quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Para que serve a Escola???

- Eu cheguei lá há mais tempo... Ainda a procissão estava no adro... Mas quando vinha um inspector escolar a dizer que não se podiam dar tantas negativas, que até ao 9º ano era para passar toda a gente, que todos os alunos eram potencialmente génios e se o aluno não se revelava o génio que era, a culpa era do prof., ao mesmo tempo q dizia q cada aluno era um caso, e, como tal, para atender a esse "caso" (normalmente perdido), tinha que se atrasar a turma toda para dar atenção a quem não queria saber nada daquilo... Ah, mas o facilitismo era só para os alunos, pois que para os profs. eram cada vez mais exigências: planos de aula, testes planificados (que na verdade interessavam pouco, porque "a avaliação devia ser contínua" e obtida mediante a "participação" na sala de aula... etc., etc.....).

- Tive sorte, que nesse tempo (1987/1988), ainda não havia telemóveis... Nem a escolaridade "obrigatória" para minorias étnicas que se estão a marimbar para a escola e que se por acaso são repreendidos, vão buscar o pai e a mãe e os irmãos e a tribo toda e o desgraçado do prof. está tramado...

- Vendo o rumo da coisa, a partir de dada altura achei que era melhor "dar de frosques", seguindo o conselho - que até aí me irritava - de um amigo meu, ex-prof., que dizia que "só ficava no Ensino quem não sabia fazer mais nada!"...

- Mesmo assim, e se calhar porque ainda estava nesse tempo, e com a procissão no adro, gostei da experiência docente. Nela continuaria, se esses teóricos da "Escola aberta", como os teóricos das "Sociedades abertas", que apodreceram paulatinamente toda a civilização ocidental, não tivessem cavado este sepulcro... Mas foi assim:

- A escola deixou de ser o lugar onde se ia aprender alguma coisa, para ser um curral onde se mantêm os meninos mais ou menos juntos para não estarem em casa a fazer merda... - ao fim do dia os papás vão buscá-los no carrinho (os de mais longe, cada vez mais raros, vão de autocarro) e cada qual vai à sua vida, assim quotidianamente, alegremente, imbecilmente, como esta sociedade doente a apodrecer aos poucos, aqui como nas Américas (que é a matriz), nas Américas como aqui... - A China agradece.

Aqui vos fica, o que mão amiga me enviou cá para a Aldeia:

               "Cansei-me, rendo-me..."

Leonardo Haberkorn, jornalista e escritor, era professor numa universidade de Montevideo.  Deixou o ensino, que antes o apaixonava, e explica porquê.
 "Depois de muitos e muitos anos, hoje dei a última aula na Universidade.
Cansei-me de lutar contra os telemóveis, contra o whatsapp e contra o facebook. Ganharam-me. Rendo-me. Atiro a toalha ao chão.
Cansei-me de falar de assuntos que me apaixonam perante jovens que não conseguem desviar a vista do telemóvel que não pára de receber selfies.
Claro que nem todos são assim. Mas cada vez são mais
Até há três ou quatro anos a advertência para deixar o telemóvel de lado durante 90 minutos, ainda que fosse só para não serem mal-educados, ainda tinha algum efeito.
Agora não. Pode ser que seja eu, que me desgastei demasiado no combate. Ou que esteja a fazer algo mal.
Mas há algo certo: muitos desses jovens não têm consciência do efeito ofensivo e doloroso do que fazem. Além disso, cada vez é mais difícil explicar como funciona o jornalismo a pessoas que o não consomem nem vêem sentido em estar informadas.
Esta semana foi tratado o tema Venezuela. Só uma estudante entre 20 conseguiu explicar o básico do conflito. O muito básico. O resto não fazia a mais pequena ideia. Perguntei-lhes (...) o que se passa na Síria? Silêncio. Que partido é mais liberal ou que está mais à 'esquerda' nos Estados Unidos, os democratas ou os republicanos? Silêncio. Sabem quem é Vargas Llosa? 
Alguém leu algum dos seus livros? Não, ninguém! Lamento que os jovens não possam deixar o telemóvel, nem na aula. Levar pessoas tão desinformadas para o jornalismo é complicado.
É como ensinar botânica a alguém que vem de um planeta onde não existem vegetais. Num exercício em que deviam sair para procurar uma notícia na rua, uma estudante regressou com a notícia de que se vendiam, ainda, jornais e revistas na rua.
Estes jovens, que continuam a ter inteligência, simpatia e afabilidade, foram enganados, a culpa não é só deles. A incultura, o desinteresse e a alienação não nasceram com eles.
Foram-lhes matando a curiosidade e, cada professor que deixou de lhes corrigir as faltas de ortografia, ensinou-lhes que tudo é mais ou menos o mesmo. Então, quando compreendemos que eles também são vítimas, quase sem darmos conta vamos baixando a guarda.
E o mau é aprovado como medíocre e o medíocre passa por bom, e o bom, as poucas vezes que acontece, celebra-se como se fosse brilhante. Não quero fazer parte deste círculo perverso. Nunca fui assim e não serei assim.
O que faço sempre fiz questão de o fazer bem. O melhor possível. E não suporto o desinteresse face a cada pergunta que faço e para a qual a resposta é o silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Eles queriam que a aula terminasse. Eu também."  

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Laranjolices



Toda a gente sabe que o PSD foi sempre um partido de conspirações permanentes, um saco de gatos, todos àvidos de poleiros e de tachos. Será o mesmo nos outros partidos, por isso a tal de "democracia" ( = partidocracia, tão bem denunciada no post de ontem - ver artigo de Paulo de Morais) é o que é...

Assim foi que o coiote Montenegrino, com aquele seu ar (e andar) de hiena, ou ainda, continuando nas metáforas da selva africana, de macacóide com pretensões, apareceu a tentar destronar o macaco velho. É típico. Mal pressentem algum sinal de fraqueza, os macacóides candidatos a líder começam a morder no macho Alfa, para o substituir. É a vida, diria o outro. Para o ainda macho Alfa é uma questão de tempo (e de dentes). 

