segunda-feira, 25 de julho de 2016

OS VAMPIROS - o outro terrorismo, ou o fim dos tempos?

Mão amiga fez-nos chegar mais esta, para tentarem perceber a "mãozinha oculta" que anda nos bastidores desta coisada toda...
- Já gora, sublinhámos a amarelo o nome do célebre Banco para onde foi o "camarada Abel" (nome de código de um rapaz guitcho, de quando andava no célebre MR-Pum-Pum!, e que nas Europas ficou conhecido por Mister Barroso...).  Pelos vistos são os prémios (ou torrões de açúcar) que no fim se dão aos lacaios do célebre imperialismo - americano ou europeu pouco importa -  e do Capitalismo, sistemas hediondos que certos moços (como o dito) há uns 40 anos apedrejavam... - Já dizia o meu avô que nunca digas "desta auga nunca beberei"...
- O (i)mundo é mesmo dos espertos....

Boas férias, para quem ainda as tiver...

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 Para os desgraçados que dizem que NÃO HÁ ALTERNATIVA !

Texto de Domingos Ferreira, da Universidade Nova de Lisboa, Professor/Investigador na Universidade do Texas, EUA. 

«- Sabia que a Goldman and Sachs,Citygroup, o Wells Fargo, e outros semelhantes apostaram biliões de dólares na destruição do euro? Se o EURO cair ou desvalorizar, eles ganham milhões!!

- Sabia que obtiveram avultadíssimos lucros durante a crise financeira de 2008 ( que permanece viva...) e há suspeitas de que foram eles que manipularam o mercado?

- Sabia que o Senado norte-americano levantou um inquérito que resultou na condenação destes gestores que apostaram em tombar a Europa? Mas tudo ficou na mesma...

- Sabia que ficou demonstrado que o banco Goldman and Sachs aconselhou os seus clientes a efectuarem investimentos no mercado de derivados num determinado sentido, mas o próprio Goldman and Sachs realizou apostas em sentido exatamente contrário no mesmo mercado?

- Sabia que deste modo, obtiveram lucros de 17 biliões de dólares (com o respetivo prejuízo para os seus clientes)?

- Sabia que estes manipuladores se estão a transformar nos homens mais ricos e influentes do planeta e se divertem a ver os países tombar um por um?

- Sabia que todos os dias são lançadas milhões de pessoas no desemprego e na pobreza em todo o planeta, em resultado desta actividade predatória?

- Sabia que tudo acontece com a cumplicidade de alguns governantes e das autoridades reguladoras?

- Sabia que desde a crise financeira de 1929 que o Goldman and Sachs tem estado ligado a todos os escândalos financeiros que envolvem especulação e manipulação de mercado, com os quais tem sempre obtido lucros monstruosos?

- Sabia ainda que este banco tem armazenado milhares de toneladas de zinco, alumínio, vários outros metais, petróleo, e até cereais, etc., com o objectivo de provocar a subida dos preços e assim obter lucros astronómicos, manipulando o mercado?

- Sabia que, desta maneira, manipula o crescimento da economia mundial, e condena milhões de pessoas à fome?

- Sabia que o Goldman, com a cumplicidade das agências de rating, pode declarar que um governo está insolvente e, como consequência, os produtos financeiros sobem e, assim,obriga os países a pedirem mais empréstimos com juros agiotas impossíveis de sustentar?  (como se tem feito com a Grécia, Portugal e outros) - Em simultâneo impõe duras medidas de austeridade que empobrecem esses países.

- De seguida, em nome do aumento da competitividade e da modernização, obriga-os a vender os sectores económicos estratégicos (energia, águas, saúde, banca, seguros, etc.) às corporações internacionais por preços abaixo do que valem.

- Para isso, infiltra pessoal dos seus quadros nas grandes instituições políticas e financeiras internacionais, de forma a manipular a evolução política e económica a seu favor e em prejuízo das populações. Cargos como os do CEO do Banco Mundial, do FMI, da FED, etc. de que fazem parte quadros oriundos do Goldman and Sachs. E na UE estão: Mário Draghi (BCE), Mário Monti e Lucas Papademos (primeiros-ministros de Itália e da Grécia, respectivamente), Vitor Gaspar, Carlos Moedas, e muitos outros que por lá passam para aprenderem como se roubam os povos do Mundo e se fazem fortunas pessoais e/ou de corporativas financeiras.

- Sabia que alguns eurodeputados ficaram estupefactos quando descobriram que alguns consultores da Comissão Europeia, bem como da própria Angela Merkel, têm fortes ligações ao Goldman and Sachs?

- Sabia que este poderoso império do mal, está a destruir não só a economia e o modelo social, como também as impotentes democracias europeias?

- Sabia que é do absoluto interesse deste mundo financeiro que não passe pela cabeça dos povos que já estão a viver, diariamente, com a ameaça crescente deste terrorismo?»

NOTA: alguns sublinhados são de nossa responsabilidade - Este texto deve ser anterior à entronização do camarada Abel/Mr. Barroso...

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Ainda a vitória portuguesa: Saint Denis (2016) vs. Aljubarrota (1385) e algo mais...

