sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Governo? - visto por A. Lobo Antunes

Esta é do A. Lobo Antunes, e está muita boa!!!

«Perguntam-me muitas vezes por que motivo nunca falo do governo nestas crónicas e a pergunta surpreende-me sempre. Qual Governo?
 
É que não existe governo nenhum. Existe um bando de meninos, a quem os pais vestiram casaco como para um baptizado ou um casamento.

Existe um Aguiar Branco e um Poiares Maduro.
Porque não juntar-lhes um Colares Tinto ou um Mateus Rosé?
É que tenho a impressão de estar num jogo de índios e menos vinho não lhes fazia mal»

António Lobo Antunes

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Eusébio - luto e rescaldo II

Já depois do nosso post anterior, mão amiga fez-nos chegar este artigo de Henrique Monteiro, jornalista do Expresso:

«Líderes parlamentares? Deixem-me rir!
Henrique Monteiro, Expresso
 
8:00 Quinta feira, 9 de janeiro de 2014
 
A definição de um líder é a de alguém que exerce influência sobre o comportamento, pensamento ou opinião dos outros. Àqueles políticos que seguem a opinião da turbamulta e dos ventos do momento chamam-se, no geral, oportunistas.
Ontem, os líderes parlamentares discutiram a trasladação do corpo de Eusébio para o Panteão; mas, para cumprir a Lei, terão de esperar um ano para aprová-la.
Aquando do falecimento de Amália, os "líderes" eram outros e fizeram mais ou menos o mesmo, conseguindo uma coisa espantosa: alterar um decreto de 25 de setembro de 1836, assinado por Passos Manuel, para diminuir o tempo que devia mediar entre o falecimento e a honra de ir para o Panteão. Achou Passos Manuel (e a Rainha D. Maria II assinou) que esse período deveria ser de cinco anos. Os nossos deputados, em 2000, acharam que um ano basta. Eu pergunto: hoje, não bastará uma semana? Um grito, que seja, de um cidadão emocionado não chega?
Irrita-me solenemente as leis em Portugal serem adaptadas à medida dos acontecimentos. Se o Parlamento sabe que não pode decidir antes de um ano por que agendou para ontem essa discussão? A resposta é: oportunismo, populismo e falta de liderança!
Há 164 anos todas as personalidades tinham de ter falecido há mais de cinco anos para que o Parlamento decidisse sobre a sua presença no Panteão. Por que razão se alterou a lei para Amália Rodrigues? A resposta é: oportunismo, populismo e falta de liderança!
Até parece que tenho qualquer coisa contra Amália (nada, pelo contrário, foi uma cantora fora de série) ou Eusébio (deu-me muito mais alegrias do que a maioria dos portugueses). Mas se pego nestes exemplos é só para sublinhar como este país se trata mal a si próprio e tem um Parlamento e uns líderes parlamentares que nem sabem liderar, nem sabem impor uma lei. É uma vergonha.
Como é uma vergonha que nomes como os que ontem aqui referi (e outros que me apontaram e concordo, como Aristides Sousa Mendes) não tenham quem no Parlamento os proponha, apenas por não haver quem na rua grite por eles. Como um comentador ontem escreveu a propósito do meu artigo: "Pessoa, Camões, Herculano estudam-se nas escolas. Não consta que se vá estudar Eusébio ou Amália". Os seus contributos para o país (nomeadamente no estrangeiro) foram grandes, foram enormes mas foram de qualidade diferente e, no caso específico de Eusébio - e sublinho sem o querer minorar -, não condizentes com o que a própria Assembleia da República decidiu em 2000: "As honras do Panteão destinam-se a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao País, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade ".
Adaptar as leis às circunstâncias, às emoções momentâneas, aos oportunismos da caça ao voto é a melhor prova de que pouco aprendemos ainda sobre a qualidade da democracia e da racionalidade que ela tem de comportar. Dirão, somos latinos, somos emocionais. Eu respondo: tretas! Falta-nos quem não tenha medo de afrontar o ar do tempo!
 
Nota histórica: O Panteão Nacional congrega também a Igreja de Santa Cruz, em Coimbra, onde estão sepultados D. Afonso Henriques e D. Sancho I; de início, consagrou-se como Panteão o Mosteiro dos Jerónimos, onde estão sepultados Camões e Pessoa, mas um decreto de 1916 mudou-o para o então "antigo e incompleto templo de Santa Engrácia", que, na verdade, só ficou concluído em 1966 (daí a expressão "isto é como as obras de Santa Engrácia"). Foi a partir de 1916 que se começaram a colocar os túmulos que ainda hoje lá estão e os cenotáfios que representam outros grandes vultos da História.»

