quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Erasmus+



Uma delegação composta pelos professores Álvaro Pinto, Luísa Figueiredo e Ricardo Santelmo e pelos alunos Bruna Eiriz, Carlota Koehnen e Hugo Pereira, representou a Escola Secundária/3 Camilo Castelo Branco de Vila Real, entre os dias 23 e 30 de Setembro na Hungria, no âmbito do seu projeto Erasmus+. Os trabalhos decorreram nas cidades de Budapeste, Téglás e Debrecen.
Entre oficinas, provas desportivas e conferências há a salientar a aula preparada pela delegação portuguesa sobre a Rainha Santa Isabel de Portugal e a sua tia-avó, a também Rainha Santa Isabel da Hungria. Esta lição que vagueou entre as Histórias dos dois países, entre as regiões vinícolas do Tokaj e do Douro, entre Puskás e Cristiano Ronaldo, foi ilustrada musicalmente com a análise e interpretação de uma cantiga de amigo de D. Dinis, bem como de outros temas musicais portugueses com destaque para o fado e a marcha de Vila Real.
Partilharam-se experiências pedagógicas, especialmente uma metodologia inovadora, o CLIL, potenciadora do sucesso educativo dos alunos.
Portugal e, em especial, Vila Real foram promovidos e deixaram nos corações húngaros e nos das delegações parceiras o desejo de um reencontro para futuras partilhas.




A mão criminosa da "indústria dos fogos"

Finalmente apareceu alguém, entre os chamados "opinion makers", que disse o que andamos a dizer por aqui há muito tempo:

José Gomes Ferreira diz que as pessoas que ateiam fogo nas florestas sabem "estudar os dias e o vento para arder o máximo possível". Em entrevista no Jornal da Noite, o diretor-adjunto de Informação da SIC, fala na importância de haver uma auditoria para tentar perceber o porquê de haver tantas ignições e saber se há alguém que ganhe com esta vaga de incêndios. (in SIC Notícias, 2017.10.18)

Ver aqui: http://sicnoticias.sapo.pt/opiniao/2017-10-18-Quem-faz-isto-sabe-estudar-os-dias-e-o-vento-para-arder-o-maximo-possivel

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A morte antecipada da aldeia (real)...

Foto de Adriano Miranda/Público 

Já rios de tinta correram sobre o tema dos incêndios, e, como tal, tudo o que mais se possa acrescentar é chover no molhado. Mas, das várias coisas que lemos, e porque este blogue tem por título o trocadilho entre o "aqui d'el rei" e o "aqui d'aldeia", em que se subentende o "quem nos acode?", se bem que atiremos para a dita "aldeia global", é sempre a "aldeia real" que nos serve de norte, ainda que muitas vezes nesse conceito envolvamos a Tugalândia, país imaginário habitado pelos Tugas.

E, comovendo-nos como Marcelo sobre a tragédia, a pergunta que mais nos perturbou foi feita por alguém sofrido, algures perto de Vouzela, reproduzida numa reportagem da jornalista Natália Faria, de que se fez eco a tribuna neoliberal que dá por nome de "Observador", e que foi esta:  “Depois disto, o que é que nos segura cá?”

Com a devida vénia, transcrevemos o resto:

«Em aldeias há muito ameaçadas pelo despovoamento galopante, os mortos confirmados estavam todos ao pé da porta de Maria de Lurdes, no lugar de Vila Nova. “Sabíamos que as pessoas estavam lá, mas não imagina o que isto foi, com fogo por todo o lado. Ninguém conseguiu lá ir. Às tantas, dei por mim a pensar uma coisa que até me custou: ‘Já devem estar mortos.’ E mortos estavam, coitadinhos.” Quando via as notícias de Pedrógão, Maria de Lurdes, que tem nos vizinhos a família que, solteira e sem filhos, nunca teve, costumava benzer-se: “Nós aqui estamos no céu.” Afinal, não. “É um inferno como os outros. Depois disto, o que é que nos segura cá?”»

Sim, é isso. O que é que ainda nos segura cá? Remam contra a maré, últimos moicanos resistentes, cercados e avassalados pela "civilização" global, num tempo e lugar onde se tornou contraproducente produzir o quer que seja, pois que a concorrência da agricultura industrializada de porcarias feitas à pressão, desde batatas transgénicas aos pitos de aviário cheios de nitrofuranos e hormonas que decerto têm amaricado as sociedades urbanóides, e, por fim, isto!!

