos quais é o desrespeito pela legislação de financiamento político. São recorrentemente condenados, multados pelo Tribunal Constitucional; mas sem quaisquer consequências, porque o Estado sempre permite a prescrição, no tempo, das sanções que aplica. Estes partidos garantem ainda, apenas para si próprios, financiamentos de Estado permanentes. Usufruem de subsídios públicos de todo o tipo, com os quais mantêm uma máquina de propaganda, ilegítima fora de períodos eleitorais. Só em Portugal há, em permanência, propaganda partidária nas ruas, uma forma de lavagem cerebral sistemática. Utilizam até o domínio público como propriedade sua: são aos milhares os pequenos cartazes ilegais, degradados, apensos a candeeiros públicos, de propaganda ao Bloco de Esquerda e do Partido Comunista. Este lixo urbano deveria ser removido pelas câmaras, o que não acontece, porque os partidos estão acima da lei.

Agarrados como lapas ao Estado, os dirigentes partidários distribuem benesses e privilégios pelas empresas que os financiam e para as quais vão mais tarde como assalariados. Foi o que sucedeu com as ruinosas parcerias público-privadas rodoviárias, cujo maior agente foi a MotaEngil, que acabou a albergar quase todos os ex-governantes do sector das obras públicas: de Jorge Coelho a Seixas da Costa, do PS, a Valente de Oliveira e Ferreira do Amaral, do PSD. O mesmo fenómeno de promiscuidade entre política e negócios marcou a onda de privatizações ao desbarato, manipuladas por políticos que hoje recebem tenças milionárias nas empresas que os próprios partidos privatizaram. O socialista Luís Amado preside à privatizada EDP, assessorado pelo social-democrata António Mexia e pela centrista Celeste Cardona. Para presidir à privatizada ANA, foi designado o ex-ministro José Luís Arnaut. A lista dos políticos de negócios é interminável, neste infernal sistema de portas giratórias que coloca o Estado ao serviço de interesses privados.

Além de negócios e rendas milionárias, os partidos garantem a sobrevivência económica dos seus apoiantes através da atribuição de muitos milhares de empregos. Usam, para este fim, a administração central, as autarquias, as empresas municipais, os institutos públicos. Transformaram-se mesmo na maior agência de emprego do país. Assim, os partidos tudo fazem para manter o statu quo: controlam o sistema eleitoral, impedem a apresentação de alternativas, violam leis, utilizam recursos públicos em seu proveito, manipulam a opinião pública, enxameiam as televisões com comentadores facciosos, censuram todo o discurso contraditório. Ameaçados pelo desmoronar das bases democráticas, preferem apelidar de populista qualquer alvo em movimento, do que realmente regenerar a sua missão. Os partidos, que deveriam ser a essência da democracia, estão a aniquilá-la.

in Público, 2019.01.17



terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Viver no interior não é fácil...

Com a "grande Crise" a que se colou a Troika, ainda pensámos - ingenuamente - que o regresso ao interior e a uma agricultura de subsistência pudesse motivar muito mais gente a fugir das urbes, em cujos prédios não dá para se plantar couves, como se sabe.
Mesmo assim, alguns "líricos" fizeram esse percurso, certamente com aquela ideia mítica da Aldeia e do interior como algo puro, solidário, povoado de gente boa.
A verdade é que já Rentes de Carvalho, há muitos anos, desmistificou essa imagem idílica da Aldeia assim vista da Cidade. A Aldeia (onde se incluem as Vilas, que são aldeias maiorzitas) não raro é pérfida, invejosa, mesquinha, mesmo odienta, onde, por vezes, certas "solidariedades" de interesses se conjugam para "fazer a folha" a quem se tente "armar em esperto", ou que se atreva a "pisar o risco"...