(foto Reuters)

Depois que todos os bitaiteiros de serviço já debitaram tudo e mais alguma coisa sobre a vitória da selecção portuguesa no campeonato da Europa/2016, penso que já não há mais nada a dizer.
Mas como ainda não encontrei escrito (se calhar já alguém o disse, mas não chegou aqui à Aldeia), algo que logo me ocorreu, deixem-me cá também meter a foice na seara, se bem que já ninguém faça as segadas, nem colha palha nem grão.
O primeiro aspecto a destacar, foi, antes do jogo, a possibilidade de um combate de David e Golias... a probabilidade de se acertar com a pedra entre os olhos do gigante, para mais este a jogar em casa, era muito diminuta, para não dizer nula, além de que, desde o princípio, embora eu seja pouco dado a fubebóis (um novo ópio do povo, para usar a expressão de um certo Carlos Marques, que viveu no século XIX), fiz parte do enorme batalhão de cépticos que duvidava que esta selecção fosse a algum lado, a jogar como jogava...
Percebi, depois, que era uma questão de tacticismo, que o treinador, engenheiro, resumiu na equação:
jogamos bonitinho > perdemos!, logo, há que jogar feiinho, fechadinho, com muitas cautelas e caldos de galinha, e pode ser que se chegue lá... - dúvida que o homem não exteriorizava, antes pelo contrário, para motivar a malta. Entretanto, porrada da velha, da parte dos críticos, a começar pelos da casa - que nisto os tugas são, de facto, muito bons!
Quando a coisa se começou a compor, chegada a selecção às meias-finais, alguns começaram já a falar de um "futebol científico", de "bata branca", como traço característico do Engenheiro.
Eu, Tomé, me confesso, que, quando, entrado o jogo final com a todo-poderosa, chauvinista e arrogante França, vi arrumarem com o C. Ronaldo, imaginei o descalabro! No mínimo uns 5-0, mas já não era mau chegar-se à final, e o episódio da pantufada no Ronaldo mais do que justificava o desaire. Já tínhamos uma boa desculpa, pois que não era garantido que, mesmo com Ronaldo, algum dia se ganhasse alguma coisa, a não ser... juízo!
Mas, eis que chega o final da 1ª parte, e não é que a rapaziada consegue aguentar o resultado nos 0-0. Bem, isto já é uma vitória, pensei, perante estes franceses que julgavam que aquilo ia ser como quem limpa cús a meninos, e, mais ainda, sem Ronaldo... Continuei a ver, e ia constatando que a rapaziada do "petit Portugal", sempre que podia, ameaçava o Golias, em vez de se encolher em frente da baliza, à grega em 2004. Chega o final dos 90 minutos e... o impensável: 0-0.  Para mim, já era uma vitória - e, para mais, sem Ronaldo!!!  - Os franciús já tinham levado uma pequena grande lição, para não serem tão arrogantes e pensarem que eram favas contadas.
Aguardando por um massacre ao prolongamento, passa a 1ª parte do dito, e, eis que persiste o 0-0. Ah, já me esquecia, o Empate era a grande especialidade da malta neste campeonato, e, parece, que a grande estratégia do F. Santos. Bem, se se conseguir aguentar isto e obrigar a França aos penaltis, isto era já, de novo, uma grandiosa humilhação para a França... A imaginar as manchetes da imprensa mundial, no dia seguinte, a dizerem: o "petit Portugal" obriga a França a ir a penáltis... - E, para se cumprir o Fado, morreríamos na praia, como sempre.
Mas... le voilá!... para minha grande surpresa, o improvável aconteceu. Um para mim desconhecido rapaz, nascido nas Guinés, viria a salvar a honra da selecção portuguesa, resgatando-a de tudo quanto mal dela se disse - e, decerto, continuaria a dizer. O treinador, o Engenheiro, tinha dado o mote, na véspera: "que gozo me daria ver nos jornais, no dia seguinte, que uma selecção que não joga nada, ganhou o campeonato" - mais ou menos isto. E ainda acrescentou: "isso é que eu ia gostar!... aliás, vou gostar". Tudo isto, conjugado com um vaticínio que o mesmo fizera, muito antes, de só regressar a casa no dia 11/07, e "em festa", e, ainda, o ter aparecido logo após a vitória, com um discurso aparentemente escrito algum tempo antes, e, mais ainda, a sua devoção religiosa e a menção final, que de pronto entendi - "non nobis domine, non nobis, sed nomini tuo da gloriam" - fizeram-me crer que isto tinha sido, na verdade, algo miraculoso. Aquele guarda-redes que defendia tudo, aquele providencial remate francês ao poste, e, no final, um improvável "patinho feio" malquisto, que assim foi tocado pela Graça de ser o Salvador de uma pátria vilipendiada e eternamente sob a espada de Dâmocles de um eterno "default", sim, tudo isto, soava a algo estranho e incompreensível à razão humana...