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Comentário do Ti Zé:
Tem alguma razão o articulista, quanto à decisão de certas coisas a quente. Se havia um decreto de 1836 que regulava essas coisas panteónicas, acho que se deveria ter esperado, já no caso da Amália. 1836 foi um período bastante "esquerdista", ainda na Monarquia liberal (após a revolução de Setembro), pelo que, se mesmo assim, o decreto vigorou em vários regimes (Regeneração, 1ª República, Estado Novo, e mesmo durante todo o tempo pós-25/04), deveria continuar a manter-se. De facto só se explica a sua alteração nesse período extreme do "nacional-porreirismo" guterrista, com a tal dose de demagogia que o articulista aqui verbera.
Todavia, no artigo outro de sua autoria para o qual remete, respaldando-se noutros vultos que deveriam estar no Panteão e não estão, veladamente, se bem que vá admitindo a possibilidade, põe em dúvida a trasladação de Eusébio para o Panteão, o mesmo se passando com Amália, a quem chega a apelidar de "ovni"... Se o autor ler bem o que sublinhou, no artigo supra, verá, que, tanto um como outro (Amália e Eusébio), se enquadram nas personalidades que se distinguiram no campo das Artes... Se o Fado (hoje até Património Mundial!) não é Arte, e ainda por cima expoente da Portugalidade, então o que é Arte? (só a arte erudita dos intelectualóides?); mais difícil seria considerar-se arte (do ponto de vista intelectualóide) o Futebol. Mas, não deixa de o ser (e Eusébio, como todos sabem, foi um verdadeiro mágico da bola), sendo certo que, quando esses critérios que refere foram decretados (1836, 1916...) o futebol não era o que é hoje: o desporto das multidões e onde se prolonga essa "coisa" que hoje já não sabemos bem o que é (se algum dia se soube) que é o "patriotismo". E não fosse Portugal o "país da bola", que exporta (e importa) craques e grandes treinadores, alguns até a treinar outras selecções nacionais, como acontecerá no próximo mundial. E, indo ao encontro dessa realidade, eu que nem sou de futebóis, não acho mal que se faça essa representação no dito Panteão, porque Eusébio é, a meu ver, um dos deuses do nosso Olimpo Lusíada (até pelo que significa em termos de transversalidade lusófona) - Eusébio é muito mais do que o futebol, e o Dr. Henrique Monteiro, inteligente como é, sabe-o muito bem.
A meu ver, alguns dos que cita que estão no Panteão (e outros que sugere), se calhar não deviam lá estar (ou para lá ir), embora concorde com outros que menciona, como por exemplo, Aristides de Sousa Mendes. Tudo isto é algo subjectivo, como se sabe. Mas, sendo difícil retirar os que estão, concordo que se revejam as regras para futuras "entradas", tendo em conta a real importância das "personalidades de excepção", em termos do contributo para o país, sua projecção internacional, conduta exemplar e também, porque não?, unanimidade popular (referende-se, no caso de dúvida, sendo que "unanimidade", para mim, é mais de 80%). Se não deve ir para um panteão tudo o que é "cão e gato" (até por problemas de espaço, pois de outro modo ter-se-ia de se construir uma nova Santa Engrácia, e, no estado do Tesouro, tal duraria não 500, mas talvez 1000 anos a concluir!), dizia, se não devem ir para lá todos os supostos ilustres, também não se deve ser redutor ao ponto de se dizer que só lá devem figurar os que se "estudam na escola"...
Por último, há ainda um critério que se deveria ter em conta nisto da "panteonização": a representatividade socioprofissional.  Se os políticos já lá estão bem (ou mal) representados, os homens de letras idem, os artistas através de Amália, é bem que o Futebol o fique através de Eusébio. Para só falar das áreas até à data relevantes pelo seu peso social. Como a História não é estática, pode ser que daqui a umas décadas, outras áreas se salientem, e, se houver outro expoente nacional que se saliente a nível planetário, assim o povo queira (e não só uma clique de "ilustres") e tendo em conta as tais regras previamente definidas, porque não?
 
 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A morte de Eusébio – luto e rescaldo

«Ex-futebolista Eusébio, o 'Pantera Negra', morre aos 71 anos


Eusébio, a 'Pantera Negra', a lenda do futebol português, morreu na madrugada de hoje (5/01/2014), aos 71 anos.» - in: http://www.noticiasaominuto.com/pais/153832/eusebio-o-pantera-negra-morre-aos-71-anos#.UsvV_LCYavE




Comentário do ti Zé:
 
Mais do que um grande futebolista, o maior do seu tempo e, pretendem alguns, um dos maiores de sempre nesta modalidade desportiva, Eusébio era acima de tudo um símbolo de um tempo, uma época, de um outro Portugal. Era o Portugal da minha infância, eu que nunca o conheci, a não ser inicialmente por cromos que se comprava com um rebuçados baratos e se colavam numa caderneta, depois por fotografias de jornal, pelos relatos radiofónicos de futebol e pela televisão mais tarde. Eusébio era o símbolo de uma utopia que em dado momento sonhou um Portugal plurirracial e multicontinental, do Minho a Timor, e provou que isso até era possível.
 
Nem todos os “colonizados”, pelos vistos, desenvolveram essa “consciência nacionalista” que, segundo os clichés esquerdóides da época e de hoje, se impunha. Por isso, talvez, para esses, não passasse de um “renegado”, um colaboracionista, ou um simplório. Na verdade, foi um homem que apenas queria jogar à bola. Mais nada. E fê-lo muito bem, como se sabe. Que se integrou bem num mundo ainda exclusivamente de “brancos”, que era a “metrópole” de então, mas que dava sinais de querer integrar gente que vinha do seu ultramar, num tempo em que, por exemplo, na Inglaterra, ainda se vedavam as portas aos do seu antigo império, ou, por exemplo, nos U.S.A. se abatiam a tiro os que reclamavam igualdade racial (como aconteceu com um outro King, este de nome, Martin Luther). O “império” tuga acabou, Eusébio ficou. “Porque se sentia bem”, disse-o a M. Coluna, também Moçambicano, que por sua vez regressou à terra de sua naturalidade. 

Na verdade, este Homem, Eusébio, foi um grande Português, melhor do que muitos renegados que por aí andam e outros que andaram, pois que, como disse Camões, “sempre entre os portugueses,/ houve alguns traidores, /algumas vezes...” (muitas, diremos nós). Não são fingidas as lágrimas choradas na famosa derrota da selecção portuguesa em Inglaterra em 66. Seria só a natural amargura pela derrota num jogo de futebol que decidia um campeonato do mundo? Na verdade, o que é isso de “patriotismo”? Não sei, mas sei que nunca o Homem se apresentou de punho fechado e cabeça baixa, no momento de ouvir o hino nacional, como os atletas negros norte-americanos numas certas olimpíadas no México. Se calhar é isto, também, que alguns intelectualóides esquerdóides de então (e de hoje) não lhe perdoarão.