E agora esperem só pelo que vem por aí... Quando estes últimos resistentes tiverem desistido, a vegetar num lar qualquer, os filhos e netos, perdidos algures na cidade ou na estranja, vão em breve receber o fatídico telefonema dos agentes dos oligopólios que vão começar a comprar a terra queimada por tuta e meia. Segue-se o emparcelamento, virão potentes máquinas que vão escalavrar todos os solos milenares, e, seguindo projectos bem delineados em gabinetes de silvicultores altamente especializados e aconselhados por peritos em incêndios florestais, começarão sistematicamente o plantio da nova floresta neoliberal, a mata que não arde, altamente produtiva, com espécies de crescimento rápido, para pasta de papel e mobiliário do Ikea, tudo controlado por computador a partir da Suécia, ou da China, ou de outro ponto qualquer da aldeia global... - Claro que terão por cá os seus agentes locais, como aquele sr. ministro que se queixava, há muitos anos, de estar a perder dinheiro no governo (era um alto quadro da portucel), mas que de lá o não deixaram sair enquanto não produziu, durante mais de 10 anos, uma série de legislação para acobertar a eucaliptação da Tugalândia.... Ou o outro das negociatas dos chaparros, que decerto se perfila para ser ministro de agricultura e florestas num futuro governo pós-geringonça... para além da sua querida líder, que igualmente favoreceu a eucaliptação na sua passagem também pelo ministério da agricultura... Por isso, as suas moções de censura são lágrimas de crocodilos ávidos de voltar aos postos de controlo das centrais de distribuição de apoios a esses grandes oligopólios que os patrocinam e de que são agentes e testas de ferro.

Sim, a morte da aldeia real é também isto: a morte de um velho mundo moribundo patente nos olhos do homem da fotografia captada pelo repórter urbano. Espécie mais em vias de extinção que o desaparecido lince da Malcata. Com ele morre um passado milenar, neolítico, de gente com valor e valores agarrada ao seu rincão sagrado. Vem um novo mundo de criaturas sem alma e sem rosto, dominando extensos feudos decerto guardados por guardas armados, talvez netos destes homens, que se irão tornar servos deste miserável sistema que suspeito por detrás desta política de terra queimada. Sim, essa nova floresta capitalista não vai arder, não. Vigiada permanentemente por satélite e por drones e patrulhada por guardas privados, ninguém ouse pôr um pé nela. E, nesse dia, os pirómanos receberão o seu emprego, ou na patrulha de vigilância, ou nas equipas de abate ou serração.

Preparem-se. Vem aí a nova floresta neoliberal, asséptica,  a mata que não arde, altamente produtiva. O pinhal "nacional" desde D. Dinis, já era, tal como o pinhal do ti António, do ti Manel, ou do Ti Zé da aldeia real... Acabou. É preciso "modernizar a nossa floresta", vai ser o mote. E o papalvo come e aplaude.


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Como vai o grande negócio de Verão e... de Outono!

Dizem que ontem foi "o pior dia do ano" da "época dos incêndios-2017" - ver aqui:

http://observador.pt/2017/10/16/tudo-o-que-se-sabe-sobre-o-pior-dia-de-incendios-do-ano/

Já o dissemos e escrevemos diversas vezes: os incêndios florestais (que agora alastram também para casas e povoados), é o grande negócio de Verão - ver aqui: https://aquidaldeia.blogspot.pt/2016/08/ainda-sobre-os-fogos-de-verao-e-porque.html

E, como este ano o verão se prolongou, continua o negócio, já o Outono vai alto. Digamos que foi um "bom ano" para os negociantes do sector.

Cenários dantescos, milhares de hectares de terra queimada, casas, carros, pessoas e animais mortos, carbonizados. De vez em quando apanha-se um pirómano que, uma vez identificado, é posto em liberdade, quando muito a aguardar julgamento, enquanto trata (ou alguém por ele) do devido certificado psiquiátrico.

Décadas e décadas de um país (será?) a arder... E, como disse o sr. primeiro ministro, habituem-se, porque isto vai continuar. Pois, nem Sirespes, nem Sirespas, tudo pago chorudamente para coisa nenhuma. Sim, "isso" foi apenas mais um dos muitos e chorudos negócios que gravitam em torno dos "fogos"... Claro que isto nunca acabará, porque num sistema iníquo que é o do capitalismo selvagem, a palavra central de tudo isto é: N E G Ó C I O !!!... entenderam?? dito em inglês: B U S I N E S S !!!- já que é dos mundos anglo-saxónicos, com o expoente máximo nos EUA's, que tal sistema emana.

Assim, do mesmo modo que inventaram a informática, logo a seguir inventaram os vírus informáticos... e, os mesmos que inventaram os vírus informáticos, logo a seguir inventaram os anti-vírus informáticos... E em relação às doenças, quantas não terão sido propagadas para depois se venderem os "remédios"? Tal como me lembra de ouvir aos velhos que, noutros tempos, passavam aviões a deitar do ar escaravelhos da batata, para depois se vender o DDT...

E o problema está mesmo nos DDT's, agora com outro significado, como bem o sabe um famoso banqueiro, agora em palpos de aranha e mó de baixo, valha-nos o sistema judicial.