Esperam-se as cenas dos próximos episódios, mas a verdade é que esses macacóides pretensiosos nunca desarmam e são mesmo muito bons nas "malas artes" da conspiração. Aqui vos fica mais este retrato (ou retrete) do "país real", com a devida vénia do DN:

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

PARTIDOCRACIA - o verdadeiro cancro na "democracia" tuga


Sempre certeiro, aqui afixamos, na praça cá da Aldeia, mais este escrito de Paulo de Morais - sem comentários: 

A partidocracia destrói a democracia

Paulo de Morais
(Presidente da Frente Cívica)

Criados para representar as diferentes visões da sociedade, ao serviço do eleitorado, os partidos políticos estão em fase acelerada de degenerescência. São habitados por elites políticas que esqueceram os cidadãos e tudo fazem agora para manter os privilégios de que se foram apropriando. São os principais responsáveis pela abstenção, pelo desinteresse crónico pela política e pela crise da democracia.

O principal objectivo dos maiores partidos portugueses é, na verdade, manterem-se na esfera do poder, partilhar negócios de Estado com os grupos económicos de que são instrumento e garantir emprego aos muitos milhares de apaniguados, os militantes partidários e seus familiares.

 O seu primeiro desígnio é eliminar a concorrência. Instalados no poder, os partidos do sistema (PSD, PS, CDS, Bloco e PC) garantem o exclusivo das candidaturas ao Parlamento, para que personalidades independentes não possam ter assento na Assembleia da República. Não permitem a entrada no seu feudo parlamentar de independentes, obstaculizam o acesso a novos partidos. Para beneficiar os maiores, permitem-se violar o princípio da proporcionalidade, que a Constituição exige: em 2015, um deputado do PSD ou do PS foi eleito com 20 mil votos, mas já o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista necessitam para a sua eleição cerca de 30 mil votos. Além do mais, impedem que outras forças políticas tenham acesso ao Parlamento, apesar de algumas delas terem recebido muitos mais votos do que os 20 mil que elegem cada um deles.

Os partidos nem sequer cumprem a lei, em múltiplos aspectos, o mais escandaloso dos quais é o desrespeito pela legislação de financiamento político. São recorrentemente condenados, multados pelo Tribunal Constitucional; mas sem quaisquer consequências, porque o Estado sempre permite a prescrição, no tempo, das sanções que aplica. Estes partidos garantem ainda, apenas para si próprios, financiamentos de Estado permanentes. Usufruem de subsídios públicos de todo o tipo, com os quais mantêm uma máquina de propaganda, ilegítima fora de períodos eleitorais. Só em Portugal há, em permanência, propaganda partidária nas ruas, uma forma de lavagem cerebral sistemática. Utilizam até o domínio público como propriedade sua: são aos milhares os pequenos cartazes ilegais, degradados, apensos a candeeiros públicos, de propaganda ao Bloco de Esquerda e do Partido Comunista. Este lixo urbano deveria ser removido pelas câmaras, o que não acontece, porque os partidos estão acima da lei.

Agarrados como lapas ao Estado, os dirigentes partidários distribuem benesses e privilégios pelas empresas que os financiam e para as quais vão mais tarde como assalariados. Foi o que sucedeu com as ruinosas parcerias público-privadas rodoviárias, cujo maior agente foi a MotaEngil, que acabou a albergar quase todos os ex-governantes do sector das obras públicas: de Jorge Coelho a Seixas da Costa, do PS, a Valente de Oliveira e Ferreira do Amaral, do PSD. O mesmo fenómeno de promiscuidade entre política e negócios marcou a onda de privatizações ao desbarato, manipuladas por políticos que hoje recebem tenças milionárias nas empresas que os próprios partidos privatizaram. O socialista Luís Amado preside à privatizada EDP, assessorado pelo social-democrata António Mexia e pela centrista Celeste Cardona. Para presidir à privatizada ANA, foi designado o ex-ministro José Luís Arnaut. A lista dos políticos de negócios é interminável, neste infernal sistema de portas giratórias que coloca o Estado ao serviço de interesses privados.

Além de negócios e rendas milionárias, os partidos garantem a sobrevivência económica dos seus apoiantes através da atribuição de muitos milhares de empregos. Usam, para este fim, a administração central, as autarquias, as empresas municipais, os institutos públicos. Transformaram-se mesmo na maior agência de emprego do país. Assim, os partidos tudo fazem para manter o statu quo: controlam o sistema eleitoral, impedem a apresentação de alternativas, violam leis, utilizam recursos públicos em seu proveito, manipulam a opinião pública, enxameiam as televisões com comentadores facciosos, censuram todo o discurso contraditório. Ameaçados pelo desmoronar das bases democráticas, preferem apelidar de populista qualquer alvo em movimento, do que realmente regenerar a sua missão. Os partidos, que deveriam ser a essência da democracia, estão a aniquilá-la.

in Público, 2019.01.17



terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Viver no interior não é fácil...

Com a "grande Crise" a que se colou a Troika, ainda pensámos - ingenuamente - que o regresso ao interior e a uma agricultura de subsistência pudesse motivar muito mais gente a fugir das urbes, em cujos prédios não dá para se plantar couves, como se sabe.
Mesmo assim, alguns "líricos" fizeram esse percurso, certamente com aquela ideia mítica da Aldeia e do interior como algo puro, solidário, povoado de gente boa.
A verdade é que já Rentes de Carvalho, há muitos anos, desmistificou essa imagem idílica da Aldeia assim vista da Cidade. A Aldeia (onde se incluem as Vilas, que são aldeias maiorzitas) não raro é pérfida, invejosa, mesquinha, mesmo odienta, onde, por vezes, certas "solidariedades" de interesses se conjugam para "fazer a folha" a quem se tente "armar em esperto", ou que se atreva a "pisar o risco"...