Eusébio era, de facto, um homem simples, mas não um simplório (mesmo a anedota dos tremoços tinha mais de carinho do que piada perversa). Acho que sabia bem o que queria, e o que queria ser. E, se no antes do 25/04 poderia haver quem pensasse que se sujeitava, porque queria era jogar futebol e ter o seu “lugar ao sol”, que dizer das imagens mais recentes, anos 90 e 2000 e tal, quando acompanhava a selecção nacional, e vibrava do mesmo modo. Dir-me-ão que era só o futebol que o fazia vibrar. Decerto, mas ninguém ignora que o tal de patriotismo hoje, acabado o tempo das grandes batalhas de lança e espada, ou a marchar contra os canhões, é mais nos relvados que se define…  E ele estava lá, a torcer por Portugal.

Foi um Português de corpo inteiro, e, como tal, agora que se discute a sua morada definitiva, é inquestionável o seu direito ao Panteão Nacional. Já vieram alguns intelectualóides também a questionar isso, e até a questionar para que serve o Panteão nacional (“Ninguém devia estar no Panteão Nacional”, disse-o Maria Filomena Mónica, apresentando-se como socióloga, talvez numa atitude de raposa e as uvas)…
Argumentou-se que isso de Panteão não faz sentido nenhum atento o facto de haver mais do que um, ou seja, os Jerónimos e a Santa Engrácia. Já agora podiam acrescentar a Santa Cruz de Coimbra (onde estão o Afonso Henriques e o D. Sancho), Alcobaça e a Batalha, por onde andam restos de outros reis. Sim, porque inicialmente só os reis tinham direito a túmulos de referência. Depois vieram os navegadores, poetas e outros escritores. E cada época teve o seu edifício simbólico. Se o actual é a Santa Engrácia (com a grande excepção do Fernando Pessoa), e se se consagra esse espaço como lugar sagrado de representação nacional, reservado por um colectivo aos seus heróis, porque não? A simbólica é um dado humano e universal, desde os monumentos “megalíticos”, as pirâmides, os mausoléus (palavra que vem de Mausolo, rei aqueménida do séc. IV, a.C. cujo túmulo foi uma das 7 maravilhas do mundo).

A morte democratizou-se, e já não é exclusivo de reis governantes. Por isso, em democracia, deve imperar a vontade popular, e, à parte algumas vozes discordantes, é inquestionável que, quer Amália, quer Eusébio, foram “reis” à sua maneira, reconhecidos nacional e internacionalmente, na sua arte. São uma forma de consagrar também o Povo na galeria ilustre de uma posteridade também física, findo que foi o domínio da aristocracia e da burguesia. Que tenham sido símbolos de um Portugal outro, é que não deixa de ser uma certa ironia, a que são alheios. O que ambos queriam era fazer muito bem, aquilo para que nasceram. Acabaram por ser aceites e integrados pelos dois tempos da História, o que só diz da sua superioridade e explica a transversalidade. No caso de Eusébio, uma transversalidade até transnacional e inter-continental , pois que, soube continuar a ser português, mantendo o vínculo com o seu Moçambique natal, hoje estado soberano, e conseguindo o respeito destes pela sua opção. Li por aí algures a expressão “luso-moçambicano”. Acho que diz tudo. Acabados os impérios e os imperialismos, morta a velha utopia, talvez seja tempo de se (re)pensar uma outra: a de um maior entendimento e cooperação entre os povos que a História em algum momento juntou, e deixar de remexer na caca, atirando mais lenha para a fogueira, como para aí li, ainda hoje, em certo jornal diário, por certo douto revestido de insígnia de “investigador do ICS-UL”.
 
Preferi ler antes, o depoimento do timorense Xanana Gusmão: “Inspirou várias gerações emtodo o mundo. Não morreu nas nossas memórias”. Só isto; é o que importa. Mas dito em Português, do outro lado do mundo, por alguém que, parece-me, também é do Benfica, esta multinacional commonwelth lusíada (e eu sou insuspeito em dizê-lo, pois prefiro o Verde).

Na minha linha de pensamento, concordo também com o epitáfio do Prof Carlos Queirós sobre Eusébio: “Foi um pedaço de um Portugal diferente, maior, sem fronteiras, multicultural. O seu trono não pode ser ocupado, porque o seu reinado não existe mais”.

Já no campo dos ressabiados, lá tinha de vir esta apreciação do sr. António Pedro de Vasconcelos (um dos da chub-chídiodependência): [Eusébio] “foi, sem querer, um símbolo para os portugueses do seu tempo”, porque, num tempo em que “ser português era sinal de opróbrio e de vergonha, Eusébio resgatou o nosso orgulho e devolveu-nos a dignidade” (in Publico, 2014.01.07). E hoje, sr. A-P. Vasconcelos? Hoje ser-se português (pior, Tuga, um protectorado ocupado por uma troika que nos faz pagar, ad aeternum, com língua de palmo, uma dívida perdulária), não é igualmente símbolo de opróbrio e de vergonha? Se calhar, à época, o sr. deplorava que houvesse um homem, ainda por cima de cor, vindo de “territórios indevidamente subjugados” andasse por aí a promover o nome do Portugal fascista… Daí que Amálias e Eusébios inicialmente até tivessem sido apodados de fascistóides, até os tentarem depois “recuperar”, de que esta tirada é exemplo ilustrativo. Que fique assente, que estas pessoas de excepção apenas queriam fazer o seu trabalho e exercer a sua Arte, com mestria, marimbando-se para as politiquices…