Para quem tenha dúvidas, aqui vos fica:

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/o-interior-ainda-e-duro-para-quem-o-escolhe-como-morada#_swa_cname=sapo24_share&_swa_cmedium=web&_swa_csource=facebook&utm_source=facebook&utm_medium=web&utm_campaign=sapo24_share

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

我們的海洋 (Wǒmen dì hǎiyáng = Mare Nostrum)



       


        


     我們的海洋
        
       (Wǒmen dì hǎiyáng*)







 PIGS. Embora (oficialmente) seja apenas um acrónimo para designar (e diga-se de forma brilhante!!!) os principais países do Mediterrâneo que se habilitaram, estiveram ou estão na mira do Santo Manto Protector do FMI (Portugal, Itália, Grécia e Espanha) podemos fazer ainda uma analogia religiosa (judaica e muçulmana), porque afinal de contas quem gosta deste animal que se chafurda na lama? Bem... parecendo que a asséptica Europa do Norte não tem especial simpatia por este animal e continuando a nossa demanda pelo resto do mundo paramos no Império do Meio (hoje todos os caminhos já não vão dar a Roma, mas a Beijing). Eles, tal como nós também adoram a criatura chafurdenta, de tal modo que lhe dedicaram não apenas um ano do seu calendário, mas o exportam em forma de gastronomia nessa especialidade sino-europeia que dá pelo nome de Chop-shoy!
E somos nós, os PIGS, de tal forma motivo de adoração que parece que também eles se converteram em povos de matriz Greco-Latina, preparando-se para deterem também eles o seu Mare Nostrum. Depois da compra de parte do maior porto do Grécia, porto do Pireu e de estarem presente nos portos de Vado na Itália, nos portos espanhóis de Barcelona, Valência e Algeciras, no porto francês de Marselha, o senhor que se segue é apenas o maior porto de águas profundas que qualquer navio que provenha do Atlântico Sul encontra ao chegar à Europa, o porto de Sines
Deste modo dominam não apenas a Rota Europeia do Cabo como a Rota Europeias do Mar Vermelho (via canal do Suez). Para além disso e pensando em grande e intermodalmente (One Belt, One Road) preparam-se para lançar a rota ferroviária Lisboa – Beijing. Recordemos, pois, com nostalgia as cinco!!! linhas propostas (Porto-Lisboa; Porto-Vigo; Aveiro–Salamanca; Lisboa-Madrid e a pérola Faro-Huelva) no efémero governo de Santana Lopes, que de acordo com a informação da altura nos ligaria definitivamente à europa civilizada e estaria financeiramente sustentada pelo plano europeu de ferro carril! Pelo andar da carruagem vai ser mais fácil chegar ao Extremo Oriente do que chegar a Paris de comboio de alta velocidade!
Aproveitando a crise europeia e impelidos pela sua milenar sabedoria, souberam financiar na inversa proporção de que em Bruxelas, Estrasburgo ou Frankfurt se discutia o sexo dos anjos deixando cair estes PIGS ou será pigs?  que necessitavam de uma salvação financeira depois de décadas de políticas irresponsáveis e erráticas (já para não falar do dinheiro que estes estafermos do Sul esbanjaram em p*#%s e copos!).
Mais uma vez os Eurotecnocratas dão um tiro de bazuca nos próprios pés e depois questionam-se como é que a Europa perde a cada dia mais terreno e como é que extrema direita começa paulatinamente a ganhar terreno…  vá-se lá saber como!!! 

*mare nostrum


    Por: Ti Ago


terça-feira, 4 de dezembro de 2018

A Tugalândia prepara-se para ser a Macau da China....


Consta que anda por aí o camarada presidente a República Popular(?) da China... - O homem que reforçou de tal modo os poderes, que nunca mais sai de lá (e, ao que parece, com mais poderes do que o saudoso camarada Mao, ou Mau, o pai fundador da RPC...). Ora, isto cá pelo ocidente, dantes, chamava-se "ditadura", essa coisa nefanda e abominável, sobretudo se fosse de direita. É verdade que camaradas iluminados, como o famoso "camarada Abel", que depois ficou conhecido nas Europas como o Mr. Barroso, há muito perceberam que entre comunismo, maoísmo e capitalismo, não há assim tão grandes diferenças...

