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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Ainda sobre a nova "Solução Final" - acontece na Grécia, e não tardará aqui...

A propósito do post sobre a "Solução final" para a Função Pública, um nosso visitante fez-nos chegar este recorte, recentemente saído no Jornal de Aveiro (2013.01.07), pela pena de António Rocha. É mais um aviso sobre o novo nazismo ultra-neoliberal - já está a acontecer na Grécia, e, como ali se antecipa o que depois aqui acontece, preparemo-nos... Aqui fica:
 
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Se os caracteres não forem bem legíveis (trata-se de fotocópia digitalizada), pode ver aqui:

domingo, 20 de janeiro de 2013

AFINAL SEMPRE EXISTEM…

Conheci ontem um. Foi-me apresentado. Fazia 30 anos. Rapazito aparentemente de origem humilde, de lugar próximo cá da aldeia. A conversa recaiu nos dias que correm e nos males que nos atingem. Política, ou politiquice. Comunistas?, ai cruzes, abrenúncio! Os tempos que correm são consequência do “Grande Regabofe” – expressão minha, imodéstia aparte, mas traduzindo o que ele queria dizer, referindo-se aos tempos do crédito fácil e do passo maior que a perna. Os conceitos que tinha pareciam ter sido todos bebidos nos lugares-comuns da cassete neo-liberal caseira, injectada pela maioria somada PSD/CDS que se (nos)governa. A culpa era toda do desvario das pessoas que tinham gasto mais do que deviam, que deu nisto, que tínhamos de pagar, pelo que era preciso cortar, cortar!... Cortar no Estado, no Estado Social, pois claro, funcionários públicos, grandes parasitas. Contra-argumentei com o serviço público prestado às pessoas e à vantagem se desfrutar de serviços sem o acréscimo de mais-valias. Que nada!, a privada é que era, e que resolvia tudo muito melhor e mais barato. Pensões aos idosos? Num extremo de argumentação, o rapaz dá o exemplo da própria mãe, que nunca descontou para a segurança social e que até estava a beneficiar da reforma, tal como muita gente que não descontou e tinha igual benesse. Para o dito cujo, só quem descontou (ou pagou para um seguro de reforma) é que devia receber. Daqui se depreende que aos velhinhos que nunca descontaram para a Caixa, era dar-se-lhes uma injecção atrás da orelha quando chegassem à idade da “improdutividade” e do peso-morto, como se dizia, noutros tempos, que os tais comunistas iriam fazer quando chegassem ao poder.

Quis saber mais sobre o jovem. Que fazia? Era, estava-se a ver, um “jovem empresário”, certamente de elevado potencial. Vim a saber que do sector agro-pecuário e, disseram-me, bastante trabalhador (e eu a pensar que era um yuppie serôdio do séc. XXI). Não chegara a concluir o 12º ano, metera um projecto agrícola e vivia da terra e das ovelhas, lá na aldeia. Nessa zona não há grandes quintas, nem o rapaz era filho de grandes agrários (ao que julgo saber).

Constituía grande mistério para mim como é que num país pobre e a caminhar para miséria maior, partidos de direita neoliberal ganhavam eleições e, somando votos, chegavam até a maiorias governativas. No que toca à Tugalândia, tendo em conta sobretudo o resultado das últimas eleições, julgava eu que tal só se explicava pelo descontentamento relativamente às políticas restritivas ditadas pela conjuntura da grande crise internacional e por cá iniciadas pelo partido esquerdo do Centrão. Porque, aplicando-se o princípio da circunstância de Ortega y Gasset (“eu sou eu e a minha circunstância”), ser-se pobre e miserável não se coaduna com “opções de classe” (no jargão marxista) por partidos que representam os grandes interesses económicos. Desde as lutas sociais da Roma Antiga (de que ficaram registos escritos) se sabe que é assim. Bem, é claro que a Propaganda consegue ludibriar muita e boa gente, mas…