Para quem tenha dúvidas, aqui vos fica:

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/o-interior-ainda-e-duro-para-quem-o-escolhe-como-morada#_swa_cname=sapo24_share&_swa_cmedium=web&_swa_csource=facebook&utm_source=facebook&utm_medium=web&utm_campaign=sapo24_share

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

我們的海洋 (Wǒmen dì hǎiyáng = Mare Nostrum)



       


        


     我們的海洋
        
       (Wǒmen dì hǎiyáng*)







 PIGS. Embora (oficialmente) seja apenas um acrónimo para designar (e diga-se de forma brilhante!!!) os principais países do Mediterrâneo que se habilitaram, estiveram ou estão na mira do Santo Manto Protector do FMI (Portugal, Itália, Grécia e Espanha) podemos fazer ainda uma analogia religiosa (judaica e muçulmana), porque afinal de contas quem gosta deste animal que se chafurda na lama? Bem... parecendo que a asséptica Europa do Norte não tem especial simpatia por este animal e continuando a nossa demanda pelo resto do mundo paramos no Império do Meio (hoje todos os caminhos já não vão dar a Roma, mas a Beijing). Eles, tal como nós também adoram a criatura chafurdenta, de tal modo que lhe dedicaram não apenas um ano do seu calendário, mas o exportam em forma de gastronomia nessa especialidade sino-europeia que dá pelo nome de Chop-shoy!
E somos nós, os PIGS, de tal forma motivo de adoração que parece que também eles se converteram em povos de matriz Greco-Latina, preparando-se para deterem também eles o seu Mare Nostrum. Depois da compra de parte do maior porto do Grécia, porto do Pireu e de estarem presente nos portos de Vado na Itália, nos portos espanhóis de Barcelona, Valência e Algeciras, no porto francês de Marselha, o senhor que se segue é apenas o maior porto de águas profundas que qualquer navio que provenha do Atlântico Sul encontra ao chegar à Europa, o porto de Sines
Deste modo dominam não apenas a Rota Europeia do Cabo como a Rota Europeias do Mar Vermelho (via canal do Suez). Para além disso e pensando em grande e intermodalmente (One Belt, One Road) preparam-se para lançar a rota ferroviária Lisboa – Beijing. Recordemos, pois, com nostalgia as cinco!!! linhas propostas (Porto-Lisboa; Porto-Vigo; Aveiro–Salamanca; Lisboa-Madrid e a pérola Faro-Huelva) no efémero governo de Santana Lopes, que de acordo com a informação da altura nos ligaria definitivamente à europa civilizada e estaria financeiramente sustentada pelo plano europeu de ferro carril! Pelo andar da carruagem vai ser mais fácil chegar ao Extremo Oriente do que chegar a Paris de comboio de alta velocidade!
Aproveitando a crise europeia e impelidos pela sua milenar sabedoria, souberam financiar na inversa proporção de que em Bruxelas, Estrasburgo ou Frankfurt se discutia o sexo dos anjos deixando cair estes PIGS ou será pigs?  que necessitavam de uma salvação financeira depois de décadas de políticas irresponsáveis e erráticas (já para não falar do dinheiro que estes estafermos do Sul esbanjaram em p*#%s e copos!).
Mais uma vez os Eurotecnocratas dão um tiro de bazuca nos próprios pés e depois questionam-se como é que a Europa perde a cada dia mais terreno e como é que extrema direita começa paulatinamente a ganhar terreno…  vá-se lá saber como!!! 

*mare nostrum


    Por: Ti Ago


terça-feira, 4 de dezembro de 2018

A Tugalândia prepara-se para ser a Macau da China....


Consta que anda por aí o camarada presidente a República Popular(?) da China... - O homem que reforçou de tal modo os poderes, que nunca mais sai de lá (e, ao que parece, com mais poderes do que o saudoso camarada Mao, ou Mau, o pai fundador da RPC...). Ora, isto cá pelo ocidente, dantes, chamava-se "ditadura", essa coisa nefanda e abominável, sobretudo se fosse de direita. É verdade que camaradas iluminados, como o famoso "camarada Abel", que depois ficou conhecido nas Europas como o Mr. Barroso, há muito perceberam que entre comunismo, maoísmo e capitalismo, não há assim tão grandes diferenças...

Bem, resta ainda o Imperialismo - claro que nesse "dantes" PREKiano o verdadeiro imperialismo era só o americano. O das soviécias e do camarada Mao não era imperialismo: era "solidariedade com os povos oprimidos" ou "em vias de desenvolvimento rumo ao socialismo".

Que o Mundo é redondo, já se sabe com toda a certeza desde Magalhães-El Cano. E talvez seja por causa dessa ciclaridade que as coisas voltam aos princípios e a História se repete, mas de outro modo. Assim é que...
... os Tugas foram os primeiros Europeus a chegar à China, e tiveram lá um entreposto: Macau... - entretanto foram chegando os Chineses à Europa, e - qual vingança do chinês -  tomaram a Tugalândia como porta de entrada. Diz-se que a Tugalândia é só o 2º país (se isto ainda é "país") da Europa em que mais investem (ainda não percebi porque é que a Finlândia estará em 1º, mas nessas latitudes, só pode ser para chatear os camaradas russos...). Dito de outro modo, a Tugalândia prepara-se para ser a Macau dos Chineses, no quadro do seu império global que começou por abocanhar o Tibete, reintegrou Hong Kong e Macau, se prepara para reintegrar a Formosa (Tai Wan), e, pelo caminho, se enfiou como mais ninguém nas antigas colónias tugas, incluindo o Brasil, à grande!

E por cá, os politicozinhos de trazer por casa é só sorrizinhos, beijinhos e abraços (aliás, Xi-corações), na palminha das mãos, parece que esquecendo que a China, como qualquer outra potência imperial, dá a chouriça em troca do porco. 
Enquanto vão "Mexiendo" no seu bolso com a factura da electricidade e enganando o pessoal com as bugigangas da loja do vende-tudo, além do restaurante onde se serve a melhor carne de cão, aqui vos fica, tomai lá:


Post Scriptum: não deixa de ser curioso que, no meio de toda essa "real politik", seja o Berloque de Esquerda, a arvorar-se em consciência crítica do regime, tal como já havia feito, honra lhes seja feita, aquando do caso "Luati Beirão", um rapaz atirado para as masmorras do pseudo-comunismo/capitalismo de Estado (aliás, da oligarquia encabeçada pela família do velho Zedú) lá das Angolas, dizia, é sinal dos tempos que seja o dito Berloque a distanciar-se deste abjecto lamber de nalgas ao camarada Xi, enquanto todos os outros lhe andam aos Xi-corações!


quinta-feira, 5 de julho de 2018

Leituras para o veraneante...