Análise mais sóbria me pareceu a de Alexandre Miguel Mestre (in Publico, 2014.01.07): “Eusébio abriu portas a outros, sendo um paradigma de emancipação de grandes futebolistas das províncias ultramarinas, que triunfaram em Portugal”. Apesar de a palavra “emancipação” ser insidiosa (aliás na linha de análise "científica" do artigo), convergindo com o vocabulário das “Nações Unidas” dos anos 60 (e anterior, haurido nos princípios da Internacional Comunista e conferência de Bandung, 1955): a tal “emancipação” dos povos. - Porque não dizer que o caso Eusébio foi antes o paradigma da “promoção” de grandes futebolistas das províncias ultramarinas? É que, pela lógica esquerdista, até nem “emancipou” nada: antes foram “aproveitados” pelo regime como forma de “propaganda”… Não se nega o que possam ter sido, mas não se poderá ver antes ,nesse fenómeno, o início do que ainda hoje são as transferências intercontinentais de jogadores (sobretudo no mundo do futebol), das mesmas origens (África) ou de outras (brasileiros, argentinos, mexicanos, etc.), para o futebol europeu, e, se calhar, qualquer dia, de modo inverso? (como de cá vão treinadores e jogadores para outros lados)?

Enfim, nem nos momentos de Luto, os baixos instintos da politiquice ronceira, mesmo (e sobretudo) sob a capa do intelectualismo, deixa de emergir… Sobretudo quando a vida e a conduta de um Homem lhes contraria os “clichés”…

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Post Scriptum: já depois de escrito e postado o nosso comentário, através de mão amiga chegámos a este outro post do blogue Corta-fitas: http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/5593182.html  - é sobre a opinião do sr. dr. Mário SóAres, ou D. Mário I, cognome: "o bochechas"... Converge com o que atrás foi dito, revelando uma má vontade de quem ainda não digeriu o facto do "simplório" não ter sido um glorioso anti-fascista, e, para mais, podendo ocupar (ou deslustrar) o lugar que o paquidérmico Matusalém espera vir a ocupar também no Panteão....



segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O regresso das "sopas dos pobres"...

Talvez a única diferença esteja no facto de entretanto se ter inventado, ou generalizado, a fotografia a cores:
 

Caros visitantes,
é com esta nota de "Esperança" que nos despedimos de 2013...
Com o "orçamento de estado", entretanto aprovado, é caso para dizer, "para o ano há mais"...
Por isso, seria uma ironia e um acto de cinismo desejar-vos um "próspero" ano novo...
Desejamos-vos, todavia, um novo ano (ainda) com trabalho/emprego, alguns trocos e sem fome.
A vós, que sois o comum dos mortais, funcionários públicos, empregados da privada, pequenos empresários, arraia miúda em suma. Porque para os mamões, para esses está-se bem. Cada vez melhor...

Com um abraço do vosso
Ti Zé.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Novidades da Síria

Pois esta chegou-me da Amnistia Internacional hoje e deixo aqui a tradução:
A Amnistia Internacional acaba de revelar a ocorrência de abusos chocantes de direitos hmanos no Norte da Sìria. Crianças de idades tão precoces como 8 anos têm estado aprisionadas em prisões secretas, em conjunto com adultos, sob condições violentas e desumanas, tendo inclusive sido chicoteadas e flageladas. Estas prisões secretas são geridas e controladas pelo ISIS (o Estado Islâmico no Iraque e al-Sham), um grupo armado que controla vastas áreas do norte da Síria. O ISIS, que reclama aplicar a Shari’a (lei islâmica) nos territórios que controla, tem violado implacavelmente os direitos dos habitantes locais, Algumas pessoas são detidas sob acusações de “crimes” contra o Islão, tais como fumar cigarros. Outros são aprisionados por desafiarem o domínio territorial do ISIS, Muitos muçulmanos sírios locais rejeitam veementemente os abusos do ISIS mas sentem-se impotentes e apanhados numa ratoeira.
 
É de notar que, neste país, tem havido registo de execuções sumárias de ciranças, incluindo o serem abatidas a tiro (em aparência como se se andasse ao tiro aos pombos) pelos franco-atiradores e há mesmo registos de decapitações e tortura de bebés.  Se isto não é de loucos, digam-me por favor onde é o manicómio...

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O dia em que acabou a crise!
Jacinto Furtado / 29 de Novembro de 2013
Convido-vos a tomarem consciência da assustadora realidade, convido-vos a pensarem se este futuro que está à porta é o futuro que querem para vocês, para os vossos filhos, para os vossos netos. É nossa responsabilidade contrariarmos este caminho, é nosso dever transformar as palavras de Cocha em ficção e não permitir que destruam ainda mais o nosso futuro e o dos nossos.

