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terça-feira, 8 de outubro de 2013

E havia dúvidas????

Ora tomem lá!... Os coelhos negros, passos a passos, lá voltam a sair da cartola do (des)Governo, neste período pós eleitoral (autárquico). - É que saíssem antes, pior era o rombo (a nível nacional, pois que a nível cá da Aldeia, pensamos que ia dar ao mesmo...).

E, em poucos dias, foram logo dois coelhos que estavam escondidos, se bem que com o rabo de fora:

1) Corte nas pensões de sobrevivência dos(as) idosos(as):
Austeridade - Viúvas vão sofrer mais com corte nas pensões
A não implementação da chamada TSU dos pensionistas fez, em contra partida, uma nova ‘vítima’. Os viúvos, que recebem uma pensão de sobrevivência, que em média ronda os 250 euros, vão receber um corte de 5% neste apoio. A maioria são mulheres, com 80 ou mais anos, escreve o jornal i. 
2) Extinção de quase metade das repartições de Finanças, a nível nacional, e 75% no distrito de Bragança (onde fica a nossa Aldeia):
PSD-Bragança quer que o Governo clarifique se vai fechar 9 das 12 repartições de Finanças do distrito
07/10/2013 - 15:09
Segundo o mapa da reorganização de serviços publicado pelo Diário de Notícias nesta segunda-feira, os serviços tributários do distrito de Bragança só se mantêm em Mirandela, Vila Flor e Bragança.

Esperem mais uns dias pelo resto... 
A seguir virão os Despedimentos na Administração Local = mais Desemprego para o Interior, mais Desertificação, mais gente a ter de emigrar.... E desenganem-se esses que andaram nas caravanas do buzinão e a quem terão prometido uns tachitos à maneira do antigamente... "o mundo mudou", dirá o autarca eleito, como o ia já dizendo o antecessor... "É uma chatice, ninguém estava a contar com isto".... "isto é tudo culpa dos que deixaram o país assim, e agora temos que cortar, é uma chatice, mas tem de ser assim".... 
Só que certas medidas, anunciadas antes das eleições, seguramente podiam deitar muita coisa a perder...

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Sobre a "Solução Final" para os Professores...

Continua o plano de extermínio de todo o sector público por parte deste "governo" lacaio do Capitalismo internacional e seus sequazes "nacionais"....
Confesso que até tinha uma boa impressão desse sr. Nuno Crato, antes do cavalheiro ter ido para o governo. Pelos bitaites que por vezes mandava, na fase pré-governo, parecia até ser um tipo sensato. Mas, ao constatarmos este seguidismo relativamente à tal agenda híper-neoliberal de um "governo" destes, ninguém acredita que o homem esteja a fazer o que faz a contragosto. Se está a ser obrigado, há uma solução: demite-se e diz "não contem comigo para isto!". Não o fazendo, é claro que concorda. O que não espanta, pois é sempre de se desconfiar de tipos que vieram da famosa "escola" da extrema-esquerda MRPPaica, e, quais neófitos, quando chegam a lacaios do capital têm de procurar esconjurar esses "devaneios de jumentude", procurando ser mais papistas que o Papa...

Neste cenário de ataque à Escola, à Função Pública, às reformas dos pensionistas, à Saúde, etc, quando patifes banqueiros (e qual o não é?), como um certo Jardim (Gonçalves), ainda hoje acusado pelo caso BCP, mas que seguramente nada lhe acontecerá, como a outros banqueiros ligados a outras siglas, enfim, ainda há quem acredite nesta gente???

Mas, sobre o caso do ataque ao Ensino Público, melhor do que nós, aqui fica pela pena do Professor Santana Castilho este artigo de opinião publicado no "Publico" de hoje (2013.09.11):
 