Para um leitura light....

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/static/data/publicacoes/o_arqueologo_portugues/serie_1/volume_1/museu_moncorvo.pdf



Para uma leitura mais rica em gordura....

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/o_arqueologo_portugues_1_serie/



Boas leituras
Ti Ago

domingo, 27 de maio de 2018

"Corrupção - ataquem o Cérbero" - artigo de Carlos Matos Gomes

Não somos especialmente fãs deste senhor, um dos famosos militares de Abril do "entrega-entrega" e que depois se dedicou a construir uma narrativa auto-desculpabilizadora sobre o desfecho da guerra do ultramar - a qual procura fixar a tal "verdade oficial". - Apesar disso, aqui fica este escrito do dito senhor, sobre o busílis da questão - caso para lhe perguntar porque não toca a reunir a brigada do reumático da Associação 25/04, e fazem outro 25/04??  (ah, já me esquecia que o 25/04 só serviu para se fazer a tal de "descolonização exemplar", visto que, passado o fervor revolucionário, os tais que denuncia voltaram depressa, sem que os senhores militares denunciassem, a seu tempo, o regresso dos vampiros e da corrupção generalizada...).
Todavia, aqui vos fica: 
«Corrupção - ataquem o Cérbero, 
o monstro das três cabeças. 
Não sejam cobardes nem cúmplices  
 Vamos falar de corrupção? A sério? 

Podíamos falar da constituição de monopólios do tempo da primeira industrialização de Portugal, a do Marquês de Pombal, mas vamos ao tempo aqui mesmo ao virar da porta. Como se reconstruiram os grupos privados após a nacionalização da banca em 11 de Março de 1975? Como reapareceram os bancos privados, como surgiram o BIP, das confederações do Porto, Santos Silva, o BCP/Millenium da Opus Dei, Jardim Gonçalves, o BPN de Oliveira e Costa, como reapareceram os Espirito Santo, como desapareceram os Burney, os Pinto Basto, o Totta e Açores, o Pinto e Sotto Mayor, o Crédito Predial, como desapareceu o Banco Português do Atlântico de Cupertino de Miranda e o Pinto Magalhães? Como apareceram os Mello /CUF no sector da saúde privada e nas auto-estradas e como desapareceu a CUF, um grupo insustrial? Como desapareceu a SACOR e surgiu a GALP? Como foram atribuídas as concessões de estradas – BRISA e Autoestradas do AtLântico, de portos, de aeroportos? 

Em resumo: Como surgiu a Quinta da Marinha após o 25 de Novembro? Como desapareceram a Siderurgia Nacional, a CIMPOR, a CUF /SAPEC- adubos, as papeleiras, as refinarias nacionais – SACOR e surgiram os concessionários das portagens de autoestradas, os comissionistas de taxas de combustíveis e de electricidade, os merceeiros da grande distribuição? 
Corrupção. Como se constroem impérios de serviços? A SONAE, ou o Pingo Doce, ou a Brisa, ou a CUF saúde? Como se constrói uma sociedade de rendas, de rentistas, sem pagar comissões ao poder político? 
E não só, como se mantém a ficção de que vivemos num regime de seriedade sem uma comunicação social por conta, como as amantes? A comunicação social é corrupta desde o miolo. É a comunicação da corrupção e ao serviço da corrupção! 
Existe algum chefe de governo desde 25 de Novembro de 1975 que não tenha sido um avençado dos grupos cuja criação ou recriação promoveu? Mais, existe algum presidente da República que não tenha sido um instrumento destes poderes? Quem não se aboletou com os fundos estruturais da CEE? A UGT nasceu como? Já alguém ouviu o Torres (um peão, é certo) Couto sobre os fundos para a formação? E quanto ao abate da frota pesqueira ? E sobre a destruição do olival? E sobre a plantação do eucalipto? E como foram elaborados os PDM, os planos directores que trouxeram 80% da população para a faixa litoral? Existe alguém nos vários governos com as mãos limpas?
Como surgiram bancos fantasmas do tipo BPN sem corrupção no topo do regime? 
Tenho sobre o cristo do momento, Manuel Pinho, a pior das opiniões: enojam-me os zequinhas como ele, os patetas como ele, os pequenos vigaristas como ele, mas falemos então de gente que determinou o que está a acontecer: Julguem o Ricardo Espírito Santo Salgado! Comecem por ele e deixem para já os peixinhos de aquário, como o Pinho dos corninhos a abrir e a fechar a boca e os Sócrates. 
Vamos ser sérios: na operação Marquês comecem por Salgado e pelo Banco Espirito Santo. No caso do Pinho, ou do Sócrates, comecem por Espírito Santo. Sentem Ricardo Espírito Santo Salgado no banco e comecem a fazer-lhe perguntas. Quem o trouxe de regresso a Portugal? Que apoios ele teve para reconstituir o seu império? E chamem Jardim Gonçalves! E chamem as famílias Cupertino de Miranda e de Pinto Magalhães! 
Mas, antes de tudo tenham a coragem de julgar Ricardo Espirito Santo Salgado! É nele que tudo começa e é aos Espirito Santo que tudo vai dar. Não sejam cobardes e não atirem areia aos olhos dos portugueses! 
Tenham os jornalistas a coragem de ir ao centro do vulcão! Ao Espirito Santo! Porque não vão? Medo? Cumplicidade? 
O resto, os ataques a Sócrates e a Pinho são demonstrações de rafeiros que ladram mas não mordem. Estamos a ser – os portugueses em geral – sujeitos a uma barreira de mistificadores e de cobardes que nos querem pôr a discutir as gorjetas que os mandaletes de fazer recados, os groom, receberam quando a questão é a do dono do hotel. Mas esse deu muito dinheiro a ganhar. Sabe muitas histórias… Não é? 
A história da corrupção que nos está a ser contada é a história da cobardia de jornalistas e de magistrados. De canalhas que estão a apontar para o lado – foi aquele menino - para que não olhemos para eles. 
É o desafio, o meu: políticos, jornalistas, magistrados, tenham espinha, encham o peito e vão​-se​ a ele! Não sejam rafeiros! Não sejam merdas: atirem-se ao Cérbero, ao “demónio do poço” na mitologia grega, ao monstruoso cão de três cabeças que guardava a entrada do mundo inferior, o reino subterrâneo dos mortos, deixando as almas entrarem, mas jamais saírem e despedaçando os mortais que por lá se aventurassem. Vão à fonte da corrupção: ao Espírito Santo. 