Pelo que, esperemos, logo que o dito sistema judicial consiga ganhar a guerra contra o sistema corrupto-democrático que dá cobertura ao (aliás, é eleito pelo) sistema corruptor-económico (=capitalismo), resta-nos a esperança de que se comece a esmiuçar o que está por detrás deste grande negócio de verão (e outono). Dos pulhíticos não há nada a esperar. São apenas os que compram os submarinos e os "meios aéreos" que os agentes do capitalismo lhes metem pelos olhos a dentro, em luzidos cardápios, para os adquirirem com o nosso dinheiro. - Estão a ver? tantos fogos... quantos aviõezinhos têm? e helicópteros? pois, como se vê, não chegam... têm que alugar mais... ou comprar mais... Quando é que é a reunião com o/a sr(ª). ministro? - ok, depois levamos o catálogo com os novos modelos... Ah, e também podemos conversar sobre o novo dispositivo de detecção remota de fogos - último modelo - e substituir o sistema obsoleto do Siresp...

- É tudo uma questão de se estabelecer a correlação entre fogos e vendas e certamente as "escutas" confirmariam as aquisições, o quem vende a quem, e o quem manda fazer o "trabalhinho" ao pirómano coitadinho que é maluquinho...

Por alguma razão não são promulgadas leis draconianas, tipo pena máxima para pirómanos, a menos que "cantassem" quem são os (co)mandantes... E por alguma razão não se investe numa efectiva política de prevenção, em vez de se alimentar a indústria do apaga-fogos.

Bem, decerto haverá ainda uma outra explicação, a qual vamos ter de esperar para ver. Ou seja, veremos se agora não se vai suceder um emparcelamento da propriedade rústica nas mãos de grandes oligopólios florestais e agrícolas (inscrevendo-se esta política de terra queimada na eliminação do que resta do tradicional minifúndio multissecular) e, aí sim, os novos senhores tratarão de cuidar bem das sua novas matas celulósicas ou afins, talvez até com guardas armados a patrulhar as novas florestas privadas (nova forma de emprego para os seus antigos pirómanos)...

É-me cada vez mais estranho este mundo em que vivemos.
Decididamente, o meu reino não é deste (i)mundo.

sábado, 30 de setembro de 2017

Romanices...

Enquanto não se inventa a Máquina do Tempo, achei que um pouco de História não vos fazia mal. Por isso, hoje deixo-vos com esta estória, ocorrida algures na Hispânia do século II a.C.:


Conta-se que em 139 a.C., Roma envia para a Hispânia o seu general Servílio Cipião com o objectivo de acabar com a guerrilha de Viriato que durava há vários anos, com graves transtornos para os invasores.

As coisas parece que continuavam a correr mal aos romanos e o caudilho lusitano, tirando partido disso, terá enviado três emissários da sua confiança para tentarem obter uma trégua vantajosa.

O negociador romano, Marco Popílio Lenas, decerto seguindo ordens de Cipião, achou que seria mais cómodo subornar os emissários para eliminarem o chefe lusitano, e assim ficava resolvido o problema. Acenaram-lhes com mundos e fundos e o perdão de Roma, caso fizessem o "trabalhinho" bem feito, e o jogo de sedução funcionou em pleno.

Enquanto Viriato dormia, conhecendo o "santo e senha", os renegados conseguiram introduzir-se na sua tenda, e crivaram-no de punhaladas.

Depois correram para o campo adversário (aliás, para o seu novo campo), para cobrarem o ouro prometido. Mas consta que tiveram azar... Os romanos já tinham três patíbulos prontos, com as cordas pendentes, à sua espera.

E à pergunta "- E então a nossa paga?", os  mandantes ter-lhe-ão respondido: "Esta é a moeda com que Roma paga aos traidores!" - e apontaram-lhe as forcas.

Bons tempos...

- Ah, e já agora, os nomes dos traidores (porque é bom que nunca se lhes esqueça o nome): Audax, Ditalco e Minuro...

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Parábola da formiga desmotivada


Esta já é velha, mas como ainda cá não a tínhamos postado, aqui fica: 

Você conhece a parábola da demissão da formiga desmotivada?  

“Todos os dias, uma formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho. A formiga era produtiva e feliz.
O gerente marimbondo estranhou a formiga trabalhar sem supervisão.
Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada. E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência, como supervisora.
A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga.
Logo, a barata precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefônicas.
O marimbondo ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões.
A barata, então, contratou uma mosca, e comprou um computador com impressora colorida.
Logo, a formiga produtiva e feliz, começou a se lamentar de toda aquela movimentação de papéis e reuniões!
O marimbondo concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial…
A nova gestora cigarra logo precisou de um computador e de uma assistente a pulga (sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se tornava mais chateada.
A cigarra, então, convenceu o gerente marimbondo, que era preciso fazer uma pesquisa de clima. Mas, o marimbondo, ao rever as finanças, se deu conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação.
A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía: Há muita gente nesta empresa!
E adivinha quem o marimbondo mandou demitir?
A formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida.”
Autor desconhecido
- NOTA: esta parábola ilustra bem o funcionamento burocrático do sistema neoliberal - os chamados "quadros de excedentes" são sempre para o mexilhão... ou para a formiga, neste caso... - Valha-nos a "geringonça", pois que se deixou de falar tanto em "disponíveis" e "excedentários", pois que se tivéssemos o Coelhote, em largos Passos já estava a função pública toda despedida, e as formigas todas da privada (menos os boys, claro, que são as baratas, aranhas, corujas, mochos, bufos etc. do "sistema"...)