“O dia em que acabou a crise!
Quando terminar a recessão teremos perdido 30 anos de direitos e salários…
Um dia no ano 2014 vamos acordar e vão anunciar-nos que a crise terminou. Correrão rios de tinta escrita com as nossas dores, celebrarão o fim do pesadelo, vão fazer-nos crer que o perigo passou embora nos advirtam que continua a haver sintomas de debilidade e que é necessário ser muito prudente para evitar recaídas. Conseguirão que respiremos aliviados, que celebremos o acontecimento, que dispamos a atitude critica contra os poderes e prometerão que, pouco a pouco, a tranquilidade voltará à nossas vidas. Um dia no ano 2014, a crise terminará oficialmente e ficaremos com cara de tolos agradecidos, darão por boas as politicas de ajuste e voltarão a dar corda ao carrocel da economia. Obviamente a crise ecológica, a crise da distribuição desigual, a crise da impossibilidade de crescimento infinito permanecerá intacta mas essa ameaça nunca foi publicada nem difundida e os que de verdade dominam o mundo terão posto um ponto final a esta crise fraudulenta (metade realidade, metade ficção), cuja origem é difícil de decifrar mas cujos objectivos foram claros e contundentes:
Fazer-nos retroceder 30 anos em direitos e em salários
Um dia no ano 2014, quando os salários tiverem descido a níveis terceiro-mundistas; quando o trabalho for tão barato que deixe de ser o factor determinante do produto; quando tiverem ajoelhado todas as profissões para que os seus saberes caibam numa folha de pagamento miserável; quando tiverem amestrado a juventude na arte de trabalhar quase de graça; quando dispuserem de uma reserva de uns milhões de pessoas desempregadas dispostas a ser polivalentes, descartáveis e maleáveis para fugir ao inferno do desespero, ENTÃO A CRISE TERÁ TERMINADO.
Um dia do ano 2014, quando os alunos chegarem às aulas e se tenha conseguido expulsar do sistema educativo 30% dos estudantes sem deixar rastro visível da façanha; quando a saúde se compre e não se ofereça; quando o estado da nossa saúde se pareça com o da nossa conta bancária; quando nos cobrarem por cada serviço, por cada direito, por cada benefício; quando as pensões forem tardias e raquíticas; quando nos convençam que necessitamos de seguros privados para garantir as nossas vidas, ENTÃO TERÁ ACABADO A CRISE.
Um dia do ano 2014, quando tiverem conseguido nivelar por baixo todos e toda a estrutura social (excepto a cúpula posta cuidadosamente a salvo em cada sector), pisemos os charcos da escassez ou sintamos o respirar do medo nas nossas costas; quando nos tivermos cansado de nos confrontarmos uns aos outros e se tenham destruído todas as pontes de solidariedade. ENTÃO ANUNCIARÃO QUE A CRISE TERMINOU.
Nunca em tão pouco tempo se conseguiu tanto. Somente cinco anos bastaram para reduzir a cinzas direitos que demoraram séculos a ser conquistados e a estenderem-se. Uma devastação tão brutal da paisagem social só se tinha conseguido na Europa através da guerra. Ainda que, pensando bem, também neste caso foi o inimigo que ditou as regras, a duração dos combates, a estratégia a seguir e as condições do armistício.
Por isso, não só me preocupa quando sairemos da crise, mas como sairemos dela. O seu grande triunfo será não só fazer-nos mais pobres e desiguais, mas também mais cobardes e resignados já que sem estes últimos ingredientes o terreno que tão facilmente ganharam entraria novamente em disputa. Neste momento puseram o relógio da história a andar para trás e ganharam 30 anos para os seus interesses. Agora faltam os últimos retoques ao novo marco social: um pouco mais de privatizações por aqui, um pouco menos de gasto público por ali e “voila”: A sua obra estará concluída. Quando o calendário marque um qualquer dia do ano 2014, mas as nossas vidas tiverem retrocedido até finais dos anos setenta, decretarão o fim da crise e escutaremos na rádio as condições da nossa rendição.”

Só me dói que os espanhóis vejam as coisas e nós por cá andemos todos preocupados é com a cor do salto do sapato da querida Tátá...

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Finalmente a avaliação da Troika!

Já foi tema aqui glosado. Quem avalia os senhoritos que nos avaliam? quem avalia os reis magos da nossa pobreza? quem avalia os seus erros de... avaliação?
Parece que vão ser avaliados. Ou, pelo menos, ser sujeitos a um simulacro de avaliação, que, para variar, ficará em águas de bacalhau, ou, no mínimo, até sairão justificados. Enfim...
Agora falta a avaliação dos lacaios locais da troika... os que quiseram ir até além da troika. É que estes cometeram erros, os outros, querendo ir mais além, devem ser ainda mais agravados. Esses dirão que a sua avaliação é feita em eleições. Para nós não chega. Há que olhar para a Islândia e dar um bom apertão aos carrascos do seu próprio povo, os tais que sob a capa da troika trataram de implementar uma agenda híper-neoliberal com os resultados e consequências à vista.

Aqui vos fica:

«Inquérito - Erros da troika sob investigação

O Parlamento Europeu fez saber, esta manhã, que os erros da troika vão ser investigados, conta o Dinheiro Vivo.   
As decisões e a gestão da troika no âmbito dos programas de ajustamento de Portugal, Grécia, Chipre e Irlanda vão ser alvo de inquérito no Parlamento Europeu (PE), avança o Dinheiro Vivo.

O anúncio foi feito durante a discussão do relatório do Parlamento Europeu sobre a actividade do Banco Central Europeu em 2012, que se realiza em Estrasburgo, e onde foi abordada a questão polémica da competência e da transparência da troika nos vários programas de ajustamento ainda em curso.

Os dirigentes de duas das instituições que comandam as missões externas, nomeadamente Mario Draghi, do Banco Central Europeu, e Olli Rehn, da Comissão Europeia, prometem cooperar com os deputados na referida investigação.

O relatório preliminar sobre o tema será divulgado a 17 de Dezembro.»

Cf. aqui: http://www.noticiasaominuto.com/economia/145004/erros-da-troika-sob-investigacao?utm_source=gekko&utm_medium=email&utm_campaign=afternoon#.UqoqQ6KYbIU


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A escandaleira das PPP's que afundou a Tugalândia!!