«Privatizem tambéma nuvem que passa
Santana Castilho*

O ano lectivo que agora se inicia está marcado, pobremente marcado: pelo afastamento da profissão de muitos e dedicados professores; pela redução, a régua e esquadro, sem critério, de funcionários indispensáveis; pela amputação autocrática da oferta educativa das escolas públicas, para benefício das privadas; pela generalização do chamado ensino vocacional, sem que se conheça qualquer avaliação da anterior experiência limitada a 13 escolas e agora estendida a 300, via verde de facilitismo (pode-se concluir o 3.º ciclo num ano ou dois, em lugar dos três habituais) e modo expedito de limpar o sistema de repetentes problemáticos; pela imposição arbitrária de decisões conjunturais de quem não conhece a vida das escolas, de que as metas curriculares, a eliminação de disciplinas, o brutal aumento do número de alunos por turma e as alterações de programas são exemplos; pelo medo do poder sem controlo, que apaga ao dobrar de qualquer esquina contratos de décadas e compromissos de sempre; pela selva que tomou conta da convivência entre docentes; pelo utilitarismo e imediatismo que afastou a modelação do carácter e a formação cívica dos alunos; pela paranoia de tudo medir, registar e reportar, para cima, para baixo, para o lado, uma e outra vez, e cujo destino é o lixo, onde termina toda a burocracia sem sentido; pelo retrocesso inimaginável, a que só falta a recuperação do estrado e do crucifixo.

Providencialmente no tempo (imediatamente antes de se concretizar mais um despedimento colectivo de professores, que marca o ano lectivo) vieram a público dados estatísticos oficiais.

Primeiro disseram-nos que em 2011/2012 tivemos nos ensino básico e secundário menos 13.000 alunos que no ano anterior. Depois, projectando o futuro, prepararam-nos para perdermos 40.000 até 2017.

Providencialmente, no momento, omitiram que, de Janeiro de 2011 a Junho deste ano, desapareceram 47.000 horários docentes. Políticos sérios não insinuam que esta redução de docentes se deve à quebra da natalidade. Trapaceiros, sim.

Nada justifica a desumanidade com que se trataram os professores contratados. Nada justifica o ministerial sadismo de obrigar ao ritual do Fundo do Desemprego, por escassos dias, aqueles que acabarão por ser contratados. Nada justifica o anacronismo de impor um exame de selecção a quem já é professor há uma década e mais, ao mesmo tempo que se entrega a leccionação de disciplinas curriculares a quem nem sequer tem habilitação científica na área.

Na Educação acabaram as subtilezas e perdeu-se a vergonha. Se Fernando Negrão, juiz de carreira e deputado de circunstância, expressou vincado desacordo pelo ensino da Constituição nas escolas, se Passos Coelho clamou pela “União Nacional” e, raivoso com o quinto chumbo constitucional (que impediu o despedimento sem justa casa dos funcionários públicos e foi significativamente decidido por unanimidade) recorreu à boçalidade de linguagem para referir explicitamente os respectivos juízes e, implicitamente, o Presidente da República, por que razão seria Crato recatado e decente? Na mesma altura em que a falácia da “liberdade de escolha” foi o argumento para um passo determinante na privatização do ensino e para a ampliação sem peias das parcerias público-privadas na Educação (outra coisa não são os contratos de associação já vigentes), o preclaro ministro cerceou a liberdade de escolha relativamente às escolas públicas, quando não autorizou o funcionamento de turmas constituídas em função das decisões dos alunos e das famílias. A engenharia social e económica que o Governo acaba de consumar com a aprovação do novo estatuto do ensino particular, a consumar-se com a regulamentação sucessiva que se espera, não se afastará daquela que protege as rendas escandalosas dos sectores energéticos, bancários, das rodovias e outros. Eis o Estado do futuro, o Estado escravo, cujo poder deixou de ser delimitado pela lei. Uma vez mais, a Constituição da República acaba de ser revista por decreto do Governo, que derrogou o carácter supletivo do ensino privado nela contido.
 
A agenda escondida com o objectivo de fora deste Governo é a substituição do Estado social possível, laboriosamente construído em 39 anos de democracia, por um Estado neoliberal, redutoramente classista. Para o conseguir, e a coberto do fantasma da falência, o Governo tem-se encarniçado em reduzir o Estado a funções mínimas de obediência aos titereiros do regime, privatizando o resto. Como fixou Saramago naquele belo naco de prosa que nos deixou desde Lanzarote, não escapará “a nuvem que passa” nem o sonho, “sobretudo se for diurno e de olhos abertos”. Pela mão de Passos e de Crato, abriu o assalto final à Educação. Não lhe declararam a privatização, como fizeram com a água. Mas, sorrateiramente, com melífluas justificações, querem consumá-la.»

*Professor do ensino superior. - s.castilho@netcabo.pt  - in Publico, 2013.09.11



sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Diz-se que...