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A roubalheira telefónica - e não só!

Diz-se por aí que:

Dantes só havia Números de Telefone da PT e alguns 800 (grátis) e 808 (preço de chamada local); aí chegaram à conclusão que o Povo Português estava a ser Pouco Roubado e, com o Aval Governamental, implementaram os 707 que até a Assistência em Viagem das Companhias de Seguros, e não só, e os Serviços de Finanças adoptaram com as seguintes vantagens para a Operadora que para os Utentes é Só Prejuízo: Experimentem chamar a Assistência em Viagem, situação na qual NINGUÉM TEM TELEFONE FIXO e reparem no próximo Extracto da Conta do Telemóvel... Mesmo do Telefone Fixo falem para as Finanças ou para quem quer use esse indicativo 707 ou similar e depois faça o mesmo em relação ao Extracto da Conta do Telefone . Vai ràpidamente chegar à conclusão que o Benefício não é para Si mas para quem o Estado Protege Contra Si...
IMPUNEMENTE!!!

 
CUSTAM POR MINUTO 5€ EM TELEFONE FIXO E 18€ EM TELEMÓVEL, TUDO POR MINUTO

Indicativo 707 ... vão aumentando os serviços que o utilizam...

ATÉ AS FINANÇAS...


- Conclusão: são sinais dos tempos e do tal de Neoliberalismo galopante - como diz o grande arauto deste sistema cá pela Tugalândia, o Abominável César das Neves, "não há almoços grátis"....

domingo, 20 de agosto de 2017

Islamices e... tomates (canadianos)!

Pelos vistos, para as bandas do Canadá, há quem não embarque nas exigências dos INVASORES islâmicos, e lhes responda à letra, marimbando nessa conversa mole do "politicamente correcto", o cancro ideológico que fragilizou o Ocidente, em especial esta europa paneleirona, cada vez mais de cócoras, mais ainda que os ditos cujos lá nas mesquitas deles...

Ora veja-se aqui um valente par de tomates canadianos, que mão amiga nos fez chegar:


*Presidente da Câmara, Canadiano, recusa abolir a carne de porco do menu das cantinas das escolas*   e EXPLICA PORQUÊ:

Os pais de alunos muçulmanos exigiram a abolição da carne de porco do menu de todas as escolas do Distrito de Montreal.
O Presidente da Câmara do subúrbio de Dorval em Montreal recusou e o porta-voz da Câmara mandou uma carta aos pais explicando o porquê.


Eis o teor da carta:

"Os mulçumanos têm que perceber que devem se adaptar ao Canadá e ao Quebec: aos costumes, as tradições e ao modo de vida locais porque foi para aqui que eles escolheram imigrar.

Têm que entender que se devem integrar e aprender a viver no Quebec.

Muçulmanos imigrantes têm que entender que cabe a eles mudar o seu modo de vida; não os Canadianos que tão generosamente os acolheram.

Têm que perceber que os Canadianos não são nem racistas nem xenófobos. Que aceitaram muitos imigrantes antes dos muçulmanos (já o contrário não é verdadeiro, pois estados muçulmanos não aceitam imigrantes não-muçulmanos).

Que não mais do que outras nações, os Canadianos não estão dispostos a renunciar a sua identidade, a sua cultura.

E se o Canadá é um país hospitaleiro, não é o Presidente da Câmara que bem recebe os estrangeiros mas os cidadãos quebenquenses-canadianos como um todo.

E por último, os imigrantes muçulmanos têm que perceber que no Canadá (Quebec) - devido as raízes judaico-cristã, árvores de natal, igrejas e festivais religiosos - a sua relegião deve permanecer no fórum privado. A municipalidade de Dorval procedeu acertadamente
ao recusar quaisquer concessões ao Islão e a Sharia.

Aos *muçulmanos que discordam* do secularismo e *não se sentem desejados no Canadá*, tenho a dizer que *há 57 lindos países muçulmanos* no mundo, na sua maioria *pouco populosos*  e prontos a recebê-los com braços abertos _à la halal_ de acordo com a Sharia.

Se *você emigrou do seu país para o Canadá* e *não para* outro *país muçulmano* é *porque concluiu que a vida é melhor no Canadá do que em qualquer outro país*.

*Pergunte a si próprio*, uma só vez, *porquê é melhor aqui no Canadá do que de onde vim?*  "Uma cantina onde se serve carne de porco" é parte da resposta.

*****************

*EXEMPLAR*.