Pedimos esta de empréstimo ao blogue Apodrece Tuga, da nossa amiga Zita:

«Os cobardes das PPP. Roubaram, enganaram e serviram-se, agora afirmam que é uma responsabilidade do país.
"O custo que o Estado (logo os contribuintes) terão de pagar devido aos desvios financeiros encontrados nas PPP, pela comissão parlamentar de inquérito, atinge mais de 12 mil milhões de euros, logo davam para pagar dez anos de subsídios de férias de funcionários públicos e reformados." fonte
O equivalente a todas as medidas de austeridade que a troika pediu a Portugal e o suficiente para fazer três 'reformas do Estado'.
Marinho Pinto denuncia onde e como se fazem os contratos ruinosos para o estado. Veja o video, um estrondoso escândalo que a comunicação social abafou.
NÃO DEIXE QUE CONTINUEM A ABAFAR, PARTILHE, AJUDE PORTUGAL A ACABAR COM A IGNORÂNCIA QUE NOS ARRUÍNA

O relatório que investigou os culpados do desfalque das PPP, onde os governantes decidiram oferecer impostos dos portugueses a empresas privadas amigas, encontrou alguns dos culpados do saque, Paulo Campos, Carlos Costa com o cabecilha Sócrates. O pai Cavaco Silva.
No geral os contratos das PPP eram baseados em estudos errados/ falsificados.
"O relatório final da comissão de inquérito às Parcerias Público Privadas, com cerca de 500 páginas aponta o dedo a vários responsáveis como os ex-secretários de Estado Paulo Campos e Carlos Costa Pina, aponta o dedo à actuação política dos vários responsáveis por esta matéria nos governos liderados por José Sócrates.
- Aproveitamento político deste tipo de contratos, falta de estudos credíveis e renegociações feitas em pressupostos errados são algumas das conclusões. Contrato da Lusoponte, dos mandatos de Cavaco Silva, é considerado "um dos piores exemplos" de PPP."

ARTIGO COMPLETO..... :http://goo.gl/ngiUsy »

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Mandela símbolo

Faleceu ontem o grande líder africano (e mundial) Nelson Mandela. O tambor africano desde os confins do Cabo terá rufado pela noite e pelo continente. Muitos não festejarão, porque o homem foi condescendente de mais com "os brancos". As teorias da negritude defendiam (e defendem) que a África "é um continente negro", e tudo o que destoe desse tom de pele, não tem que lá estar. Para mais, filhos de antigos colonialistas, esclavagistas, exploradores, racistas, etc.. Há um racismo negro a par de um racismo branco... Fosse "real politik" ou fosse convicção, este Homem defendeu o contrário. Depois da militância no ANC e de ter alinhado na luta armada em prol da libertação do seu povo, acabou por ser uma espécie de Ghandi africano. E conseguiu o que parecia impossível: fazer coexistir dois mundos que pareciam irreconciliáveis nesse território meridional de África. Não há "habilidade política" que valha, sem um grande fundo de humanidade, e uma grande capacidade de liderança e de ser reconhecido, por uns e por outros. Pelo que este Homem, foi, sem dúvida, um fora de série. Que diferença com o Bokassa zimbabueano, ou com o corrupto dos Santos, e tantos outros sobas africanos que sucederam ao período colonial!
Este Homem, também por isso, foi um Grande, desta Aldeia global.
Que acontecerá agora à Africa do Sul?
 
Nelson Mandela em 2 de agosto de 2008 na comemoração do aniversário do ex-presidente sul-africano (AFP, Gianluigi Guercia)
 
«Nelson Mandela- A Liberdade está de luto. O Mundo também. Até sempre, Madiba
A Liberdade está de luto. O Mundo também. Partiu Nelson Mandela. A África do Sul ficou órfã do seu pai. Lágrimas que se choram, palavras que evocam a memória daquele que se vergou pela Humanidade. Daquele que abdicou de tanto por tantos. Até sempre, Madiba.»
 


 


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

De como se monta um "negócio da china"...

Não, este outro "negócio da China" não tem a ver com a EDP e chineses... Há por aí em perspectiva outros "negócios" da china (sem chineses, que se saiba, ao momento), envolvendo franceses e outros chico-espertos.
Assim vai a "crije", só para alguns, com a factura sempre aos mesmos, com mais "engorda" dos suínos da gravata (os principais "de fora", mas sobrando sempre alguma vianda para os "caseiros" - Coelhone, coelhooooone!!... - onde estás, pá?)

Já ouviram falar da famosa "Ana"? sim, a dos aeroportos. Então leiam (corre por'i, pela net):