Bem, resta ainda o Imperialismo - claro que nesse "dantes" PREKiano o verdadeiro imperialismo era só o americano. O das soviécias e do camarada Mao não era imperialismo: era "solidariedade com os povos oprimidos" ou "em vias de desenvolvimento rumo ao socialismo".

Que o Mundo é redondo, já se sabe com toda a certeza desde Magalhães-El Cano. E talvez seja por causa dessa ciclaridade que as coisas voltam aos princípios e a História se repete, mas de outro modo. Assim é que...
... os Tugas foram os primeiros Europeus a chegar à China, e tiveram lá um entreposto: Macau... - entretanto foram chegando os Chineses à Europa, e - qual vingança do chinês -  tomaram a Tugalândia como porta de entrada. Diz-se que a Tugalândia é só o 2º país (se isto ainda é "país") da Europa em que mais investem (ainda não percebi porque é que a Finlândia estará em 1º, mas nessas latitudes, só pode ser para chatear os camaradas russos...). Dito de outro modo, a Tugalândia prepara-se para ser a Macau dos Chineses, no quadro do seu império global que começou por abocanhar o Tibete, reintegrou Hong Kong e Macau, se prepara para reintegrar a Formosa (Tai Wan), e, pelo caminho, se enfiou como mais ninguém nas antigas colónias tugas, incluindo o Brasil, à grande!

E por cá, os politicozinhos de trazer por casa é só sorrizinhos, beijinhos e abraços (aliás, Xi-corações), na palminha das mãos, parece que esquecendo que a China, como qualquer outra potência imperial, dá a chouriça em troca do porco. 
Enquanto vão "Mexiendo" no seu bolso com a factura da electricidade e enganando o pessoal com as bugigangas da loja do vende-tudo, além do restaurante onde se serve a melhor carne de cão, aqui vos fica, tomai lá:


Post Scriptum: não deixa de ser curioso que, no meio de toda essa "real politik", seja o Berloque de Esquerda, a arvorar-se em consciência crítica do regime, tal como já havia feito, honra lhes seja feita, aquando do caso "Luati Beirão", um rapaz atirado para as masmorras do pseudo-comunismo/capitalismo de Estado (aliás, da oligarquia encabeçada pela família do velho Zedú) lá das Angolas, dizia, é sinal dos tempos que seja o dito Berloque a distanciar-se deste abjecto lamber de nalgas ao camarada Xi, enquanto todos os outros lhe andam aos Xi-corações!


quinta-feira, 5 de julho de 2018

Leituras para o veraneante...


Para um leitura light....

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/static/data/publicacoes/o_arqueologo_portugues/serie_1/volume_1/museu_moncorvo.pdf



Para uma leitura mais rica em gordura....

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/o_arqueologo_portugues_1_serie/



Boas leituras
Ti Ago

domingo, 27 de maio de 2018

"Corrupção - ataquem o Cérbero" - artigo de Carlos Matos Gomes

Não somos especialmente fãs deste senhor, um dos famosos militares de Abril do "entrega-entrega" e que depois se dedicou a construir uma narrativa auto-desculpabilizadora sobre o desfecho da guerra do ultramar - a qual procura fixar a tal "verdade oficial". - Apesar disso, aqui fica este escrito do dito senhor, sobre o busílis da questão - caso para lhe perguntar porque não toca a reunir a brigada do reumático da Associação 25/04, e fazem outro 25/04??  (ah, já me esquecia que o 25/04 só serviu para se fazer a tal de "descolonização exemplar", visto que, passado o fervor revolucionário, os tais que denuncia voltaram depressa, sem que os senhores militares denunciassem, a seu tempo, o regresso dos vampiros e da corrupção generalizada...).
Todavia, aqui vos fica: 
«Corrupção - ataquem o Cérbero, 
o monstro das três cabeças. 
Não sejam cobardes nem cúmplices  
 Vamos falar de corrupção? A sério? 