Partilhe para *promover  TOLERÂNCIA* pelo mundo. É a atitude que todos países deveriam adoptar.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

E porque estamos em tempo de "vacances" (com milhares de turistas - dizem - a chegar-nos de todo o lado)...  tomem lá. aqui têm:

Turismo rural 


Trata-se de um desporto nacional, a que antes se chamava:  "ir à terra".
A diferença é que se fores à tua terra, vais de borla e, se fizeres turismo rural, vais a uma terra que não é a tua e pagas uma pipa de massa.
Para fazer turismo rural não serve qualquer terra. Tem de ser uma terra "com encanto".
E o que é uma terra "com encanto"?
Obviamente, é uma terra que está num guia de terras "com encanto"…  Está-se mesmo a ver:  A estas terras chega-se, normalmente, por uma estrada  municipal, "com encanto", que é uma estrada com tantos buracos e tantas curvas que quando chegas à dita terra estás mortinho por sair do carro.
E, quando entras no café, tentas integrar-te com os vizinhos.
“– Bom dia, compadres! O que é que é típico daqui?...”
E o gajo do café pensa: "– Aqui, o típico é que venham os artolas da cidade ao  fim-de-semana gastar duzentos euros…".
A seguir, ficas instalado numa casa rural ou casa "com encanto", que é uma casa decorada com muitos vasinhos e réstias de alhos penduradas do tecto, que não tem televisão, nem rádio, nem microondas.  Em contrapartida, tem uns cabrões de uns mosquitos que, à noite, fazem mais barulho que uma das antigas bicicletas-a-motor “Famel Zundapp”.
Depois apercebes-te que os da terra vivem numas casas que não têm encanto nenhum, mas têm jacuzzi, parabólica, internet e video-porteiro. A tua casa não tem video-porteiro, mas tem uma chave que pesa quase meio quilo.
Outra vantagem de fazer turismo rural é que podes escolher entre uma casa vazia ou ir viver com os donos da casa.
Fantástico!!!   Vais de férias e, além da tua, ainda tens que aguentar uma família postiça:  Que à noite queres ver o filme, eles os documentários e tu perguntas-te:  "Quem é que manda mais? Eu, que paguei 200 euros ou este senhor que vive aqui?" Ganha ele, que tem um cacete.
Ainda por cima, dizem-te que tens "a possibilidade de te integrares nos trabalhos do campo". O que quer dizer que te acordam às cinco da manhã para ordenhar uma vaca. Não te lixa?!...
É como ires à bomba da gasolina e teres de pôr tu a gasolina ou como ires ao McDonalds e teres tu que arrumar o tabuleiro. Ou seja:  o normal!...
Então, levantas-te às cinco para ordenhar as vacas. E digo eu:  “Porque raio é que é preciso ordenhar as vacas tão cedo? O leite está lá!... Não se podem ordenhar depois do pequeno-almoço?  Eu acho que isto é só para chatear, porque a vaca deve ficar muita contente por a acordarem às cinco da  manhã para um estranho lhe vir mexer nas mamas.”.
A vaca olha para ti como se dissesse: "Ouve lá, ò pacóvio, se queres leite vai ao frigorífico e abre um pacote!"
É que é mesmo só para chatear!!!
Mas o "encanto" definitivo são "as actividades ao ar livre".
Como quando te põem a fazer “a caminhada”, que é aquilo a que normalmente se chama andar, e consiste, exactamente, em por um pé em frente ao outro até não poderes mais, enquanto os da terra vão num jipe com ar condicionado! 
Mas tu, feliz da vida, vais pelo campo, atordoado, tornas-te bucólico e tudo te parece impressionante.
Vês uma vaca e dizes:  "– Ummmmm, que cheirinho a campo!"…
A campo não, a bosta!!!  Mas, isso sim, é a bosta "com encanto".
E tudo, seja o que for, te sabe maravilhosamente:   na mesa pespegam-te dois ovos estrelados com chouriço e tu na cidade não comes estes ovos, nem estes chouriços.
E perguntas ao empregado:  “– Este chouriço é da matança?
E o gajo responde:   “– Quase, porque o gajo do camião da Izidoro ia morrendo ali na curva.”.
De repente, ouves umas badaladas e dizes:   “– Ah! Que paz! Não há nada como o som de um sino!...
E o gajo do café diz-te:  “– É gravado. Não vê o altifalante no campanário?
Nesse momento, perguntas-te se os ruídos das galinhas e dos grilos não estarão num CD: "RuralMix2009", "Os 101 Maiores Êxitos Campestres".  A única coisa de que tens a certeza é que os cabrões dos mosquitos são verdadeiros.  Pareces um “Ferrero Rocher” com varicela!!!
Eu acho que, de segunda a sexta, as pessoas destas terras vivem como toda a gente, mas, ao fim-de-semana, espalham pela estrada uns tipos mascarados de pastores e, quando vêem que se aproxima um carro, avisam os da terra pelo telemóvel: "– Hei, vêm aí os do turismo rural!".  E mudam o cartaz de "Videoclube" pelo de "Tasca", soltam uns cães pelas ruas e sentam à entrada na terra dois avôzinhos a fazer sapatos, que depois tu compras uns que te saem mais caros que uns “Nike”.
Enfim, acho que uma montagem tão grande como esta não pode ser obra de pessoas isoladas.
Tenho a certeza de estão implicadas as autoridades.
Imagino o Presidente da Câmara:
“– Queridos conterrâneos:  este Verão, para aumentar o turismo, vamos importar mais mosquitos do Amazonas, pois que no ano passado tiveram imenso êxito. E quero ver toda a gente com boina, nada de bonés de pala da Marlboro!  E façam o favor de pintar o espaço entre as sobrancelhas, que assim não parecem da província!   E as avós: nada de topless na ribeira, que espantam os mosquitos!...  E só mais uma coisa:  Este ano não é preciso ninguém fazer de maluquinho da terra, que, com os que vêm de fora, já chega!

