quarta-feira, 20 de março de 2013

Protesto francês

Para quem percebe francês:
Lá como por cá - perfeitamente de acordo!!!

Ainda o caso Cipriota... e o que daí decorre

Pela amostra do caso cipriota, percebe-se o que "eles" (as eminências pardas por detrás disto tudo) pretendem fazer:

1 - forjaram a "crise" para amarrarem governos e pessoas, forçando a entrada dos novos exércitos de ocupação: os soldados da Troika, de fatinho e gravata e pastinha onde trazem as suas "bombas";

2 - dão uns trocos para "sobrevivência" de governos (que transformam em fantoches) e países (que o são cada vez menos, destituídos de soberania), mas a troco do: "agora tem de ser assim!..."

3 - vêm as regras: desmantelar todo o sistema público (enfraquecendo ainda mais os Estados, esvaziando-os, com aquela do "quanto menos Estado, melhor Estado") entregando os serviços todos aos privados; por outro lado, empobrecer cada vez mais as pessoas, mandando-as para o Desemprego, Fome e Desespero, para depois terem mão-de-obra barata disponível; sacarem o mais possível do lado do trabalho, para o entregarem à banca, com o argumento de que se sistema financeiro falha vem tudo abaixo - o papão da "bancarrota"....

4 - dentro da estratégia de empobrecimento, uma bancarrota até podia acelerar o processo - se estoirar o Euro, isso não é grande problema para quem manda (a Alemanha) - pois tem já os seus objectivos políticos de domínio bem conseguidos (ver o nosso post anterior);

5 - No caso cipriota, um tal de Jörg Asmussen (decerto descendente daqueles vikings que já há mil anos andavam a pilhar as costas da Europa até ao Mediterrâneo), o qual é Administrador do Banco Central Europeu, deu ao "escolher" ao responsável cipriota entre Bancarrota e.... naturalmente, Bancarrota! - ou seja, ou aceitavam o saque aos depósitos dos cipriotas ditado pela troika deles, e aí o BCE dava uns trocos, tipo mais uma garrafita de soro ao paciente em estado terminal, ou então, não davam nada, e era a tal Bancarrota. Temos para nós que, nos dois cenários vai dar ao mesmo, com a diferença de, no 1º caso, ser uma "bancarrota natural": se as pessoas se sentirem roubadas, retiram o dinheiro dos bancos (os pobres para baixo do colchão, e os ricos para as contas na Suiça) e os bancos vão à vida; no 2º caso, o que o sr. Asmussen disse é que, se não aceitam, nós tiramos-vos já o tapete de debaixo dos pés e isto vem tudo abaixo  - Ora, afinal julgávamos que o BCE existia para salvar a economia europeia, salvando economias de países membros (mesmo sendo eles pequeninos), protegendo-os e ajudando-os a recuperar, tipo um instrumento de coesão da tal propalada "união económica e monetária" e que a dado passo se pretendia até política. Afinal, caíu a máscara: essas tenebrosas instituições (de engorda de alguns) existem apenas como instrumentos de execução de políticas ditadas pelo neoliberalismo imperante no sentido do empobrecimento das massas para melhor serem exploradas (a tal "competição" na base dos baixos salários - se fôr só pela malga do caldo, melhor ainda - propalada pelos Belmiros e quejandos).

E, para verem a hipocrisia destes senhores, a sua dupla face, em privado (com a frieza das ameaças e dos números) e em público (com o disfarce discursivo), tendo por base o caso cipriota, ora vejam aqui:

Quem decidiu o quê na reunião sobre Chipre: http://expresso.sapo.pt/o-que-se-disse-na-reuniao-do-eurogrupo-sobre-o-resgate-do-chipre=f794448  [clicar sobre o link]

Os cipriotas parece terem escolhido a opção de os mandar às urtigas, mais a sua lei de exacção sobre os depósitos. Obviamente vão pagar por isso. Mas, se calhar, mais vale sermos como umas Albânias (do tempo do camarada Enver Hoxa) fora dessa Europa "deles" e do sistema capitalista "deles", tipo, pobrezinhos mas honrados e, sobretudo, sem Senhores, do que vivermos como escravos subservientes, a quem os BCE's e os FMI's dão umas esmolitas, de vez em quando, a troco de aceitarmos os seus "diktats", cujo objectivo último já sabemos qual é....

terça-feira, 19 de março de 2013

Agora o Chipre, amanhã nós... E no fim o que acontecerá?