Enquanto está em marcha o plano de extermínio de Funcionários Públicos, esses parasitas culpados pela Crise e pelo deficit, eis que temos certos "boys" e "girls" principescamente pagos para fazerem o quê?? - a gente não sabe, mas seguramente coisas muito importantes e altamente especializadas....
Ora vejam só:

SOMOS GOVERNADOS POR GAROTOS QUE SÃO ASSESSORADOS POR CRIANÇAS!

"Especialistas" (ainda devem comer Cerelac e já são especializados) saídos de Faculdades onde, na maior parte delas, o curso é ... equivalente!
O curioso desta lista é ver que qualquer um destes Assessores/Especialistas para começo de carreira, a trabalhar para o Estado, vencem mais do
que um Coronel das Forças Armadas com mais de
30 anos de serviço!

Como é possível acreditar nestes partidos que ocupam sucessivamente os lugares de poder neste pobre país?


Roubo de salários e subsídios de férias+Natal para dar de mamar a assessores do governo Segue parte da malta do PSD e do CDS que foi ao 'pote', tal como antes tinha sido a do PS!
Todos à custa dos nossos salários (e da sua redução) e dos nossos subsídios de férias e de Natal!
Lista de apenas 29 assessores/adjuntos (há mais umas centenas de boys deste tipo) a "trabalhar" nos ministérios do PPD/PSD e CDS, todos com idade inferior a 30 anos, havendo entre estes  14 "especialistas Cerelac" com idades entre os 24 e os 25 anos.

MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL (2)

Cargo: Assessora
Nome: Ana Miguel Marques Neves dos Santos
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 4.069,33 €

Cargo: Adjunto
Nome: João Miguel Saraiva Annes
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.183,63 €

MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS (1)


Cargo: Adjunto
Nome: Filipe Fernandes
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 4.633,82 €

MINISTÉRIO DAS FINANÇAS (4)


Cargo: Adjunto
Nome: Carlos Correia de Oliveira Vaz de Almeida
Idade: 26 anos
Vencimento Mensal Bruto: 4.069,33 €

Cargo: Assessor
Nome: Bruno Miguel Ribeiro Escada
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 4.854 €

Cargo: Assessor
Nome: Filipe Gil França Abreu
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 4.854 €

Cargo: Adjunto
Nome: Nelson Rodrigo Rocha Gomes
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,33 €

MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA (2)


Cargo: Assessor
Nome: Jorge Afonso Moutinho Garcez Nogueira
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,33 €

Cargo: Assessor
Nome: André Manuel Santos Rodrigues Barbosa
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 4.364,50 €

MINISTRO ADJUNTO E DOS ASSUNTOS PARLAMENTARES (5)


Cargo: Especialista
Nome: Diogo Rolo Mendonça Noivo
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,33 €

Cargo: Adjunto
Nome: Ademar Vala Marques
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,33 €

Cargo: Especialista
Nome: Tatiana Filipa Abreu Lopes Canas da Silva Canas
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,33 €

Cargo: Especialista
Nome: Rita Ferreira Roquete Teles Branco Chaves
Idade: 27 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,33 €

Cargo: Especialista
Nome: André Tiago Pardal da Silva
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,33 €

MINISTÉRIO DA ECONOMIA (8)


Cargo: Adjunta
Nome: Cláudia de Moura Alves Saavedra Pinto
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,34 €

Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Tiago Lebres Moutinho
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,34 €

Cargo: Especialista/Assessor
Nome: João Miguel Cristóvão Baptista
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,34 €

Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Tiago José de Oliveira Bolhão Páscoa
Idade: 27 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,34 €

Cargo: Especialista/Assessor
Nome: André Filipe Abreu Regateiro
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,34 €

Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Ana da Conceição Gracias Duarte
Idade: 25 anos
(deve ser mesmo boa) 
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,34 €

Cargo: Especialista/Assessor
Nome: David Emanuel de Carvalho Figueiredo Martins
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,34 €

Cargo: Especialista/Assessor
Nome: João Miguel Folgado Verol Marques
Idade: 24 anos
(deve ser mesmo bom) 
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,34 €


MINISTÉRIO DA AGRICULTURA (3)


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Joana Maria Enes da Silva Malheiro Novo
Idade: 25 anos (deve ser mesmo bom)
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,33 €

Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Antero Silva
Idade: 27 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,33 €

Cargo: Especialista
Nome: Tiago de Melo Sousa Martins Cartaxo
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €

MINISTÉRIO DA SAÚDE (1)


Cargo: Adjunto
Nome: Tiago Menezes Moutinho Macieirinha
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.069,37 €

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA (2)


Cargo: Assessoria Técnica
Nome: Ana Isabel Barreira de Figueiredo
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 4.198,80 €

Cargo: Assessor
Nome: Ricardo Morgado
Idade: 24 anos
(deve ser mesmo bom)
Vencimento Mensal Bruto: 4.505,46 €

SECRETÁRIO DE ESTADO DA CULTURA (1)


Cargo: Colaboradora/Especialista
Nome: Filipa Martins
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 2.950,00 €

Até quando vamos permitir isto?!


Mais um atentado a quem trabalha há anos, que todos os meses é roubado e fica sem subsídios nas férias e no Natal para pagar a esta corja de boys!

Reenvie sff mais esta canalhice.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

"Novo governo" dá prémio a um dos cabecilhas do BPN

Não seria grave se... o novo Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, não tivesse sido «presidente ao longo de vários anos do Conselho Superior da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), a dona do Banco Português de Negócios (BPN), onde o Estado português injectou a fundo perdido cerca de 4 mil milhões de euros» [cf. PUBLICO, 2013.07.24] - ora, os tais 4 mil-milhões-vírgula-qualquer-coisa são, coisa menos coisa, o grande buraco que TODOS! temos de pagar com língua do palmo, a começar pelos funcionários públicos, sujeitos a cortes, congelamento de carreiras leis dos disponíveis (antecâmara do despedimento), e despedimentos!... Ou seja, neste "país", os inocentes são castigados, e os criminosos são promovidos a MINISTROS!!!! - caso para perguntar: que merda de país é este?? - infelizmente, já não é país coisa nenhuma; é um lugar mal frequentado, em que se decretou o "fartar vilanagem" e o "safe-se quem puder", em que os cães grandes (arrimados à partidocracia vingente) são senhores, e os outros vão sendo encaminhados para os campos da morte lenta....

Aqui vos fica:

«Novo ministro dos Negócios Estrangeiros com fortes ligações ao BPN e ao BPP


Na década de 2000, antes dos dois bancos serem intervencionados e alvo de investigações policiais, Rui Machete ocupou funções ao mais alto nível no BPN e no BPP.»
Se ainda tiverem pachorra para ler o resto:
http://www.publico.pt/politica/noticia/novo-ministro-dos-negocios-estrangeiros-com-fortes-ligacoes-ao-bpn-e-ao-bpp-1601101

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Ah, mas esperem lá!.... se querem ver o gato escondido com o rabo de fora, parece que o currículo oficial distribuído pelo P.M. à imprensa, não refere a passagem do sr. dr. Rui Machete pelo BPN.... Pois, lá saberão porquê. Aqui vai mais esta:

«Governo Passos esquece BPN no currículo de Rui Machete
Rui Machete volta ao Governo três décadas depois e é a grande surpresa na remodelação da equipa de Passos Coelho. Contudo, o currículo oficial esquece a sua ligação ao BPN, aponta o Diário de Notícias (DN).»
http://www.noticiasaominuto.com/politica/92911/passos-esquece-bpn-no-curr%c3%adculo-de-rui-machete#.Ue-q9UZdbmI

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

"O peixe apodrece pela cabeça" - um artigo fundamental de Pacheco Pereira

Mão amiga fez-nos chegar um recorte do "Público" do passado sábado (2013.01.12) respeitante a um artigo de autoria de José Pacheco Pereira, onde se faz uma radiografia político-social de uma precisão e de uma clarividência como não vimos ainda. Não espanta, pela inteligência e argúcia do autor, senhor de uma cultura vastíssima e conhecedor dos por-dentros do sistema até ao tutano, pela sua acção e análise política desde antes do 25 de Abril. O que não deixa de ser curiosa é a expressão de "PREC (Processo Revolucionário Em Curso) ao contrário", ou seja, agora de matriz hiper-neoliberal, associação de ideias que já aqui se fez há dias, num outro post deste blogue (por Manuel Giesta - http://aquidaldeia.blogspot.pt/2013/01/o-8-e-o-80-um-artigo-profetico-de-1993.html). E conclui Pacheco Pereira que "... a sociedade que este PREC está a gerar é destrutiva, paroquial, subserviente, sem oportunidades para os bons e cheia de oportunidades para os maus..."
Mas há que ler tudo, pelo que aqui fica:

«O peixe apodrece pela cabeça
O vírus da intriga e da divisão sempre foi a melhor garantia da intangibilidade do poder

Nós não vivemos no melhor dos mundos. Longe disso, em todos os países europeus, fora dos Balcãs e do Leste, vive-se melhor. Não vivemos também no pior dos mundos. Longe disso, em África, na Ásia, Américas do Centro e Sul e Oceânia, vive-se muito pior. Mas não podemos contentar-nos com este equilíbrio estatístico, porque não são os números absolutos que são relevantes, mas sim os relativos. Não é o que há, é o que está a mudar. O “processo revolucionário em curso” (PREC) ao contrário, que atravessamos, é um processo dinâmico, move-se, desenvolve-se num determinado sentido, alastra pelas suas margens como uma nódoa, destrói todos os dias alguma coisa. E o seu sentido é afastar-nos do melhor dos mundos e aproximar-nos do pior.
A grande incapacidade do Governo, que não é involuntária, mas voluntária, desejada, programática, é ignorar que nestes dias não é tanto a pobreza e a miséria que são características dos tempos que vivemos, mas sim o empobrecimento. O empobrecimento é um factor dinâmico muito mais importante do que a pobreza em termos de efeitos sociais e da perversidade de resultados. É evidente que o principal resultado do empobrecimento é aumentar a pobreza, mas pelo caminho destrói a fibra da sociedade, mergulha-a na apatia e na revolta, dois lados da mesma coisa, corroí-lhe o tónus moral, e faz aumentar todos os sentimentos mesquinhos.
Eu não cuido da moral individual, essa tarefa é para os moralistas e para as religiões, mas preocupa-me a moral colectiva, os sentimentos colectivos, a qualidade moral mínima de Portugal e dos portugueses, minha pátria e minha gente. Contrariamente ao que se diz, não é o “melhor de nós” que vem ao de cima com a crise, mas sim o pior de nós. Estamos a ajudar a criar uma sociedade maldosa, profundamente dividida, oscilando entre rancores e egoísmos, afectada mais do que nunca pelos efeitos desse velho provérbio de pescadores que diz que o peixe apodrece pela cabeça. E esses estragos não se apagam facilmente.
Todo o discurso público do poder é o da divisão e o apelo à luta de classes, grupos, idades, profissões, cada um contra o outro, mesmo quando a condição de cada um é a mesma do outro. Os que tinham toda a razão para fazer greve voltam-se contra os que fazem greve. Os jovens são instigados a voltarem-se contra os velhos, pensionistas e reformados. Os que têm alguns meios de vida desdenham dos que recebem subsídios de desemprego. Os que ainda não viram a sua profissão como alvo apontam a do outro como o alvo que deveria ser o seguinte. Polícias olham para os militares, os militares para os polícias. Trabalhadores do sector privado culpam os funcionários públicos, os funcionários públicos fecham-se com medo do desemprego. Os que ganham 900 euros apontam o dedo aos que ganham 1000 euros. Uma inveja social mesquinha e corrosiva perpassa tudo e todos e cada um defende o seu território, dando razão ao Governo, que aponta toda a contestação como sendo “corporativa”. Só a minha “corporação” é que não é corporativa, todas as outras são-no. O vírus da intriga e da divisão sempre foi a melhor garantia da intangibilidade do poder. E não é difícil em tempos de crise propagar estas epidemias, mas é perigoso. Porém, o medo ajuda, ajuda muito.
Antes dizia-se que o anti-semitismo era o socialismo dos imbecis, agora os nossos governantes apostam numa fractura social que faz de cada uma das partes imbecis sociais, e que, pela sua linguagem, divisões, alvos, egoísmos, servem de rebanho aos pastores deste “PREC”. A única fractura que não desejam é entre os incluídos e os excluídos, os que estão a ganhar com esta crise – poucos, mas a ganhar muito, o suficiente para o preço do Copacabana Palace ser peanuts – e os muitos que estão a perder, porque sabem que ela é socialmente perigosa. Subversiva é o termo certo. Fora disso, venha a luta de classes dos imbecis.