Pus-me a ler algo mais sobre o Condestável da selecção portuga, e foi-se-me fazendo Luz e julguei ter entendido melhor o milagre de Saint Dennis... Uma réplica de Aljubarrota, muitos séculos depois. E também aí, grande parte dos cronistas da época escreveram que o que os tugas fizeram ia contra todos os preceitos da guerra (as "covas de lobo", os archeiros ingleses - o arco era visto como uma arma algo covarde, porque matava à distância)... Também aí não se deve ter "jogado bonitinho", mas se o objectivo era ganhar... foi conseguido! E o Nun'Alvares, S. Nuno de Santa Maria, igualmente um místico tocado pela divina Providência. "Humildes como as pombas, mas astutos como as serpentes!" - provérbio mencionado pelo Fernando... Santos!, em resposta a um jornalista brasileiro durante a conferência de imprensa final, creio que resume todo um programa. Por isso, um outro jornalista, a propósito da afirmação "só vou para casa dia 11 - e vou ser recebido em festa", acabou a ironizar, após a chegada à final: "o que é que ele sabe, que nós não sabemos?"
- Depois o milagre ganhou outras latitudes, ainda antes da final, como se uma corrente eléctrica começasse a galvanizar forças invisíveis e planetárias: não só os emigrantes portugueses pela Europa, mas por todo o mundo. E não só os emigrantes!... a páginas tantas, grande parte da Lusofonia: do Brasil a Timor-Leste. Por momentos, parece que se reconstituía a velha pátria multicontinental e plurirracial, posta em causa em 74. Se considerarmos que o golo salvífico foi de um natural da antiga Guiné Portuguesa (ainda que nascido já depois da independência), que o grande defesa Pepe é brasileiro, mas que, ainda há filhos da emigração, como Raphael Guerreiro, já nem sequer falando português, ou outros guerreiros com nomes afrancesados (Adrien, Cedric), somos levados a concluir que o "império do Espírito Santo", de que falava Agostinho da Silva, anda por aí, e, afinal, é no Futebol que se corporiza! - que outra coisa poderia fazer vibrar o mais longínquo e diferente dos povos que tocámos, os timorenses? - Gente que acordou de madrugada, ou não se deitou, para ver o jogo da final, como já tinham festejado, como ninguém, o triunfo nas meias-finais? - Há, neste caso, uma empatia antiga, que desmente essa coisa dos "bandidos exploradores e colonialistas", labéu que se nos colou à pele (e que certa "inteligentzia" tuga assumiu num exercício de auto-flagelação interminável), mas, não deixa de ser outro lado do milagre.
- Quando, pelos dias de júbilo, um pobre paízeco que deu a volta ao mundo e acabou pobrezinho - o "petit Portugal" - anda pelas ruas da amargura, com ameaças (e parece que mais que isso) de mais sanções e castigos por parte da Europa rica e arrogante, e, em contrapartida, recebe este conforto de outros povos e comunidades dispersas pelo mundo, tendo por obreiros os esforçados combatentes de uma selecção de futebol, ainda que isto não nos salve, não deixa de ser um certo bálsamo para certas dores antigas.
Obviamente não acreditamos que esta pequena "Aljubarrota" tenha algum efeito redentor, como aconteceu em 1385, e que se consiga algum reencontro com o Mundo por onde andámos (o Passado ficou lá atrás), fazendo-nos saltar por cima desta Europa moribunda que só arreganha os dentes aos pequeninos, como diria Calimero: "qui tutti ce l'hanno con me perché io sono piccolo e nero... è un'ingiustizia!"
- Mas, decerto, não ficaria mal aos senhoritos da política (ou pulhítica), porem os olhos nos trabalhadores do Desporto (e não só no Futebol, pois que nesta mesma ocasião, o Atletismo deu cartas), de forma a conseguirem levar "isto" a bom porto...  Ah, já quase me esquecia de um outro triunfo tuga, não sei se político, ou, agora, financeiro: o Cherne de águas profundas!! - mas deste não nos ocuparemos hoje.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