Até Bagão, o ultraconservador e defensor da privatização da Segurança Social (com o tal argumento de que a população activa já não aguenta o peso das reformas dos pensionistas - sobretudo se forem como as dele, ou de outros pulhíticos e altos "gestores"), se manifesta contra o que pode ser o princípio do Fim (do €uro). Ver aqui:
http://www.noticiasaominuto.com/economia/55491/taxa-sobre-dep%c3%b3sitos-no-chipre-acende-rastilho-para-fim-do-euro

Bem, se calhar este é mesmo o objectivo da Frau Merkl, há muito tempo. Os alemães, ao derrubarem o Muro, e depois de recuperaram a DDR que lhes foi subtraída pela URSS após a IIª Guerra Mundial, foram cumprindo o seu velho objectivo: anexar os eslavos (da Polónia - sempre a Polónia! - aos Balcãs). E, como tal, está a marimbar em PIGS mediterrânicos, pois já tem o que lhe interessa. Até lhe dá jeito que o Euro estoire, cumprida que foi a sua missão de invasão discreta e de alargamento para o tal "espaço vital" - assim não tem de contribuir para esses subsidiodependentes mediterrânicos: eles que se amanhem! Só é preciso criar um facto para esse estoiro. Como? - se se mexer com as poupanças nos bancos, o que é que daqui decorre? uma nova Sexta-Feira negra, pois claro!! Toda a gente vai pensar em correr à banca, levantar o seu pé-de-meia para o meter debaixo do colchão. Ora se isto é previsível, até por mim, que sou um Zé Ninguém aqui da aldeia, como não é previsível por esses grandes sábios e doutos economistas, com MBA's no raio que os parta??? - Logo, silogisticamente, só há uma conclusão a tirar: é evidente que é isso que se procura: o CRASH! - que seria o golpe final de um processo que já começou há muito: a tal de "crije" que assim se prova que foi coisa forjada para empobrecer as massas e as reduzir à Servidão.... O primeiro passo dessa Servidão Moderna foi o consumismo (e eles lucrando...); o 2º passo é a Exploração Absoluta (e eles lucrando ainda mais...). A propósito, viram ontem na TV as declarações do FDP Belmiro?? - então para quem não viu, aqui fica um resumo: http://www.noticiasaominuto.com/economia/55474/sem-m%c3%a3o-de-obra-barata-n%c3%a3o-h%c3%a1-emprego

Mais uma vez mostram desconhecer a Dialese do processo histórico, pois que estão, com as suas Teses, a forjar uma nova antítese de violência explosiva. E avisos não têm faltado. Que nova Síntese sairá disto tudo, e quando??

segunda-feira, 18 de março de 2013

A Verdade sobre a "Crise"...

Sem querermos alinhar na famosa "teoria da conspiração", mas, partilhando com o "espanhol" aquela do "no creo en brujas, pero que las hay,...", sempre diremos que esta famigerada "crise" teve e tem muito de coisa artificial, ou seja, de algo deliberadamente provocado pelo sistema Capitalista (após Queda do Muro de Berlim), para fazer retornar a Exploração à boa maneira do séc. XIX, passado que foi (julgam eles) o hiato histórico do "socialismo" de matriz marxista ou marxizante e suas matizações sociais-democratas.
O vírus do neo-liberalismo, irradiando a partir da U.S.A., chegou à Europa por via da famosa "globalização" e infiltrou os partidos do sistema, ditos sociais-democratas (ainda que do arco do liberalismo, tipo PSD em Portugal) ou da internacional socialista (ou ditos do socialismo democrático, tipo PS em Portugal). Ou seja, se estes últimos foram forçados a tornar-se algo neo-liberais envergonhados, os que antes eram envergonhadamente liberais, tornaram-se agora desavergonhadamente hiper-neo-liberais. Para não falar de uns tais da dita "democracia cristã", que pouco (ou nada) cristãmente, apesar dos arrufos de namorados (em termos do [des]governo caseiro), se sabe de que lado efectivamente estão...
 