Continuando a perfilhar desta teoria da correlação entre situação/condição social e opção política, a verdade é que, afinal, sempre há gente que, ludibriada por uma condição social aparente (“sou empresário”) engrena nas doutrinas hiper-neoliberais de uma cassete que lhes foi impingida por um PREC ao contrário (como disse Pacheco Pereira no artigo anteriormente aqui postado). Faltou-me perguntar ao tal jovem “empresário agrícola” (dantes dizia-se “lavrador”, mas agora “empresário agrícola” soa melhor), dizia, que me faltou perguntar-lhe se recebeu algum apoio do IFADAP, IAPMEI, ou de programas comunitários (LEADER, PRODER, etc.) para o seu investimento. É evidente que eu, parasita social (porque funcionário público) até sou favorável a esse tipo de apoios, para fomento da produção. Mas, quem repete a cassete neoliberal anti-Estado social, em consciência, deveria rejeitar qualquer apoio desse tipo. Não contestamos, obviamente, esse estímulo gerador de “retorno” económico, por parte do Estado (estrutura representativa de todos nós, que tem também por missão potenciar o desenvolvimento económico, o que mais justifica a sua existência e não o seu aniquilamento, como parecem visar os teóricos neoliberais). Mas, para além dessa função, o Estado tem outras que aos privados não interessam, porque não geram o tal “retorno” financeiro desejado, como sejam, por exemplo, a da Cultura “latu sensu”, ou a promoção da prática desportiva (que não o desporto de massas que consegue ser auto-sustentável e constitui grande negócio, como se sabe), para não falar nas funções sociais de assistência, como sejam a saúde ou a protecção social de pessoas que trabalharam toda uma vida e, no final, não são lixo, ou inúteis a abater. E para não falar, também, na igualdade de oportunidades na Educação, pois de outro modo só os filhos dos grandes senhores (com dinheiro para altos colégios)poderão continuar a replicar o seu estatuto de casta dominante, bloqueando toda e qualquer possibilidade de igualdade social e de escolha dos melhores, por mérito e não por mais possibilidades económicas e privilégio de casta.
O pecado capital do Capitalismo é a promoção de um anti-valor, a Competição, com total desprezo pelos valores da Solidariedade humana, que, no limite, procurará substituir pela caridadezinha. Assim, o Capitalismo, é o resultado económico-social e político da afirmação do gene predador e do instinto mais primário que vem ainda das fases primevas da savana africana. É a doutrina do “homo homini lupus” de que falavam os teóricos socialistas do século XIX. Podemos dizer que o primeiro indício de humanidade ocorre no momento luminoso em que o primeiro antepassado partilhou o seu alimento com o seu semelhante, o confortou e o ajudou no seu sofrimento, rompendo com o individualismo natural e animalesco da competição ou do egoísmo.

O Humanismo evoluiu depois para além da materialidade do alimento e das coisas, e alçou-se no sentido de uma evolução espiritual, superando a mera “techné”. A Civilização é o somatório de tudo isso, da matéria e de espírito, e surge como corolário de um processo que teve no centro, para bem e para mal, o Estado, que é o poder organizado em função dos governados e elemento coordenador das sociedades humanas. E o Estado sempre existiu desde o Egipto faraónico passando por toda a Antiguidade oriental e clássica, reinos medievais ou repúblicas contemporâneas. Ora, desmantelar uma tal estrutura, em nome de uma "modernidade" económica de resultado duvidoso, arrastará necessariamente a uma regressão civilizacional. Parece ser o que pretende esta “Revolução” neoliberal, sob a batuta de criaturas sem nome e sem rosto, que se escondem atrás dos deuses Mercados, e encontra agentes servis nos partidos do Sistema. A partir de onde, a coberto de crises provocadas, debitam a sua cassete que chega até a encontrar eco junto de incautos adeptos aqui ao nível da aldeia real/local que nós conhecemos. Ontem conheci um desses, fazendo-me lembrar os incautos de outros tempos – que, pelos vistos, as cassetes não são exclusivas de um dado lado.