BREXIT - Princípio do fim da "Europa"...


Esta "construção europeia", há muito que o dizemos, é uma espécie de mito da Torre de Babel. Muitas línguas, muitos povos, muitos interesses, muitas diferenças, muitos ódios ancestrais que radicam em centenas (ou mais de um milhar) de anos de História.  É um velho mito recorrente da velha Europa, a tal que o touro raptou...  Digamos que a versão mais conseguida ocorreu há já mais de 2000 anos, com o império romano. Com a queda deste, volta e meia, lá se voltava à tentação da unidade perdida. O Uno e o Múltiplo na sua "maravilhosa diálise", como dizia o outro. Bizantinos, Carlos Magno, Carlos V, Filipe II (neste caso era já o mito do império universal, concretizado pelos íncolas da cínica Albion), até Napoleão e Hitler, todos tiveram essa tentação de reconstrução do sonho do império perdido, mas sob a sua bandeira. Até que a Alemanha, depois das derrotas da 1º metade do último século do IIº milénio, aprendeu a lição, e concluíu que o novo domínio e o novo império já não consistia em plantarmos a nossa bandeira nos territórios dos vizinhos. Habilmente enganchou o braço no outrora inimigo meio-latino, a França, e lá se tentou o regresso ao velho mito Babelónico. Com os da Grande Ilha sempre a olhar de través, rivais ou inimigos que sempre foram de Franças e Alemanhas. Por isso a Ale, com Manha, depressa percebeu que não podia deixar de fora o anglo-saxónicos. Só que estes, sempre com a mania de serem diferentes (um complexo insular que a psicanálise dos povos deveria estudar melhor e que se consubstancia naquela expressão joão-jardinesca - "os do continente" =cubanos, paradoxo, pois Cuba também é uma ilha), continuaram arreigados à sua £ibra, que sempre foi a outra face do dólar. Para já não falar naquela coisa do volante dos automóveis ao contrário, de nunca terem aderido ao sistema métrico universal (só porque foi implementado pelos franceses), etc.. - Mas, decerto a contragosto, esperando daí tirar algumas vantagens, lá entraram para a tal de CEE e assim foram ficando até à UE (a nova torre de Babel). Mas sempre a resmungar, claro.
Entrado o séc. XXI a tal de "Europa" começou a abrir brechas por todo o lado. E a mesma Alemanha que chegou a tentar empurrar a Grécia para fora (e ainda não está livre disso), ou mesmo outros PIG'S mediterrânicos, talvez sonhando uma Europa do Norte rica, protestante-calvinista e neoliberal, claro que se deve preocupar muito mais com esta saída, pois assim faltará o calço de panela britânico e isto pode ser o princípio do Fim. O problema é que não é só isto: há ainda os novos Bárbaros que já estão cá dentro e a entrar todos os dias. O barco está a afundar-se e é natural que os ratos saltem fora [atenção: o cartoon que ilustra esta prosa só foi adicionado umas horas depois, como alguns saberão, mas assenta que nem uma luva].
A mesma Ale-manha, que, manhosa, viu apenas os seus interesses e uma tentativa (mais uma) frustrada de alargamento para Leste (pois, a Ucrânia...), agora corre o risco de ficar a brincar sozinha.
Como vaticinámos há muito, a nova Idade Média está aí, e um dos seus traços característicos é o espartilhamento, como aconteceu após a Queda do Império Romano... A economia regionalizar-se-á e inch'Allah que não voltemos aos níveis da troca directa (ler "Guerreiros e Camponeses" do velho e grande George Duby)...
A cínica e bêbada Inglaterra (como a apodava o vate freixenista Guerra Junqueiro) já deu o mote. Quem são os senhores que se seguem?

- Para saber mais: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/611272/o-sim-que-abalou-a-europa-derrubou-cameron-e-afundou-bolsas?utm_source=gekko&utm_medium=email&utm_campaign=afternoon


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Bem, e dito isto vou agora vou ali tratar de umas couvitas, que escritas não enchem a panela... - Um bô S. João pra todos, são os votos cá do vosso Ti Zé.


quinta-feira, 26 de maio de 2016

Quando a Aldeia se torna putrefacta...

Da Aldeia os bons partiram há muito. Eram os mais capazes, os mais inteligentes, os mais sensatos. Os que ainda restam (ou restavam), ou iam aparecendo, anunciam-me que não tardam a partir. Alguns partiram para sempre, para o Além, jazem no campo santo... Manel, meu bom Amigo, lá onde estejas, sei que estás a ler-me e a sorrir... Só os filhos da puta não morrem, porque o Mal, esse é eterno. O veneno os conserva... E à medida que a Aldeia minga, que os empregos disponíveis (para não falar dos "tachos"), ou as oportunidades para esmirfar a teta da vaca da junta de freguesia, ou os dinheiros públicos, vão escasseando, mais os chicos-espertos olham de través para os que ainda restam que lhes possa fazer sombra. Na terra dos cegos, esses que se julgam com um olhinho vivo e pé ligeiro, de coluna vertebral mais do que dúctil, serpentina, almejam ser os reis. E entram a odiar de morte aqueles que eles sabem que têm dois olhos e lhes topam o jogo. Nem precisam de fazer sombra: basta saber que lhes topam o jogo. Além dos pobres homens e mulheres que trabalham e vão vivendo a sua vida, eram os puros, os honestos de antigamente, em extinção, a acabar no lar da terceira idade, há uns típicos papalvos ditos de "classe média", outros uns valdevinos que nada fazem mas com pretensões a intelectuais e que não suportam quem, no entender deles, os não deixam "brilhar" e estender-se ao comprido no sol dourado da "sua" Aldeia. Tornando-se bichos muito territoriais, tentam apoderar-se da Aldeia, consideram-se donos dela, e daí ao "vai lá para a tua terra!", mal pressentem que alguém dos que eles odeiam tem o handicap de não ter nascido no seu curral. Às vezes disfarçam, usam a tal duplicidade que lhes advém da dita ausência de coluna vertebral: pela frente uma coisa, por trás são outra. Então, à mínima questão, o verniz estala-lhe e o veneno vem ao de cima. E como lhes falta o intelecto (apesar de terem pretensões a tal), partem para a força e para a violência, aspirando assim à categoria de heróis que conseguiram correr com o cão que não tinha o mesmo cheiro - também é uma questão de feromonas... - O "bairrismo" é a expressão da territorialidade animal teorizada por K. Lorenz.
O grande mérito de Rentes de Carvalho foi o de ter desmistificado a Aldeia... sim, nós também a fantasiámos, a enaltecemos, a defendemos como reduto de todos os valores positivos, por oposição ao mundo cão exterior. Ingenuidade... - Como bem a pintou Rentes (basta ler "Ernestina", esse livro cruel), a Aldeia não é idílica; é violenta, pérfida, velhaca, invejosa, intriguista, conspirativa, delatora, chantagista, e sei lá de que mais é capaz para trucidar aqueles em que, basta um, ou uma, ponha a mira. Sim, pode haver uma excepção ou outra, mas não passam disso mesmo: excepções! - As tais que vão partindo, e desguarnecendo a Aldeia do sentido crítico positivo, ou seja, de sensatez. 
Nestes tempos de fome, de finitude, em que área do pantanal se vai reduzindo e o esterco concentrando, parece que a violência e o veneno se concentram também, tornando a Agressividade exponencial contra os que eles sabem que não são "dos seus". - Daí ao animalesco "vou-te correr daqui pra fora", é um passo... - E não adianta andarmos a cobrir isto com florinhas primaveris... 
Não há flores que nos salvem e disfarcem o cheiro putrefacto que se exala destes mundos em extinção... Não há remissão possível. Mas, partir, é fazer-lhes a vontade e, isso sim, seria um acto de cobardia. Ficar, talvez seja um exercício de masoquismo, mas a resistência não é para os fracos....