Mas, passemos a palavra a este senhor americano (sim, que por lá também há quem não engula a pastilha), em que, no característico estilo de "reality show" à americana, desmonta todo o esquema:
 

CLICAR SOBRE A SETA > PARA INICIAR VISIONAMENTO
 

sexta-feira, 8 de março de 2013

"La Surconsommation", traduzindo: o Super-consumo...

Sociedade de Consumo... ou do Sem-sumo....
Percebem agora porque é que há "funcionários públicos a mais"? porque é preciso mandá-los para o Desemprego? porque é que a seguir vão cortar os subsídios de desemprego (com a desculpa que não há dinheiro para pagar a todos)? porque é que estão a baixar os ordenados dos que ainda têm emprego? - Ainda não perceberam?? - pois, quando estivermos a morrer à fome, dão-nos um fato branco, ou azul, ou lilás, metem-nos numas grandes usinas, e é trabalhar maquinalmente de manhã até à noite.... nessa altura vocês vão FINALMENTE perceber porquê!.... porque nessa altura estaremos FINALMENTE no ponto de rebuçado para sermos COMPETITIVOS com os chineses e com toda a casta de EXPLORADOS.,.
É o Capitalismo no seu melhor, cuja palavra de ordem é  a MAXIMIZAÇÃO DO LUCRO.
É este o ADMIRÁVEL MUNDO NOVO que os Ulrich's caseiros, reflexo de senhores sem nome e sem rosto, que se esconde por detrás dessa gigantesca máquina de "produção", os quais respondem por nome de... MERCADOS, prepararam para vós.

VEJAM, MEDITEM e DECIDAM, se é ISTO que querem: Surconsommation (clicar sobre este link):
http://player.vimeo.com/video/57126054#at=0

Ah, e ninguém ouse criar uma pita ou um reco em casa, com os retaços da cozinha e a vianda do que vem da velha horta. Ninguém! certo? é por questões sanitárias... o braço armado do Capitalismo caseiro, sob nome de ASAE, zela pela vossa saúde... E atenção, porque o BIG BROTHER está atento e zela por vós!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Um novo verbo: "grandolar"

Imaginamos, cá pela Aldeia, uma conversa entre ministros do Passos Coelho, nos dias que correm:
- "Então também já te grandolaram?" - "não sei, se grandolaram eu estava lá dentro, não ouvi..."
Ou seja, se calhar é melhor aumentar o volume da grandolização, se bem que isso, ao que parece, pouco os incomode, como disse de sua justiça aquela senhora loira a quem o Bitcho Bastonário chama "barata tonta".
Aqui ficam alguns registos, sobre a nova moda: a "grandolização" destes lacaios das troikas e afins:

- Gasparinho, o apert’ó-cinto: http://www.publico.pt/politica/noticia/gaspar-diz-que-e-preciso-ter-cuidado-na-execucao-orcamental-1585352?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoPolitica+%28Publico.pt+-+Pol%C3%ADtica%29&utm_content=Yahoo%21+Mail#/0


Contra estes "canhões" (no sentido cá d'Aldeia), "grandolar, grandolar!..."

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O que eles dizem....