domingo, 23 de julho de 2017

«É a tragédia, o drama, a dor, o horror.... aqui em directo!» - jornalismo à Artur Aldrabã

Fez escola, esse jornalismo à Artur Aldrabã, directamente de Omã... (dizendo estar no Koweit...)...

Foi a "escola" das SIC's, das TVI's, das ditas "televisões independentes", que tanto vendiam sabonetes como presidentes da república, tudo dependia do "share"...

Mas não só televisões, a pasquinada, decalcando os tablóides ingleses, nessses loucos anos 90 do PREC da (in)comunicação social, fez o que podia para afirmar esse "novo jornalismo", de vanguarda, que fabricava heróis e vilões, mandava abaixo secretários de Estado e ministros, e parava barragens por causa de umas rupestrices...

Mas a "fauna" foi sendo progressivamente domesticada, tornando-se, em alguns casos, "cães de guarda" (a expressão é de Serge Halimi) dos regimes que iam fabricando. Que lhes resta(va)? uns casos de polícia, tipo "O Fugitivo", com efeito novela, com Palitos e Pedros Dias nos papéis principais... Mas, caçados os tipos, acaba(va) o filão.

Assim sendo, filão inesgotável é sempre o dos fogos de verão (é como a época de praia, há todos os anos). E dá sempre uns belos "bonecos", como eles dizem lá na gíria deles... E com algumas nuances, vem sempre aquele tom apocalíptico à A. Aldraban, granda Mestre, que fez escola...

Mais uma vez, não só nas TV's. Do outro dia, vi numa revisteca um artigo sobre o tema, em que uma pindérica jornalisteca (pela pinta devia ser da Lísbia), até se vestiu a preceito com uma espécie de camuflado (desses a imitar o da tropa), para ir para o "teatro das operações" - E lá estava a pindérica, assim vestida, para a fotografia, com o cenário das chamas por trás... Mas, NÃO TERÁ ESTA GENTE A NOÇÃO DO RIDÍCULO??? - Ainda pensei em mandar por aqui umas bocas das minhas, cá na praça desta virtual Aldeia, ao menos para desopilar os fígados, mas achei q não valia a pena. Era gastar cera com ruins defuntos...

Mas, ao receber, através da mão de um amigo a prosa que se segue, o qual, por sua vez também a recebeu de outro amigo, enfim, e porque isto não sai nos jornais e nas televisões deles, aqui vos fica:


Este texto (de autor que desconheço) foi-me remetido por um amigo e reflecte bem o que eu penso.

Pacheco Pereira (na "Quadratura do Círculo" de há 2 semanas) considerou que estas "reportagens" são uma masturbação da desgraça


As vítimas dos incêndios e da televisão... VERGONHOSO !