Falta-vos coragem? Comeram desse tacho? Não? 
Se não falta coragem, se não comeram desse tacho, atirem-se ao Espírito Santo, ao monstro, ao Cérbero, exijam o seu julgamento! Ele sorri e escarnece de vós à saída das audiências! Vão-se​ a ele! 

O resto são merdices e areia para os olhos do pagode.»

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Da nossa Aldeia para a Aldeia Curda...

O nosso amigo Ti Ago é um improvisador inspirado. 
Diz que estaba ali no tasco, a ber na telebisão
os turcos a malhar nos curdos, e beio-lhe a inspiração:
E escrebeu um poema, a celebrar o Curdistão!

Aqui bos fica, a pedido do ti Ago, 
este expressivo poema 
a um povo extraordinário:













Na cordilheira do Zagros,
os avanços são magros.
No monte Ararate,
pressente-se a morte.
Desde as montanhas do Kandil,
lançaram-lhe de Paris o ardil.
Mas mesmo assim resiste, persiste
e em parte já existe.
Encravado entre Iraque, Turquia, Síria e Irão,
aspira uma Nação!
Para lá da mentira e do engano orquestrado,
é já Natio mas ainda não Estado.
É o Grande Curdistão!  

                                                       Ti Ago


E se mais quiserdes saber, 
tomai lá para aprender:





sábado, 3 de fevereiro de 2018


 --- DECADÊNCIA OU NÃO DECADÊNCIA ---

Abordando o tema da decadência, apetece-me tratá-lo de dois ângulos que se laçam e entrelaçam: a decadência e a não decadência.
Quanto à primeira… na civilização do Iluminismo, da Revolução Francesa, da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, da Declaração Universal dos Direitos do Homem, da igualdade de géneros, da abolição da escravatura, da exploração Espacial, da vanguarda legislativa sobre trabalho ou o ambiente, dos mais baixos índices de pobreza, dos mais altos índices de riqueza ou da solidariedade, continuamos a levantar o silício, prostramo-nos e aceitamos muitas vezes por bagatelas (as mais evidentes nestes tempos são as religiosas) e em nome de uma igualdade (que no fundo é totalmente desigual) renegarmos todos estes princípios fundadores.  Enquanto continuamos a discutir o sexo dos anjos, Constantinopla é conquistada.
Numa biografia de Salazar (sinceramente não me recordo se na de Franco Nogueiro ou na de Filipe Ribeiro Menezes) lhe perguntam o porquê da extensão temporal da Guerra Colonial, muito secamente responde: à espera que Ocidente acorde e atine.
Não serão, a venda e o esquecimento dos nossos princípios a grande decadência? Ontem como hoje os trinta dinheiros e a cegueira são os imperadores do mundo.

Mas indago, não estará decadência nas pequenas ações e observações?

Ainda esta semana uma aluna do secundário me fez a seguinte interpelação no início da aula? O professor gostava de andar na escola? – sim. Tanto gostei que ainda hoje para além de professor ainda sou estudante. Retorque ela: eu também gosto, mas gosto é dos intervalos e dos colegas! Porque é que temos de ser avaliados às matérias que estudamos? – porque não estou aqui para avaliar, cores de cabelos ou o tamanho das unhas de gel mas geografia. Não convencida, volta à carga: porque é que temos de andar na escola? Não serve para nada! Confesso – embora sendo pacifista – que me apeteceu fazer uso das técnicas da escola primária…. No entanto fiz-lhe ver que as suas observações eram ridículas e desproporcionadas por duas coisas: por ser mulher (e pela sua luta) e pelo analfabetismo (e a sua carga negativa). Indiquei-lhe que se por acaso tivesse nascido 500 km mais a sul, a sua opinião seria totalmente diferente. Não percebendo o comentário, alguém teve de lhe explicar que me estava a referir a Marrocos e o que implica ser mulher nos países árabes e pior: mulher analfabeta! Não atingiu a magnitude do comentário!

Quanto ao “tempo das meias-tintas”, já Pessoa dizia: Ninguém sabe que coisa quer./ Ninguém conhece que alma tem,/ Nem o que é mal nem o que é bem. /(Que ânsia distante perto chora?)/ Tudo é incerto e derradeiro. /Tudo é disperso, nada é inteiro. Ó Mundo hoje és nevoeiro.
Aliás, muitas dessas questões, levantadas no texto, “DECADÊNCIA DO OCIDENTE - mais sinais do Fim...” se as vivêssemos em Eras passadas seriam processadas pela moralidade e pela ética religiosa (religião no geral e não obrigatoriamente a Católica) traçando a linha entre o aceitável e o intolerável de modo a preservar a normalidade das sociedades terrenas e celestiais. Mas quem traça essa linha ética e moral, hoje? Estaremos, nós os ateus/agnósticos a cair no duplo paradoxo de i) não acreditar no fenómeno religioso, mas a “rezar” para que ele não acabe? e ii) se no século XIX, a causa da decadência (no caso Portugal por Antero de Quental) fosse a religião agora esta decadência esteja hoje ligada ao rarear da religião? Um tema que com tempo se hão-de gerar alguma linhas reflexivas. 