Podíamos falar da constituição de monopólios do tempo da primeira industrialização de Portugal, a do Marquês de Pombal, mas vamos ao tempo aqui mesmo ao virar da porta. Como se reconstruiram os grupos privados após a nacionalização da banca em 11 de Março de 1975? Como reapareceram os bancos privados, como surgiram o BIP, das confederações do Porto, Santos Silva, o BCP/Millenium da Opus Dei, Jardim Gonçalves, o BPN de Oliveira e Costa, como reapareceram os Espirito Santo, como desapareceram os Burney, os Pinto Basto, o Totta e Açores, o Pinto e Sotto Mayor, o Crédito Predial, como desapareceu o Banco Português do Atlântico de Cupertino de Miranda e o Pinto Magalhães? Como apareceram os Mello /CUF no sector da saúde privada e nas auto-estradas e como desapareceu a CUF, um grupo insustrial? Como desapareceu a SACOR e surgiu a GALP? Como foram atribuídas as concessões de estradas – BRISA e Autoestradas do AtLântico, de portos, de aeroportos? 

Em resumo: Como surgiu a Quinta da Marinha após o 25 de Novembro? Como desapareceram a Siderurgia Nacional, a CIMPOR, a CUF /SAPEC- adubos, as papeleiras, as refinarias nacionais – SACOR e surgiram os concessionários das portagens de autoestradas, os comissionistas de taxas de combustíveis e de electricidade, os merceeiros da grande distribuição? 
Corrupção. Como se constroem impérios de serviços? A SONAE, ou o Pingo Doce, ou a Brisa, ou a CUF saúde? Como se constrói uma sociedade de rendas, de rentistas, sem pagar comissões ao poder político? 
E não só, como se mantém a ficção de que vivemos num regime de seriedade sem uma comunicação social por conta, como as amantes? A comunicação social é corrupta desde o miolo. É a comunicação da corrupção e ao serviço da corrupção! 
Existe algum chefe de governo desde 25 de Novembro de 1975 que não tenha sido um avençado dos grupos cuja criação ou recriação promoveu? Mais, existe algum presidente da República que não tenha sido um instrumento destes poderes? Quem não se aboletou com os fundos estruturais da CEE? A UGT nasceu como? Já alguém ouviu o Torres (um peão, é certo) Couto sobre os fundos para a formação? E quanto ao abate da frota pesqueira ? E sobre a destruição do olival? E sobre a plantação do eucalipto? E como foram elaborados os PDM, os planos directores que trouxeram 80% da população para a faixa litoral? Existe alguém nos vários governos com as mãos limpas?
Como surgiram bancos fantasmas do tipo BPN sem corrupção no topo do regime? 
Tenho sobre o cristo do momento, Manuel Pinho, a pior das opiniões: enojam-me os zequinhas como ele, os patetas como ele, os pequenos vigaristas como ele, mas falemos então de gente que determinou o que está a acontecer: Julguem o Ricardo Espírito Santo Salgado! Comecem por ele e deixem para já os peixinhos de aquário, como o Pinho dos corninhos a abrir e a fechar a boca e os Sócrates. 
Vamos ser sérios: na operação Marquês comecem por Salgado e pelo Banco Espirito Santo. No caso do Pinho, ou do Sócrates, comecem por Espírito Santo. Sentem Ricardo Espírito Santo Salgado no banco e comecem a fazer-lhe perguntas. Quem o trouxe de regresso a Portugal? Que apoios ele teve para reconstituir o seu império? E chamem Jardim Gonçalves! E chamem as famílias Cupertino de Miranda e de Pinto Magalhães! 
Mas, antes de tudo tenham a coragem de julgar Ricardo Espirito Santo Salgado! É nele que tudo começa e é aos Espirito Santo que tudo vai dar. Não sejam cobardes e não atirem areia aos olhos dos portugueses! 
Tenham os jornalistas a coragem de ir ao centro do vulcão! Ao Espirito Santo! Porque não vão? Medo? Cumplicidade? 
O resto, os ataques a Sócrates e a Pinho são demonstrações de rafeiros que ladram mas não mordem. Estamos a ser – os portugueses em geral – sujeitos a uma barreira de mistificadores e de cobardes que nos querem pôr a discutir as gorjetas que os mandaletes de fazer recados, os groom, receberam quando a questão é a do dono do hotel. Mas esse deu muito dinheiro a ganhar. Sabe muitas histórias… Não é? 
A história da corrupção que nos está a ser contada é a história da cobardia de jornalistas e de magistrados. De canalhas que estão a apontar para o lado – foi aquele menino - para que não olhemos para eles. 
É o desafio, o meu: políticos, jornalistas, magistrados, tenham espinha, encham o peito e vão​-se​ a ele! Não sejam rafeiros! Não sejam merdas: atirem-se ao Cérbero, ao “demónio do poço” na mitologia grega, ao monstruoso cão de três cabeças que guardava a entrada do mundo inferior, o reino subterrâneo dos mortos, deixando as almas entrarem, mas jamais saírem e despedaçando os mortais que por lá se aventurassem. Vão à fonte da corrupção: ao Espírito Santo. 