Nas televisões, o incêndio de Pedrógão Grande resultou num avatar técnico-totalitário da “obra de arte total”, na qual se dá uma confrontação dialéctica das várias artes. Com as imagens captadas pelos drones, a SIC compôs um filme com uma banda sonora que não era a Cavalgada das Valquírias, o excerto de uma ópera de Wagner a que Francis Ford Coppola deu uma grandiosa forma cinematográfica em Apocalypse Now, mas tinha a pretensão da “grande arte” wagneriana.
Diz-se que os pilotos operadores dos drones, combatentes de uma guerra à distância, antes de disparar gritam de júbilo: “Oh, que belo alvo!” A nauseabunda estetização da catástrofe servida ao espectador — o “belo” cenário trágico resultante das montagens e encenações feitas nos estúdios das televisões — também mostra que alguém, certamente uma equipa, rejubilou com os seus belos alvos que lhes fornecem matéria para uma grande produção a baixo preço, para um filme-catástrofe que não precisa de efeitos especiais, só precisa de uma montagem bem ornamentada e música a condizer. Tudo devidamente sublinhado por textos, legendas e designações (por exemplo, “a estrada da morte”) que remetem para as grandes ficções de Hollywood. Às vezes, sobre essas imagens sobrepõe-se uma voz-off que lê um texto a imitar qualquer coisa de literário, a sublinhar a operação que reduz a tragédia real a uma opereta obscena. A estetização é uma violência exercida sobre as vítimas da catástrofe e, paradoxalmente, tem o efeito de uma anestesia aplicada ao espectador.
Para as televisões, para a maquinaria dos directos e ao vivo, uma catástrofe como esta é um momento do sublime. Se a emergência dessa categoria estética que é o sublime está relacionada com os sentimentos de medo e de terror perante algo que excede toda a medida, é preciso no entanto que a ameaça que eles representam seja suspensa para que da dor nasça o prazer. As reportagens da televisão, muito especialmente as imagens estetizadas que passam a servir de separadores ou de fechos do noticiário, procedem a esta conversão da dor em prazer. São maléficas e eticamente execráveis. Devemos perguntar como é que os jornalistas dos vários canais de televisão se relacionam com elas.
O sublime, como sabemos, tem a dimensão do irrepresentável, deixa a faculdade da imaginação e a fala aniquiladas perante algo que tem uma potência ou um tamanho desmesurados. Por isso, é sempre ocasião para o uso de meios retóricos curtos, mas enfáticos. Para não ficarem em silêncio, para não dizerem pura e simplesmente que não têm nada a dizer ou que tudo o que são capazes de dizer é trivial, os repórteres recorrem aos parcos meios linguísticos que têm à sua disposição. Por exemplo, a palavra “dantesco” (para além de uma certa dimensão, o incêndio é sempre “dantesco” e configura “o inferno”). E porque os processos de descrição, na televisão, consistem sobretudo em mostrar, em dar a ver, entra-se sem pudor na exibição das imagens obscenas. Como vimos, alguns repórteres (Judite Sousa parece que não foi a única) nem hesitaram em aproximar-se dos cadáveres e oferecê-los aos espectadores como imagens ostensivas. Como uma personagem do filme de Francis Ford Coppola, eles poderiam dizer: “I love the smell of napalm in the morning.”
Face à falta de meios linguísticos (e de tempo para qualquer elaboração mais cuidada) e porque a televisão pratica quase como ideologia jornalística um realismo ingénuo que acaba por nunca produzir o desejado efeito de real, os repórteres ou debitam lugares-comuns que não têm nem valor expressivo nem descritivo, ou recorrem aos testemunhos. Põe-se um microfone e uma câmara diante de pessoas em estado de choque e pede-se-lhes que elas testemunhem, que elas descrevam, que elas superem a afasia em que a situação as colocou. A violência é inominável e a televisão torna-se patética, no duplo sentido da palavra: porque quer mostrar o pathos, dê por onde der; porque exibe a estupidez na mais elevada expressão.
Devemos novamente perguntar: a que coerção estão submetidos os jornalistas para que aceitem o papel de idiotas? Ou fazem-no voluntariamente? Os jornalistas tornam-se então indivíduos ávidos, paranóicos, como os amantes que não se satisfazem com um simples “amo-te”. Desconfiados com a declaração tão lacónica, achando que o amor é uma imensidão que precisa de se dizer com mais palavras, perguntam: “Amas-me como?” E o outro responde: “Amo-te como se fosses o mais doce dos frutos.” E aí começa um encadeamento de metáforas cristalizadas, de estereótipos. Assim são os jornalistas munidos de microfones e de câmaras: não desistem de querer extorquir as palavras e a alma aos seus interlocutores; não deixam de querer arrancar testemunhos a gente moribunda ou a viver a experiência dos limites.
Esta maquinaria é totalitária, expansiva, reduz tudo a uma peça integrada. Este jornalismo é um aparelho ao serviço da lógica da “partilha” da comunicação, da informação e da opinião da nossa época. A utilização dosdrones realiza na perfeição esta atitude predadora de quem se acha munido do olho de Deus: o olho que abarca, na vertical, a totalidade do mundo. Era fatal que a televisão viesse a pôr ao seu serviço o drone de omnivisão, dotado de uma vista sinóptica, capaz de uma vigilância de largo alcance,“wide area surveillance”, como se diz na linguagem da guerra. 


quinta-feira, 25 de maio de 2017

Tachocracia, ou o mundo dos "boys"...

Há muito sabemos que "democracia" é a ditadura das maiorias. Só custa endrominar uns papalvos (gestão das expectativas dos ditos) para "chegar lá". Depois, porque "fomos escolhidos pelo povo", há que alimentar o "polvo". Aí vem a factura. O "apoiozinho" tem os seus custos. Há que promover "os nossos". Os "nossos" boys"/"girls", irmãos, primos, sobrinhos, parentes, afilhados, amigos, amigos de amigos, mas como não há merenda para tanta rapaziada que andou em campanhas e caravanas (por nós, claro!), há que se ser selectivo. Primeiro os que rendem mais votos e os "filhos de algo", os da nomenklatura social que se torna reinante... Por vezes, vai-se aquecendo o tacho na base de uns "estágios" temporários, na base do provisório que depois se passa a definitivo, sobretudo se ninguém diz nada. Claro que não há para todos, por isso depois faz-se a selecção com base nos tais critérios.
Seleccionar e recrutar com base no que é investimento necessário, de acordo com a transparência e mérito de cada um, sem se olhar a colorações ou filiações, neste tipo de "democracia" tuga, é uma utopia. Acreditar nisso, é o mesmo que acreditar no Pai Natal...