Voltando ao nosso mundo mais rústico e telúrico onde o pensamento é simples e claro como a água ou como a poesia de Caeiro, ergue-se a máxima: a necessidade aguça o engenho. Será que esta nossa decadência começa por não termos a necessidade e o consequente engenho? Esta onda de depressões não será um reflexo da perda de argúcia e de resiliência?

Quanto à segunda…pergunto se grande parte do mundo não gostaria de viver na nossa decadência. Nãos seremos o pior dos cegos? Isto é, aquele que não quer ver e que apenas nos queixamos de barriga cheia? (que é incomparável melhor que nos queixarmos de barriga vazia). E que esse queixume não é apenas um reflexo do nosso inconformismo e resultado de uma busca incessante pelo novo e pelo diferentes embora muitas vezes seja pior que o que tínhamos ou nem sequer o consigamos compreender na sua totalidade? Afinal de contas quem prefere ver o “Olhar o Mundo” onde um bando de chatos comenta geopolítica quando pode tomar o seu shot de reallity show instantâneo? Não seremos apenas aquela personagem hipocondríaca que pensa que tem todas as doenças e toma remédios impulsivamente, quando afinal tempo apenas uma unha encravada?
Estará a sociedade decadente, estarão as ideias e os princípios decadentes, os dois ou nenhum?

Post scriptum: Cara Cristina, felicito-a pelo texto e pela bela explicação e distinção entre educação, biologia e antropologia.


Ti Ago

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

DECADÊNCIA DO OCIDENTE - mais sinais do Fim...

Pouco a pouco, fomos megulhando num mundo desenxabido: café sem cafeína, açúcar sem sacarose, cerveja sem álcool, tabaco sem nicotina (e agora substituído por uns "cigarros eléctrónicos" que ainda fazem mais mal do que os originais)... Reflexo de tudo isto, no tempo das meias-tintas, um pretenso vanguardismo de "gauche", através da lavagem cerebral do "politicamente correcto", impôs o multiculturalismo e, indo muito além da louvável igualdade de género, pretende afirmar a... anulação do género!! - Nem sequer se trata de construir uma Humanidade assexuada, mas de uma Humanidade (ou Mulheridade??) efeminada, onde, a pretexto de se combater o "machismo", se procura erradicar o masculino, dando lugar a um paraíso LBTG, em que o "macho" é um híbrido que já não sabe o que é, e a reprodução se reduz ao recurso a adopções de meninos de países exóticos, ou então inseminam-se as mulas destes supostos "casais", quando não-raro se arranjam "barrigas de aluguer"... 

- Ora como sabiam os nossos mais-velhos cá da Aldeia (real), os machos e mulas eram criaturas que não se reproduziam - o que será, talvez, o objectivo último destas criaturas - tudo gente bem pensante, das élites burguesas urbanas - ou seja, o desmantelamento total e completo da civilização ocidental. O caricato é que, desse modo, estão a abrir as portas a um mundo onde a mulher é tratada abaixo de cão, tem de andar de burka ou, no mínimo, de cara tapada, onde o homem é rei e senhor e até pode ter tantas quantas possa sustentar... Ah,  mas os(as) mulos(as) do politicamente correcto desculpabilizam e relativizam isto, com base na "especificidade cultural" de tais povos...

É nestes fundamentalismos que, partindo de situações obviamente não defensáveis (pedofilices, violações, etc.), acabamos por encontrar a verdadeira "caça às bruxas", que desemboca na criminalização do "assédio". Sendo que neste conceito pode caber toda a subjectividade que vai de um simples piropo, ou a uma atenção ou abordagem mais carinhosa relativamente a alguém do sexo oposto (presumo que se fôr entre criaturas do mesmo sexo não deve haver problemas...). - Como é evidente, as queixosas (subentende-se que sejam só as "queixosas", pois as mulheres não assediam homens) nunca se queixarão de tipos todos "bons", tipo príncipe encantado ou tipo Cristiano Ronaldo, bonitões, de conta bem recheada... De onde se conclui, que o "assédio" só acontece (ou seja, é denunciado), quando se trata de um tipo feio, mal vestido, velho, e/ou um "teso" (economicamente, para além do seu estado físico momentâneo). Ou então, como o disse a Catherine Deneuve (a original), o ataque de pudor e de indignação, em certos casos Hollyhoodescos, acontece em diferido, muitos anos depois, uma vez garantida uma carreira que, sabe-se lá, boa parte dela foi feita na horizontal... - Enfim, as tais americanices que depois são exportadas para a Aldeia Global.

Serve este arrazoado como introdução para um clarividente texto que mão amiga nos fez chegar, tanto mais insuspeito na medida em que é assinado por uma Senhora. Sim, uma Senhora com S grande, que seguramente seria vaiada pelas mulecas esganiçadas da tal "gauche" LBGT das pseudo-élites bem-pensantes das sociedades urbanóides deste Ocidente em putrefacção acelerada.

Aqui vos fica:


«ASSÉDIO… ou PARVOÍCE?
Cristina Miranda

Há por detrás desta onda de indignação de certas mulheres uma hipocrisia monumental. Se por um lado se queixam do assédio sexual por parte dos homens, do outro exibem-se praticamente nuas apelando aos  instintos  reprodutores dos machos. Não me venham dizer que o fazem de forma ingénua só por “gostarem” da indumentária ou para se “sentirem bonitas”. Balelas! Mulher que é mulher com “M” grande sente-se bonita e atraente até com umas simples calças de ganga. Sou mulher e sei muito bem do que falo.
Cresci num tempo em que incomodar uma miúda na paragem de autocarro com graçolas era MÁ EDUCAÇÃO com direito a dois tabefes bem dados nas trombas desses garotos após queixa ao pai. Não era assédio sexual. Um tempo em que mandar um piropo por passar uma rapariga bonita, não era assédio, era fazer a corte. Atacar violentamente uma mulher abusando dela sexualmente era crime de violação sexual. Tudo era muito bem definido. Agora tudo é assédio. Hoje até um simples “olá estás boa!” pode ser perigoso. É a doideira total.
Como mulher também eu fui largamente “assediada” dentro deste contexto “moderno” da palavra. E isso nunca me incomodou. Porque os galanteios sabiam-me bem ao ego pois demonstravam  o meu grau de sedução sobre o sexo oposto. Mas sempre com cuidado com as indumentárias para não transmitir uma imagem errada daquilo que pretendia: atrair  pessoas, não predadores sexuais. Quantas vezes me perguntaram: “Posso me sentar? Está acompanhada?” dando uma resposta imediata conforme minha conveniência. Que mal tem atrair os homens e receber uma abordagem por isso quando até os  passarinhos (esses animais tão fofos) provocam as passarinhas com rituais para as atrair sexualmente?  Porque não nos indignamos igualmente com a natureza? Bem, deixa-me estar calada, não vá alguém ter ideias…
Mas a hipocrisia cresce ainda mais quando ninguém refere os homens como vítimas desse mesmo assédio de que tanto  se queixam! Não oiço nada, mesmo nada sobre isso e é muito estranho. Ao longo da minha vida vi coisas incríveis protagonizadas por mulheres predadoras sexuais. Não estou a brincar. Autênticos filmes alguns quase de terror psicológico com elas a rodear vítimas masculinas desesperadamente. Quando dava aulas em Ponte de Lima havia um colega que era muito popular do mulherio. Sempre rodeado por elas, alunas e professoras. Tinha o dom de saber ouvi-las e elas encantavam-se com ele! E eu, achava aquilo muito engraçado, porque meu colega, fosse num café ou na escola, nunca se via com homens. Parecia ter mel que só atraia o sexo feminino. E muitas! Até que um dia nos tornamos amigos e ele começa a contar-me o seu drama. Fiquei a saber que ele era perseguido, molestado, “armadilhado” com esquemas onde apareciam  nuas na sua cama, lhe ligavam para casa a toda a hora, enfim, não o deixavam em paz. Vivia num inferno! Mas, como vivíamos num tempo diferente deste, nunca viu nisso um crime. Apenas azar de atrair tanto o sexo feminino. Como este, conheci muitos mais exactamente com o mesmo problema: assédio feminino. Alguém fala nisto? Claro que não. Não convém.
Esta raiva aos homens é patológica. Não faz sentido em mulheres saudáveis e bem resolvidas com a vida. Porque estas sabem sempre avaliar as situações separando o que é efectivamente crime do que não passa de galanteios, mais ou menos felizes (sim, porque nem todos nascem com o mesmo dom para a sedução).  Saberá estar à altura de dizer “não” e se esse “não” for desrespeitado, resolvê-lo.

Porque a hipocrisia não deixa ver que no dia em que estas senhoras todas com mais ou menos  nudez à mostra, não obtiverem qualquer reacção masculina (por receio destes) serão elas a questionar a virilidade dos homens e acaba-se o glamour dos vestidos às tiras sem cuecas.»



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Desmontando o esquema das tais Privatizações...

Antes de mais, caros Aldeanos, desejo-vos um Bô Ano Nôbo!

E cá estamos nós, de novo na praça cá da Aldeia, para zurzir na bardinagem que anda por aí a dar cabo disto tudo!...

Já aqui botámos algumas bocas sobre isso das Privatizações Selvagens, inverso das Nacionalizações do PREC - a sigla agora até pode ser a mesma, agora PREC = Processo Reaccionário em Curso, protagonizado pela pandilha PSD, CDS e parte do PS, sobretudo o que emergiu do Socratismo. 
Sob a capa de uma "crije" que, quanto a nós, foi produzida artificialmente nos laboratórios da banca e do sistema financeiro internacional, para implementação de uma agenda neoliberal, eis que a palavra de ordem foi (e é): PRIVATIZAR, PRIVATIZAR, PRIVATIZAR!....


... E depois queixem-se que pagam a electricidade mais cara, ou que já não têm os Correios à porta...
... pois então, continuem, camelamente, a botar neles!!! (ou ainda não perceberam que esta Direita neoliberal que por aí anda, não passam de lacaios deste sistema sanguessuga, que suga o Estado, os seus trabalhadores - quando não os manda para o desemprego, como trastes - e, no fim da linha, os utentes/clientes...) - São os tais vampiros da canção do Zeca, que andam por aí, em bandos, pelas avenidas, bem engravatados, tresandando a perfume Boss...

- Sim, Botem neles... mas era com a Bota!!!


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Achegas para a impugnação da canonização do S. Belmiro...

Más línguas!...

Agora que tudo concorria para a canonização de S. Belmiro, já em fase de beatificação, incensado como o maior empresário que a Tugalândia jamais conheceu, um "self made man", um homem que subiu na vida a pulso, com um rasgo e visão inigualáveis, gestor eficaz, trabalhador incansável, que se levantava às 5h da manhã para trabalhar (bem, descontando a horita do ginásio matinal), enfim, com tantas qualidades que tudo apontava para uma subida aos altares mais rápida do que os pastorinhos de Fátima...

Eis então senão quando, e vêm agora para aqui uns desmancha-prazeres a lixar isto tudo - senão vejam:


«Ontem, no telejornal, esperei que a RTP desse um cheirinho sobre o "salto" de Belmiro de técnico-ativista para acionista rico. 
Nada, nem pó, nem sequer uma referência ao (aos?) processos que lhe moveu a viúva do banqueiro Pinto Magalhães, etc, etc, etc.
Deixo aqui um texto de um antigo deputado e bancário, para lerem com espírito aberto e buscarem mais para aferir, confirmar, complementar.