quinta-feira, 14 de abril de 2016

Prenúncios de Idade Média...

Sintomático... 
- Quando os ricos (os Patrícios) colocam os teres e haveres nas Américas, enquanto os Bárbaros entram em catadupa... isso é.... 
             ... o prenúncio da IDADE MÉDIA, que há muito profetizei!....
              
O Futuro vai estar nas Américas e nas Rússias... Por cá ficarão os neo-moçárabes (os espécimes adaptativos) e a "bicharada islâmica"... Dois mil anos, para isto.... 
- Bolas!  E tinha de acontecer ainda nos meus dias...



                      

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Sobre o tal de "Banco de Portugal"

Mão amiga fez-nos chegar este recorte, sem indicação de proveniência, mas autor identificado.
Creio que não deixa de ser uma análise muito certeira... Já sabia que o ordenado do "maioral" era muito chorudo (dizia-se até do Bitinho Constâncio que ganhava mais do que o presidente da reserva federal dos EUA), tal como os agentes que por lá andam, e, relativamente aos resultados são os que estão à vista... Os Bancos a estourarem, o pagode a pagar, e o mal dos amigalhaços banqueiros igual a... batatas!
Mas, uma coisa é o que diz aqui o Ti Zé, e outra é ser dita por quem sabe mais:

(clicar para AUMENTAR)


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

VEM AÍ (OU JÁ ANDA POR' Í) A PRIVATIZAÇÃO DAS AUGAS...

Olá amigos!
Por afazeres vários, deste o amanho das terras e da cria, cá o ti Zé tem andado um bocado arredado das netes... Sim, que parece que esta vida não chega a "netes"...  Mas hoje, como estava dia de chuva e farto de estar à lareira, aqui vos ponho qualquer mais qualquer coisita para abrirdes a pestana.
Lembrais-vos do nosso último "post"? - é só ir ver, antes deste. É sobre um artista de um belga, um tal de Guy não-sei-das-quantas, o mesmo que se atirou ao Tsripas, armado em virge púdica, mas que aos depois vos expliquei porquê... - é que o tal de biganau tinha interesses numa empresa chamada Sofina (ou antes, Só Finos, muito finaços que eles são! ) a qual tinha participação em muita coisa, incluindo na privatização das águas na Grécia:

«Uma dessas empresas é a GDF Suez, onde o fundo tem assento na administração, e que participou num dos consórcios para a privatização da rede de água de Salónica, uma das imposições do memorando da troika que foi derrotada pela população num referendo local.  / O consórcio tinha como parceiro local a empresa Ellaktor, propriedade de uma das famílias de oligarcas gregos, que domina os negócios da construção, autoestradas e tratamento de lixo.» (ver: http://www.infogrecia.net/2015/07/eurodeputado-anti-tsipras-foi-candidato-as-privatizacoes-da-troika-na-grecia/ )
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Pois, nem de propósito, passado todo este tempo volto ao tema, para vos trazer o que já anda cá pela Aldeia...
Percebem agora o que é o Neoliberalismo? Percebem agora ao serviço de quem estão esses senhoritos lá por Bróxelas?? E o que são os mainatos locais do tipo Coelhos/Portas e outros do "centrão", chegando a rede de negócios até à base da pirâmide, aos rapazes das autarquias... No fim da cadeia, tudo isto vai parar ao seu bolso... E, para não parar, a autarquia vai sacar aos impostos municipais, tipo agravamento dos IMI's e outros, para pagar a essas empresas dos contratos chorudos, o que vai dar ao mesmo...
É assim. Depois disto, continuem a dar vivas ao... "empreendedorismo" e às privatizações selvagens! E, já agora, a votar neles.
Aqui vos fica, agradecendo à mão amiga que nos fez chegar, a partir do já famoso blogue da grande justiceira Zita Paiva ("Não votem em corruptos, pensem!") - é só clicar sobre este link:  https://www.youtube.com/watch?v=0p07yFniOMY&sns=fb

(escusado será dizer que isto - que até passa em canais de TV alemães - na Comunicação Social Tuga, nem nada!!!.... porque será??)