Pois. Agora dizem "que falhou". Das duas uma:  1- ou há PSD's (e CDS's) ingénuos, que acreditavam piamente nas virtualidades do "mercado" e nas suas miraculosas capacidades de auto-regulação, o que seria bom para o conjunto da sociedade, liberta assim do peso de impostos para custear uma máquina "parasitária" - o Estado - os mesmos que, agora, face ao mau resultado da coisa (ou do incêndio causado pelos aprendizes de feiticeiro), concluindo isso, se vêm penitenciar (alguns desses, mais autênticos, entregaram já o cartão do partido); 2 - ou então há PSD's (e CDS's) cínicos, que embora sabendo que o resultado pretendido era esse, tentam agora disfarçar um bocado, tentando dizer, "prontos, já chega, já temos um bom nº. de desempregados para aproveitar como mão-de-obra barata, vamos parar por aqui".  - Só que isto é uma bola de neve e um rolo compressor que entrou em roda livre e não vai parar, porque os Silva Penedas deste país, estão reféns, como os coelhotes e outros, da garra dos senhores dos bancos (que continuam a apresentar lucros chorudos e a reaver as casas para as quais "emprestaram" o dinheiro, depois de já terem mamado juros pingues entretanto), e estes só se contentarão quando a tugalândia fôr um imenso antro de mendigos "sem-abrigo"...  - É a "tábua raza" sobre a qual procurarão edificar o seu "admirável mundo novo", o da escravidão moderna (ver documentário "A Servidão Moderna" que anda no Youtube e que também já aqui postámos).

A propósito, veja-se agora (no "Diário Económico" de hoje) a AUTOCRÍTICA deste "aparatchick" laranja, mais um a pedir um tratamento à islandesa:
 
«Diz Silva Peneda:
Crise demonstra que a experiência neoliberal fracassou
O presidente do Conselho Económico e Social (CES), Silva Peneda, disse hoje que uma das lições a tirar da crise é que a experiência neo-liberal fracassou, sendo necessário privilegiar o investimento produtivo e reestruturar o sistema financeiro.
Silva Peneda, que falava na conferência "Global Compact Network Portugal" sobre a responsabilidade social das empresas, sublinhou a importância da dimensão ética, cujo afastamento no setor financeiro levou à crise.
Segundo o presidente do CES, a situação atual é exemplo de como, "com a ausência de princípios éticos, um setor pode arrastar milhares de empresas e cidadãos para um mundo de dificuldades".
Para Silva Peneda, há lições a tirar "desta crise perfeita, em que os consumidores não consomem, os produtores não produzem, as financeiras não financiam e os trabalhadores não têm trabalho".
O presidente do CES é perentório a afirmar que "a época da experiência neo-liberal fracassou e a suposta auto-regulação do mercado é apenas uma teoria sem qualquer correspondência com a realidade, porque o mercado não é capaz por si só de se auto-regular e daí que a intervenção dos poderes e das políticas públicas seja decisiva".
Por outro lado, reconhece que "foi excessivo o papel desempenhado pelo setor financeiro nos últimos tempos, sendo o principal responsável pela situação gerada e por isso deve ser restruturado, tornando-o mais transparente e ao serviço da economia real".»

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

RECOMENDA-SE:

O ano já vai bem entrado, mas se ainda não adquiriu, ainda vai a tempo - é um tipo de literatura imprescindível aqui na Aldeia, para saber quando há-de semear o cebolo, a alface e todo o renovo, assim como podar os arvoredos. A terrinha deve estar já bem pruparada pr'á semente - que os tempos estão de crije, e quem não trabuca, não manduca. Aqui fica o Borda d'Auga e bardam*** a crije:

 
(Clicar em cima das "images" p'ra AMPLIAR)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

PELOURINHO: ainda sobre o FDP Ulrich

Ainda sobre o tal de Ulrich, para acabar o assunto (por enquanto, e até nova grulhidela do dito), aqui vos deixamos - no pelourinho, que era onde antigamente se afixavam editais, além de se amarrarem os prevaricadores - este magnífico texto de Alice Brito (que não conhecemos, pois a Aldeia é grande, mas que tem toda a razão).
E, curiosamente, as comparações com Auschwitz também já por cá andaram (cá pela Aldeia), o que significa que mais pessoas estão a chegar à mesma conclusão:

A RAIVA DE TODOS NÓS CONTRA OS CÍNICOS DESTE PAÍS

"Sei que a raiva não é boa conselheira. Paciência. Aí vai.