Falta-vos coragem? Comeram desse tacho? Não? 
Se não falta coragem, se não comeram desse tacho, atirem-se ao Espírito Santo, ao monstro, ao Cérbero, exijam o seu julgamento! Ele sorri e escarnece de vós à saída das audiências! Vão-se​ a ele! 

O resto são merdices e areia para os olhos do pagode.»

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Da nossa Aldeia para a Aldeia Curda...

O nosso amigo Ti Ago é um improvisador inspirado. 
Diz que estaba ali no tasco, a ber na telebisão
os turcos a malhar nos curdos, e beio-lhe a inspiração:
E escrebeu um poema, a celebrar o Curdistão!

Aqui bos fica, a pedido do ti Ago, 
este expressivo poema 
a um povo extraordinário:













Na cordilheira do Zagros,
os avanços são magros.
No monte Ararate,
pressente-se a morte.
Desde as montanhas do Kandil,
lançaram-lhe de Paris o ardil.
Mas mesmo assim resiste, persiste
e em parte já existe.
Encravado entre Iraque, Turquia, Síria e Irão,
aspira uma Nação!
Para lá da mentira e do engano orquestrado,
é já Natio mas ainda não Estado.
É o Grande Curdistão!  

                                                       Ti Ago


E se mais quiserdes saber, 
tomai lá para aprender:





sábado, 3 de fevereiro de 2018


 --- DECADÊNCIA OU NÃO DECADÊNCIA ---

Abordando o tema da decadência, apetece-me tratá-lo de dois ângulos que se laçam e entrelaçam: a decadência e a não decadência.
Quanto à primeira… na civilização do Iluminismo, da Revolução Francesa, da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, da Declaração Universal dos Direitos do Homem, da igualdade de géneros, da abolição da escravatura, da exploração Espacial, da vanguarda legislativa sobre trabalho ou o ambiente, dos mais baixos índices de pobreza, dos mais altos índices de riqueza ou da solidariedade, continuamos a levantar o silício, prostramo-nos e aceitamos muitas vezes por bagatelas (as mais evidentes nestes tempos são as religiosas) e em nome de uma igualdade (que no fundo é totalmente desigual) renegarmos todos estes princípios fundadores.  Enquanto continuamos a discutir o sexo dos anjos, Constantinopla é conquistada.
Numa biografia de Salazar (sinceramente não me recordo se na de Franco Nogueiro ou na de Filipe Ribeiro Menezes) lhe perguntam o porquê da extensão temporal da Guerra Colonial, muito secamente responde: à espera que Ocidente acorde e atine.
Não serão, a venda e o esquecimento dos nossos princípios a grande decadência? Ontem como hoje os trinta dinheiros e a cegueira são os imperadores do mundo.