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Ai o biganau!!!....

Ao vê-lo histérico na TV, confesso que os argumentos do homem até me convenceram (apesar de estar sempre de pé atrás quando pressinto virgens púdicas indignadas). Denunciava ele os tachos já distribuídos pelo Syriza, assim como a irresponsabilidade desse governo grego que não fazia o que tinha que fazer, ou seja as tais "reformas" (= pôr o povo a dar o litro como a chiba do Jaime e privatizar até a nuvem que passa, como dizia o Saramago, fora o resto que eu agora não cito). De caminho, foi passando um bocadinho a mão pelo povo grego, mas estando implícito que acha que são um povo de calaceiros...

 Afinal, a veemência, para não dizer a fúria, deste sr. Guy-não-sei-das-quantas (que averba no currículo o facto de ter sido primeiro-ministro da Bélgica), era resultante de um feroz despeito por os rapazes do Syriza lhe terem estragado os planos de negócio!

Enfim, mais um vampiro que estava a aguçar o dentinho para sugar algo em vias de privativação e a quem frustraram o intento...

Entendem agora o esquema?? - então é assim: 
1º. promover o endividamento através de crédito fácil; 
2º - gerar uma dívida impagável; 
3º - promover um governo fantoche e cúmplice das negociatas, cuja missão é desmantelar o Estado e vender os anéis... - a palavra de ordem passa a ser: "privatizar, privatizar!..." 
4º - é a hora dos vampiros, que ainda por cima se apresentam como "salvadores de pátrias" (como se o capitalismo selvagem tivesse pátria)...

O problema é quando surge um governo eleito que lhes baralha as contas!.... 
- Têm ataques de fúria, como este senhor (vá-se lá saber porquê...).

Aqui vos fica, com os cumprimentos do ti Zé:

In: "InfoGrécia", 2015.07.09:

Eurodeputado anti-Tsipras foi candidato às privatizações da troika na Grécia


Para ler tudo, clicar sobre este link:


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Carta do Júlio (e algumas bocas prévias do ti Zé):

Mão amiga, de um outro Zé, no caso a viver na cidade, mas sempre atento ao que se passa cá pela Aldeia, fez-nos chegar a carta do Júlio, que vai em baixo.

Sublinhámos a amarelo duas passagens:

1 - onde se expressa a suspeita de que esta Crise foi forjada para se implementar uma agenda neo-liberal - o que também defendemos há muito tempo...

2 - a referência a uma "solução final", ainda que o autor espera que assim não o seja - pois também já aqui o afirmámos, e também um dia em que tal ousámos dizer, para "escândalo" de uma "virgem (im)púdica", que contra-atacou com um pretenso insulto à memória dos judeus do Holocausto; mas logo vimos que tal tirada era uma mancha de tinta largada por um choco quando se sente tocado... foi só o caso de ir espreitar o Facebook do dito cujo e concluir que meses antes estivera num grande comício do Partido Republicano nos EUA!... Concluí que outrora havia uns rapazes que iam à URSS a mudar a cassete; agora há outros rapazes, lambidinhos e engravatados, que vão ao outro lado fazer o "upgrade" doutrinário... O mais caricato foi que a minha crítica tinha a ver com o plano de extermínio (em curso) da Função Pública; pois o mamão, obviamente concordando com tal extermínio, não é que estava num instituto público, como... "relações públicas"??? - E, aos depois, vim a saber que ascendeu a "public relations" de um desses rapazolas que chegaram a Secretários de Estado, por ínvios caminhos partidários. - Pois é verdade!.... A função pública é uma merda, mas não vejo esta rapaziada tão "empreendedora" a criarem empresinhas inovadoras, e a buscarem o tal sucesso à americana... Nada disso! lá andam eles, lampeiros (como diria o Pacheco P.), a pendurar-se na teta do Estado! - Que bem pregam estes S. Tomazes...

Mas, vamos lá à carta do Júlio:
 
Júlio Isidro - Não quero morrer sem...
eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade.

 
NÃO, NÃO ESTOU VELHO!!!!!!

 
NÃO SOU É SUFICIENTEMENTE NOVO  PARA  JÁ SABER TUDO!

 
Passaram 40 anos de um sonho chamado Abril.

 E lembro-me do texto de Jorge de Sena…. Não quero morrer sem ver a cor da liberdade.
 
Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. civilizadamente,  ordenadamente, no respeito  das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e ….calar.

 
Sou dos que acreditam na invenção desta crise.

Um “directório” algures  decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia.
 
Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz.
 
Parece que  alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final.
 
Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência.

Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado  que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho. Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se.
 
Agora, os velhos atónitos, repartem o dinheiro  entre os medicamentos e a comida.
 