M. Giesta

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

"O peixe apodrece pela cabeça" - um artigo fundamental de Pacheco Pereira

Mão amiga fez-nos chegar um recorte do "Público" do passado sábado (2013.01.12) respeitante a um artigo de autoria de José Pacheco Pereira, onde se faz uma radiografia político-social de uma precisão e de uma clarividência como não vimos ainda. Não espanta, pela inteligência e argúcia do autor, senhor de uma cultura vastíssima e conhecedor dos por-dentros do sistema até ao tutano, pela sua acção e análise política desde antes do 25 de Abril. O que não deixa de ser curiosa é a expressão de "PREC (Processo Revolucionário Em Curso) ao contrário", ou seja, agora de matriz hiper-neoliberal, associação de ideias que já aqui se fez há dias, num outro post deste blogue (por Manuel Giesta - http://aquidaldeia.blogspot.pt/2013/01/o-8-e-o-80-um-artigo-profetico-de-1993.html). E conclui Pacheco Pereira que "... a sociedade que este PREC está a gerar é destrutiva, paroquial, subserviente, sem oportunidades para os bons e cheia de oportunidades para os maus..."
Mas há que ler tudo, pelo que aqui fica:

«O peixe apodrece pela cabeça
O vírus da intriga e da divisão sempre foi a melhor garantia da intangibilidade do poder