Mas indago, não estará decadência nas pequenas ações e observações?

Ainda esta semana uma aluna do secundário me fez a seguinte interpelação no início da aula? O professor gostava de andar na escola? – sim. Tanto gostei que ainda hoje para além de professor ainda sou estudante. Retorque ela: eu também gosto, mas gosto é dos intervalos e dos colegas! Porque é que temos de ser avaliados às matérias que estudamos? – porque não estou aqui para avaliar, cores de cabelos ou o tamanho das unhas de gel mas geografia. Não convencida, volta à carga: porque é que temos de andar na escola? Não serve para nada! Confesso – embora sendo pacifista – que me apeteceu fazer uso das técnicas da escola primária…. No entanto fiz-lhe ver que as suas observações eram ridículas e desproporcionadas por duas coisas: por ser mulher (e pela sua luta) e pelo analfabetismo (e a sua carga negativa). Indiquei-lhe que se por acaso tivesse nascido 500 km mais a sul, a sua opinião seria totalmente diferente. Não percebendo o comentário, alguém teve de lhe explicar que me estava a referir a Marrocos e o que implica ser mulher nos países árabes e pior: mulher analfabeta! Não atingiu a magnitude do comentário!

Quanto ao “tempo das meias-tintas”, já Pessoa dizia: Ninguém sabe que coisa quer./ Ninguém conhece que alma tem,/ Nem o que é mal nem o que é bem. /(Que ânsia distante perto chora?)/ Tudo é incerto e derradeiro. /Tudo é disperso, nada é inteiro. Ó Mundo hoje és nevoeiro.
Aliás, muitas dessas questões, levantadas no texto, “DECADÊNCIA DO OCIDENTE - mais sinais do Fim...” se as vivêssemos em Eras passadas seriam processadas pela moralidade e pela ética religiosa (religião no geral e não obrigatoriamente a Católica) traçando a linha entre o aceitável e o intolerável de modo a preservar a normalidade das sociedades terrenas e celestiais. Mas quem traça essa linha ética e moral, hoje? Estaremos, nós os ateus/agnósticos a cair no duplo paradoxo de i) não acreditar no fenómeno religioso, mas a “rezar” para que ele não acabe? e ii) se no século XIX, a causa da decadência (no caso Portugal por Antero de Quental) fosse a religião agora esta decadência esteja hoje ligada ao rarear da religião? Um tema que com tempo se hão-de gerar alguma linhas reflexivas. 

Voltando ao nosso mundo mais rústico e telúrico onde o pensamento é simples e claro como a água ou como a poesia de Caeiro, ergue-se a máxima: a necessidade aguça o engenho. Será que esta nossa decadência começa por não termos a necessidade e o consequente engenho? Esta onda de depressões não será um reflexo da perda de argúcia e de resiliência?

Quanto à segunda…pergunto se grande parte do mundo não gostaria de viver na nossa decadência. Nãos seremos o pior dos cegos? Isto é, aquele que não quer ver e que apenas nos queixamos de barriga cheia? (que é incomparável melhor que nos queixarmos de barriga vazia). E que esse queixume não é apenas um reflexo do nosso inconformismo e resultado de uma busca incessante pelo novo e pelo diferentes embora muitas vezes seja pior que o que tínhamos ou nem sequer o consigamos compreender na sua totalidade? Afinal de contas quem prefere ver o “Olhar o Mundo” onde um bando de chatos comenta geopolítica quando pode tomar o seu shot de reallity show instantâneo? Não seremos apenas aquela personagem hipocondríaca que pensa que tem todas as doenças e toma remédios impulsivamente, quando afinal tempo apenas uma unha encravada?
Estará a sociedade decadente, estarão as ideias e os princípios decadentes, os dois ou nenhum?