"Quando, em 14 de Março de 1975, o governo de Vasco Gonçalves nacionalizou a banca com o apoio de todos os partidos que nele participavam (PS, PPD e PCP), todo o património dos bancos passou a propriedade pública. O Banco Pinto de Magalhães (BPM) detinha a SONAE, a única produtora de termolaminados, material muito usado na indústria de móveis e como revestimento na construção civil. Dada a sua posição monopolista, a SONAE constituía a verdadeira tesouraria do BPM, pois as encomendas eram pagas a pronto e, por vezes, entregues 60, 90 e até 180 dias depois. Belmiro de Azevedo trabalhava lá como agente técnico (agora engenheiro técnico) e, nessa altura, vogava nas águas da UDP. Em plenário, pôs os trabalhadores em greve com a reclamação de a propriedade da empresa reverter a favor destes. A União dos Sindicatos do Porto e a Comissão Sindical do BPM (ainda não havia CTs na banca) procuraram intervir junto dos trabalhadores alertando-os para a situação política delicada e para a necessidade de se garantir o fornecimento dos termolaminados às actividades produtoras. Eram recebidas por Belmiro que se intitulava “chefe da comissão de trabalhadores”, mas a greve só parou mais de uma semana depois quando o governo tomou a decisão de distribuir as acções da SONAE aos trabalhadores proporcionalmente à antiguidade de cada um.
É fácil imaginar o panorama. A bolsa estava encerrada e o pessoal da SONAE detinha uns papéis que, de tão feios, não serviam sequer para forrar as paredes de casa… Meses depois, aparece um salvador na figura do chefe da CT que se dispõe a trocar por dinheiro aqueles horrorosos papéis.
Assim se torna Belmiro de Azevedo dono da SONAE. E leva a mesma técnica de tesouraria para a rede de supermercados Continente depois criada onde recebe a pronto e paga a 90, 120 e 180 dias…
Há meia dúzia de anos, no edifício da Alfândega do Porto, tive oportunidade de intervir num daqueles debates promovidos pelo Rui Rio com antigos primeiros-ministros e fiz este relato. Vasco Gonçalves não tinha ideia desta decisão do seu governo, mas não a refutou, claro. Com o salão pleno de gente e de jornalistas, nenhum órgão da comunicação social noticiou a minha intervenção.
Este relato foi-me feito por colegas do então BPM entre eles um membro da comissão sindical (Manuel Pires Duque) que por várias vezes se deslocou na altura à SONAE para falar aos trabalhadores. Enviei-o para os jornais e, salvo o já extinto “Tal & Qual”, nenhum o publicou… 
Gaspar Martins, bancário reformado, ex-deputado"»


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

PanteãoGate - um coro de virgens púdicas actua agora na cripta central

A brincar a brincar, o Sr. Ferreira Fernandes, em artigo no DN (ver em baixo) pôs o dedo na Frida (que não Kalo). 

- Na verdade, na lógica capitalista, tudo é business! 

Os monumentos? são para se "fruir"... tudo tem de se fruir, carago!, sobretudo se é malta endinheirada, que quer ter uma... "experiência diferente"! - jantares de gala em sítios chiquérrimos? - isso já é banal para eles, gente que já experimentou de tudo, precisamente porque tem muita massa. 

O que era preciso assim algo diferente (para algo de bom, há muito que existe o "Ferraro Roché") - o que era preciso, agora, era mesmo algo... de arrepiar. Só faltou mesmo, para completar o número, uns "fantasmas" embrulhados em lençóis, a deambular entre os sepulcros, e umas gravações com uns gritos lancinantes e o ranger de umas funéreas tumbas.... 

E foi pena não ter sido pelo Halloween, senão punham-se umas carrancas de abóbora com velas dentro sobre os túmulos do Camões e afins (nesses não há problema, porque até estão vazios). - Desde que esta gente pague, e bem, porque não?? Já que o Estado respeitável e omnipresente (em desconstrução acelerada por parte desses mesmos devotos dos "empreendedorismos" e das "startups") está cada vez mais sem cheta, porque não aderir a estas brilhantes e "empreendedoras" soluções, dentro do espírito do "Estado mínimo", neoliberal, imaginativo, criativo, sensitivo, lucrativo? 

- Há muito que se transformam velhos mosteiros e castelos em pousadas e afins? Pior era se abrissem um cabaré no Panteão (se calhar era esse o caminho, se não houvesse este burburinho - até rima!). Estão muito indignados? Pois esperem só pelo novo "Instituto do Património, S.A." que aí vem... - se fôr ainda com a "geringonça", teremos uma versão soft; se fôr com uma nova coligação tipo PaF, então será melhor ainda!...

Ora tomem lá:

Do Panteão pobre a uma Startup supermilionária
Agora, o Panteão. Jantou-se sob a cúpula. Culpa deste governo. Tudo dentro dos regulamentos de 2014. Culpa do governo anterior... Conversetas! Ora as culpas são outras. 1) Janta-se nos monumentos por falta de dinheiro. E 2) Ao alugar claustros e salões nobres não sabemos transformar a pobreza num orgulho. Por exemplo, para os da Web Summit, no Panteão, dizer-lhes quem somos. Ah, querem jantar com as nossas falecidas glórias? Então, além do cheque, ofereçam a vossa atenção! Não temos cá o Bulhão Pato (o melhor deste é servido em amêijoas nas tascas da cidade), mas temos Aquilino, o da cripta ao lado, que em A Casa Grande de Romarigãescozinhava a truta de dez maneiras. Ao menu chamar-se-ia Cartilha Maternal(homenagem a outro hóspede, João de Deus) e seria só peixe. Para lhes dizer, nós é mar - ao jantar citar-se-ia mil vezes Sophia. E, já agora, ó campeões da imaginação, o Eusébio está cá a representar mais que ele: foi colega de Coluna, um negro que mandava numa equipa de brancos quando isso ainda não existia. Silêncio, anunciava-se Amália e ouvia-se Max a cantar a Rosinha dos Limões. "Mas ela não era uma fadista?!", diria um geek. Cala-te e ouve (e agora era Amália a cantar): o fado Marujo, igualzinho... Lição para os da Web Summit: as invenções entrelaçam-se. Tanta coisa temos para vos ensinar enquanto mastigam... Investíamos as receitas dos jantares numa startup milionária: o Museu dos Descobrimentos. E com este libertávamos da pobreza o Panteão