Nós não vivemos no melhor dos mundos. Longe disso, em todos os países europeus, fora dos Balcãs e do Leste, vive-se melhor. Não vivemos também no pior dos mundos. Longe disso, em África, na Ásia, Américas do Centro e Sul e Oceânia, vive-se muito pior. Mas não podemos contentar-nos com este equilíbrio estatístico, porque não são os números absolutos que são relevantes, mas sim os relativos. Não é o que há, é o que está a mudar. O “processo revolucionário em curso” (PREC) ao contrário, que atravessamos, é um processo dinâmico, move-se, desenvolve-se num determinado sentido, alastra pelas suas margens como uma nódoa, destrói todos os dias alguma coisa. E o seu sentido é afastar-nos do melhor dos mundos e aproximar-nos do pior.
A grande incapacidade do Governo, que não é involuntária, mas voluntária, desejada, programática, é ignorar que nestes dias não é tanto a pobreza e a miséria que são características dos tempos que vivemos, mas sim o empobrecimento. O empobrecimento é um factor dinâmico muito mais importante do que a pobreza em termos de efeitos sociais e da perversidade de resultados. É evidente que o principal resultado do empobrecimento é aumentar a pobreza, mas pelo caminho destrói a fibra da sociedade, mergulha-a na apatia e na revolta, dois lados da mesma coisa, corroí-lhe o tónus moral, e faz aumentar todos os sentimentos mesquinhos.
Eu não cuido da moral individual, essa tarefa é para os moralistas e para as religiões, mas preocupa-me a moral colectiva, os sentimentos colectivos, a qualidade moral mínima de Portugal e dos portugueses, minha pátria e minha gente. Contrariamente ao que se diz, não é o “melhor de nós” que vem ao de cima com a crise, mas sim o pior de nós. Estamos a ajudar a criar uma sociedade maldosa, profundamente dividida, oscilando entre rancores e egoísmos, afectada mais do que nunca pelos efeitos desse velho provérbio de pescadores que diz que o peixe apodrece pela cabeça. E esses estragos não se apagam facilmente.
Todo o discurso público do poder é o da divisão e o apelo à luta de classes, grupos, idades, profissões, cada um contra o outro, mesmo quando a condição de cada um é a mesma do outro. Os que tinham toda a razão para fazer greve voltam-se contra os que fazem greve. Os jovens são instigados a voltarem-se contra os velhos, pensionistas e reformados. Os que têm alguns meios de vida desdenham dos que recebem subsídios de desemprego. Os que ainda não viram a sua profissão como alvo apontam a do outro como o alvo que deveria ser o seguinte. Polícias olham para os militares, os militares para os polícias. Trabalhadores do sector privado culpam os funcionários públicos, os funcionários públicos fecham-se com medo do desemprego. Os que ganham 900 euros apontam o dedo aos que ganham 1000 euros. Uma inveja social mesquinha e corrosiva perpassa tudo e todos e cada um defende o seu território, dando razão ao Governo, que aponta toda a contestação como sendo “corporativa”. Só a minha “corporação” é que não é corporativa, todas as outras são-no. O vírus da intriga e da divisão sempre foi a melhor garantia da intangibilidade do poder. E não é difícil em tempos de crise propagar estas epidemias, mas é perigoso. Porém, o medo ajuda, ajuda muito.
Antes dizia-se que o anti-semitismo era o socialismo dos imbecis, agora os nossos governantes apostam numa fractura social que faz de cada uma das partes imbecis sociais, e que, pela sua linguagem, divisões, alvos, egoísmos, servem de rebanho aos pastores deste “PREC”. A única fractura que não desejam é entre os incluídos e os excluídos, os que estão a ganhar com esta crise – poucos, mas a ganhar muito, o suficiente para o preço do Copacabana Palace ser peanuts – e os muitos que estão a perder, porque sabem que ela é socialmente perigosa. Subversiva é o termo certo. Fora disso, venha a luta de classes dos imbecis.
Os maus costumes de uma sociedade em crise, permeável a partir de cima pelos miasmas que dividem e pelo medo, estão a fazer um Portugal pior, muito pior. A mentira tornou-se uma prática quotidiana da governação. Foi-o já em doses exponenciais no Governo socrático, continua no governo passista-relvista. Todos os dias há uma nova tentativa de engano, uma manipulação, uma inquinação do espaço público, uma espertice qualquer vinda de um gabinete ou de uma agência, canhestras muitas vezes, mas sempre destinadas a enganar-nos.
Todo este processo da “refundação do Estado”, desde o anúncio patético e atabalhoado de uma “refundação do memorando” até à encenação da fuga do relatório do FMI, seguida da tentativa de controlo dos danos feita por Moedas, seguida de todos os enganos sobre a sua preparação, versões, papel do Governo, destino e intenções, é o exemplo de como a mentira se tornou a essência do discurso do poder.
Querem, o Governo e a maioria, convencer-nos seriamente de que vão “refundar” o Estado a partir de um anúncio de um corte de 4 mil milhões, escondendo-nos os compromissos já tomados sobre esse valor antes de qualquer discussão, seguido da encomenda de um relatório do FMI conhecido por uma fuga de informação de um comentador, preparado pelo Governo em peso escondido por detrás da instituição internacional, depois de novo passado aos jornais numa “versão preliminar” para preparar a opinião público do susto da definitiva, e depois, a um mês do prazo para a apresentação das propostas do Governo à troika, se apelar ao debate público organizando uma conferência de um dia com convidados escolhidos a dedo entre os próceres do “PREC” e os oposicionistas bem-comportados, juntamente com uma comissão parlamentar de fachada para pressionar o PS, tudo isto sem nunca se saber qual é a proposta do Governo que deveria estar na origem de todo o debate?
Quem colaborar com este processo está a colaborar numa mentira, a ajudar a esconder que tudo já foi acordado, e se alguma das coisas que já foram acordadas com a troika não avançar, é pelo receio dos seus efeitos eleitorais. Como é que nos podemos surpreender por os “de baixo” – os novos inimigos do Governo, restaurantes, cabeleireiros e oficinas de reparação de automóveis – fugirem ao fisco, se os “de cima” fogem à verdade? Tudo o resto é nevoeiro.
A grande falácia deste “PREC” é pensar que a sociedade, a economia e as empresas podem de repente, feito o “ajustamento”, iniciar um arranque glorioso para o crescimento económico e para a melhoria social, quando o que o empobrecimento faz à sociedade é retirar-lhe todo o potencial criativo e força anímica para qualquer reacção que não seja a sobrevivência egoísta e nalguns casos a exploração abusiva da situação em termos próprios. A morte da “classe média”, de que CDS e PSD eram no passado os grandes arautos, é a receita melhor para destruir qualquer dinamismo, retirar à sociedade qualquer potencial de crescimento. Podem fazer mil programas de televisão sobre o “pensamento positivo”, sobre o “Portugal melhor”, premiar em cerimónias televisivas os jovens “empreendedores”, “inovadores”, “inventivos”, que estão apenas a alimentar a ilusão de que qualquer dessas qualidades pode sobreviver numa sociedade que está a ser construída para que eles emigrem se querem ter sucesso, ou vão à falência debaixo do jugo dos impostos e da crise.
Seria, aliás, muito educativo revisitar muitas das iniciativas apresentadas com parangonas televisivas como de “sucesso” e de “futuro” em 2010, 2011, 2012 e ver onde é que elas estão em princípio de 2013. Não estão em lado nenhum porque a sociedade que este “PREC” está a gerar é destrutiva, paroquial, subserviente, sem oportunidades para os bons e cheias de oportunidades para os maus, que as percebem à distância. Parece maniqueísmo? Antes fosse. Mas a responsabilidade é nossa. Edmund Burke escreveu-o: “Tudo o que é necessário para o triunfo do mal é que os homens bons não façam nada”. Sempre podem cortar a cabeça ao peixe, deitar o peixe fora e arranjar outro. É difícil, mas não é impossível.»
José Pacheco Pereira – “Público” 12 janeiro 2012