Post scriptum: Cara Cristina, felicito-a pelo texto e pela bela explicação e distinção entre educação, biologia e antropologia.


Ti Ago

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

DECADÊNCIA DO OCIDENTE - mais sinais do Fim...

Pouco a pouco, fomos megulhando num mundo desenxabido: café sem cafeína, açúcar sem sacarose, cerveja sem álcool, tabaco sem nicotina (e agora substituído por uns "cigarros eléctrónicos" que ainda fazem mais mal do que os originais)... Reflexo de tudo isto, no tempo das meias-tintas, um pretenso vanguardismo de "gauche", através da lavagem cerebral do "politicamente correcto", impôs o multiculturalismo e, indo muito além da louvável igualdade de género, pretende afirmar a... anulação do género!! - Nem sequer se trata de construir uma Humanidade assexuada, mas de uma Humanidade (ou Mulheridade??) efeminada, onde, a pretexto de se combater o "machismo", se procura erradicar o masculino, dando lugar a um paraíso LBTG, em que o "macho" é um híbrido que já não sabe o que é, e a reprodução se reduz ao recurso a adopções de meninos de países exóticos, ou então inseminam-se as mulas destes supostos "casais", quando não-raro se arranjam "barrigas de aluguer"... 

- Ora como sabiam os nossos mais-velhos cá da Aldeia (real), os machos e mulas eram criaturas que não se reproduziam - o que será, talvez, o objectivo último destas criaturas - tudo gente bem pensante, das élites burguesas urbanas - ou seja, o desmantelamento total e completo da civilização ocidental. O caricato é que, desse modo, estão a abrir as portas a um mundo onde a mulher é tratada abaixo de cão, tem de andar de burka ou, no mínimo, de cara tapada, onde o homem é rei e senhor e até pode ter tantas quantas possa sustentar... Ah,  mas os(as) mulos(as) do politicamente correcto desculpabilizam e relativizam isto, com base na "especificidade cultural" de tais povos...

É nestes fundamentalismos que, partindo de situações obviamente não defensáveis (pedofilices, violações, etc.), acabamos por encontrar a verdadeira "caça às bruxas", que desemboca na criminalização do "assédio". Sendo que neste conceito pode caber toda a subjectividade que vai de um simples piropo, ou a uma atenção ou abordagem mais carinhosa relativamente a alguém do sexo oposto (presumo que se fôr entre criaturas do mesmo sexo não deve haver problemas...). - Como é evidente, as queixosas (subentende-se que sejam só as "queixosas", pois as mulheres não assediam homens) nunca se queixarão de tipos todos "bons", tipo príncipe encantado ou tipo Cristiano Ronaldo, bonitões, de conta bem recheada... De onde se conclui, que o "assédio" só acontece (ou seja, é denunciado), quando se trata de um tipo feio, mal vestido, velho, e/ou um "teso" (economicamente, para além do seu estado físico momentâneo). Ou então, como o disse a Catherine Deneuve (a original), o ataque de pudor e de indignação, em certos casos Hollyhoodescos, acontece em diferido, muitos anos depois, uma vez garantida uma carreira que, sabe-se lá, boa parte dela foi feita na horizontal... - Enfim, as tais americanices que depois são exportadas para a Aldeia Global.

Serve este arrazoado como introdução para um clarividente texto que mão amiga nos fez chegar, tanto mais insuspeito na medida em que é assinado por uma Senhora. Sim, uma Senhora com S grande, que seguramente seria vaiada pelas mulecas esganiçadas da tal "gauche" LBGT das pseudo-élites bem-pensantes das sociedades urbanóides deste Ocidente em putrefacção acelerada.