Havia dantes no coração das cidades e das vilas umas colunas de pedra que tinham o nome de picotas ou pelourinhos. Aí eram expostos os sentenciados que a seguir eram punidos com vergastadas proporcionais à gravidade do seu crime. Essa exposição tinha também por fim o escárnio popular.

Era aí que eu te punha, meu glutão.

Atadinho com umas cordas para que não fugisses. Não te dava vergastadas. Vá lá, uns caldos de vez em quando. Mas exibia-te para que fosses visto pelas pessoas que ficaram sem casa e a entregaram ao teu banco. Terias de suportar o seu olhar, sendo que o chicote dos olhos é bem mais possante que a vergasta.

Terias, pois, de suportar o olhar daqueles a quem prometeste o paraíso a prestações e a quem depois serviste o inferno a pronto pagamento.

Daqueles que hoje vivem na rua.

Daqueles que, para não viverem na rua, vivem hoje aboletados em casa dos pais, dos avós, dos irmãos, assim a eito, atravancados nos móveis que deixaram vazias as casas que o teu banco, com a sofreguidão e a gulodice de todos os bancos, lhes papou sem um pingo de remorso.

Dizes com a maior lata que vivemos acima das nossas possibilidades. Mas não falas dos juros que cobraste. Não dizes, nessas ladainhas que andas sempre a vomitar, que quando não se pagava uma prestação, os juros do incumprimento inchavam de gordos, e era nesse inchaço que começava a desenhar-se a via-sacra do incumprimento definitivo.

Olha, meu estupor, sabes o que acontece às casas que as pessoas te entregam? Sabes, pois… São vendidas por tuta e meia, o que quer dizer que na maior parte dos casos, o pessoal apesar de te ter dado a casa fica também com a dívida. Não vale a pena falar-te do sofrimento, da vergonha, do vexame que integra a penhora de uma casa, porque tu não tens alma, banqueiro que és.

Tal como não vale a pena referir-te que os teus lucros vêm de crimes sucessivos. Furtos. Roubos. Gamanços. Comissões de manutenção. Juros moratórios. Juros compensatórios, arredondamentos, spreads, e mais juros de todas as cores. Cartões de crédito, de débito, telefonemas de financeiras a oferecerem empréstimos clausulados em letrinhas microscópicas, cobranças directas feitas por lumpen, vale tudo, meu tratante. Mesmo assim tiveste de ser resgatado para não ires ao fundo, tal foi a desbunda. E, é claro, quem pagou o resgate foram aqueles contra quem falas todo o santo dia.

Este país viveu décadas sucessivas a trabalhar para os bancos. Os portugueses levantavam-se de manhã e ainda de olhos fechados iam bulir, para pagar ao banco a prestação da casa. Vidas inteiras nisto. A grande aliança entre a banca e a construção civil tornavam inevitável, aí sim, verdadeiramente inevitável, a compra de uma casa para morar. Depois os juros aumentavam ou diminuíam conforme era decidido por criaturas que a gente não conhece. A seguir veio a farra. Os bancos eram só facilidades. Concediam empréstimos a toda a gente. Um carnaval completo, obsessivo, até davam prendas, pagavam viagens, ofereciam móveis. Sabiam bem o que faziam.

Na possante dramaturgia desta crise entram todos, a banca completa e enlouquecida, sendo que todos são um só. Depois veio a crise. A banca guinchou e ganiu de desamparo. Lançou-se mais uma vez nos braços do estado que a abraçou, mimou e a protegeu da queda.

Vens de uma família que se manteve gloriosamente ricalhaça à custa de alianças com outros da mesma laia. Viveram sempre patrocinados pelo estado, fosse ele ditadura ou democracia. Na ditadura tinham a pide a amparar-vos. Uma pide deferente auxiliava-vos no caminho. Depois veio a democracia. Passado o susto inicial, meu deus, que aflição, o povo na rua, a banca nacionalizada, viraram democratas convictos. E com razão. O estado, aquela coisa que tu dizes que não deve intervir na economia, têm-vos dado a mão todos os dias. Todos os dias, façam vocês o que fizerem.

Por isso falas que nem um bronco, com voz grossa, na ingente necessidade de cortes nos salários e pensões. Quanto é que tu ganhas, pá?