Nota Cá d’Aldeia: e porque o cidadão comum ( teso como um carapau) deixou de poder aceder à página Web do “Público” (agora só a pagantes), agradecemos esta transcrição ao site do Clube dos Jornalistas: http://www.clubedejornalistas.pt/?p=7486

Ainda sobre a bomba do FMI - Gato escondido com o rabo de fora... - mas havia dúvidas?

Toda a gente sabe que este (des)governo é a peça caseira de uma engrenagem mais vasta que entrou em movimento há muito tempo, com particular aceleração após a queda do Muro de Berlim. A ascensão da China (onde curiosamente o Estado existe - e de que maneira!, provando que o "desenvolvimento" da economia não tem necessariamente de se libertar desse "peso morto" para singrar), dizíamos, a ascensão da China com base numa produção e exportação sem precedentes, deu pretexto aos políticos neo-liberais para imporem a sua famosa agenda de privatizações selvagens, beneficiando-se a si e aos amigos e hipotecando o Futuro da esmagadora maioria dos demais.
Como a nível caseiro não havia coragem de impor tais medidas, muito por culpa de uma Constituição que ainda consagra algumas das tais famosas "conquistas de Abril", havia que pôr em marcha um rolo compressor contra este obstáculo, assim como contra as peias mentais e sociais da sociedade Tuga. Como consegui-lo?  Havia já o pretexto (a grande Crise) para se aplicarem as doses cavalares. Não chegava aumentar os impostos e cortar nos salários (e nessas "benesses", tipo subsídios de férias e 13ºs meses), tudo a coberto da famosa Troika (deixando-nos até saudades do Teixeira dos Bancos e dos socráticos PEC's).  Agora, para estes hiper-neo-liberais, era preciso "REFUNDAR" o Estado, nem que, primeiro, para isso, fosse necessário afundá-lo primeiro - aliás esta parece ser a condição primeira, dentro do princípio da chamada "tábua rasa". Como os partidos da oposição, mormente o parceiro do Centrão, não estiveram pelos ajustes para alterar a Constituição, passaram ao plano B: encomendar "estudos" no mítico lá-fora, para dar ao pessoal o tratamento de choque. Foi assim que surgiu a BOMBA: o tal de famoso relatório do FMI, anunciado recentemente através de... uma fuga de informação. E, para reforçar um pouco mais as imperiosas medidas "necessárias" aí explanadas, veio logo outro a seguir, o da OCDE. É o cerco, para nos encurralar no campo pequeno das opções (deles). O curioso é que vieram logo alguns dos responsáveis políticos - para disfarçar, como a criança traquina que dá o traque na aula e se faz de inocente - quais virgens púdicas, a pôr paninhos quentes sobre a BOMBA. Que aquilo não era vinculativo, que havia coisas que não se podiam aceitar (apesar de outras, a maioria, e o espírito da coisa, ser mais do que certo), enfim, que era preciso ver-se bem. No fundo, a velha estratégia do polícia mau (o FMI) e o polícia bom (nós, o governo). Como se o "polícia mau" não tivesse sido instruido pelo "polícia bom" para nos dar uma valente carga de porrada.
Dúvidas?? - Ver aqui: http://www.noticiasaominuto.com/economia/36896/gaspar-e-portas-orientam-fmi#.UPfla2dlJnA  > de onde se prova que até o Portas "acompanhou" a coisa (como ministro dos negócios estrangeiros).