Aqui vos fica:


«ASSÉDIO… ou PARVOÍCE?
Cristina Miranda

Há por detrás desta onda de indignação de certas mulheres uma hipocrisia monumental. Se por um lado se queixam do assédio sexual por parte dos homens, do outro exibem-se praticamente nuas apelando aos  instintos  reprodutores dos machos. Não me venham dizer que o fazem de forma ingénua só por “gostarem” da indumentária ou para se “sentirem bonitas”. Balelas! Mulher que é mulher com “M” grande sente-se bonita e atraente até com umas simples calças de ganga. Sou mulher e sei muito bem do que falo.
Cresci num tempo em que incomodar uma miúda na paragem de autocarro com graçolas era MÁ EDUCAÇÃO com direito a dois tabefes bem dados nas trombas desses garotos após queixa ao pai. Não era assédio sexual. Um tempo em que mandar um piropo por passar uma rapariga bonita, não era assédio, era fazer a corte. Atacar violentamente uma mulher abusando dela sexualmente era crime de violação sexual. Tudo era muito bem definido. Agora tudo é assédio. Hoje até um simples “olá estás boa!” pode ser perigoso. É a doideira total.
Como mulher também eu fui largamente “assediada” dentro deste contexto “moderno” da palavra. E isso nunca me incomodou. Porque os galanteios sabiam-me bem ao ego pois demonstravam  o meu grau de sedução sobre o sexo oposto. Mas sempre com cuidado com as indumentárias para não transmitir uma imagem errada daquilo que pretendia: atrair  pessoas, não predadores sexuais. Quantas vezes me perguntaram: “Posso me sentar? Está acompanhada?” dando uma resposta imediata conforme minha conveniência. Que mal tem atrair os homens e receber uma abordagem por isso quando até os  passarinhos (esses animais tão fofos) provocam as passarinhas com rituais para as atrair sexualmente?  Porque não nos indignamos igualmente com a natureza? Bem, deixa-me estar calada, não vá alguém ter ideias…
Mas a hipocrisia cresce ainda mais quando ninguém refere os homens como vítimas desse mesmo assédio de que tanto  se queixam! Não oiço nada, mesmo nada sobre isso e é muito estranho. Ao longo da minha vida vi coisas incríveis protagonizadas por mulheres predadoras sexuais. Não estou a brincar. Autênticos filmes alguns quase de terror psicológico com elas a rodear vítimas masculinas desesperadamente. Quando dava aulas em Ponte de Lima havia um colega que era muito popular do mulherio. Sempre rodeado por elas, alunas e professoras. Tinha o dom de saber ouvi-las e elas encantavam-se com ele! E eu, achava aquilo muito engraçado, porque meu colega, fosse num café ou na escola, nunca se via com homens. Parecia ter mel que só atraia o sexo feminino. E muitas! Até que um dia nos tornamos amigos e ele começa a contar-me o seu drama. Fiquei a saber que ele era perseguido, molestado, “armadilhado” com esquemas onde apareciam  nuas na sua cama, lhe ligavam para casa a toda a hora, enfim, não o deixavam em paz. Vivia num inferno! Mas, como vivíamos num tempo diferente deste, nunca viu nisso um crime. Apenas azar de atrair tanto o sexo feminino. Como este, conheci muitos mais exactamente com o mesmo problema: assédio feminino. Alguém fala nisto? Claro que não. Não convém.
Esta raiva aos homens é patológica. Não faz sentido em mulheres saudáveis e bem resolvidas com a vida. Porque estas sabem sempre avaliar as situações separando o que é efectivamente crime do que não passa de galanteios, mais ou menos felizes (sim, porque nem todos nascem com o mesmo dom para a sedução).  Saberá estar à altura de dizer “não” e se esse “não” for desrespeitado, resolvê-lo.

Porque a hipocrisia não deixa ver que no dia em que estas senhoras todas com mais ou menos  nudez à mostra, não obtiverem qualquer reacção masculina (por receio destes) serão elas a questionar a virilidade dos homens e acaba-se o glamour dos vestidos às tiras sem cuecas.»