Peroras infindavelmente sobre a desejável liberalização dos despedimentos.

Discursas sem pejo sobre a crise de que a cambada a que pertences é a principal responsável.

Como tu, há muitos que falam. Aliás, já ninguém os ouve. Mas tu tinhas que sobressair. Depois do “ai aguenta, aguenta”, vens agora com aquela dos sem-abrigo. Se os sem-abrigo sobrevivem, o resto do povo sobreviverá igualmente.

Também houve sobreviventes em Auschwitz, meu nazi.

É isso que tu queres? Transformar este país num gigantesco campo de concentração?

Depois, pões a hipótese de também tu poderes vir a ser um sem-abrigo. Dizes isto no dia em que anuncias 249 milhões de lucros para o teu banco. É o que se chama um verdadeiro achincalhamento.

Por tudo isto te punha no pelourinho. Só para seres visto pelos milhares que ficaram sem casa. Sem vergastadas. Só um caldo de vez em quando. Podes dizer-me que é uma crueldade. Pois é. Por uma vez terás razão. Nada porém que se compare à infinita crueldade da rapina, da usura que tu defendes e exercitas.

És hoje um dos czares da finança. Vives na maior, cercado pelos sebosos Rasputines governamentais. Lembra-te do que aconteceu a uns e ao outro."
 
por: Alice Brito

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Uma boa ideia: Eles aguentam!...

 
Ora parece que alguém com imaginação teve uma excelente ideia!

Para quem ainda não sabia....

Esta é para quem ainda não tinha percebido aquela do tal cujo apelido mais parece um grunhido...
Para bom entendedor, meia palavra basta, pelo aqui fica:

 
(para AUMENTAR, clicar sobre a imagem)
 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A União Europeia - Essa Grande Meretriz Concorrencial

Corre à boca cheia, que os estaleiros navais de Viana do Castelo terão de fechar e adivinhem porquê? simples:   Parece que o Estado, numa tentativa de salvar postos de trabalho, know-how, elevar a auto estima, não lançar famílias para o desespero da sobrevivência, salvaguardar a saúde mental e  a indigência económica de uma região, parece que injetou dinheiro na empresa.
E O QUE DIZ A U.E.?
- esta decisão não respeita as leis da concorrência!!!
BPP, BPN, ABN AMBRO, PARIBAS, LLOYD`S... etc e outros tantos, receberam mais e mais dinheiro...
E O QUE DIZ A U.E.?
- esta decisão é essencial. temos de continuar!!!
Ora então, quando se ajuda quem é realmente produtivo, leva um castigo; quando ajudamos especuladores levamos um rebuçado.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O protesto da tia Miquelina

Aqui fica o protesto da tia Miquelina... Que diremos nós, os que ainda estamos no "activo", daqui a uns anos, quando lá para os 80 consentirem que nos reformemos... 80 no mínimo, pois é de esperar que progressivamente a idade da reforma se vá dilatando até ter de se trabalhar até morrer e sem direito a "reforma" (o que já não é mau, pois é pior estares no desemprego até morreres... à fome!, dirão os Ulrich's deste país...)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A "solução Ulr(e)ich"...

Há tempos alguém escreveu aqui sobre a "solução final".
Aqui temos hoje a "solução Ulrich" - ou Ul-Reich? (p.f. ver o post anterior):

Ah, mas tem de passar Factura!!!.... - que o fisco também está atento a estas formas de "economia paralela"! (a estas estará, às outras - dos colarinhos brancos  - é que não...)
 
- A provar que o Fisco aos grandes tubarões banqueiros não lhes mexe, aqui fica mais esta: http://www.noticiasaominuto.com/economia/41682/presidente-do-bes-perdoado-tr%c3%aas-vezes-pelo-fisco

Um secreto desejo....