ADITAMENTO (18.01.2013): http://www.noticiasaominuto.com/politica/37240/o-relat%c3%b3rio-secreto-do-governo-que-inspirou-o-fmi

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O 8 e o 80 - um artigo profético de 1993, quando a procissão ainda não tinha saído do adro...

   No final do ano de 1992, quando já se ouvia falar, pela primeira vez, em "excedentários" da Função Pública, e já estava em marcha acelerada o processo de privatizações, ainda em pleno "cavaquismo", escrevemos um artigo publicado que viria a ser publicado num quinzenário de Bragança, "A Voz do Nordeste", faz agora 20 anos! 
   Nesse artigo, intitulado "O 8  e o 80 ou a morte do Estado?" denunciávamos já o desvario que tem agora o seu auge, 20 anos passados. Aí dizíamos que, depois dos excessos do PREC, em que se pretendia nacionalizar toda a economia, se estava a entrar noutro excesso: o de privatizar toda a economia. E verberávamos esta tendência do Homem de ziguezaguear sempre entre extremos e a sua incapacidade de procurar o justo equilíbrio no princípio do meio-termo, a justa medida dos Gregos antigos (coitados, mal sabiam o que os esperava dois mil e quinhentos anos depois, e nós com eles), ou, como diz o nosso povo: nem tanto ao mar, nem tanto à terra...
   Aí se denunciava também que por detrás da tentativa de defenestrar os funcionários públicos e destruir toda o sector público, estava o virús ávido do Capitalismo, para sugar melhor todo o cidadão que, estupidamente, até batia palmas, no seu ódio ao funcionário público (os que o não eram/são), tidos como uns privilegiados por terem ordenado certo e não fazerem nenhum (era e é o chliché).
   Já nessa altura o sr. Prof. Aníbal, o pai dest'outro Monstro, tinha proclamado que "menos Estado era melhor Estado" - a teoria da omlete sem ovos. É claro que, se há função pública a mais, há que proceder a ajustamentos, mas não é isso que eles querem. Os seguidores das doutrinas neo-liberais, que aqui, através do Prof. Aníbal chegaram em 2ª mão por interposta pessoa da Srª Tatcher, por sua vez seguidora do teórico Von Hayeck (que com Milton Friedman era um dos gurus da chamada "Escola de Chicago"), achavam (e acham) que o Estado mínimo permite que o cidadão pague menos impostos (pois, se não tem de pagar certos serviços públicos), para compensar o pagamento da mais-valia (o lucro) da prestação dos serviços por privados que, também teoricamente, trabalham mais e mais eficientemente, do que os amodorrados funcionários públicos. Ora, o que nos diz a prática? Com tudo o que já foi privatizado, será que os impostos baixaram? - todos sabem que não, antes pelo contrário! E a qualidade dos serviços melhorou? - na maior parte dos casos não se nota diferença, antes bem pelo contrário. E, como se denuncia no documentário aqui já postado (neste blogue) sob título "Catastroika", a privatização, por exemplo, da Energia/Electricidade, na Grécia (como cá) só serviu para vender (no nosso caso aos chineses) o que os cidadãos (através das empresas públicas, como no nosso caso, a EDP, ou, noutros tempos a Hidroeléctrica do Douro e etc.) já tinham pago!! Alguém viu a factura da electricidade baixar? - pelo contrário, preparam-se para mais aumentos, já que o novo patrão chinês não está cá para ajudar ninguém, está é para sugar, e também é preciso pagar aos novos Cristóvãos de Moura e Miguéis de Vasconcelos, que agora se chamam Mexias e quejandos....

Enfim, fica o aviso (para não lhe chamar PROFECIA), através de uma velha lei da física (enunciada pelo grande Isaac Newton): a toda a acção pode corresponder uma reacção igual e em sentido contrário. Do mesmo modo que ao desvario do PREC da 2ª metade dos anos 70 correspondeu uma certa "reacção", pode ser que agora, a este novo PREC ao contrário, corresponda uma nova reacção - ou, diferindo a matriz, se terá que chamar de REVOLUÇÃO....

Aqui ficam os recortes de "A Voz do Nordeste", secção "Diz tu, direi eu", 19.01.1993:

 
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013