«ANA, grávida da nova Lisboa
Ah sim, o discurso de Cavaco. Talvez, talvez, depende, "eu avisei". Sempre tarde. Adiante. Falemos de coisas concretas e consumadas: o casamento da ANA uma historieta que tem tudo para sair muito cara. Passo a explicar: a ANA geria os aeroportos com lucros fabulosos para o seu pai, Estado, que, entretanto falido, leiloou a filha ao melhor pretendente. Um francês de apelido Vinci, especialista em autoestradas e mais recentemente em aeroportos, pediu a nossa ANA em casamento. E o Estado entregou-a pela melhor maquia (três mil milhões de euros), tornando lícita a exploração deste monopólio a partir de uma base fabulosa: 47% de margem de exploração (EBITDA).
O Governo rejubilou com o encaixe... Mas vejamos a coisa mais em pormenor. O grupo francês Vinci tem 37% da Lusoponte, uma PPP (parceria público-privada) e assente numa especialidade nacional: o monopólio (mais um) das travessias sobre o Tejo. Ora é por aqui que percebo por que consegue a Vinci pagar muito mais do que os concorrentes à ANA. As estimativas indicam que a mudança do aeroporto da Portela para Alcochete venha a gerar um tráfego de 50 mil veículos e camiões diários entre Lisboa e a nova cidade aeroportuária. É fazer as contas, como diria o outro...
Mas isto só será lucro quando houver um novo aeroporto. Sabemos que a construção de Alcochete depende da saturação da Portela. Para o fazer, a Vinci tem a faca e o queijo na mão. Para começar pode, por exemplo, abrir as portas à Ryanair. No dia em que isso acontecer, a low-cost irlandesa deixa de fazer do Porto a principal porta de entrada, gerando um desequilíbrio turístico ainda mais acentuado a favor da capital. A Ryanair não vai manter 37 destinos em direção ao Porto se puder aterrar também em Lisboa.
Portanto, num primeiro momento os franceses podem apostar em baixar as taxas para as low-cost e os incautos aplaudirão. Todavia, a prazo, gerarão a necessidade de um novo aeroporto através do aumento de passageiros. Quando isso acontecer, a Vinci (certamente com os seus amigos da Mota-Engil) monta um apetecível sindicato de construção (a sua especialidade) e financiamento (com bancos parceiros). A obra do século em Portugal. Bingo! O Estado português será certamente chamado a dar avais e a negociar com a União Europeia fundos estruturais para a nova cidade aeroportuária de Alcochete. Bingo! A Portela ficará livre para os interesses imobiliários ligados ao Bloco Central que sempre existiram para o local. Bingo! Mas isto não fica por aqui porque não se pode mudar um aeroporto para 50 quilómetros de distância da capital sem se levar o comboio até lá. Portanto, é preciso fazer-se uma ponte ferroviária para ligar Alcochete ao centro de Lisboa.
E já agora, com tanto trânsito, outra para carros (ou em alternativa uma ponte apenas, rodoferroviária). Surge portanto e finalmente a prevista ponte Chelas-Barreiro (por onde, já agora, pode passar também o futuro TGV Lisboa-Madrid). Bingo! E, já agora: quem detém o monopólio e know-how das travessias do Tejo? Exatamente, a Lusoponte (Mota-Engil e Vinci). Que concorrerá à nova obra. Mas, mesmo que não ganhe, diz o contrato com o Estado, terá de ser indemnizada pela perda de receitas na Vasco da Gama e 25 de Abril por força da existência de uma nova ponte. Bingo! Um destes dias acordaremos, portanto, perante o facto consumado: o imperativo da construção do novo grande aeroporto de Lisboa, em Alcochete, a indispensável terceira travessia sobre o Tejo, e a concentração de fundos europeus e financiamento neste colossal investimento na capital. O resto do país nada tem a ver com isto porque a decisão não é política, é privada, é o mercado...
E far-se-á. Sem marcha-atrás porque o contrato agora assinado já o previa e todos gostamos muito de receber três mil milhões pela ANA, certo?
O casamento resultará nisto: se correr bem, os franceses e grupos envolvidos ganham. Correndo mal, pagamos nós. Se ainda estivermos em Portugal, claro.»
 

Ainda o Burro da Tugalândia....

Este rapaz, um tal de André de Macedo, às vezes lá diz algumas acertadas; mas outras vezes descamba. Nesta do burro, começa bem, mas depois de dar umas no cravo, lá lhe saltou o martelo para a ferradura, não fora mais um desses jovens "inconomistas" (quando ouço falar em inconomia e finanças, puxo logo da minha pistola!) da moda, nas ilhargas do neoliberalismo imperante.
Todo o paleio está muito giro, mas, no fim, não se percebe se o rapaz defende ou não a existência dos estaleiros de Viana do Castelo (pois que com a estória do burro é aí que quer chegar). Parece que é contra o "chubchídio", ok, tudo bem. Na lógica neoliberal, de anti-shubchídiodependência, tudo o que não der lucro não deve existir; mas depois diz que temos umas grandes milhas marítimas e até tínhamos capacidade para ter não sei quantos estaleiros... E então porque não temos? De quem é a culpa? dos grandes empresários tugas, que não têm capacidade para os montar e manter (sem chubchídio)? dos malandros dos operários que só querem direitos e privilégios? da crije que determina que não haja encomendas? - não sei, porque não sou "inconomista", mas em vez de mandar meia-dúzia de patacoadas meias neoliberais, gostava que estas pitonisas que escrevem nas páginas "inconómicas" de certos jornais, nos esclarecessem.... Porque para mandar bitaites para o ar, tipo treinadores de bancada, não precisamos de ter altos cursos de... Inconomia.

Aqui vos fica:

«O burro não sabe nadar

por ANDRÉ MACEDO

Quando Manuel Pinho era o inquilino do Ministério da Economia pediu um estudo para entender como os mercados olhavam para Portugal. Não seria preciso ir tão longe para chegar às conclusões apresentadas, mas as que foram entregues revelaram algum humor. À pergunta "a que animal associa Portugal?", a maioria respondeu: o burro. Poderia ter sido o touro, podia ter sido a sardinha, mas foi o burro, como também foi o jumento que fez capa no New York Times há uns dias.

É evidente que já não nos devíamos inquietar com estas coisas. O jumento mirandês é um bicho simpático que ajuda a interromper a rotina tipográfica do jornal e é, digamos, muito fofinho, além de até ser um bom postal para os turistas. É muito local e funny e até ecofriendly. Não entendo, por isso, a reação à capa do Times: temos de admitir que a metáfora é zoologicamente certeira. Portugal é um país velho (antigo), desgastado (cansado da austeridade) e mais dependente do que nunca de subsídios europeus para sobreviver - juros amigos, bónus da PAC e outros programas recheados de acrónimos para que ninguém os fiscalize.

O jumento mirandês é apenas o resultado peludo desta política europeia, a mesma que levou à falência a agricultura e as pescas nacionais, mas que ainda tem mesada para atirar uns milhões para o jumento ou para a coruja dos Alpes. Na verdade, tudo isto é apenas a expressão de uma rede de lóbis que leva o que pode. Numas vezes usa os bichos para encher a carteira, noutras os sindicatos. A este propósito é muito significativo o escândalo da UGT espanhola, que usou fundos destinados à formação profissional para oferecer malas de pele - que mandou copiar a uma empresa de Madrid - e fabricar na China.

Apesar de tudo isto, os países ainda fazem mais batota. Os Estaleiros de Viana, por exemplo, que agora provocam lágrimas de indignação - 500 anos depois ainda não enterrámos os Descobrimentos - , são um exemplo de dinheiro público despejado durante anos sob forma de auxílios ilegais a uma companhia que, paradoxalmente, acabou por ficar sem incentivo para competir. Se há subsídio, não é preciso dar lucro, não é? Que os governos façam isto já não espanta ninguém; mas o ponto é outro.