Cá pela aldeia todos sabemos que os politicóides que julgam que mandam ("eu é que sou o prresidente da junta!" ou "eu é que sou o primeiro ministro" - vai dar igual), na verdade não mandam nada. Sempre houve uns "sombras" que são os verdadeiros teóricos do(s) regime(s). E, apesar do anonimato dessas coisas abstractas, tipo "mercados", há alguns que, como o caracol, de vez em quando botam os corninhos ao sol. São aqueles a quem os comunas cá da aldeia (no tempo em qua ainda havia aldeia e comunas nela), chamavam os "capitas". Ora um destes capitas, de apelido alemão como convém (a velha nobreza vinha dos visigodos, tal como a grande burguesia continua meia germânica ou de outro modo estrangeira), um tal de Ulrich, vem com esta "boutade" que se lêm em baixo.
Pois é, todos podemos acabar nesse nível sub-humano de sem-abrigo, sobretudo se se seguirem os princípios doutrinários desta gente, só que o "nós" que ele utiliza jamais se lhe aplicaria. Porque esta gente tem contactos e fortes pés-de-meia algures nas Suissas ou Holandas, ou sabe-se lá mais onde, para se safarem, mal vejam as coisas a dar para o torto. E quando um banco está para vir abaixo, como também já o sabemos, ameaça-se o povão com a hipótese de uma bancarrota para a seguir o "nacionalizarmos" (são as únicas situações em que o capitalismo cede às "nacionalizações"), injecta-se-lhe o dinheiro do Estado (que é pago pelos patacôncios), safa-se a coisa, e a seguir muda-se-lhe o nome e arranja-se um gestor amigo e "com provas dadas" e está tudo resolvido (onde é que eu já vi este filme?).  Realmente, agora me lembro que do outro dia parece que vi o sr. dr. Oliveira e Costa a dormir no chão, debaixo de umas arcadas, embrulhado nuns cartões, algures em Lisboa, coitadinho!...
Enfim, o "nós" que este senhor utiliza, não se lhe aplica a ele e aos demais da sua casta, mas sim a mim e a si, caro amigo, aos que ainda vamos tendo um emprego e aos que estando já no desemprego ainda têm o magro subsídio que estes tipos almejam em cortar-lho, para nos porem todos a morrer à fome. Porque assim, estaremos então no ponto de rebuçado para trabalharmos depois todos para eles por tuta e meia, ou apenas pela malguinha de caldo!.... É o seu programa ideológico e o seu secreto desejo. Para isso é preciso a "tábua raza": "tudo para o desemprego e para a fome, que depois ficam mais mansos e humildes e até nos beijam a mão pelo caldinho"... como os antigos escravos de Roma. E eles, os novos patrícios (como os do século I), a gozar os rendimentos do trabalho dos escravos, algures nas suas termas e coliseus em grandes festanças. -  Ou seja, uma regressão de 2000 anos. Ora tomem lá:

Fernando Ulrich :"Se os sem abrigo aguentam, por que é que nós não?"
- por Ricardo Simões Ferreira


Fernando Ulrich, presidente do BPI Fotografia © Natacha Cardoso / Global Imagens
 
«O "patrão" do BPI decidiu hoje explicar a sua polémica (e famosa) declaração "Ai aguenta, aguenta", relativamente à questão de se o país aguenta mais austeridade. E fê-lo com uma frase igualmente polémica.
Foi no passado mês de outubro que Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI, disse que Portugal aguentaria ainda mais austeridade. Hoje, esclareceu o que queria dizer, comparando a situação de cada cidadão à dos sem-abrigo.
Durante a conferência de apresentação dos resultados do banco, o banqueiro começou por dar o exemplo da Grécia:"Se os gregos aguentam uma queda do PIB de 25% os portugueses não aguentariam porquê? Somo todos iguais, ou não?", questionou, citado pela TVI24.
E depois chegou aos sem-abrigo: "Se você andar aí na rua e infelizmente encontramos pessoas que são sem-abrigo, isso não lhe pode acontecer a si ou a mim porquê? Isso também nos pode acontecer".

"E se aquelas pessoas que nós vemos ali na rua, naquela situação e sofrer tanto, aguentam, porque é que nós não aguentamos?", acrescentou. "Parece-me uma coisa absolutamente evidente", concluiu.»