E ainda tem que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível.
 
A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o milagre da multiplicação dos pães.
 
Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais impedem-nos de  sair de casa,  suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se  de sangue , 5% dos sem abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores  de geração espontânea, mas 81.000  licenciados estão desempregados.
 
Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto que muitos desistem de estudar para procurar trabalho.
 
Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada”  faz um milhão de espectadores.
 
Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros.
 
Há carros topo de gama para sortear e auto-estradas desertas. Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade.
 
Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas  há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados.
 
Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes.
 
Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho…
 
Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem?
 
E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa.
 
Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora.
 
E aprendemos neologismos como “inconseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exactamente o contrário do que está escrito no dicionário.
 
Mas há os penalties escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos.

E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista…

Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço.

E as mães que vão ao banco…. alimentar contra a fome e envergonhadamente, matar a fome dos seus meninos.

É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade.
 

Júlio Isidro

 

 

terça-feira, 30 de junho de 2015

Uns/umas Desavergonhados/as !!....

Mão amiga fez-nos chegar mais esta... Será o que nos resta: o direito (?) à indignação...

(A propósito de declarações da srª ministra das finanças há uns tempos, sobre a sustentabilidade da segurança social:  

UMA VERGONHA...
                                                                                                    
Vergonha e escândalo, estes miseráveis que mendigam o voto, não para defender os cidadãos, mas para se banquetearem ao máximo com o dinheiro público. Deviam pintar a cara de negro e evitar aparecer perante os portugueses, suas vítimas.
                                                                                            
 
INDECOROSO??

Especialmente dedicada aos "ministros" Poiares  Maduro e Maria Luís Albuquerque pelas suas "brilhantes" declarações proferidas acerca da sustentabilidade das reformas...
VERGONHA é comparar a Reforma de um Deputado com a de uma Viúva.
VERGONHA é um Cidadão ter que descontar 40 ou mais anos para receber Reforma e aos Deputados bastarem somente 3 ou 6 anos conforme o caso e que aos membros do Governo para cobrar a Pensão Máxima só precisam do Juramento de Posse.
 VERGONHA é que os Deputados sejam os únicos Trabalhadores (???) deste País que estão Isentos de 1/3 do seu salário em IRS…e reformarem-se com 100% enquanto os trabalhadores se reformam na base de 80%...
  
VERGONHA é pôr na Administração milhares de Assessores (leia-se Amigalhaços) com Salários que desejariam os Técnicos Mais Qualificados.
VERGONHA é a enorme quantidade de Dinheiro destinado a apoiar os Partidos, aprovados pelos mesmos Políticos que vivem deles.
VERGONHA é que a um Político não se exija a mínima prova de Capacidade para exercer o Cargo (e não falamos em Intelectual ou Cultural).
  
VERGONHA é o custo que representa para os Contribuintes a sua Comida, Carros Oficiais, Motoristas, Viagens (sempre em 1ª Classe), Cartões de Crédito.
  
VERGONHA é que s. exas. tenham quase 5 meses de Férias ao Ano (48 dias no Natal, uns 17 na Semana Santa mesmo que muitos se declarem não religiosos, e uns 82 dias no Verão).
  
VERGONHA é s. exas. quando cessam um Cargo manterem 80% do Salário durante 18 meses.
VERGONHA é que ex-Ministros, ex-Secretários de Estado e Altos Cargos da Política quando cessam são os únicos Cidadãos deste País que podem legalmente acumular 2 Salários do Erário Público.
  
VERGONHA é que se utilizem os Meios de Comunicação Social para transmitir à Sociedade que os Funcionários só representam encargos para os Bolsos dos Contribuintes.
  
VERGONHA é ter Residência em Sintra e Cobrar Ajudas de Custo pela deslocação à Capital porque dizem viver em outra Cidade.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Carlos Gil, na galeria dos heróis nacionais....

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Mão amiga fez-nos chegar o comentário e a foto em baixo, a propósito de um jovem comendador da Ordem do Infante, condecorado no passado 10 de Junho....
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Aqui ao ti Zé só lhe ocorreu perguntar: mas porque não também uma Comenda para o Jardineiro?  para o Motorista? para o Cozinheiro? e outros demais dedicados servidores da Ilustre Casa de Belém (e parece que tem muitos!....).

Enfim, a Tugalândia no seu melhor!...

"Julgava eu que a comenda de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, era atribuída a quem tivesse prestado serviços relevantes a Portugal, no País e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua História e dos seus valores. Este senhor, contra o qual nada tenho, é o costureiro da D. Maria Cavaco Silva... e Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique". 