Os maus costumes de uma sociedade em crise, permeável a partir de cima pelos miasmas que dividem e pelo medo, estão a fazer um Portugal pior, muito pior. A mentira tornou-se uma prática quotidiana da governação. Foi-o já em doses exponenciais no Governo socrático, continua no governo passista-relvista. Todos os dias há uma nova tentativa de engano, uma manipulação, uma inquinação do espaço público, uma espertice qualquer vinda de um gabinete ou de uma agência, canhestras muitas vezes, mas sempre destinadas a enganar-nos.
Todo este processo da “refundação do Estado”, desde o anúncio patético e atabalhoado de uma “refundação do memorando” até à encenação da fuga do relatório do FMI, seguida da tentativa de controlo dos danos feita por Moedas, seguida de todos os enganos sobre a sua preparação, versões, papel do Governo, destino e intenções, é o exemplo de como a mentira se tornou a essência do discurso do poder.
Querem, o Governo e a maioria, convencer-nos seriamente de que vão “refundar” o Estado a partir de um anúncio de um corte de 4 mil milhões, escondendo-nos os compromissos já tomados sobre esse valor antes de qualquer discussão, seguido da encomenda de um relatório do FMI conhecido por uma fuga de informação de um comentador, preparado pelo Governo em peso escondido por detrás da instituição internacional, depois de novo passado aos jornais numa “versão preliminar” para preparar a opinião público do susto da definitiva, e depois, a um mês do prazo para a apresentação das propostas do Governo à troika, se apelar ao debate público organizando uma conferência de um dia com convidados escolhidos a dedo entre os próceres do “PREC” e os oposicionistas bem-comportados, juntamente com uma comissão parlamentar de fachada para pressionar o PS, tudo isto sem nunca se saber qual é a proposta do Governo que deveria estar na origem de todo o debate?
Quem colaborar com este processo está a colaborar numa mentira, a ajudar a esconder que tudo já foi acordado, e se alguma das coisas que já foram acordadas com a troika não avançar, é pelo receio dos seus efeitos eleitorais. Como é que nos podemos surpreender por os “de baixo” – os novos inimigos do Governo, restaurantes, cabeleireiros e oficinas de reparação de automóveis – fugirem ao fisco, se os “de cima” fogem à verdade? Tudo o resto é nevoeiro.
A grande falácia deste “PREC” é pensar que a sociedade, a economia e as empresas podem de repente, feito o “ajustamento”, iniciar um arranque glorioso para o crescimento económico e para a melhoria social, quando o que o empobrecimento faz à sociedade é retirar-lhe todo o potencial criativo e força anímica para qualquer reacção que não seja a sobrevivência egoísta e nalguns casos a exploração abusiva da situação em termos próprios. A morte da “classe média”, de que CDS e PSD eram no passado os grandes arautos, é a receita melhor para destruir qualquer dinamismo, retirar à sociedade qualquer potencial de crescimento. Podem fazer mil programas de televisão sobre o “pensamento positivo”, sobre o “Portugal melhor”, premiar em cerimónias televisivas os jovens “empreendedores”, “inovadores”, “inventivos”, que estão apenas a alimentar a ilusão de que qualquer dessas qualidades pode sobreviver numa sociedade que está a ser construída para que eles emigrem se querem ter sucesso, ou vão à falência debaixo do jugo dos impostos e da crise.
Seria, aliás, muito educativo revisitar muitas das iniciativas apresentadas com parangonas televisivas como de “sucesso” e de “futuro” em 2010, 2011, 2012 e ver onde é que elas estão em princípio de 2013. Não estão em lado nenhum porque a sociedade que este “PREC” está a gerar é destrutiva, paroquial, subserviente, sem oportunidades para os bons e cheias de oportunidades para os maus, que as percebem à distância. Parece maniqueísmo? Antes fosse. Mas a responsabilidade é nossa. Edmund Burke escreveu-o: “Tudo o que é necessário para o triunfo do mal é que os homens bons não façam nada”. Sempre podem cortar a cabeça ao peixe, deitar o peixe fora e arranjar outro. É difícil, mas não é impossível.»
José Pacheco Pereira – “Público” 12 janeiro 2012

Nota Cá d’Aldeia: e porque o cidadão comum ( teso como um carapau) deixou de poder aceder à página Web do “Público” (agora só a pagantes), agradecemos esta transcrição ao site do Clube dos Jornalistas: http://www.clubedejornalistas.pt/?p=7486