Portugal tem tudo para exibir uma indústria naval rentável. Tem conhecimento e marca. Tem uma zona económica marítima sem paralelo: é a quinta maior do mundo e tem 18 vezes a sua superfície terrestre. Podia ser o país dos estaleiros navais, da investigação e do conhecimento do mar. E no entanto não o é, apesar de o Estado ter sido durante anos um business angel dos diabos: pagou a aventura e não reclamou. Mas esses dias já eram. Convenhamos: nem tudo é Estado social. Os Estaleiros de Viana e os seus navios não o são certamente, apesar de o circo destes dias à volta do assunto ser very tipical de um país que vai de cavalo para burro.»
 


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Agricultura na Lua

Amigos da aldeia, preparem novamente as enxadas que a Nasa prepara-se, agora, para plantar nabos na Lua!
A agência espacial norte-americana vai enviar sementes de diversas plantas para a Lua e estudar a sua hipótese de sobrevivência. A longo prazo, a ideia é tentar que o satélite da terra seja colonizado por seres humanos.
Quem, a curto prazo, vai plantar as ditas sementes, é que a notícia não explica. Mas bem se vê que a ideia é, a médio prazo, arranjar uma fuga deste planeta maltratado e continuar a destruição pelo universo fora, até onde os limites da inteligência nos permitirem (e Deus queira que não permitam muito...).
Ficaríamos todos bem mais felizes se os investigadores se aplicassem a procurar soluções para acabar com a desigualdade social e económica por via do desenvolvimento integrado e sustentado de países apelidados de Terceiro Mundo. Não precisamos de plantar nabos na Lua, já temos que bastem na Terra!

Fonte: NASA

"Competição" versus "Cooperação"

Na linha de outros documentários já aqui postados,  fica mais este para REFLEXÃO:
 
(Clicar sobre o botão do meio > para ligar; e no canto inferior direito, para AMPLIAR)
 
Quando o Neo-liberalismo selvagem fez do termo "COMPETIÇAO", todo um programa e toda uma doutrina (o tal darwinismo económico, profissional e social), com todo o cortejo de violências que isso arrasta, a começar no princípio do "vale tudo, até arrancar olhos", há que pensar que pode haver outros caminhos que não seja a engorda de meia dúzia de suínos à conta de uma multidão de servos...

Uma sociedade racional pode funcionar com base em outro tipo de valores alternativos, tendo como pressuposto a COOPERAÇÃO, a SOLIDARIEDADE e a justa distribuição da riqueza...
Contra a entropia do neoliberalismo selvagem, talvez esteja na hora de se procurar uma nova Utopia, de liberdade (económica e política) com responsabilidade, um novo Humanismo em equilíbrio com a Natureza, pois que nesta não há só "lei da selva"...

domingo, 1 de dezembro de 2013

Burro mirandês na boca do mundo

Um jornalista americano escreveu um artigo sobre os burros mirandeses e logo os jornais portugueses apontaram que este estaria a comparar o interior de Portugal (e não todo o país) e os seus problemas aos da raça asinina. Pois bem, diz o jornalista que não era bem essa a ideia...

O artigo da publicação norte-americana começa com uma frase sugestiva: "Hoje não é fácil ser burro." Segue para a descrição da função tradicional do burro mirandês – a de ajudar os agricultores de Miranda – e para a eventual extinção da espécie tipicamente portuguesa, entretanto substituída por maquinaria moderna e tractores no cultivo dos campos.

Não tarda a aparecer a primeira a metáfora: "Depois de décadas de negligência e, dizem alguns, desentendimentos, o destino do burro começa a assemelhar-se ao dos humanos, [por estarem] ameaçados pelo declínio da população e com a sobrevivência dependente, sim, de subsídios da União Europeia."

A aldeia de Paradela no concelho de Miranda do Douro é o cenário escolhido pelo jornalista Raphael Minder para explicar de que forma está a União Europeia a tratar "as suas zonas rurais", mais precisamente os países do Sul da Europa. De acordo com o artigo, a situação que Portugal atravessa é semelhante à extinção do burro mirandês.

“À medida que os jovens continuam a trocar as zonas rurais pelas cidades, os burros estão também ameaçados, porque os agricultores estão a ficar velhos e não podem cuidar deles”, pode ler-se no artigo do The New York Times.

Um interior desertificado, a agricultura abandonada, os cortes dos fundos europeus destinados ao sector primário, os apoios e o resgate financeiro que chegam das instituições da União Europeia são as preocupações do autor, que foram entendidas em Portugal como uma comparação.

Raphael Minder cita o ex-presidente da Junta de Freguesia de Ifanes, Miranda do Douro, Orlando Vaqueiro, para sustentar a ideia de que "hoje não é fácil ser burro" em Portugal: "Precisamos dos subsídios para manter os burros, mas o resultado é que todos se tornam completamente dependentes deles, portanto não há espírito de inovação nem desejo de modernizar ou produzir mais."

O PÚBLICO contactou o jornalista para perceber se a sua intenção era ou não fazer uma comparação entre a extinção do burro mirandês e o interior do país. De acordo com o Raphael Minder, pensar numa comparação entre a espécie mirandesa e o país "é um absurdo".

"Quero deixar claro que não há nenhuma comparação propositada", declarou o jornalista, correspondente do jornal norte-americano em Portugal e Espanha.

"A única coisa que fiz foi dizer que aquelas regiões estão a passar dificuldades, que também vale a pena pensar nos animais, mesmo naqueles que, como o burro, não são tidos como raças em vias de extinção, como o lince e o lobo", esclarece o jornalista. "E também quis levantar a velha questão de que os subsídios europeus para a agricultura precisam ter um retorno sobre o investimento que o justifiquem", acrescenta.

Fonte: Público