 Carlos Gil, Grande-Oficial, junto ao símbolo pátrio 

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Tugalândia ausente numa Exposição estratégica em Milão - denuncia Ferreira Fernandes:

Mão amiga fez-nos chegar um recorte de um artigo de opinião do jornalista Ferreira Fernandes, Redactor Principal do Diário de Notícias, que abaixo transcrevemos.  - É de arrazo!  Na verdade os governantes tugas preferem apoiar um cacilheiro com umas pindériquices de uma girl, que passa aí, pelas galerias da Lísbia, por ser uma grande artista, com uns mega-sapatos feitos de tachos, dizíamos, preferem apoiar essas outras digressões a Itália, com pompa e circunstância, do q apostar antes neste isco, leia-se "merenda", q e' como melhor se pesca o estranja....
Falta de visão mesmo!
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 «A Expo 2015, em Milão, é dedicada às arrecadas de ouro de Viana do Castelo, ao cavaquinho e ao Licor Beirão. Já é surpreendente que o quase centenário Gabinete Internacional de Exposições tenha decidido fazer uma Exposição Universal com assuntos tão portugueses. Mas o mais extraordinário é que o apelo pelos valores lusos acabou por ser acolhido por 142 países. Dão-se conta ? O pavilhão das Seychelles a mostrar renda de bilros, o da República Islâmica do Irão a distribuir cálices de ginjinha e no dia da Finlândia vai ouvir-se um lapão a cantar o fado... Grande Portugal, quanto das tuas coisas típicas é orgulho universal!

Eu minto, mas só um pouco. O interesse da Expo 2015 não é pelas pequeninas coisas avulsas portuguesas. Não é por Belém (o pastel), é pelo fantástico que Belém (a Torre) significa na História Universal. A minha pequena mentira do primeiro parágrafo esconde a verdade grandiosa da Expo de Milão: ali se saúda (e é esse o seu lema) "a alimentação no mundo", isto é, as coisas de comer passeando por aí. E que é isso senão Portugal ? O daqui para ali da cana-de-açúcar e do abacateiro, a história do viajante amendoim, o milho turista, o cacaueiro que partiu e a pimenteira que chegou, a peregrina palmeira de dendém e o excursionista café... Não, não foi Portugal que os inventou, mas foi Portugal que os apresentou ao mundo.
Porém, nesse lugar - Milão, hoje - onde o mundo glorifica a comida, Portugal não está presente. Não tem pavilhão, nem banca, nem um simples papelinho distribuído à entrada: "Olá, vocês não se lembram, mas já nos conhecemos. Foi Portugal que vos apresentou a/o [e aí o folheto diria o nome dum tubérculo, dum fruto, dum cereal]..." Aos brasileiros deu o café para conversar; à China e à Índia, a batata; e vindo dos Andes, o chili pepper, o jindungo que, passando pelo Brasil, deu sentido às sopas tailandesas e coreanas. Reparem, nem falo da paprica húngara - só reivindico as entregas diretas. A Budapeste, o picante só chegou depois de passar pela Turquia, trazido da Índia, onde, em Goa, os portugueses tinham metido o jindungo no vindaloo. Leiam alto e descubram a origem da palavra: "vinha-d"alho"... O vindaloo encontrei-o, também deturpado, em Trindade e Tobago e no Havai.
Em 1972, o americano Alfred W. Crosby publicou The Columbian Exchange (A Troca Colombiana), sobre uma mudança-chave da história, quando o Velho Mundo se encontrou com as Américas. Nesses anos, 1492, com Colombo, e 1500, com Pedro Álvares Cabral, o planeta começou a ser pintado redondo. Global, como hoje se diz. No maravilhoso A Aventura das Plantas e os Descobrimentos Portugueses, de 1992, José Mendes Ferrão explicou essa contribuição portuguesa. O mais comum prato angolano, o funje, é acompanhado por fuba de milho ou por fuba de mandioca. O milho e a mandioca vieram do Brasil. E não se espalharam só pelas antigas colónias portuguesas, são as duas farinhas mais comidas em toda a África. O molho desses pratos é feito com óleo de palma, do coconote, que foi levado pelos portugueses da Índia (Goa) e Sudeste da Ásia (Malaca) para África e Brasil. Quem come moqueca em Salvador da Bahia, saboreia Goa, sem que a agência portuguesa de viagens cobre taxas. No Nordeste brasileiro, chama canjica ao mingau de milho, ou munguzá, se for sem tempero e sal. Os nomes vêm do quimbundo angolano, kanjika e mukunza. Quer dizer, a viagem das plantas não foi feita calada, uniu povos, para lá do palato.
A cana-de-açúcar tem origem na Índia e chegou a Pernambuco, o café é da Arábia e chegou a São Paulo. "E quem levou ?", perguntaria o folheto que devíamos levar a Milão, já que não temos pavilhão. Os portugueses conhecem o ananás desde 1500, do Brasil. Levaram-no para estações de aclimatação, para os Açores, para o tornar de outro mundo (como levaram o cacau para São Tomé). Durante décadas, o Havai foi o maior produtor de mundial de ananás, mas só o começou a produzir em 1886, oito anos após o Reino do Havai, graças a um acordo de emigração com Portugal, já ter camponeses de São Miguel, Açores...O pavilhão da Santa Sé, na Expo 2015, diz que a comida é também assunto de rituais e símbolos. Claro. E os portugueses foram apóstolos do valor sagrado do pão, espalharam-lhe a palavra e os sabores. O governo português diz que não temos pavilhão porque não temos dinheiro. É falso. Não estamos lá porque quem decidiu é pobre de espírito. Não merece Portugal.»
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