Andamos fartos de saber disto, mas...
... mas quando isto é dito com base em dados e referências, ganha outros foros. Aqui vos fica:


Cartão partidário? A garantia de uma carreira de futuro
25 Maio 2017



  1. Cristas foi a ministra que nomeou mais pessoal partidário
  2. PSD: CRESAP não quis impedir ligações dos cargos aos partidos
  3. Bilhim não “augura coisa boa” à CRESAP porque Governo “deixa andar”
  4. Governo diz que está a avaliar a eficácia da CRESAP
  5. Os mais escolhidos? Políticos. E homens
Se o objetivo era diminuir a influência dos partidos no Estado, a Comissão de Recrutamento e Seleção da Administração Pública não conseguiu evitar o favorecimento aos dirigentes da cor do Governo. Um estudo do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas demonstra que esta entidade independente não conseguiu travar a tendência histórica de colonização do Estado pelos aparelhos partidários. Uma tese sobre o mérito na administração pública, a que o Observador teve acesso — e que está à espera de publicação na revista científica daquela faculdade — demonstra que possuir cartão partidário aumenta de forma exponencial as probabilidades de nomeação. Metade dos militantes do PSD e do CDS que chegaram às short-lists dos concursos daquela comissão foram nomeados durante o Governo de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas.
Na passada legislatura, dos 62 militantes do CDS cujos nomes chegaram à mesa dos ministros como tendo currículo adequado, 36 foram escolhidos para os cargos a que se propunham nos concursos da Comissão de Recrutamento e Seleção da Administração Pública (CRESAP). Isto significa que foram nomeados mais de metade dos centristas a chegar às short-lists finais, entregues aos governantes com os três nomes mais bem colocados após os concursos. A percentagem de 58% de militantes do CDS nomeados é mesmo superior à dos filiados no PSD, o maior partido da coligação do Governo. No caso dos sociais-democratas, dos 119 que passaram às short-lists, 58 ficaram com os lugares, o que representa a nomeação de 48,7% dos candidatos laranja que chegaram à fase final dos concursos.

A diferença é enorme quando estes valores são comparados com os dos militantes do PS que nos concursos passaram à finalíssima. Apenas 19 dos 102 nomes socialistas que tinham um currículo considerado adequado pela CRESAP — e que também foram aprovados na fase da entrevista — acabaram por ser nomeados. Ou seja, só 18,6% dos filiados no PS que chegaram às short-lists foram selecionados como dirigentes na administração pública pelo Governo PSD/CDS.

A vantagem de estar, como candidato, do lado do poder, percebe-se ainda melhor quando se analisam os resultados dos concursos a que se apresentavam independentes. Foram nomeadas 139 pessoas sem militância identificada pelo estudo, num universo de 468 independentes que chegaram às short-lists: a percentagem é de 27,9% de independentes designados. O número absoluto é mais elevado que o do pessoal partidário, mas os independentes nem chegam a ser um terço dos escolhidos em relação aos que concorreram.

O estudo, intitulado “Mérito e administração pública: a CRESAP e a escolha dos altos dirigentes”, também indica a existência de uma “discriminação” em relação às mulheres e conclui que “existe uma ampla discricionariedade na nomeação por parte dos responsáveis governamentais”. Trata-se de uma tese de licenciatura de Carina Correia, orientada pelo professor Joaquim Croca Caeiro, no âmbito do curso de Administração Pública. Segundo a autora do trabalho, “é no momento da nomeação que os membros do Governo, usando do seu poder 
discricionário, promovem a nomeação dos candidatos que integram a sua cor política”. 

Isto mostra que o modelo de seleção dos dirigentes da administração pública ainda tem “algumas falhas”: a CRESAP envia uma short-list com três nomes ao ministro que deve fazer a nomeação e que, em grande parte dos casos, escolhe aquele que é “da sua cor política”, com predomínio para o género masculino. Joaquim Croca Caeiro foi também ele nomeado vogal do Conselho Diretivo do Instituto da Segurança Social e era na época militante do PSD. Mais tarde sairia do PSD, mas na altura foi um dos nomeados com ligação partidária.

Este trabalho confirma a tendência identificada pela investigação do Observador publicada esta segunda-feira, sobre a partidarização dos dirigentes da Segurança Social e do Instituto do Emprego e da Segurança Social: há uma colonização do Estado e uma alternância quase perfeita de militantes do PS, PSD e CDS nas estruturas de topo e intermédias.

(continua)

Vale a pena ler o resto, aqui, no "insuspeito" Observador:

http://observador.pt/especiais/cartao-partidario-a-garantia-de-uma-carreira-de-futuro/